Isso é normal da idade ou é Alzheimer? Geriatra responde.
Com Dr. Paulo Camiz, médico geriatra e clínico geral · CRM-SP 116103 · Instagram · Site · YouTube

O geriatra Dr. Paulo Camiz explica quando o esquecimento deixa de ser normal da idade, como lidar sem conflito com as mudanças de comportamento do Alzheimer, o que ajuda a reduzir o risco, como a atividade física e o cuidado com a audição, e por que vale descobrir a doença cedo.
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Transcrição automática do áudio, com correções pontuais de nomes e termos. O travessão marca a troca de quem fala.
Uma panela esquecida no fogo, uma ligação que já foi feita hoje e pouco tempo depois acontece novamente com a mesma pergunta. Uma chave que você acabou de guardar, mas já não lembra onde colocou. Separadamente, essas situações podem não significar nada, mas quando começam a se repetir, surge uma dúvida que preocupa muitas famílias. Isso é apenas o esquecimento esperado do envelhecimento ou pode ser o primeiro sinal de alguma coisa maior? Existe uma pergunta ainda mais importante. Será que podemos fazer alguma coisa antes que esses sinais apareçam? Hoje vamos falar sobre Alzheimer, memória, prevenção, diagnóstico precoce e qualidade de vida.
— Seja muito bem-vindo ao Viver Mais, Cuidar Melhor, um espaço onde o cuidado vai além da doença. Para essa conversa, eu recebo hoje o Dr. Paulo Camiz. Dr. Paulo é médico, geriatra e clínico geral. Sua atuação é voltada ao cuidado da pessoa idosa, acompanhando as principais condições relacionadas ao envelhecimento e os diferentes desafios que surgem ao longo dessa vida. Com uma visão que vai além do tratamento das doenças, Dr. Paulo nos ajuda hoje a compreender como podemos envelhecer com mais saúde, autonomia e qualidade de vida. Dr. Paulo, antes de começarmos, eu queria dividir algo muito importante que aconteceu comigo. Eu criei esse episódio e esse tema para mim é muito importante. E dentre todos os convidados que me vinha à cabeça, o senhor sempre era o primeiro que eu queria trazer.
Falei: "Vou tentar, vou tentar". Mandei e convidei.
— Para minha surpresa, o senhor aceitou.
— Uma honra. Então, estou genuinamente muito feliz.
— Obrigado pelo convite. Prazer táar aqui.
— Eu agradeço por pelo senhor acreditar no projeto, acreditar no podcast e acreditar nessa conversa que é muito
— Vamos lá. Tô à disposição, Andréia. Vamos lá.
— Então, vamos começar. Dr. Paulo, quando o esquecimento deixa de ser uma situação comum do dia a dia e passa a merecer uma
— Excelente pergunta, tá? Já foi de cara no ponto aí de uma maneira muito simples, quando você se preocupa com o esquecimento, né? Quando ele merece uma atenção a ponto de poder ser uma doença, quando ele começa a ter impacto na sua vida, então você piora o seu desempenho em relação ao que era. E mais, quando tem uma mudança em relação ao que era. Ah, eu sou, eu não lembro nada de nomes, mas quando que começou? Não, sempre fui assim, ó, isso aí tá, é o seu normal, não é que não dê para melhorar,
— É o normal daquela pessoa, mas não mudou. Se teve uma mudança e tá afetando o desempenho na vida dela, merece
— Tá. Existem somente a demência do
— Ih, não. Existe uma infinidade do de demência. Alzheimer é mais famosa.
— Mas existe uma infinidade. Eu posso até citar exemplos aí. Vamos lá. As duas principais doenças neurodegenerativas são o Alzheimer e o Parkinson. E o Parkinson, ele pode cursar com quadro demencial também.
— O próprio Parkinson pode causar uma demência em 30% das vezes depois de anos de doença, não é só alteração na E ele tem doenças associadas que afetam a cognição, tá? mais comum, que é a segunda demência mais comum, neurodegenerativa, chama demência de Eu até me arrisco a dizer que o ex-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, tinha essa doença,
— Tá? Eu veja, eu nunca vi nenhum exame dele e a mídia sempre tava disfarçada, mas dava para ver sinais de parkinsonismo nele, que você vê a maneira como ele andava, você expressava os pequenos tremores de baixa frequência e ele tinha sinais de alucinação visual,
— Foi flagrado algumas vezes dando a mão para alguma coisa que não existia, enfim, como se eu tivesse vendo coisas que não estavam lá. Isso é uma marca registrada da demência de Lewy. E por que que ele ficou no cargo por tanto tempo? Porque ela não afeta tanto a memória. Ah,
— Então não é toda a demência que afeta a memória. Você tem outras funções cerebrais cognitivas superiores que não são só a memória.
— Então, por exemplo, no caso da demência de Lewy, ela afeta muito mais a capacidade de planejamento, a capacidade de execução, alterações visoespaciais. A pessoa às vezes fica desorientada espacialmente, mas a memória tá preservada. e responde melhor ao tratamento do que o próprio
— Tá? E como que fica o cérebro dessa pessoa com Alzheimer? H, em que fase da doença? Ou você quer saber? No começo você tem uma atrofia de uma região chamada hipocampo
— Isso especificamente pro Alzheimer. Nas outras demências é diferente, tá? E aquela região é onde a memória ela, a informação é processada e depois mandada para áreas mais amplas do cérebro, onde ela fica armazenada, vamos chamar assim. Então, por isso que a pessoa com Alzheimer, ela perde a memória recente, mas o que tá armazenado lá, as memórias antigas estão preservadas. Às vezes você tem uma distorção de memórias antigas porque ela vai tentar recuperar fazendo uma comparação com algo recente e aí bagunça as anteriores. Mas de uma maneira geral ela perde primeiro a memória recente e depois vai atingindo as áreas mais amplas do cérebro e vai perdendo todas as funções.
— E esses sinais eles começam muito antes
— No Alzheimer. Essa é a manifestação mais
— Precoce, digamos assim. Mas o que é legal a gente saber é o seguinte, a doença ela começa no cérebro 15, 20 anos antes da pessoa ter alteração de memória.
— Então você já começa a, se você for fazer algum exame a partir dos 60 anos, uma boa parcela da população já vai ter esse o depósito dessa proteína chamada proteína amiloide, que não deveria estar lá. E a pessoa tá normal, ela pode ou não desenvolver Alzheimer depois de 10, 15, 20 anos. Então, cada vez mais o tratamento tá sendo focado para uma vacina, você tirar essa proteína de lá antes da pessoa ter sintomas, porque todos os tratamentos que removeram essa proteína de lá e já tem tratamentos novos para isso, mas eles não reverteram o processo, eles só retardaram a
— Entendi. mas e os exames de Os exames de genética também eles mostram uma tendência, tá?
— Não quer dizer que você vai ter,
— Não quer dizer que você vai ter.
— Então você tem que pensar o que que você vai fazer com o resultado,
— Por exemplo, você tem um teste genético que você procura o alelo APOE, a mutação APOE4. Se você é homozigoto, você tem duas mutações, uma em cada cromossomo do APOE4, a chance de você ter Alzheimer é bem maior do que a população em geral, em torno de 30%, que é um número bem generoso. Então, mas aí o que que você vai fazer com isso?
— Porque ainda não tem um tratamento preventivo a não ser o que a gente já recomenda para todo mundo, que são os hábitos de vida saudáveis.
— Então, talvez pode servir de um reforço para essa pessoa. Eu tenho que andar na
— Sim. Então, se ela receber esse sinal de alerta e começar a andar na linha, serviu para alguma coisa.
— Se ficar só com uma sentença, meu Deus, aí é melhor não fazer
— E quando você tem um exame de genética,
— Que vem positivo para para você ter uma probabilidade de você ter a doença de Alzheimer e um outro que não vem positivo, eu faço um terceiro.
— Como assim? No caso, dois exemp genético que hoje é de fácil acesso. Você vai no laboratório e você faz um teste genético.
— Ele é confiável.
— Mudar. Ah, sim,
— Ele é confiável.
— Sim, sim, sim.
— E aí você faz um outro teste genético de uma out um outro laboratório. Fazer outro teste porque o teste não, a sua genética é a mesma, Então o teste genético não muda. O que pode mudar às vezes são a dosagem da proteína amiloide, que você pode fazer no sangue, no líquor ou você pode fazer um PET amiloide.
— Se não for o tempo adequado, o radiofármaco vai
— Esvair e, enfim, não vai pegar aquele amiloide quando ele tá lá. Então, mas de uma maneira geral, o teste genético não tem muito erro, não,
— Tá? Além da memória, quais outras alterações cognitivas ou comportamentais podem aparecer no início da doença?
— No início da doença, tá? Então você pode ter primeiro a Vamos lá, pela pessoa às vezes ter a memória ruim, ela pode às vezes ter distúrbios comportamentais ou distúrbios de alimentação. Ela esquece que comeu, né? Então, é até uma dica boa para quem tá nos assistindo, né? O que fazer numa situação de crise de Alzheimer, na fase inicial e moderada, é quando dá mais trabalho, n? Às vezes uma pessoa que tem uma fase avançada dá menos trabalho para quem tá lá, porque não tem essas alterações comportamentais que atrapalha muito mais do que a própria
— Então, às vezes o idoso chega você não vai me dar comida? Ele acabou de jantar, não lembra, né? Então pode afetar até os centros da fome às vezes, né?
— Fal, mas você já comeu? Não comi. Comeu sim. Acabei de te dar. Não comi. Comeu não. Todo mundo perde. É terrível essa sensação.
— Terrível. Caus,
— É na cabeça de uma pessoa com Alzheimer. Não adianta você convencer, você não vai convencer alguém que tem Alzheimer de que ele tá errado. É impossível. E como
— Nunca deixar formar conflito.
— E aí, como um exemplo prático nessa situação, mas ué, mas você não vai me dar comida? Claro, não, já vamos pegar lá, vamos preparar juntos. Você quer vir comigo? Não, não, espero aqui mesmo. Tá bom. Aí você vai lá, volta e ele não lembra mais.
— Ah, tá. Você não volta com pratos, tipo,
— Não volta com pratos. Concordar, não deixar formar conflito não quer dizer fazer o que a pessoa
— Eu tenho um curso meu, um manual para cuidador, se você quiser,
— Depois a gente pode divulgar aqui para ser um
— Eu divulgo bem essas situações práticas lá, não só para isso, mas para outras situações de cuidado com o idoso.
— Ah, mas esse é um exemplo bom. Outra coisa que é muito comum dentro desse quesito alterações comportamentais é a pessoa não querer às vezes tomar Que que eu faço? Meu pai, minha mãe não quer tomar banho. [roncando] Não existe um remédio para fazer a pessoa tomar
— Não é você que lida com idoso também, você sabe disso. Não tem. Não dá, toma esse remédio aqui que ele vai tomar banho hoje mesmo. Não tem, [roncando]
— Né? Você vai fazer o quê? Você tem que usar muito mais as suas habilidades não medicamentosas, contar muito mais o treinamento de quem tá por perto do que um remédio.
— O remédio pode ajudar a pessoa a ficar mais dócil, aceitar um pouquinho mais, mas conta muito mais a habilidade de quem tá por perto. Ela por que que não quer tomar banho? porque acha que vai tá fria, porque às vezes vai ter a sua intimidade
— Né? Então você tem que ter uma habilidade muito grande para fazer com que a pessoa seja cuidada sem ela perceber que tá sendo cuidada. E não é fácil.
— Não é fácil.
— Não é fácil. Então você tem que transformar, por exemplo, o banho numa atividade divertida. Opa, vamos tomar um banho quentinho lá, ó. Eu vou preparar, tá? preparado lá, mas a senhora, a senhora que vai tomar, hein? Vai lá. E aí você vai dando os toques, ah, vamos passar o shampoo aqui, enfim, vai conduzindo para que a pessoa não perceba que está sendo cuidada.
— E tem o fato dela também querer ir embora, querer ir pra casa dela estando em casa?
— Muito comum, principalmente no final do dia, né? Quando dá uma abaixada na
— A síndrome do por do sol.
— É usado esse termo aí, né? Mas é muito comum, né? Então você vem residenciais, né? que tem muitos pacientes com Alzheimer, isso é extremamente comum, mas às vezes na própria casa da pessoa, ela pede para ir para casa estando em casa.
— E mais uma vez, não, não, não tem racional, não adianta. Mas você já tá em né? Que que eu faço lá no meu residencial, né? Você não vai me levar para casa? Ah, claro, mas pera aí, seu filho tá passando aí para te pegar. Aguenta mais uns 5 minutos aí que ele já chega. Ah, boa. Obrigado. Pronto.
— Daqui a pouco ele esqueceu.
— É. Aí você pergunta, você fala de novo. Pronto. Uhum. Uhum.
— Vamos lá. E vamos levando. Não deixa formar conflito.
— Sim. Sim. Tem várias.
— Você concorda com tudo o que não quer dizer fazer tudo que a pessoa quer.
— Isso é importante deixar claro.
— Não é fazer o que o cara manda. Com o conhecimento científico que temos hoje, podemos dizer que a Alzheimer é uma doença que pode ser prevenida ou o mais correto é falar de redução de
— Você pode prevenir uma boa parte dos casos, sim, com hábitos de vida O principal, vamos lá, escolaridade. Você cria reservas cognitivas, você cria vários caminhos na sua cabeça e aí você protege. Se uma área falhar, a outra assume.
— Outra dica, vamos lá. Aprender um novo idioma, sensacional. Aprender a tocar algum instrumento musical, sensacional. São defesas que você vai criando pro seu cérebro. aumenta a sua reserva Óbvio, você não fumar, você cuidar das suas doenças. O de uma maneira geral, o que é bom pro coração é bom pro cérebro.
— Pressão, diabetes, colesterol.
— Tudo ajuda. não precisa nem dizer de drogas ilícitas, né? E algo que tem um impacto muito grande e que tá muito em voga, porque foi recentemente descrito esse impacto numa publicação da Lancet. é você cuidar da sua audição, tá? Então, se você tá com audição ruim, cuide logo, coloque um aparelho quanto antes, porque
— Isso previne também, minimiza o risco. Vacinas também ajudam, tá? Destaque aí pra vacina de herpes-zóster que todo mundo deve tomar a partir dos 50
— Isso. Isso. Tá. E bom, ainda bem que eu já tô fazendo aula de violão.
— Perfeito. Eu faço aula de canto
— Até até ajuda um pouquinho com disfagia, né? Como é uma causa de
— Morte entre os idosos, né? Eles aspiram e tem pneum. Sim, sim.
— Ter pai e mãe com Alzheimer significa que a pessoa vai ter, porque o filho
— Depende com que idade que o pai e a mãe
— Ah, tá. Vai depender disso.
— Em geral, as formas genéticas de Alzheimer, elas manifestam mais precocemente na vida. Na casa dos 60 eles desenvolveram depois de 80, 85, a carga genética diminui.
— Não é que não possa ter, mas é mais ou menos parecida com a da população em geral. Então você tem que ver o que que causou nos pais dele.
— Tá isso.
— Então se causou, mas eles tinham uma escolaridade boa e mesmo assim né? Eles desenvolveram com uma idade precoce. Ah, não, eles tiveram um AVC, tiveram um trauma, uma agressão, enfim, né? Tem tudo isso. Algo que eu não citei como prevenção, mas que é muito importante, é você cuidar de de doenças do emocional, principalmente na sexta, sétima década de vida. Tô falando com um destaque aí pra depressão e ansiedade. Se você deixar depressão e ansiedade muito soltas na sexta e sétima década de vida, aumenta o risco de você ter Alzheimer na oitava década,
— Tá? É um estado inflamatório pro
— E existem muitos casos precoces também,
— É bem mais raro. A casa dos 60 anos, aproximadamente 1%.
— Mas isso vai dobrando a cada 5 anos,
— Tá? eu assisti aquele filme para sempre, Alice, que fala muito da do da doença em estágio precoce. Ele é bem interessante. É um pouco assustador.
— É um pouco assustador, mas aí você se aproxima bem mais de uma pessoa que
— Tem esse problema, né?
— É. É. Sabemos hoje que existem fatores de riscos modificáveis.
— O quanto nossas escolhas e condições de saúde ao longo da vida pode interferir no envelhecimento cerebral?
— Na grande maioria das vezes sabe o que tem que fazer. A gente não faz porque a preguiça impera. É. E aí eu posso dizer que a preguiça é o maior veneno pra saúde das pessoas.
— Uhum. Vai com preguiça mesmo,
— Tanto física como mental, tá?
— Uhum. Tá.
— Então, atividade física regular, alimentação saudável, inserção social, quem hoje em dia dá importância para ter amigos, para ter um bom relacionamento familiar, para ter um papel na sociedade, para ter um objetivo de vida, um propósito.
— As pessoas às vezes não, ah, né? Isso é
— Né? Fundamental.
— Você ter um sono de quantidade e qualidade adequados.
— Uhum. Sim.
— Ah, dormir é coisa de cara não trabalha, ficar dormindo. Não, é importante saúde,
— E aí, por fim, você cuidar das doenças.
— Só que boa parte das vezes as doenças vão se manifestar se esses outros pilares aí que eu falei do envelhecimento saudável não forem adereçados, né?
— Sim. E para quem chegou aos 70, 80 anos, ainda existe benefício em mudar os
— Sempre. Opa. Então, o que que é importante as pessoas entenderem, né? O corpo humano, cérebro incluso faz parte do corpo. O corpo humano é uma máquina extremamente inteligente. Que que eu quero dizer com isso? Se você souber dar o comando, ele vai reagir. [roncando] Você tem que mostrar pro seu corpo que ele é importante e aí ele vai reagir de acordo. Se você fizer atividade física, ele vai falar: "Opa, estão precisando de mim, deixa eu me organizar aqui". Se eu fizer atividade intelectual, é a mesma coisa. Você aumenta a sua reserva cognitiva, diminui a chance de ter Alzheimer. Então, tem uma série de estudos, por exemplo, que correlacionam Alzheimer com aposentadoria precoce. A pessoa parou de usar, atrofiou. Então deem o comando pro seu corpo físico e mental, tá?
Não deixem de dar esse comando e seguir de acordo.
— E quando falamos em alimentação, o que possui evidência científica e o que ainda é promessa,
— Tá? Então eu eu prefiro falar do que não devemos fazer. Isso pode ser,
— Porque você tá mexendo num vespiro. Aí cada nutricionista que você entrevistar aqui, nenhum vai concordar com eles, nem você. E todos eles juram que o dele é o certo, né? Então,
— Mas o que é consenso é se aproximar ao máximo do que faziam os nossos E, nesse sentido, a recomendação principal é evitar ao máximo
— Que são incompatíveis com a genética que fez a gente chegar até aqui.
— Então, é nesse sentido.
— E a dieta mediterrânea tem alguma coisa?
— Dieta mediterrânea é uma das que tem estudo, né? Mostrando benefício, tá?
— Tá. E as vitaminas e suplementos vendidos aí para melhorar a memória, que passa tanto na TV como na nos aplicativos, na rede social, nós encontramos tudo para memória.
— Que que o senhor nos traz aí de
— Se a pessoa tiver alguma deficiência e repuser, vai melhorar. Se a pessoa não tiver nenhuma deficiência, vai gastar dinheiro à toa. Boa parte das vitaminas você consegue absorver da dieta. Se você fizer uma alimentação saudável, não tiver nada que
— Atrapalha a absorção vitamínica, você vai extrair dos alimentos que você come no dia a dia.
— Agora, se a sua dieta não for bem balanceada, você eventualmente vai ter problemas e vai suplementar e aí tudo bem, né? Mas a grandissíssima maioria das pessoas não precisa de
— A grandissíssima maioria. Então assim, se você entrar numa loja de vitaminas ou de produtos naturais e for falar com o vendedor, na maior parte das vezes você vai se identificar com um número próximo de 100% dos produtos. Você vai querer comprar a loja inteira porque
— Ah, é realmente não, isso aí é bom pra mes Opa, pô, isso aqui, ah, isso aqui é bom pro cabelo. Opa, também me interessa isso aqui. Ah, isso aqui é bom pra pele. Ah, também quero. Enfim, aí você fica, você quer levar a loja inteira.
— Então você tem que ter critério, porque se serve para todo mundo também não serve para ninguém, né? Então, a gente tem que ficar atento para isso.
— Tá. Então, eu posso falar do que pode ter benefício para grupos específicos. Então, por exemplo, eu quero fazer um trabalho de fortalecimento muscular. Vale a pena usar creatina? Vale a pena. Vale a pena, né? Você vai ter mais resistência, vai treinar melhor.
— Muitas vezes, às vezes você treinar melhor, pro idoso não é treinar melhor, mas ele vai andar melhor. Opa, legal. já teve um ganho. Vale a pena você suplementar proteína. Frequentemente os idosos não atingem um número,
— É proteico, a quantidade de proteína ideal num nas 24 horas do dia, então acaba perdendo massa muscular. Vale a pena suplementar.
— Se fizer um treino, um suplemento pós- treino de proteína, ajuda a fabricar músculo,
— Ou a pelo menos preservar,
— Tá? Você tem cãibras, eventualmente algum suplemento direcionado, né? Tem um que eu gosto muito, não vou ficar fazendo propaganda aqui, mas mas você tem tratamentos,
— Por isso que é sempre bom procurar especialista, não sair comprando
— E sem saber se é bom ou não, procurar o especialista, o geriatra, se possível,
— Alguém que seja qualificado para te ajudar. E na rede pública, doutor, para quem não tem acesso a um geriatra, quem ele procura?
— Você começa por um clínico geral.
— Um clínico geral, você não conseguir resolver, ele encaminha para um
— Não tem problema. Esse esse deveria ser o sistema de saúde ideal, né? Assim, nos países desenvolvidos, você sempre vai ter um generalista como anteparo.
— Sim. Sim. Eu acabei tendo as duas especialidades, eu fiz clínica médica e geriatria, mas enfim, clínico geral é um bom anteparo, com com uma boa formação, vai resolver 90% dos problemas. Vai,
— Tá? Se o senhor tivesse que escolher três hábitos que uma pessoa pode começar hoje, pensando em saúde do cérebro com quem deseja envelhecer, quais seriam
— Os três principais? Isso.
— Atividade física, depois atividade física e depois também atividade física. Seriam os três principais, tá?
— Três, tá?
— Então eu diria que é fundamental tanto pro corpo como pro cérebro.
— Ah, então vamos lá. Vamos assim
— Agora qual quais atividades, que tipo de atividade física, né? Então, para um idoso, a atividade física tem benefício em todas as faixas etárias, tá? Se eu tivesse que escolher o principal pro idoso, seria a musculação,
— Trabalho de força, porque ele vai fazer cada vez mais atividades curtas e para ele intensas, que que eu tô falando aqui são curtas e intensas. Subir uma escada, levantar da cadeira, ir até o banheiro, ele vai fazer cada vez menos atividades prolongadas. Então, não, o treino que ele menos vai precisar é de resistência. Ele não vai ficar correndo maratona. Ah, mas ele é um [roncando] idoso específico, ele quer fazer uma corrida de maratona, tá bom? Esse daí vai fazer um treino específico para aquilo, mas eu tô pensando nas atividades do dia a dia para viver bem. Então,
— Segundo lugar, algo que é negligenciado, exercícios de equilíbrio para prevenir quedas. Então, até tem ali no meu Instagram, eu coloquei um, eu fiz um, um vídeo lá específico sobre equilíbrio, que tem um trabalho muito
— Depois se alguém quiser procurar lá, me pede, me manda mensagem ou geriatra, meu
— Mas tá lá o o headline, a o título é se você anda perdendo o equilíbrio,
— Tá? tem tem uma boa taxa de visualizações e ajudou bastante gente, muita gente elogiando, mas de uma maneira muito simples é você ficar num pé só, contar até 10, né? E você pode fazer isso mesmo nos atividade do dia. Tá escovando o dente e fica lá, né? Um pé só,
— Num pé só, o máximo que der, tá? Num corredor andar com um pé na frente do outro, bem devagarinho. São coisas que vão te educando o equilíbrio e prevenindo quedas.
— Tá? Então, esses [roncando] são os principais. Tem outros, tem aeróbico, exercício de alongamento,
— Perfeito. Não tô desmerecendo, tô só dizendo quais serem os principais.
— E se você me perguntar que grupos musculares que a gente tem que trabalhar também, primeiro, segundo e terceiro lugar, perna,
— Perna é o mais importante. Às vezes,
— Mulher gosta só de treinar pernas.
— Que bom, né? Porque às vezes você vai na academia e o recebe só treino de braço.
— Sim. pro dia a dia de um idoso não é o que ele mais vai precisar, não vai ficar carregando peso,
— Mas tem que carregar muito bem o peso do próprio corpo.
— Então, perna, perna, perna, perna,
— Pera, vai conseguir levantar de uma cadeira, levantar de uma cama,
— Fazer o básico, ter uma qualidade de
— Básico. Uhum.
— Tá. Depois costas para ficar com a postura ereta, não com aquela postura caricatural negativa de dor corcunda,
— Né? e abdômen para equilibrar as costas.
— Você vê, braço tá em último lugar.
— Nada contra, mas faz os outros primeiro.
— Claro, com certeza. Muitas vezes quem percebe que alguma coisa mudou não é o próprio paciente, é o filho, companheiro ou alguém muito próximo. Dificuldades para administrar dinheiro, organizar medicamentos, cumprir compromissos ou realizar tarefas que a pessoa sempre dominou pode ser sinais mais relevantes do que estamos do que pequenos esquecimentos isolados. É perfeito. Essas são as alterações de memória iniciais, né, que vão afetar num primeiro momento, atividades um pouco mais complexas, que são as atividades instrumentais da vida diária. Então, falar no telefone sozinha, né, ou se perder em lugares que não costuma se perder, cuidar dos próprios remédios, cuidar das próprias contas. Então, às vezes, uma mecânismo de defesa, ela vai fazer compras com notas mais altas para não ter que calcular o troco.
— Então as pessoas começam a perceber, né? Obviamente ninguém precisa ficar preocupado com isso no Brasil, que ninguém vai sacanear ninguém, né? Nenhum idoso, né? Então começa a sumir dinheiro, né? Enfim, a gente vê os abusos aí na geriatria, né?
— Sim. Sim. como tem,
— Algumas pessoas realmente não percebem que suas capacidades mudaram. Essa falta de percepção pode fazer parte da própria
— Com certeza.
— Principalmente na fase inicial.
— A pessoa acha: "Ah, isso aí é normal, é da idade", né?
— Até a hora que você tem menos recursos para ajudar.
— Quando a coisa fica muito grave,
— Tá? E como abordar um pai ou uma mãe sobre essas mudanças sem transformar a conversa em confronto e sem retirar precocemente a sua autonomia? Então, aí você tem que usar sua habilidade às vezes não medicamentosa.
— E nem sempre é fácil.
— Tá. Fala, olha, eu tô indo no médico, eu vou passar em consulta, vem comigo
— E a consulta é pra pessoa.
— Às vezes muitas pessoas chegam lá e não sabem que estavam indo numa consulta delas mesmas, né, no consultório. É muito comum essa situação, né? Mas você tem que usar uma habilidade que não vai tá no livro muitas vezes, né? Eu coloco isso até no meu curso de cuidadores.
— Uhum. tem um um caso em particular na empresa que eu tenho uma paciente, quem a leva, ela é exclusiva minha, quem a leva pro consultório do do médico sou eu. Eu que vou com ela ao geriatra. E ela confia plenamente em mim. Mas toda vez que vamos ao ao médico, tem que ter todo um preparativo antes, porque ela questiona várias vezes o por que ela tem que ir ao médico, porque ela não quer fazer exercício de memória.
— E são passados testes, são tem ela tem Alzheimer. Então esse
— E ela fica nervosa durante o teste,
— Mas às vezes não adianta, né? E às vezes o teste não vai ajudar muito.
— Né? A maior parte das vezes que você testa o Alzheimer é só para você saber como a doença tá evoluindo, mas de prático pra pessoa não vai ter grandes retornos,
— Então às vezes eu até evito às vezes de fazer esse teste que eu já tenho uma ideia da situação só por conversar, porque isso muitas vezes constrange o
— Isso já deixa um deixa um certo
— Ela prefere até quando tem que fazer que saiam todos e ela fica sozinha, fica constrangida. Não tem como, né? Se o Alzheimer não tem cura, para que descobrir cedo?
— Esse é um questionamento, né? Agora, se você descobre hoje com a medicina de hoje, logo no começo,
— Você consegue retardar a progressão.
— Uhum. [roncando]
— E o tratamento vai mudar drasticamente nos próximos 2, 3 anos, que você vai fazer um tratamento
— Antes da doença começar. É como a gente falou aqui no início da nossa conversa, né? Então, a doença começa no cérebro antes da pessoa ter sintomas. Então, provavelmente essa vai ser a janela de oportunidade. A questão é
— Quando, porque você consegue tirar a proteína amiloide de lá.
— A proteína amiloide é um gatilho, ela começa a doença e ela acelera o processo. Só que às vezes ela não é a que mantém o processo ativo. Tem uma outra proteína chamada proteína tau. Tá,
— Né? Que em geral tem melhor correlação com as fases da doença.
— Quando ela tá no começo ou quando tá espalhando pro cérebro.
— Entendi. Então, não se tem ainda umidade que pode fazer esse essa detecção? Não tem. Por exemplo, eu com 50 anos.
— Ai, falei minha idade.
— Não tem problema, mas assim, você vai detectar e ainda não tem um para quem não tem sintomas,
— Tá? falou: "Não, eu tô esquecida". Já te adianto que não é Alzheimer, tá? A gente pode até falar sobre o que que é as
— Quais são as causas do dia a dia de esquecimento, mas assim, ainda não tem algo direcionado para quem não tem sintomas ainda,
— Mas isso vai mudar daqui a 2 tr anos, eu diria que vai tá totalmente diferente o tratamento do
— Então, mas aí o que que eu vou fazer?
— Aí você vai eventualmente tomar um remédio para tirar essa proteína do
— Tomar um remédio, tá?
— É, eventualmente. Aí, não sei.
— Uhum. Tá,
— Ainda não sei. Tá,
— Tá. Por quê? Porque ainda não foi definido e e eventualmente vai ser até um problema de sistema de saúde, porque você quebra o sistema de saúde.
— É, exatamente.
— É um tratamento caro que nem todo mundo vai ter acesso, todo mundo que vai ter a proteína lá vai
— Vai querer tratar,
— Vai querer receber. E aí,
— E sem falar nos efeitos colaterais
— Então, tem tudo isso daí para se Na prática, o que um diagnóstico realizado em uma fase inicial permite ao paciente e a família fazerem de maneira Então, você pode dar essa opção de um tratamento precoce e você pode ir orientando a família. Uhum.
— Tá? Algo que eu já tenho trabalhado muito com bom, quando eu falo, vou até fazer um vídeo sobre isso, vou dar um spoiler aqui, né? Mas a gente tem que se educar para em algum momento da vida sermos dependentes.
— Essa aqui é
— Nós que cuidamos de pessoas é muito difícil de 100% da população.
— Tô falando isso. Vale para 100% das pessoas que estão nos assistindo. Eduque-se para depender de alguém e ser um bom dependente. Não sejam ranzisa que dificulta o trabalho do cuidador, que não é fácil. E por que que eu tô falando isso? Porque se você não tiver uma morte um infarto fulminante, que algumas pessoas hoje consideram uma bênção, né? Se você não tiver uma morte súbita em algum momento da vida, maior ou menor, o trabalho tem que ser para que esse momento seja o menor possível, em algum momento você vai ser dependente do outro. Estamos envelhecendo. Fato é discussão que a gente tem o tempo inteiro na geriatria. Estimativa de vida, melhor,
— Lifespan, health span, tempo de vida e qualidade. Tempo de qualidade de vida.
— Ou então, se você quiser chamar de longevidade funcional, quer dizer, a pessoa vive 90 anos, mas se ela vai ficar os últimos 10 anos dependendo do outro, ela foi disfuncional por 10 anos. muito tempo.
— Agora se ela viver 90 anos e não foi dependente, foi funcional até os 89,5, ficou seis meses, opa, ela teve um health span,
— Né? Um tempo de qualidade de vida. Essa tem sido a busca.
— N você minimizar ao máximo tempo de dependência do outro,
— Dependência, mas que vai depender, vai.
— É um fato.
— Tá. É um fato. Então, eduque-se, prepare-se para ser dependente em menos tempo.
— E programe-se para que isso seja o mínimo possível. Exatamente.
— M possível. É,
— Dá para escapar de um, dá para postergar, digamos assim,
— Mas em algum momento você vai depender do outro. Olha só.
— E as pessoas precisam estar preparadas para cuidar.
— Para cuidar e para serem cuidados.
— Para cuidar e para serem cuidados. Exatamente. Agora eu quero entrar numa parte que eu considero bem importante. Quando uma família escuta a palavra
— Tá bom?
— Muitas vezes ela já imagina imediatamente dependência e a perda da autonomia. É possível manter a qualidade de vida depois do diagnóstico?
— A pessoa doente frequentemente não é quem mais sofre, né?
— É a família.
— É a família.
— É a família.
— É a família. Então você tem que fazer um trabalho de educação da família
— E explicar que é uma doença que vai E ela tem que entender as fases da doença e como se adequar a cada fase da doença para ter menos sofrimento, porque quem sofre não é, em geral o portador da
— Uhum. No seu consultório, quem faz essa orientação? Você tem uma equipe senor mesmo, pra família?
— Eu mesmo.
— Uhum. E tem uma aceitação muito boa.
— Nem sempre.
— É. Uhum. Mas não tem jeito, as coisas não são como a gente quer, as coisas são como elas são. E existe o risco de a família tentando proteger e começar a fazer tudo pelo paciente, a super proteção, isso também
— Olha, vamos lá. Ah, super proteção, às vezes ela não ela afeta não só as pessoas com Alzheimer, tá? Ela pode afetar em qualquer fase da vida. Vejo mãe, às vezes, mães, pais
— Uhum. eu costumo recomendar cuidado com os extremos, tá? Porque coisas ruins em maior ou menor grau, elas vão
— Né? Então, a mãe super protetora, às vezes o filho caiu porque é natural, a criança vai cair e teve uma fratura, sei lá, veja, natural acontece. Você não vai deixar a pessoa, criança se matar, pular da janela, tal, mas você tem que ter o saber o meio termo das coisas.
— Uhum. porque senão a frustração vai ser muito grande,
— Né? Então você tem que tomar esse
— Nós já falamos o senhor já colocou aqui que em pouco tempo vai se descobrir precocemente, vai ter Além disso, mudou algo a mais na forma como a medicina entende e trata doença de Alzheimer?
— Tá mudando principalmente as medicações,
— Tá. E essa questão de você entender que a doença começa décadas antes,
— 15, 20 anos antes, no cérebro onde a pessoa ter manifestação clínica. Isso aconteceu faz uns 10 anos, essa descoberta, né, mudou totalmente o impacto, né, da doença, até o alvo do tratamento. O tratamento ele tá sendo cada vez mais focado para antes de se
— Tá? E esses medicamentos, eles representam uma mudança real no
— Primeira vez, sim, mas ainda é muito caro. Não tá de fácil acesso, ainda mais num país como o Brasil.
— Por isso que siga os hábitos aí de vida saudáveis, procure prevenir.
— Claro, com tantas notícias sobre novos tratamentos, como o público pode diferenciar esperança baseadas em ciências de promessas sem comprovação? Tá? Então, como regra geral, fuja dessas situações que parecem que são pessoas frequentemente mal intencionadas que querem te fazer comprar algo que não existe.
— Tomar cuidado com isso.
— Tem muito hoje dia,
— Tem muito em todas as áreas. Você lida com a saúde, com o bem mais precioso da pessoa.
— Claro, com certeza. Quando o senhor olha para os próximos anos, daqui para os próximos anos, qual o avanço mais o entusiasma no diagnóstico ou tratamento do Alzheimer?
— Ah, você ter realmente um tratamento de impacto, né?
— Uhum. Porque eu tenho bem claro que quando você tiver um tratamento realmente resolutivo para Alzheimer e pra osteoporose, eu até vim direto aqui de um congresso de osteoporose que estão tendo tratamentos cada vez melhores, esse sim. Ah, você vai jogar a expectativa de vida da humanidade uns 10, 15 anos pra
— E aí vai aparecer outras doenças lá,
— Mas enfim,
— Você vai viver mais.
— E melhor, tá? Hoje hoje em dia tem um número alto de pacientes com com Alzheimer. Seria por conta da estimativa de vida, da longevidade, por conta do
— Uhum. E tende a aumentar, então.
— E tende a aumentar.
— As pessoas estão envelhecendo, tá aparecendo mais caso de Alzheimer.
— Então, ainda mais no Brasil estão envelhecendo e envelhecendo mal.
— Envelhecendo mal, né? Esse é o intuito do nosso podcast, levar informação de forma clara, segura, confiável, trazendo pessoas, profissionais qualificados que possam dar orientação correta e por onde o paciente ou a família deve começar a buscar ajuda, a buscar informação, onde encontrar os profissionais que possam ajudar nessa caminhada? É, eu vi até um estudo, se se me permite aqui compartilhar. eu fui até essa essa semana lá no Morning Show da Jovem Pan falando sobre esse estudo, mostrando que os europeus eles envelhecem comparando da mesma idade, os brasileiros estavam 10 anos mais velhos, mesma idade cronológica do que os
— Como é que você mede isso? Tem uma série de parâmetros que você consegue medir marcadores de epigenética para dizer que os brasileiros estão 10 anos mais velhos do que os europeus da mesma idade.
— Da mesma idade. É.
— E explica um pouquinho, doutora.
— Tá? [roncando] Perfeito. Então você tem a genética
— Que não muda. A epigenética é como você vai manifestar essa genética, como você vai se adaptar ou reagir aos estímulos do ambiente,
— Tá? São os fatores externos. Exatamente. A sua genética tá lá, mas ela pode reagir bem, reagir mal ou ela pode ser insultada o tempo inteiro. Um exemplo é não praticar exercício físico.
— Um exemplo é você não praticar exercício físico. Outro exemplo é você tá exposto a agrotóxico.
— Outro exemplo é você tá exposto à poluição ambiental.
— Uhum. Então são insultos que vão te agredindo e vão fazendo você manifestar às vezes mecanismos de defesa que vão agredir seu corpo,
— Que vão fazer você ter câncer, que vão fazer você perder músculo, perder osso. E aí você vai ter uma fratura que você poderia ter com 80, 90 anos, você vai ter com 70, por exemplo.
— Uma maneira simplificada,
— Não ficou bem claro. Ficou bem claro. Depois de tudo que conversamos, quero terminar com uma pergunta muito simples. O que o senhor gostaria que as pessoas começassem a fazer hoje pela saúde do próprio cérebro?
— Pela saúde do próprio cérebro. Vamos lá. Combatam a preguiça como um todo, física e mental. Ah, eu tenho uma frase minha aí. Bom, essa acho que talvez seja a minha. A preguiça é o maior veneno pra saúde que existe. Mas uma outra que eu gosto de dizer é que
— Toda vez que eu previno alguma coisa, ninguém nunca me agradece, [roncando] né? A pessoa não percebe quando se previne alguma coisa, né? Quando eu
— Ela vem me agradecer. Obrigado, doutor. E eu fico me punindo porque eu não
— Né? Você vê que eterno infeliz, né? Previ. Mas não tem problema. Eu prefiro não ter o agradecimento e a pessoa tá
— Mas e a pessoa fazer a prevenção.
— Doutor, muito obrigada.
— Foi um prazer tá aqui.
— O prazer foi nosso. Foi uma aula. Acredito que os nossos ouvintes, quem está nos escutando agora, passa a pensar de forma diferente no que é essa epigenética para que não não tenha tanto confronto com com a saúde, que você consiga envelhecer melhor e evitar certos danos pro próprio organismo. Foi um prazer e eu estou, vou falar de novo, muito feliz com a sua presença aqui. O
— Prazer foi meu. Obrigado pelo convite. Tô à disposição.
— Obrigada. Depois dessa conversa, fica uma mensagem importante. Cuidar da saúde do cérebro não precisa começar quando a memória começa a falhar. Pode começar muito antes. E quando surgem mudanças, buscar avaliação precocemente amplia possibilidades de cuidado, autonomia e qualidade de vida. Você que nos acompanhou até aqui, inscreva-se no canal, compartilhe esse episódio e siga o Viver mais, cuidar Melhor nas redes sociais. [música] Nos encontramos no próximo episódio, porque viver mais é importante, cuidar melhor é essencial.
Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação médica individualizada.
Alzheimer e demências
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A enfermagem da EPAD conversa com a família e monta o plano.