Vestimos um simulador de envelhecimento por 1 hora para sentir o que o idoso sente
Com Erlaine Rezende, fisioterapeuta especialista no cuidado da pessoa idosa · Instagram · YouTube

Andréia Teodoro e a fisioterapeuta Erlaine Rezende vestem um simulador de envelhecimento para sentir as limitações de visão, audição, equilíbrio e movimento. A conversa trata de autonomia e independência, da infantilização do idoso e da empatia no cuidado de famílias e cuidadores.
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Transcrição automática do áudio, com correções pontuais de nomes e termos. O travessão marca a troca de quem fala.
Seja bem-vindo ao Viver Mais, Cuidar Melhor, o espaço onde o cuidado vai além da doença. Eu sou Andréia Teodoro e hoje eu quero fazer uma pergunta. Você já parou para pensar como é envelhecer? Não apenas completar mais um ano de vida, mas sentir o corpo mudar, perder força, precisar de mais tempo para realizar tarefas simples ou até depender da ajuda de alguém. Nesse episódio, vamos viver uma experiência que nos convida a enxergar o envelhecimento por uma nova perspectiva, não para entender completamente o que é ser uma pessoa idosa, porque isso só quem vive pode dizer, mas para desenvolver aquilo que transforma qualquer cuidado, a empatia. Porque quando compreendemos o envelhecimento, cuidamos melhor. E para nos conduzir nessa experiência, recebo hoje Erlaine Rezende, fisioterapeuta especialista no cuidado da pessoa idosa, com pós-graduações e mestrado na área da geriatria.
Uma profissional que já inspirou mais de 1 milhão de pessoas a cuidar melhor. Erlaine, seja muito bem-vinda ao nosso Viver Mais, Cuidar Melhor.
— Muito obrigada pelo convite. Muito obrigada por ter permitido, né, eu vim participar desse podcast e poder ajudar outras pessoas, né, com a minha experiência e que seja válido tudo que a gente vai poder conversar aqui.
— É um prazer tê-la aqui. Podemos começar?
— Claro, preparadíssima.
— Então, vamos lá. Antes de vivermos, Erlaine, essa experiência do simulador do envelhecimento, eu quero fazer algumas perguntas, só para esclarecer pro nosso público o que é envelhecer. O que as pessoas mais deixam de compreender com o
— Eu acho que as pessoas confundem, acham que envelhecer é doença e não é envelhecer é um uma situação que vai acontecer para aqueles que de fato tiveram a sorte de continuar vivendo, né? Se você não envelheceu, infelizmente já se foi. E o envelhecer possibilita com que você viva uma nova fase da vida com mais sabedoria, podendo desfrutar dos seus filhos, dos seus netos, né, de uma nova fase da sua vida. E essa fase pode ser saudável e com qualidade de
— E qual o maior erro das famílias, dos filhos, quando eles começam a cuidar dos pais nessa fase do envelhecimento? Então acontece um bac, né? Porque aquele pai que tinha um papel dentro daquela família, ele começa a ter um outro papel. Até então ele cuidava, ele precisa de começar que cuidem dele. E existem filhos que querem colocar esses pais numa redoma de vidro. Existem filhos que negligenciam, não querem enxergar que os pais estão envelhecendo, fazem literalmente um bloqueio. E existem filhos que entendem que é aquela nova fase e o que que a gente precisa de fazer. E aí um dos maiores erros é tentar tirar autonomia e dependência desse idoso, querer fazer tudo por ele. Não, ele ter ter está no na fase, né, que ele tá na terceira idade, ele está envelhecido, mas ele tem muitas possibilidades de realizar muitas tarefas.
Então, não é fazer por ele ou marginalizá-lo, é integrá-lo na família numa nova condição. Ele não pode ir mais naquele restaurante que gostava tanto, porque tem que subir, sei lá, 20 degraus para chegar no restaurante. Tá bom, vamos num outro restaurante. Deixar de ir no restaurante não é uma opção, é adequar a nossa nova possibilidade. Isso. E porque muitos idosos parecem resistentes, muitas vezes até pelo convívio social em sair das suas casas, como você disse, no restaurante e as pessoas o vem como resistente. Eles são resistentes ou existe algum outro tipo de consequência por conta do
— É, então eu entendo que para esse idoso também existem diferenças. Por exemplo, eu, né, tô com 45 anos e um dia eu fui olhar no meu telefone, eu já não enxergava mais igual eu enxergava antes. Então, é uma novidade para mim também. o meu corpo já não me responde é o que respondia antes.
— E para esse idoso também é uma novidade. A articulação que dói, a coluna que tá incomodando, a agilidade, o equilíbrio, a destreza que existia hoje não existe. Então não é que ele tá teimoso ou que ele às vezes até agressivo, ele não entende. Não, não é isso. Ele quer dentro do que ele tá vivendo agora se entender e ver até onde ele consegue ou não. E às vezes eu entendo que por um zelo ou cuidador de idosos ou familiar tenta fazer tudo por ele. Sim.
— E aí vem o problema, porque a gente tem que tentar dar para ele independência, autonomia, para ele poder seguir dentro das ferramentas que ele ainda tem. Importante falar, tá gente? Independência e autonomia são coisas diferentes. Independência é ele ter a condição de se vestir, de fazer, de caminhar. E a autonomia é ele resolver a roupa que ele vai usar. é ele resolver se ele vai querer fazer a caminhada ou ir na academia hoje ou não. E eu tenho que dar as duas possibilidades. Se de repente ele já não tem tanta independência, por exemplo, né? Ele teve uma fratura de fêmur, então ele tá acamado, ele não consegue ter independência de tomar o banho sozinho, de caminhar, mas eu posso perguntar para ele qual o horário que o senhor prefere esse banho?
Como que o senhor deseja colocar roupa? O que nós vamos comer hoje? Muit das vezes as pessoas resolvem tudo pelo idoso e não é isso. É a gente entender que ele tem os gostos, os jeitos, os desgostos, né? Ele gosta de giló, ele não gosta, ele gosta de tomar sorvete, ele gosta de ver o qu na TV. Então eu não posso resolver tudo por ele. Como que o senhor gosta? De que forma? Como que a gente pode fazer? Sempre com uma comunicação humanizada, tentando trazer essa autonomia que sempre teve, por que agora não vai ter? Só porque ficou idoso, né?
— Uhum. Uhum. É sempre colocar o idoso no centro da das suas atividades, no centro da conversa, no centro de tudo ainda pertinente à vida dele
— Para que ele decida dentro das suas limitações. É óbvio,
— O que ele quer e o que ele não quer. É mais ou menos isso, né?
— E falando da saúde emocional dessa pessoa idosa, o que afeta no envelhecimento? Que as pessoas podem enxergar e ajudá-lo? Então, aí eu acho que tem um uma coisa que muitos familiares não enxergam, mas as pessoas começam a falar: "Ai, ele é assim mesmo, é da idade, deixa ele no quarto". Não, ele já não fala muito. Não vamos levar o papai não, porque lá é difícil. Não vamos levar o papai não, que ele vai querer ir embora cedo. E pessoas precisam de pessoas, seja crianças, adultos, idosos. Então, a gente precisa desse convívio. Quando ele é tirado ou reduzido ou oferecido da forma que um quer e não o outro, esse idoso começa a se sentir mal. Então, muitas vezes, a depressão, o entristecimento, ele vem a partir do momento que ele percebe que aquele afeto, aquilo que existia antes, já não existe mais.
Às vezes, por conta de que até ontem eu era ativo, eu tinha muitas funções nessa família e hoje eu não tenho mais, então eu já não tenho o valor que eu já tive. são questionamentos que muitos idosos têm. E aí, é claro que você tem relação também com a vida de uma pessoa, uma pessoa que passou uma vida inteira e ele era muito feliz, ele tem uma tendência a passar, né, o envelhecimento, né, a melhor idade, como eu costumo falar, de uma forma feliz dentro das suas possibilidades. E se uma pessoa sempre foi uma pessoa mais entristecida, mais emborrecida, no envelhecimento, ela vai tender a ter esse estado emocional, mas nem por isso eu vou negligenciá-lo ou deixá-lo de lado. Eu vou tentar sempre trazer ele pr as coisas do cotidiano, pro aniversário, pro Natal, pra feira que tá tendo na cidade, né, dentro dos seus gostos.
Então, só para ficar claro, o olhar da família para esse idoso dentro das limitações dele é muito importante. Às vezes a família não quer levar por conta das limitações, porque vai dar muito trabalho, mas incentivar esse idoso a ir nos eventos sociais, a tirá-lo de casa, mesmo diante, em frente a essas dificuldades, isso melhora muito o humor, né, diminuindo a a depressão ou ele muitas vezes nem passa por uma depressão porque ele está saindo de casa, ele tá tendo esse convívio com pessoas, indo para aniversários, para festas. Isso é importante que fique claro para todas as famílias a importância de tirá-lo esse idoso da sua zona de conforto. Seria isso. É assim, se ele não quer sair também, que todo familiar vá até ele, sabe?
Que faça o almoço de domingo, que faça um café da tarde. Eu falo muito isso com as pessoas que fazem o meu curso, ter humanização dentro das possibilidades. Ai, o idoso não quer sair ou não pode sair, tem alguma limitação, é acamado, faz um café, chama os familiares, combina uma vez por mês, uma vez por semana, dentro das possibilidades de cada um que a gente não sabe, né? O que que a gente pode fazer para alegrar esse idoso? sempre há algo que possa ser feito que vai deixá-lo muito feliz.
— Sim. Falamos da família, vamos falar um pouco do cuidador, que pode ser o cuidador profissional, pode ser o cuidador familiar.
— O que ele precisa entender
— Sobre o envelhecimento, sobre o cuidado antes mesmo de aprender a prática? que muitas vezes o cuidador familiar ele é pego de surpresa diante de uma enfermidade, diante de uma queda, diante de uma assistência direta, né? Antes mesmo da prática, o que ele precisa entender sobre esse envelhecimento, sobre aquela pessoa idosa? [roncando]
— Eu costumo dizer que o cuidador muuit das vezes ele cai de paraquedas naquela profissão, seja familiar, seja profissional. E aí quando eu me deparo com aquele idoso, primeira coisa que eu tenho que entender, eu quero cuidar, eu tenho amor, eu tenho vocação para aquilo, porque eu falo que a gente vem nessa vida, a gente tem que fazer o que a gente ama. Se você não ama, não, não
— E aí começar a compreender que muit das vezes a atitude da agressividade, né, do idoso, às vezes ele tenta até bater no cuidador ou, né, uma situação que ele tem incontinência e aí suja a roupa, suja a roupa de cama. Não é ele, muit das vezes é a doença. Mas que doença? Aí sim eu vou tentar entender, aprender, compreender sobre cada doença que aquele idoso tenha para eu poder conseguir cuidar de uma forma assertiva. Porque é muito importante o cuidador saber que eu eu prego a humanização no cuidado, né? A gente precisa de saber humanizar, personalizar esse atendimento, olhar para cada idoso de uma forma diferente. Não é receita de bolo, todo idoso é igual, não. Cada um tem suas Dentro dessa humanização de cada paciente ter conhecimento para saber cuidar daquele paciente de acordo com as suas necessidades, com as doenças que ele tem, com as doenças crônicas, o que que eu posso fazer, como que eu devo cuidar.
Então, primeiro esse olhar de eu amo, eu quero fazer isso, então eu vou trabalhar com empatia, com humanização e depois o conhecimento para eu saber cuidar de uma forma assertiva.
— É, e nunca falar que o idoso é como se fosse uma criança. São cuidados totalmente diferentes. A criança nós ensinamos, o idoso nós aprendemos porque ele tem história, né? É,
— Nós aprendemos muito com com a com a pessoa idosa. Ter a empatia, gostar do que faz, como você falou aqui, é muito importante. Aí depois sim conquistar a técnica, conquistar a se aperfeiçoar. Isso, exatamente.
— Você falou isso do idoso não ser criança. Me veio na memória aqui um vídeo que eu fiz que basicamente falava idoso não é criança. A gente precisa de respeitar seus gostos, seus desejos e aí esse vídeo viralizou e muitos, milhares de idosos entraram nesse vídeo e disseram: "Que bom que alguém tá dando voz pra gente,
— Porque eu não sou criança, eu não quero que façam tudo por mim". me pergunte o que eu quero, da forma que eu quero, como que eu gostaria que fizesse. E é exatamente isso, a gente respeitar quem é aquela pessoa, que se tudo der certo, amanhã eu vou estar lá
— E eu gostaria que me respeitassem
— Como eu quero ser cuidado.
— É, exatamente. E uma coisa que é muito importante, às vezes o cuidador, por carinho, por zelo, eu compreendo, fala: "Meu bebezinho, meu nenenzinho". E não é senhor fulano, dona ciclana, o respeito com aquela pessoa que tá ali. E outra coisa, né? Acabar com essa história de infantilização, da mamadeira para idoso, colocar um monte de chuquinha no cabelo. Eu sou literalmente contra isso. Às vezes o paciente tem demência, né? E aí as pessoas fazem isso, ele não tá tendo a noção do que do que estão colocando no cabelo dele, de que estão dando mamadeira para ele. Não há necessidade disso pro cuidado, né? Se eu preciso de prender o cabelo do meu idoso, faça aqui um rabo, né? Tá calor, tudo bem. Um rabo de cavalo, não precisa de encher de de pendurical no cabelo.
É, na hora de alimentar, não precisa de mamadeira, até porque se ele toma uma mamadeira deitado, ele tá correndo risco de
— Ou outras consequências.
— Então assim, exatamente, não deve. outro dia eu vi um vídeo desses no TikTok e assim eu falei: "Meu Deus do céu, essa pessoa não tá ensinando o que é correto". Então assim, não façam isso. O idoso é uma pessoa que já viveu a sua história, ele tem seus gostos e a gente precisa de respeitá-los. Eu veio, nós tivemos uma convidada aqui, ela falou essa frase e eu carrego pra vida. Nós falamos também no meio da nossa conversa que o idoso não pode ser tratado como uma criança porque ele não é. E aí ela me trouxe essa frase que eu uso quase em todos os episódios. Com a criança nós nós ensinamos a criança e com o idoso nós aprendemos porque ele tem história. Então eu levo levo essa frase pra vida.
É muito importante e buscar, né? Esse é o intuito do nosso podcast, levar a informação, como você disse, você viu no TikTok algo que te surpreendeu negativamente. Esse intuito do nosso podcast é levar algo com muita clareza, com muita certeza do que estamos falando. O quanto é importante você buscar canais que te trazem a informação correta. É, então, a importância de você que tá assistindo agora, né, esse podcast, que é viver mais e cuidar melhor, né, você saber o que que você tá assistindo, sabe quais dos canais que você tá associado, que tá te trazendo informação, é informação de valor ou não, né? A Andréia traz vários profissionais aqui super renomados, qualificados para te dar informação de valor. Então é importante a gente saber o que a gente tá ouvindo, sabe?
Em qual mês eu tô sentando, né? Porque é como se vocês tivessem aqui junto conosco. Em qual mês eu tô sentando para trocar ideias? Então, que você possa sempre priorizar sentar em mesas que vão te elevar, que vão te trazer conhecimento, que vão te oferecer técnicas e qualidade pro seu cuidado aí no dia a dia.
— Nós falamos até agora sobre envelhecimento, chegou a hora de senti-lo. Nós vamos fazer isso na
— Vamos explicar
— Como vamos fazer. Nós vamos vestir, Erlaine vai me vestir e eu vou vesti-la com um simulador de envelhecimento. Nós vamos sentir
— O que um idoso sente.
— O que um idoso sente, quais são as limitações, o quanto é difícil fazer alguns movimentos, o quanto é difícil conversar, escutar, enxergar. Isso tudo nós vamos sentir. Chegar aí 99% do que ele sente. Pode ser mais ou menos.
— Mais menos. É. E aí é interessante porque às vezes a gente ouve ele dizer que tá com dor articular, que a coluna tá doendo, que a vista não tá boa, que ele já não escuta muito bem. Às vezes a gente ouve ele falar que tá desequilibrado, que ele não tá enxergando algo que a gente tá vendo e como assim ele não tá enxergando. E quando você usa esse simulador, você consegue entender na prática como que é difícil a vida de muitos idosos. E aí você cria a empatia de olhá-lo com uma forma diferente. tem uma história que eu atendi um paciente que tinha Parkinson e aí um dia a cuidadora falou comigo assim: "Eu tô irritada com ele, ele não anda." Olha lá, só para me irritar, ele fica fazendo hora na hora de andar.
E aí quando eu olhei, paciente que tem Parkinson, para ele poder iniciar a marcha, o caminhar, ele tem um atrasozinho, né? Então ele pensa para ele conseguir ir. Isso é da doença. Ele não tá fazendo pirraça com ninguém. Ele não tá fazendo manha com ninguém. E aí eu expliquei para ela, eu falei: "Olha, isso é da doença, da doença de Parkinson. Por isso que ele demora para dar a primeira passada. E não adianta você empurrá-lo, não adianta você ficar bravo, não adianta você gritar com ele. Infelizmente a dopamina, né, que é o que vai dar lá o estímulo para ele, a dele já está prejudicada, já existe uma diferença da sua dopamina que você pensou e andou, do seu estímulo. Então, é muito importante a gente tentar enxergar além, né?
Ter empatia e enxergar além do que os olhos vêm. E eu acho que a gente vai sentir isso agora.
— Isso. Vamos lá.
— Antes de começarmos a falar sobre queremos fazer um pedido. Por alguns minutos, esqueça que você está assistindo a um vídeo. Imagine que é você quem está vivendo essa Quando pensamos em envelhecer, geralmente imaginamos cabelos brancos e algumas rugas, mas envelhecer vai muito além da aparência. Nessa experiência, utilizamos um simulador que reproduz algumas das limitações comuns do processo de Cada equipamento colocado no corpo representa uma dificuldade real vivida por milhares de pessoas idosas. Os pesos dificultam os movimentos, as articulações ficam rígidas, a visão perde nitidez, a audição deixa de ser tão precisa e o equilíbrio que um dia foi automático passa a exigir atenção a cada passo. Aquilo que sempre fizemos sem pensar começa a exigir planejamento. Levantarte uma cadeira, caminhar alguns segurar um objeto, vestir uma roupa.
Atividades simples deixam de ser Naquele momento eu compreendi que o problema não é apenas a limitação física. O maior desafio é perceber que o mundo continua na mesma velocidade, enquanto seu corpo já não consegue O que para muitos parece apenas teimosia, lentidão ou até dificuldade, na verdade pode ser consequência das mudanças naturais. do envelhecimento. Essa experiência nos convida a fazer uma pergunta. Estamos olhando para a pessoa idosa com empatia ou apenas com pressa? Foi impossível não pensar em quantas vezes chamamos uma pessoa idosa de lenta ou difícil, quando na verdade ela está apenas tentando realizar uma tarefa que para nós parece tão fácil. Envelhecer não significa perder o desejo de viver, significa apenas precisar de mais tempo, mais compreensão, mais paciência, mais respeito. Essa experiência nos mostrou que a empatia não nasce apenas do conhecimento, ela nasce quando conseguimos sentir, mesmo que por alguns minutos, aquilo que o outro vive todos os dias.
Essa vivência reforçou uma certeza que levo para a minha profissão e para minha vida. Cuidar vai muito além da técnica. É enxergar a pessoa antes da doença. É respeitar sua história, seu tempo e sua autonomia. Se hoje você cuida de uma pessoa idosa, lembre-se de que por trás de cada limitação existe alguém que continua querendo ser ouvido, respeitado e protagonista da própria vida. E se um dia todos nós desejamos envelhecer, precisamos começar agora a construir uma sociedade mais acolhedora para quem já chegou lá. Porque viver mais só vale a pena quando se aprende a cuidar melhor. Erlaine, vivenciamos, vivemos hoje as limitações do idoso nesse episódio tão marcante. Para mim foi impactante e eu queria escutar de você nesse momento. Qual Quais foram as suas sensações, as suas percepções?
O que você vê de diferente a partir de hoje? né? Então eu me emocionei na hora que eu coloquei, porque você não consegue escutar direito, automaticamente isso altera seu equilíbrio, a visão fica bem embaçada e aí você também não consegue enxergar direito. Além disso, né, tem um peso na sua coluna, suas articulações estão travadas, então a dificuldade de andar é muito maior. Além disso, perceber o ambiente, além de olhar onde você tem que andar, sentar, para mim foi muito difícil mexer no celular, foi no áudio, né? para você também foi no áudio.
— Eu não consegui colocar o casaco. achei que Andréia fosse conseguir, até porque o casaco era dela e ela também não conseguiu colocar o casaco. Ou seja, as limitações elas vão vir com a idade e quem vai estar cuidando de mim vai ter dignidade de entender que a partir de agora é assim e ele não tem que fazer tudo para mim, mas será que ele pode me ajudar, me auxiliar de alguma forma, né? E e eu pensei assim, né, que eu possa oferecer dignidade até o último dia dos que eu cuido e que amanhã a minha filha ou um cuidador que tenha feito o meu método, que alguém possa cuidar de mim também, sabe? com dignidade, porque não tem jeito, para todo mundo vai acontecer de ter alguma coisa que vai atrapalhar o seu desempenho de 20 anos pro desempenho de 80.
Não tem como ser o mesmo, né? Então, é um olhar de empatia mesmo, de olhar além. eu fiquei bem impactada com a com o simulador. O mais difícil para mim foi a audição. Todos os sentidos, você perder os sentidos e perdendo os sentidos é muito complicado. Qualquer um deles que você começa a ter diminuição. foi a audição e a visão que se você enxerga mal, você não vê a cadeira, você não vê o celular, você não vê as outras limitações também foram ruins, mas o que mais me deixou chocada foi a audição. Você falava e eu não entendia nada que você tava falando.
— Então foi foi muito complicado viver essa experiência. é uma forma de entender melhor o que cada pessoa idosa sente dentro, né, de um grau mais elevado ou não. Saber levar a informação agora de uma forma diferente, porque eu vivenciei isso. E se todas as pessoas que cuidam pudesse viver isso que vivemos hoje, seria muito importante. A empatia viria com mais facilidade, né? Você saber o limite do outro e o quanto você precisa ajudá-lo,
— Né? É,
— Para mim foi isso. Foi a dificuldade maior foi audição e visão.
— E eu não sei se você teve essa percepção. A hora que você tava toda vestida, parece que literalmente acontece uma trava aqui, ó.
— Sabe? E aí, tipo, você fica engessada para aquilo ali que você pode fazer. Nada além, né? Eu pensei, quando a gente é jovem, quando a gente é criança, né, na fase de desenvolvimento, a gente é peralta, faz muita coisa, corre, brinca, pula, sobe, na ali já não tem mais essa possibilidade. Então, se o seu idoso ainda tá caminhando, tá fazendo musculação, tá fazendo suas atividades, isso já é uma dádiva, porque para ele já não tá fácil, né? né? Então assim, às vezes a gente fica querendo que ele faça mais e mais e mais, só que o o que ele já está fazendo já é muito bom, né?
— Você acaba fadigando esses idosos com muitas atividades. Tem algumas famílias
— Preferem que eles façam mais atividades pensando que o resultado vai vir mais rápido. E nem sempre é assim.
— Uhum. Às vezes você fazendo com menos dias na semana, você não fadiga tanto essa pessoa e ela [roncando] consegue ter um resultado melhor, porque confesso, foi difícil. Foi difícil caminhar, foi difícil sentar, foi difícil escutar, olhar, enxergar.
— É impactante. Essa é a palavra que eu resumiria esse momento. Eu fiquei mexida
— É. É, que [roncando] todos possam um dia colocar esse simulador, que tenha mais, né, mais lugares que ofereçam treinamentos, principalmente para para profissionais.
— Né? Para terminarmos, Erlaine, eu vou fazer um bate-bola. Você completa a frase. Acho isso importante. Envelhecer uma dádiva. Se todo mundo puder ter oportunidade, significa que tá vivendo.
— Cuidar. É,
— Cuidar é o primeiro sentimento que alguém pode ter. desde quando nasce, né? Alguém cuidou de mim. Então, é o primeiro primeiro ato concreto, né, de amor. Eu acredito.
— Respeito significa Respeito é algo grandioso que eu preciso de respeitar a mim e respeitar ao próximo. E nesse mundo que a gente vive, né, o respeito ele tem se banalizado muito. Então, a gente precisa de respeitar o próximo. até aqui eu posso ir, daqui para lá é ele. E eu tenho que seguir a risca até onde eu posso ir, até onde é do outro. Empatia é
— É cuidado.
— Uma palavra que define o envelhecimento. Define o envelhecimento. Eu acho que é amor. Eu amo os idosos e eu amo que as pessoas cuidem bem dele. E se eu pudesse, eu colocaria os idosos em um lugar de destaque pr as pessoas poder respeitá-lo como deveriam e que eles pudessem estar onde eles desejassem, não mais onde acham que ele cabe.
— Uhum. E uma palavra que define quem
— Quem cuida? Eu falo que quem cuida é anjo na terra que tem lugar cativo e confortável no
— Au, bonita. Você se emociona quando você fala sobre envelhecimento, quando você fala sobre o cuidado, sobre o respeito, sobre a empatia? Você já faz isso há muitos anos?
— É, então [roncando] eu acho que a gente tem muito que ganhar ainda. Eu acho que ainda falta muito respeito para com os idosos, para com os cuidadores. é uma classe que ainda é muito invisível, né? e que precisa ser visível. Depois de 2030, teremos mais idosos do que crianças
— No Brasil e no mundo.
— E pera aí, por que que ninguém tá olhando para esse idoso ainda? Por que que as calçadas não são de fácil acesso? Por que que esses idosos não podem ir e vir com muito mais facilidade? Porque os muitos idosos estão em seus lares vivendo em condições subhumanas, porque não tem ninguém que cuide deles, né? não pode ter um programa que ajude essas pessoas em seus lares, não pode haver capacitação eficiente, porque nós, né, que temos cursos de cuidadores de idosos, a gente tá brigando aí com cursos que são obsoletos, ultrapassados, que troca dinheiro a troco de certificado. Então, a gente precisa de alguém que olhe para essa classe social, né, e fale: "Não, pera aí, vamos ver como que a gente pode organizar isso aqui para que o idoso tenha um lugar que ele realmente mereça, né?" Eu falo que houve uma banalização da idade, porque antigamente eu não vivi isso, né?
Mas a minha mãe conta isso, que [roncando] existia o patriarca e a matriarca. Então, tipo, o lugar, o melhor lugar era sempre pro mais velho. O mais velho comia primeiro. o que o mais velho dizia tinha um valor muito grande, porque era sabedoria, né? Essa pessoa já tinha maturidade de ter vivido uma vida. E isso é óbvio, porque eu com 20 anos eu não tinha maturidade que eu tenho, né? Então, assim, quando eu tiver com 80 eu vou ter muito mais maturidade do que eu hoje, né? E por que que ninguém ouve mais esse idoso? Por que ninguém dá voz mais para ele, né? Então a gente precisa de, não sei se a palavra é ter um retrocesso, porque eu não acredito que é isso.
Eu acredito que as pessoas precisam de voltar a enxergar o idoso como deveriam, né? Hoje as pessoas estão trabalhando até mais velhas, a aposentadoria é com mais idade. E por que que não tá tendo respeito com esses profissionais? A gente precisa de enxergá-los de uma forma diferente. Preciso de olhar o idoso que se aposentou de uma forma diferente, né? Esse cara, ele tinha um um lugar na sociedade, essa mulher tinha um um papel na sociedade e ela aposentou, ela passou a ser dona de casa, ele passou a ser o aposentado. E agora que que que a gente pode fazer para essa pessoa para poder ter estímulo? A cada dia que passa a gente tem mais estudo que comprova que o idoso, que muit das vezes tá lá com a demência porque faltou estímulo, porque ele ficou em casa sem ter nada para
— A mulher tem seus afazeres, mas muuit das vezes lá na época da menopausa ela não conseguiu ter cuidado. E aí por falta de estímulo, né, físico, cognitivo, por tratamento com hormônios, enfim, né, que o médico poderia ter dado e ter cuidado, poderia não ter desenvolvido aqui uma demência. Então assim, a gente precisa de olhar, atentamente para essa classe, né, para esses idosos e entender que sim, a gente pode fazer diferente, a gente pode escrever diferente para que chegue lá com seus 70, 80, eles ainda tenham qualidade de vida, eles possam viver da forma que eles desejam, né? Eu acho que isso é muito importante. E aí, é claro que inclui, né, instituições de longa permanência, o governo, o cuidador de idosos, toda a área da saúde, é literalmente um trabalho multidisciplinar pra gente conseguir ter ganhos e mais ganhos para que a gente consiga alcançar melhores resultados para esses idosos.
É, eu acredito que hoje com muitas pessoas tendo o poder de fala [roncando] sobre envelhecimento, como envelhecer melhor, como cuidar desses idosos com mais atenção, com mais carinho, eu acredito e quero continuar acreditando que isso tende a mudar com mais agilidade, porque o país está né? As pessoas estão buscando o aprimoramento, o aperfeiçoamento. As famílias estão assustadas e querendo cuidar porque estamos vivendo mais.
— Os filhos estão trabalhando, não tem tempo de ter um olhar diferenciado, precisam muitas vezes do profissional. [roncando] Então isso ao longo do tempo, que eu acho que eu acredito que seja um tempo breve, vai mudar. Eu acredito que isso isso que nós estamos fazendo aqui, né? O olhar das pessoas estão mudando.
— Eu vivo isso. Você vive isso. Eu num olhar do cuidado direto [suspirando] ao paciente, você num olhar de formação de de profissionais, que é muito importante. [roncando] eu vivo, você vive. Eu acredito que tá mudando, tá? Se Deus quiser.
— Erlaine, muito obrigada pela sua presença. Foi um prazer tê-la aqui nesse espaço, trazer tanto conhecimento, tanta coisa importante, tanta vivência tão rica na nas suas colocações, que você possa ver mais vezes e falar um pouquinho mais
— Sobre o cuidado com idosos, com as pessoas que cuidam, ou sejam familiares, ou seja um um profissional que tá formado, que tá querendo buscar a formação. Muito obrigada. Eu que te agradeço a oportunidade. Pode me chamar várias vezes que eu virei todas. foi um prazer participar e que a gente possa de fato fazer com que os que cuidam tenham um lugar de destaque no mercado de trabalho, sejam valorizados, reconhecidos e que os idosos tenham cuidado em excelência. eu falo que a gente passou por aqui e deu tudo certo e a gente fez cumpriu o nosso papel de uma forma em excelência quando a gente pôde embora com dignidade.
— Uhum. Sabe, é muito triste quando a gente vê alguém que foi embora sem dignidade. Então esse é meu maior trabalho e missão, que quem cuide que possa realizar um cuidado diferenciado para que no dia que aquele idoso for, ele possa ir com dignidade. E quem contribuiu para isso? O meu trabalho,
— Com certeza. Obrigada.
— É nada. Hoje vivemos uma experiência que nos mostrou que envelhecer vai muito além das mudanças do corpo. É uma oportunidade de desenvolver algo essencial para quem cuida a empatia. Esperamos que esse episódio tenha feito você enxergar o envelhecimento com mais compreensão, com mais respeito e sensibilidade, porque o verdadeiro cuidado começa quando deixamos de julgar e passamos [música] a acolher. Que cada pessoa idosa seja vista não pelas suas limitações, [música] mas pela história que carrega e pelo direito de continuar sendo protagonista da própria vida. Se esse episódio fez sentido para você, compartilhe com quem também precisa viver essa reflexão, porque viver mais só vale a pena quando se aprende a cuidar melhor. Até o próximo episódio do Viver [música] Mais Cuidar Melhor.
Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação médica individualizada.
Precisa organizar o cuidado em casa?
A enfermagem da EPAD conversa com a família e monta o plano.