Idoso caiu, e agora? O que fazer nos primeiros segundos
Com Fran Almeida, fisioterapeuta, especialista em neurologia clínica · Instagram · Linktree

A fisioterapeuta Fran Almeida explica por que uma queda raramente é só uma queda: os sinais que aparecem antes, o papel dos remédios, o medo de cair de novo, os riscos da casa e do banheiro, o que fazer ao encontrar o idoso no chão e como cuidar sem superproteger.
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Transcrição automática do áudio, com correções pontuais de nomes e termos. O travessão marca a troca de quem fala.
Seu pai levanta durante a noite para ir ao banheiro. Tropeça, cai. A família corre, ajuda a levantar. Olha, se machucou e pergunta: "Está tudo bem?" Ele responde: "Estou. Não foi nada. Não houve fratura, aparentemente, nenhum machucado. E todo mundo respira aliviado. Foi só uma queda. Mas será que existe mesmo só uma queda quando falamos de uma pessoa idosa? Talvez aquela queda tenha começado muito antes da pessoa chegar ao chão. Uma mudança na forma de caminhar, menos força, uma alteração no equilíbrio, uma dificuldade que ninguém percebeu. E depois da primeira queda, pode surgir outro problema, o medo de cair novamente. Hoje vamos falar sobre o que acontece antes e depois de uma queda e, principalmente, sobre o que podemos fazer para preveni-la.
— Seja muito bem-vindo ao Viver Mais, Cuidar Melhor, o espaço onde o cuidado vai além da doença. Para essa conversa, recebo hoje Fran Almeida. Ela é fisioterapeuta com uma trajetória especialmente dedicada ao estudo do movimento e da funcionalidade. Fran é formada pelo Centro Universitário São Camilo, especialista em neurologia clínica e intervenções fisioterapêuticas nas doenças neuromusculares, certo? Certo?
— Pela UNIFESP, além de ser mestre em ciências pela USP e acupunturista pela Ebramec, também atua como orientadora e integrante de bancas de pós-graduação na UNIFESP, reunindo experiência clínica, ensino e conhecimento científico. E ninguém melhor para nos ajudar a entender o que o nosso corpo pode estar mostrando antes de uma queda, como preservar força e equilíbrio. e principalmente como envelhecer com mais segurança, sem abrir mão da autonomia. Fran, seja muito bem-vinda ao nosso espaço do Viver mais, Cuidar Melhor.
— Andréia, muito obrigada pelo convite. É sempre maravilhoso a gente falar sobre um assunto que tá, né, na nossa vida ali, né, e tão presente e principalmente porque a gente sabe o quanto isso afeta, né, a vida do idoso, não só do idoso, como também dos cuidadores, dos familiares. Então, é um tema importantíssimo de ser abordado.
— Obrigada, Fran. Quando esse idoso cai, existe mesmo um fator anterior a essa queda? Nossa, sem dúvida. A queda por si só é é um sinal, certo? Normalmente os os familiares eles vêm a partir daí a pesquisar o que que acontece. a gente sabe que não é assim que funciona. Existem vários mecanismos, né, que ele utilizou antes para prevenir essa queda. Verdadeiro risco. então, antes de cair, esse paciente ele vai sofrendo alguns tropeços, né? Ele vai sofrendo alguns quase queda, que eu chamo de simulação de queda, ele vai tendo algumas atitudes diferente, comportamentos diferentes, né? Então, não é só uma questão motora propriamente dita. a gente tem uma questão comportamental, a gente tem uma alteração, né, nesse contexto de mente, né, cérebro e corpo, que está alterada no envelhecimento.
Então, nunca é só uma queda, ela é um sinal importantíssimo que algo está acontecendo com aquele idoso e a gente precisa entender o que é e atuar em cima disso.
— E pode ter outros outros conceitos também para que essa queda aconteça. Pode ser medicação. Ah, com certeza. Inclusive as reações adversas dessas medicações que são as vilãs, vai em muitos casos, né? Porque às vezes esse comportamento do idoso, ele nem é natural, ah, eu não fica tropeçando, mas aí mudou a medicação, né? E interagiu com as medicações anteriores dele, né? E uma coisa muito importante que é muito importante realmente frisar é a importância da atuação de um geriatra, né? geriatra é o profissional adequado para tratar disso, porque ele vai organizar essas medicações para que o idoso, né, não tem essas interações tão fortes e não desenvolva aí, por exemplo, né, aquela névoazinha ao levantar, né, aquela sensação estranha que eles sentem às vezes, ai minha cabeça parece que tá, sabe, tá noviada ou então eles ficam muito sonolentos e é um problema inclusive para deglutir,
— Né? A sonolência causa um problema. eles engasgam muito, né, com essas interações medicamentosas, né? Então, a gente precisa regular essas medicações e o profissional adequado para cuidar disso é um geriatra,
— Né? Então, muitas quedas, como eu mesma disse, não tem um fator único, né? Não é só uma uma sistêmica motora que tá inadequada, né? Às vezes é são questões assim pequenas que começam pequenas, que são essas interações medicamentosas, né? E em seguida vai gerando outras questões. Então, ah, tô com sonolento, vou dormir o dia todo, vou ficar aqui deitado, né? Tá tão gostosinho aqui. Ou então tá se sentindo mal, fica deitado, diminui aí suas atividades de vida diária, né? Então, a regulação das medicações são importantíssimas, principalmente as de início. e tem outro fator importante, doenças associadas que são novas. Ah, uma crise de labirintite. Olha aí o problema. Então, já tô com labirintite, né? desenvolve uma labirintite, tô tomando medicação, OK, mas ela tá, ela é ideal para aquela interação com as medicações já pré-existentes, né?
— Então isso é realmente importante focar.
— A queda ela pode ser o início de uma perda funcional
— E que aquela família ainda não
— Não percebia, mas de repente teve a queda e começou ali. É o início da perda Sim, pode ser com certeza, mas ela não é a causa principal. Ela começou muito antes, então aquele idoso que teve uma história toda, né, teve lá uma transformação com o envelhecimento do corpo, a forma como ele se posiciona, né, a as questões do próprio do envelhecimento, como a fraqueza muscular, as artrites, as artroses, né, doenças que já vão acometer a gente por excesso de por estress mesmo mecânico, né, do dia a dia. Tudo isso e associado a várias outras questões, elas vão contribuir para essa queda. Então, se a gente começar a enxergar que que aquele idoso ele tá tendo um comportamento diferente, sabe, antes da queda, porque isso não, eu tenho certeza, tá, que isso vai acontecer.
Ai, uma postura ele é ele é corcunda demais. Ai, ele tem tontura quando vai levantar. Ai, ele tem dificuldade para alcançar um objeto. Quando ele vai tentar alcançar um objeto, ele dá um passo pra frente e tem um tropeçozinho, uma simulação de uma queda. Isso seria sinais despercebidos. A família ainda não percebeu. Acaba sendo rotineiro e somente na hora da queda que talvez vire a chave.
— Exato. Sim. Porque assim, o que que acontece, né, na nossa sociedade teve uma mudança radical, né? Os idosos eles ficam muitas vezes sozinhos, né? e tem o auxílio do cuidador, tem os familiares ali do lado, mas eles não tão são treinados como nós da área da saúde a perceber essas mudanças, né? Então elas são despercebidas, eles não percebem que um alcance, sabe, um microtropeçozinho, sabe? Uma lateralizada quando você vai andar, sabe? você tropeça um pouquinho para ir para um pouquinho pro lado.
— Você fala do equilíbrio,
— Do equilíbrio, que obviamente, né, o equilíbrio é um dos fatores mais importantes quando a gente fala de
— Sim. existe uma perda considerável desse equilíbrio, porque as nossas, a força, né, a postura que a gente adota, inclusive até a postura emocional também, porque quando o paciente está emocionalmente instável, ele cai mais mais. Você sabia disso? Realmente existe uma interação, ah, eu não tô me sentindo bem, ah, eu tô triste, emocional
— Totalmente. A gente sabe que o idoso tem depressão, né? faz parte do processo do Muitas vezes o o familiar não olha isso também porque, como eu disse, não estão treinados a ver essas pequenas nuances anteriores à queda. E eu não os culpo, obviamente, né? Aí entra a fisioterapeuta para
— Talvez o convívio no dia a dia não faz com que isso seja passado de uma forma sem perceber muito bem, porque convive ali o no dia a dia e um externo acaba tendo uma visão melhor
— Daquele idoso, daquela família. O que acontece, às vezes quando eu tô passando visita, quando eu vou conhecer algum paciente e você vê um uma dificuldade no equilíbrio, uma dificuldade ao levantar, n levanta com mais dificuldade, quando ele levanta, ele perde um pouco o equilíbrio e a família fala: "Não, isso é normal. É,
— Isso sempre aconteceu.
— É, é verdade.
— Aí, só depois de uma queda é que a família se atenta. Realmente foi a falta de equilíbrio. foram várias outras questões que se tivéssemos um olhar diferente também não os culpo, porque são família, nós somos família, nós sabemos como funcionamos. a visão do profissional, ela é muito importante para que faça essa família olhar de forma diferente.
— Exatamente. E as orientações, inclusive essas orientações, né, que a gente tá dando aqui, né, exatamente tem esse propósito de informar, né, que esses sinais, esses pequenos sinais, eles devem ser considerados, que como você disse é normal,
— Porque ele a gente acha, né, quem não é da área da saúde acha que a é normal pra foi assim, sempre foi assim, faz muito tempo que ele, né, então é normal, mas ele não é normal, já está perdendo a não conseguir levantar da cadeira, não conseguir levantar com mais agilidade de uma cama, de uma cadeira, subir uma
— Ele precisa pensar mais para dar o primeiro passo,
— Porque ele precisa se manter no
— É isso mesmo que acontece.
— Examente. Com certeza. Inclusive, isso faz parte do processo do envelhecimento também do nosso cérebro, né?
— Uhum. A gente não só com a perda muscular, a gente tem uma redução da velocidade. A gente tem uma redução da velocidade porque os processamentos mentais envolvidos estão reduzidos
— Você tá vendo como a parte do físico ela precisa estar alinhada com a parte neurológica? Tanto é que na fisioterapia neurofuncional a gente trabalha isso também, né? a gente trabalha esse corpo envolvido com esses processamentos mais lentos, que faz parte do processo do envelhecimento, é comum, mas não deve ser normal. Sabe por quê, Andréia? Eu percebo que existe pouco estímulo. Existe pouco estímulo. Eles aposentam e acham: "Ah, agora não, aí é que você tem que ser estimulado, porque o cérebro ele é muito plástico
— E se o cérebro não estiver saudável, você sabe disso? O que que acontece com o corpo? Não, não tem movimento,
— Não tem. Então, a gente precisa interagir muito bem com essas duas questões, né? Então, trazer essa consciência pro idoso que existe uma naturalidade nesse processo, mas que deve ser revertido, porque, nossa, eu tenho paciente de 95 anos que tem uma funcionalidade melhor, porque sempre foi esperto, fez suas próprias coisas, sempre se estimulou do que aquele que tem 70, que inclusive às vezes tá até mais fragilizado. Então a idade, você vê não tem uma relação, né, é tão é íntima com a funcionalidade. Embora esteja atrelada, não é assim que funciona. Então você precisa ser estimulado, você precisa entender que as atividades não só do dia a dia são importantes, mas uma atividade extra que mexe bem com essa parte, né, da cognição que a gente tem, que a gente tem a parte do movimento e a gente tem a cognição do movimento, que inclusive é afetado em pacientes com Parkinson, né?
Eles não conseguem planejar o movimento.
— Como eu planejo esse movimento.
— Exatamente. Então isso tem que ser trabalhado desde cedo, né? É, então a gente já vai partir pra prevenção. Nem sei se eu deveria já começar a falar sobre isso.
— Pois nós voltamos depois, não tem problema, a conversa tá boa.
— Então, a forma de prevenir, né, tudo que tem relação com funcionalidade é estimular física.
— E a parte da cognição. Se você não estimular nem uma nem outra, pelo amor de Deus. Se você estimular uma, tá incompleto. Se você estimular outra, tá incompleto. Então, a gente tem que ter essa percepção de que o nosso corpo ele precisa de estímulo, assim como a nossa mente. E assim, esses 15 anos que eu atuo, né, infelizmente, como eu te disse, as pessoas estão numa modalidade diferente na vida. Antes o idoso ficava em casa com o familiar, né, e tinha toda essa interação. Hoje não tem, eles não têm tempo, eles trabalham, eles tm a vida corrida deles, então não dá para ficar estimulando o idoso, né? Aí a gente vai tentar fazer com o cuidador, ensina pro cuidador que que acontece. Eles não querem, eles só querem fazer com a físio.
Eu falo, não precisa ser
— Mas tem algumas atividades que o fisioterapeuta ele ensina o cuidador, logicamente aquilo que ele é capaz de
— Sem dúvida.
— E quando nós temos essa interação do cuidador com o fisioterapeuta, naquilo que pertence ao cuidador, ele faz. E naquilo que é mais intensivo, mais técnico, é o fisioterapeuta que faz. Conciliando essas duas atividades, o a pessoa idosa, ela tem mais dias na semana executando, se exercitando, né, e promovendo esses movimentos. Então o resultado final ele é melhor.
— Exatamente. Nossa, sem dúvida. Eu fico super feliz quando eu coloco atividade para eles fazerem que eles conseguem fazer com o idoso, né? Porque não é o cuidador o problema, às vezes é o idoso que não aceita,
— Né? É, por diversos diversas questões, né? Aí envolvidas, mas a gente coloca essas atividades para eles fazerem e o e o cuidador ele tem essa essa vontade, ele faz muitas vezes. Eu tô não tô generalizando, tem uns que
— É e tem o cuidador familiar. Esse cuidador familiar você também ensina ele a fazer o movimento?
— Nossa, sem dúvida. Principalmente, tá? Eu falo primeiro com o cuidador familiar, que sempre tem um cuidador ali do ladinho também, que ah, vem às vezes uma vez, duas vezes na semana e tal, eu
— Esse é o cuidador profissional para
— Profissional. Exatamente. A gente sabe que 60% dos cuidadores são familiares, né? Então a importância deles na manutenção da funcionalidade desse idoso é fundamental.
— Então eu sempre converso, eu e eu mando mensagem, ó, tá aqui a atividade, vamos fazer, hein?
— Uhum. Mas assim, é complicado porque existe, né, tem que mexer toda a dinâmica da família, às vezes eles têm duas casas, é complexo,
— Né? A gente sabe que tem muita coisa envolvida, mas a gente introduz sim, porque estimulação não é só durante um uma atividade de fisioterapia. Imagina, eu vou lá duas, três vezes na semana por uma hora. É,
— Mas o cérebro e o corpo tá funcionando sempre 24 horas por dia
— E eu não exijo demais, eu só exijo algumas questões. Ó, tem que fazer alguns movimentos adequados para levantar, sentar. Isso eu ensino muito. Pro cuidador também não estressar a sua coluna. Inclusive, eu tô com curso para desenvolver agora, né? Vai lançar mês que vem sobre isso.
— Depois você nos passa.
— Vou passar com certeza. E essa integração, né, desse cuidado, né, vai ajudar muito o idoso. Então esse cuidado do dia a dia, de levantar de forma adequada para não cair, de sentar e levantar do jeito adequado, sem muito auxílio, porque eu não gosto de cuidador que fica fazendo tudo pelo idoso. Eu acho que isso é desnecessário.
— Estressa muito cuidador. É a super proteção que é mascarada com cuidado,
— Né? Cuidado, a gente sabe muito bem, né? Ela é bem amplo. Agora, o jeito que você cuida, né, é diferenciado. Então, cuidar de uma forma que deixa o idoso mais com mais liberdade, né, para poder fazer suas próprias coisas, estimular a fazer, porque muitos não querem, mas com jeitinho, gente, a gente consegue. 12 é muito fofo. Se a gente vai com jeitinho, eles fazem tudo que a gente quer. Principalmente quando ele vê tudo isso, tá refletindo nele e ele está
— Nossa, sem dúvida. Por isso, Fran, é o intuito desse podcast. Nem todas as famílias podem contratar um
— Sem dúvida.
— Então, a orientação correta por um profissional, ela é primordial, ela é de primeira escolha, porque não é só chegar e dar, passar exercícios. Existe todo um histórico que colhemos para que os exercícios para aquela pessoa, porque o exercício ele é particular para aquela pessoa. O que um faz, o outro talvez não seja o ideal pro pro outro paciente. Então esse primeiro momento precisa de uma avaliação do fisioterapeuta. mesmo que esse fisioterapeuta não for ficar perene nesse atendimento, mas que ele possa ir pelo menos uma vez fazer essa avaliação e orientar essa família ou orientar esse cuidador quais são os principais exercícios que esse idoso precisa fazer para poder manter uma funcionalidade, para não ter perda de massa muscular, que isso tudo vai prejudicando essa funcionalidade e evitando e causando quedas.
Nós precisamos evitar as quedas.
— E no serviço público, essa é a minha
— Quando de fato não tem o [roncando] pessoas que consigam contratar um por onde essa pessoa busca essa orientação, busca esse auxílio? é que existem sim fisioterapeutas nessas clínicas dentro da lá da UNIFESP, né, de escolas de sabe aquelas escolas São Camilo mesmo. São Camilo tem uma instituição que tem fisioterapia, você paga acho que um valor mínimo e tem uns que até um valor que não tem valor e eles conseguem fazer as atividades lá de forma muitas vezes gratuitas, né? Tem como chegar até lá, né? Se você vai numa UBS, você procura exatamente na UBS você vai procurar essa assistência, né? Pergunta se existe esse serviço e como ele faz, porque no SUS lá eles têm a programação certinha deles. Tanto é que lá você não pode chegar e falar assim: "Nossa, eu quero passar na ginecologista".
Não, o médico vai eles vão orientar. Primeiro você passa num clínico geral, depois ele vai ver qual especialidade é adequada para você. O que eu acho que é certo, gente, entendeu? Porque assim, não dá, né,
— Para você chegar numa especialidade, ah, eu tô com dor de cabeça, né, eu vou no neuro, mas você não sabe se a sua dor de cabeça é porque você tá com algum problema na cabeça, você pode estar com problema na cervical, você pode estar com problema na escápula, entendeu? Então assim, essa coisa, essa coisa que não organizada dentro da saúde prejudica bastante, sabe, na minha concepção.
— Porque não é direcionado. Então é a mesma forma é o que as pessoas procuram na internet, entendeu? Eu mesmo tenho um perfil que eu ensino alguns exercícios, pouquíssimo, mas que eu sei que não vai prejudicar, mas você não pode fazer aquelas atividades e achar que é só isso, porque ela não se encaixa em cada perfil, né? cada pessoa,
— Tudo muito customizado para aquela
— Ép, por isso que é muito importante, quando o fisioterapeuta é contratado, ele vai conseguir ver tudo que aconte, principalmente quando ele vai na casa do
— Porque quando a gente leva, vai pro consultório, né, eu não consigo ver o que que tá envolvendo. Ah, o paciente caiu. OK, mas por quê? Muitas vezes o familiar não sabe informar
— Porque ele não tem esse essa esse conhecimento, né? Ele não tem essa percepção. Então, quando a gente é chamado para fazer uma avaliação, tem o PSF, mas eu não sei como funciona, eu não tô muito interessada,
— Mas o primeiro caminho seria ir procurar ajuda no Sistema Único de Saúde, passar no no médico o generalista e aí ele vai indicar os caminhos. Mas tem como fazer essa essa terapia
— No serviço público, desde que consiga chegar no exato local onde tem a
— Exatamente. Porque a gente sabe muito bem, nem todo mundo consegue, né, ter esse auxílio particular, né? O que seria interessante você contratar, nem que seja um profissional lá do seu bairro, porque ele vai com certeza ter mais conhecimento que você para indicar como é que funciona melhor essa questão de atividade, não fazer por conta. É, pelo menos uma avaliação,
— Né? uma avaliação por mês, até para depois você acompanhar a evolução desse dessa terapia, ver se tá
— Funcionando, exatamente.
— E quando essa pessoa, a própria pessoa idosa começa a evitar escadas, caminhadas mais longas, saír de casa, ela mesmo já está percebendo o risco da
— É isso. E você vê isso no seu dia a dia quando ela começa a se limitar a fazer alguma atividade?
— Sim, com certeza. E eu vou te colocar alguns fatores, mas o principal mesmo, gente, é o medo.
— O medo ele é altamente limitante, né, pras atividades gerais. Eu não tô nem falando de atividade simples, né, como a gente citou agora, mas atividade geral. O medo é uma questão muito importante que a gente tem que trabalhar, né? seja ali, né, mostrando confiança que é possível, né, se o fisioterapeuta não tiver ali, mas o familiar mostrar que é possível segurar do jeito certo, aí ela ele vai mostrando que aos poucos é possível ele fazer os movimentos, e conseguir, né, fazer as suas atividades do dia a dia que antes ele tinha, né, esse hábito de fazer e começou a parar de fazer. Inclusive, familiares precisam prestar atenção, porque às vezes isso não é não é do nada. Às vezes ele cai ou ele simula queda algumas vezes e não fala para ninguém com medo ou porque não quer atrapalhar ou porque não quer que ninguém saiba que ele tá começando a envelhecer, entendeu?
Então eles não falam. É,
— Eu vejo também.
— É. Aí eles não falam e o que que acontece? ele começa a mudar o comportamento. Então o medo, né, de cair provoca isso. E é pior por ele tem medo de cair, aí vai e não faz as coisas, não faz o que tem que fazer no dia a dia. Aí começa a fraqueza muscular, as a a questão mental, né? Porque a gente precisa, todo indivíduo, ser humano, precisa de contato com outras pessoas e até isso eles evitam, porque eles não querem mostrar fraqueza, sabe? Eu percebo muito disso. Ah, não, meu amigo vai me ver do jeito que eu tô. Ah, não, olha como é que eu tô,
— Não é? Então isso mexe muito. A questão emocional, como eu disse antes, é fundamental ser tratada também, não é só físico, né?
— E e isso gera gatilhos para outros problemas, né? Como intensifica a solidão, vindo uma depressão. Exato.
— Diminuir apetite, diminuir força, diminuir massa muscular. Exato.
— Exato. Da queda, a insegurança, né? É assim, ó. Você tropeçou, ah, ficou alerta, aí tropeçou de novo. Ah, não, eu acho que eu tô, né? Tá tendo problema aqui. Aí começa as inseguranças. A insegurança gera medo. O medo gera inabilidade. Ou seja, ah, eu não vou me movimentar porque se eu for até a rua, vai que eu tropeço e caio também. Isso vai gerando um ciclo que nunca se acaba. Ah,
— E a gente não percebe, né, no dia a dia, o familiar não vai percebendo isso até que algo muito sério aconteça. E de fato a gente tenha que tentar reverter esse quadro, porque assim, é muito difícil reverter quadros, viu?
— Não, eu acredito.
— A gente não faz milagre.
— Eu acredito.
— Então, se a gente pegasse desde o comecinho no naquele processozinho que provocou os tropeçozinhos, que provocou as instabilidades, a gente conseguiria trabalhar bem. Mas isso e às vezes não é falado ou às vezes ah é normal e acaba deixando para lá e aí isso vai se tornando cada vez mais constante na vida do idoso, provocando várias outras questões, como a psicológica, né? Aí a neurológica, porque
— Eu não saio, eu não me estimulo, eu não converso. Então o estímulo mental, cadê?
— Entendeu? Então meu, vai pro meu físico
— E aí já era. [risadas]
— E todo idoso cai. Não, nem todo idoso cai, tá? Mas dependendo da condição de saúde dele, ele pode começar a cair. Conheci vários, né? Até os 80 anos, super bem. Mas alguma coisa aconteceu que gerou uma quase queda, entendeu? Ou gerou uma queda. E o problema da queda em si, ela é grave, mas sabe qual que é o pior? Uma A fratura é uma problemática pra gente,
— Internação, é cirurgia, UTI, são várias várias consequências de uma queda que pode ter um desfecho mais grave.
— Com certeza. inclusive às vezes até dificuldade para andar, muitos acamam depois disso.
— Então assim, as orientações, né, é sobre o que a gente tá falando aqui, elas são sérias e devem ser, né, colocadas em prática, porque a gente vai prevenir muito problema lá pra frente. E eu acredito que muitos familiares, né, que assumem essa responsabilidade para si, não queiram, né, por como é que agora eu vou parar o meu trabalho para cuidar da minha mãe que tá acamada, então contratar pessoas desconhecidas
— Para ficar dentro de casa.
— Ela não gosta de muita gente dentro de casa. Como é que vai ser? Então a administração desse processo inteiro é muito complicada. É,
— A gente que tá lá dentro, você participa disso junto comigo, a gente sabe o quão complexo é. Por isso que eu evito ao máximo julgamentos, porque eu tô dentro de um universo, né, bem restrito. Quem vai na casa das pessoas vê o que tá acontecendo lá. Então, eu tenho uma interação muito profissional, mas humana, porque a gente precisa entender que nós somos seres que precisamos entender o que tá acontecendo com aquela pessoa, com aquele idoso, com aquela casa e tentar,
— É, e sem julgamento, sem sem falar assim: "Olha, nossa, mas olha o que ele tá fazendo, gente. As pessoas não sabem o que a gente sabe." É, então, se você é fisioterapeuta, né, um profissional que atua dentro da casa do idoso, orientação pro familiar é fundamental.
— Ele precisa, ele precisa, ele tá pedindo
— Precisa. Nossa, ele pede socorro. E quando a gente fala uma coisinha simples, ele fala: "Não, sério, não, sério mesmo. Eu não sabia disso." Falou: "Pois é, coisa simples. Calçado é uma coisa simples, né?" Mas eles não prestam atenção nisso.
— Sim. nem o idoso. Aí quando a gente olha e fala: "Meu Deus, encontrei o motivo". [suspirando] E os motivos dessa queda que nós já falamos, força, a força porque diminui massa muscular.
— Já ouvi vários convidados aqui falarem que massa muscular é vida.
— É isso mesmo? Olha, eu acho que eu diria que é um um fator de 30%, porque não
— Ou também necessariamente é um problema só da força muscular, né? A gente tem uma biomecânica incrível, a gente tem ossos, a gente tem articulações, a gente tem, né, sistema, né, neural envolvido. Então, realmente massa muscular é vida. Mas eu conheço vários idosos que eu avaliei durante esse período intenso de trabalho que eram fortíssimos, massa muscular boa, né? Tô OK, força, grau cinco de força muscular e cai,
— Porque não é só isso,
— Não é só isso. Então é a força, é o equilíbrio que nós falamos aqui que o equilíbrio está envolvido em outras questões, como pode ser a medicação.
— Uma tontura. Exato. Você desequilibra. Então isso precisa ser avaliado com com o profissional. A percepção do ambiente,
— Nossa, é alterada, né, com a idade e com a patologia que tá envolvida, porque a percepção, por exemplo, vestibulopatias, né, paciente que tem lá algum problema no labirinto, a gente se orienta através do movimento da cabeça. Como é que ele vai fazer isso? Então, a percepção do movimento também é alterada quando não tem visão. A acuidade visual auditiva, ela é essencial pro controle motor,
— E os reflexos. Então, vamos falar, já que você falou, ah, se eu tivesse que falar,
— Reflexos bons,
— Porque isso é muito importante pro equilíbrio. Imagina os reflexos, eles atuam só aqui, né, nas nossas articulações, a gente tem reflexos de atuação rápida. Já prestou atenção como é que um idoso cai? Como é que uma um um adulto cai? Uma criança cai?
— Eu já prestei atenção.
— É muito diferente por a gente tem reflexo de proteção. Então a gente usa várias estratégias. A gente usa estratégia de tornozelo, joelho, pelv, cosa até cair.
— Mas pode perceber que a gente vai lá, tomba, mas não cai. O idoso não, ele cai. Parece um bloco.
— De repente
— É porque esses reflexos são perdidos ou pouco treináveis. Dá para treinar. A gente tenta, é difícil, mas a gente consegue treinar reflexos também. Existem técnicas.
— Então, se eu tivesse que falar que é só músculo, eu colocaria ali como ali uma porcentagem de 30%. Acho que reflexos, né? cognição, visão, percepção, percepção natural do ambiente, tá? Eu vou te falar uma coisa que eu achei muito interessante essa semana. Eu falei: "Nossa, nem tava pensando nisso". De repente, né, aconteceu exatamente para eu falar esse exemplo aqui para você. Eu tava sentada atendendo o marido de uma senhora e, né, a gente, eu tô, a gente visualiza tudo. A gente, nós fisioterapeutas temos um negócio que a gente muito,
— Aí eu tava atendendo e eu vi que a
— Né, do idoso que eu tava atendendo, ela tava escorregando e tava atrás dessa dessa idosa, a a esposa desse meu paciente e ela ela cai, ela foi escorregando, então teve o som, né? Teve o som, porque o som faz aquele negocinho, vai caindo, né? E você vê, ouve o som. E aí teve também a a ela tava com a mão na parede, ela poderia ter sentido que tava acontecendo alguma coisa, ela não sentiu. Quando caiu, ela teve um delay de alguns segundos e aí ela ai, entendeu? Então, ou seja, essa percepção também é reduzida quando a gente envelhece, né? Ela é trabalhada. Para ser bem honesta, eu acho que tudo é trabalhável, que o cérebro é plástico, mas eu nunca fiz esse treinamento, mas posso, quem sabe aí ter uma ideia de um de um paper, né, para escrever.
— Mas é importante, todos esses sistemas t que est integrado e tem que tá funcionando para haver equilíbrio, não é só músculo, porque senão meu paciente de 95, que tem muito músculo, não cairia e ele cai.
— O, a queda também pode ser do de
— Uhum. Hum. A consequência da queda quando a pessoa tem osteoporose é mais o quê? A fratura. Então, muitas vezes chega para mim assim: "Ai, [roncando] meu pai caiu e quebrou o fêmur. Quando vamos colher a história, é um osteoporótico. O fêmur
— E ele caiu."
— E ah, entendi. Exatamente. É exatamente que são os ossos frágeis, né? Acontece, mas é raro, não é? Acontece, mas é raro para você. É raro?
— Não. Para mim nunca, nunca tive um caso
— Não tenho em abundância, mas eu tenho caso. Sempre tem um caso ou outro que assim o fêmur quebrou e ele caiu.
— Olha, olha como essa essa conversa a gente aprende junto. Que bacana,
— Fran. Existe as questões com a casa também. Muitas vezes eu me deparo com uma família que teve, que a família que a idosa teve, o idoso teve uma queda e viram para mim e falam: "Mas essa casa ela conhece, né, de ponta cabeça. Sempre foi
— Por que que isso acontece?
— Porque o envelhecimento não acompanhou junto com a casa. O que acontece é que o ambiente dessa pessoa continua igual e a e a a pessoa em si né? Então, e todas as alterações que ela vem desenvolvendo ao longo dos anos, em um dado momento, vai prejudicar realmente, né, essa interação entre o ambiente e ela.
— Imagina, uma pessoa pode conhecer a casa inteira dela, mas, por exemplo, ela não nasceu com uma sem visão para poder trabalhar, né, essa sensibilidade dos espaços. E quando a gente envelhece, a gente também tem uma e a questão espacial é diferente pra gente. Então, o processo do envelhecimento não acompanha exatamente a casa. Deveria ser a casa acompanhar o processo de
— São mudanças que precisam ser feitas.
— Sim, precisam ser feitas, mas é desafiantes. Você sabe?
— É, são desafiadoras. Por quê? eu vivo isso diariamente. Muitas vezes não houve uma queda, mas nós estamos vendo riscos naquela casa. É um tapete, são fios espalhados, é uma luz que não é adequada, uma luz que não tem uma luminosidade adequada, principalmente à noite. fios, tapetes, cortinas, chinelos, sapatos, né, às vezes espalhados no meio da casa, é o móvel que trocou de lugar. Então, nós estamos vendo que ali tem riscos. Eu sinto muita resistência para poder organizar essa casa, deixar uma casa mais acessível e mais protegida para que não tenha uma queda. Então eu tenho muita muitas resistências porque os idosos eles não me deixam fazer isso. Você também enxerga isso no seu dia a
— Exato. Nossa, sem dúvida. Imagina você e eu que vou lá três vezes por semana, vejo tudo aquilo e falo: "Meu Deus, alguma hora vou me ligar e vou falar: "Fran, minha mãe tá no hospital porque caiu? São riscos, né? São riscos. acontece com qualquer pessoa. Nós, todos nós caímos, né? Mas o idoso cai mais porque tem todas as outras questões envolvidas, né? Até porque se a gente for falar que só idoso cai, não. O quanto tem? Eu atendo uma menina de 19 anos que tem uma polirradiculoneuropatia. Então, ela ela é frágil, né? Os ossos, os ossos não, desculpa, os músculos dela são atrofiados, ela tem dificuldade pro movimento, ela só tem 19 anos. Tem criança que nasce, né, com distrofia muscular. Então não é só a a idade que, né, vem junto com a queda, tem muitas outras coisas envolvidas, mas o ambiente daquela pessoa é o tempo que ela ela passa a maior parte do tempo lá, né?
Então imagina como aqueles riscos estão o tempo todo envolvidos, né? Mas pensa, eu penso assim, vamos lá pro lado emocional. Aquela senhora tá vivendo há 30, 40 anos lá. Ela passou uma boa parte da vida dela tentando construir aquele lar. Imagina, ela já tá com pouca saúde, tem muita coisa acontecendo com ela, do nada a gente chega, vamos mudar, né?
— Então é muito complicado, porque a gente vê que, né, a gente é humana, a gente sabe que alguma hora pode acontecer com a gente, vai acontecer, né, pelo amor de Deus, né? [risadas]
— Queremos, mas as mudanças, né? que são necessárias são um desafio para eles. E eu respeito muito isso, mas eu vou lá bem devagarzinho,
— Sem ser uma coisa drástica, muito, muita movimentação em um momento só. Você vai fazendo isso mais fragmentado.
— Aos poucos, né? Vou mostrando vídeos, tá? Elas adoram vídeos de nossa, as idosinhas adoram os vídeos que eu levo. Então elas vão vendo assim que realmente de fato aquilo traz, né, malefícios pra vida delas. E gente, idoso cai do nada. Ah, tem gente em casa, não adianta. Você tá em casa, mas você tá na cozinha, ela foi e às vezes são danadinhas, viu? Não é para levantar, você vira as costas, ela sai andando. [risadas]
— É, é assim. Ou sobe na escada. É, nós vivenciamos isso, mas hoje já temos, inclusive na empresa também tem arquitetos da que fazem toda essa inspeção ambiental e deixam a casa em segurança, [roncando] com barras, com Então, já tem essa orientação bem
— Perfeito. Sim. Ótimo.
— Uma coisa é o enfermeiro chegar, né, e determinar. Lógico, nós sabemos o que é
— Sim. Sim. Outra coisa é como vamos implantar essas essas normativas, esses ajustes, essas reformas, porque não são às vezes não são pequenas reformas, é um box que precisa ser tirado, é uma barra de proteção, é um corrimão, é uma escada que precisa ter um acesso melhor. Sabemos hoje que tem temos o acesso das cadeirinhas na escada, tem elevador externo e e outras mudanças que não são tão caras, tão onerosas, mas que já melhora muito e deixa essa casa muito mais segura. Sim,
— Que busquem orientação, não precisa ser uma enfermeira, uma fisioterapeuta, mas que deixa essa casa segura para que o idoso não corra riscos de queda e que esse profissional possa ser ou um arquiteto ou um engenheiro, mas que trabalhe com a segurança do paciente, a segurança da pessoa idosa, com
— É o mais importante, né? Evita muita dor de cabeça no futuro. Pode acreditar. E uma coisa simples também, altura de cama, altura de poltrona, como são essas
— Como é esse sofá, onde ele fica a maior permanência do dia, é no quarto, é na sala, se é no quarto, onde ele fica, quais são os riscos? Então isso tudo precisamos ficar atentos,
— Sem dúvida.
— E aí, Fran, é uma segurança sem transformar a casa. Não queremos tornar essa casa um hospital,
— Mas sim uma casa segura para que ele continue tendo uma funcionalidade, para que ele continue mantendo as suas funções e com segurança evitando quedas.
— Uma queda quando ela ela vem, às vezes ela é o desfecho é muito triste porque gera internações e outras consequências, infecções. Um idoso a gente tem que evitar levá-lo para o hospital. Então, trabalhar na prevenção sempre é o melhor caminho.
— Exato. Nossa, e o melhor remédio, né? prevenir é o que faz a gente no futuro colher bons frutos, né, do corpo que a gente foi carregando a vida toda, né, e que traz com a gente nossas histórias, né, tudo. Então, se a gente desde sempre, né, eu eu aí eu me incluo nessa que eu tô com 40 anos agora e eu já me incluo nessa também porque eu quero envelhecer bem,
— Porque envelhecer a gente vai, mas a escolha de envelhecer com saúde e segurança, ela tem que ser feita desde cedo, porque são alterações que elas vão ser elas vão sendo instaladas pouquinho a pouquinho quando você pensa que não a
— Sim. Quando você pensa que não uma uma escoliose, uma dor nas costas, que não não que inclusive eu até te falar que dor também é um limitador grande, além de causar desequilíbrios, né? Até porque muitos idosos tomam medicamento sem, né, devida prescrição e acaba sentindo tontura e tudo mais. Então tudo isso, gente, é importante, né, a gente entender que a prevenção ela vai fazer com que você tenha uma melhor qualidade de vida. seja aos 80, aos 90 e quem sabe aos 100, porque eu já atendi paciente de 102 anos que não tinha uma pressão alta. Então é possível.
— É possível. Não, tudo é possível. Eu quero trazer agora para uma situação que pode acontecer. Você chegou em casa, encontrou seu pai ou sua mãe no chão. E agora?
— Nossa, tá aí.
— E agora? O que fazer?
— E agora? Primeira coisa, é manter a calma, né? Vamos manter a calma, porque o que que acontece muitas vezes? Ah, pega no braço, sai puxando. Não, a gente tem que ter uma orientação. quando a gente vai fazer primeiro socorros, a gente tem que fazer aquelas três coisinhas, né? Ver, ouvir e sentir. Então você se acalma, você olha o que tá acontecendo ali com o idoso. Tem alguma coisa, tem fratura aparente? Será que ele tá respirando? Deixa eu ver, deixa eu sentir, né? Vê o pulso dele. Quem souber ver o pulso, dá uma olhada no pulso e olha as características. Pulso aqui ou a pulsa aqui?
— Olha, eu sempre vejo aqui, mas do idoso é fraquinho mesmo, tá? É, então é aqui é melhor. Então você vai se você perceber que ele tá inconsciente, que não tá falando, né, aí você eu já deveria me preocupar em chamar alguém e depois chamar o SAMU. Por quê? Paciente inconsciente pode ter batido a cabeça, pode ter tido, né, algum algum traumatismo craniano, pode ter acontecido uma fratura. Se ele tiver, por exemplo, deitado, imóvel, não conseguir se mexer e está acordado, também não podemos mexer, né? Então, na dúvida, sempre caiu, olha, não deixa ele se levantar, porque às vezes eles não têm cognição preservada, tá? Então eles não sabem o que eles estão fazendo, eles levantam e aí é que tá aumenta,
— Cai de novo e pode cair de novo.
— Aí vai cair de novo. Exatamente. Então evita chamar alguém para ajudar e logo chama o SAMU. Então eu acho que é o mais seguro, né, para não ter nunca pegar o paciente do nada e sair puxando, arrastando de qualquer jeito. A gente tem que ter muita consciência disso, né, que existe um risco. Às vezes, por exemplo, você tem uma fratura interna, pode romper uma artéria importante, né, Andréia, e provocar
— Sim. Sim.
— Toda queda é preciso ter uma avaliação criteriosa médica. Toda queda no idoso. Toda queda. Inclusive eu vejo que alguns pacientes caem. Ah, não foi nada. Eu falo: "Não, não foi nada. A gente vai sim, você vai pro hospital, vamos ver se tem alguma fratura aí e tal, se o que que a gente pode fazer, se tem algo mais grave". Bateu a cabeça, principalmente se bateu a cabeça.
— Vamos mov. Não adianta você ficar com essa dúvida na cabeça, né?
— É. E quando você chega em casa que você não sabe se ele bateu ou não a cabeça, é hospital chamar a remoção e levar para o hospital para uma avaliação criteriosa. Sempre melhor ir para hospital.
— Sempre melhor, independente se você acha ou não que quebrou, porque às vezes a gente acha que não quebra, mas quebra, gente. E aí a gente pode tomar algumas medidas ali, né? primeiro acalmar se a pessoa tiver desesperada. Às vezes o idoso fica desesperado para levantar, não fica aí, né? acalma ele e fica ali do ladinho dele, pede para alguém ligar, mas não deixa ele sozinho.
— Isso. E e aquela questão que você já colocou, depois de uma queda gera medo. Depois do medo, essa confiança precisa voltar. Isso.
— E para voltar à confiança são com especialistas, são com orientações ou cuidador familiar ou um cuidador Mas essa confiança precisa ser recuperada porque senão ele vai ficar mais restrito e volta àquele nosso assunto anterior do início da nossa
— Levando para um paciente acamado por conta de uma queda, porque ele não adquiriu a confiança novamente em andar, em caminhar, em fazer suas atividades. É
— Muito possível, mas os familiares, os profissionais precisam caminhar juntos, né, e mostrar que é possível que ele po que ele tem condição, né?
— Teve uma paciente que ela caiu acho que umas cinco vezes e aí ela tinha, eu ia só transferi-la, colocava ela direitinho aqui, levantava, ela fal: "Ai, ai, ai, eu vou cair." Eu falei: "Não se preocupe, você está muito segura aqui".
— Com o passar do tempo, sempre fazendo a mesma coisa, fazendo reforço positivo, né? O médico também precisa fazer esse porque eles adoram o médico e confiam muito no que o médico diz. Então, fazer esse reforço positivo sempre com carinho e afeto, porque é isso que eles mais precisam, né? carinho, afeto e muito, muito, muita paciência, porque eles demandam um pouquinho de paciência mesmo, gente. Imagina você cair várias vezes, quem não teria medo de cair?
— Então, trabalhar com a equipe toda junta e o familiar com amorosidade, integrar novamente ele, né, dentro do ambiente, fora de casa também pra segurança, né, para se sentir seguro e continuar suas atividades normais. É cuidado e não a super proteção. A super proteção não anda, não vai, deixa que eu faço. Exato.
— Essa super proteção também deixa ele
— Sempre o que nós precisamos entender é que o seguinte, independente das dificuldades dele, né, se você estimulá-lo a manter a inabilidade, né, a ficar sempre, né, da mesma forma, ele vai piorar. Ele vai piorar. E e é aquilo que eu te falei, é uma bola de neve constante, nunca acaba. Vai acabar assim, em cima de uma cama acamado e o trabalho é muito maior, né? A demanda é muito maior. Então a gente precisa sempre reforçar pro familiar que se é possível e com segurança deixar ele fazer as atividades, né?
— Tá? Então eu olho, eu vejo que é realmente uma preocupação, ai não quero que ele caia, eu entendo perfeitamente, mas assim, se você deixar ele sentado bonitinho aqui e pedir para ele fazer catar um feijãozinho, cortar um legume com segurança, porque tem umas que cortam, viu? Ou fazer qualquer atividadezinha ali que eles estão habituados a fazer, sentados mesmo, tá
— O importante é que eles se mantenham, né, em atividade.
— Sim. E a bengala e o andador é uma transição para essa segurança?
— Ah, com certeza. desde que bem de casada, né? Porque a gente tem que bom, bengala e andador é um dispositivo, né, para trazer essa segurança pro paciente, essa essa liberdade, né, de poder conseguir levantar e andar. É um processo, a gente tem que treinar do jeito certo. Às vezes ele sai andando com andador assim, é muito interessante. Eles são são barato, mas a gente vai treinando e eles vão se adaptando aos poucos, tá? Porque tem os que têm medo, tá? Mas também tem os que não tm medo. Você sabe que tem uns que aprontam bastante, não tem medo, vai lá e faz de novo e de novo e de novo.
— Então a orientação para para ambas as questões são importantes, mas elas trazem, né, essa essa mobilidade, né, e muitos ficam muito felizes. Nossa, eu nem acreditei que eu nem acredito que eu tô escovando sozinha meus dentes, que eu tô segurando aqui com a outra mão. Eu nem acredito que eu tô fazendo. Vai
— É, nossa, agora eu consigo ir ao banheiro. Embora o banheiro seja uma condição de risco, a gente tem que deixar, ah, pode até acompanhar, mas tem que deixar ele fazer as coisas sozinhos.
— Você fica ali só
— Você tocou num num ponto o banheiro. As maiores quedas e acontecem na ida ao banheiro,
— Sem dúvida,
— Durante a noite.
— Então é um ambiente muito perigoso.
— Então a gente precisa tomar alguns cuidados, né? À noite, iluminação.
— Deixa, deixa
— O principal, deixa ligada porque eles já não enxergam bem. Aí sem iluminação. E
— Né? Eles às vezes até põe óculos, às vezes esquece do óculos e vai ao banheiro, né? Com dispositivo, com o dispositivo auxiliar reforça essa segurança, né? Então eles vão com mais segurança. Mesmo assim existem riscos. Se tiver molhado, por exemplo, tem gente que coloca tapete no banheiro, que coloque, mas aquele antiderrapante,
— Né, com os furinhos, aquele adequado, né, pra água escoar bem. barras é super importante, né? e tomada
— Banquinho. O banquinho na no box do
— Para banho.
— Para banho.
— Nossa, eles cansam tanto no banho, né? Então, eu sempre oriento, toma banho sentado. Ah, não gosto. Falou.
— Eu também não, mas eu sabe que eu gosto.
— Você gosta?
— Tom banho sentado é relaxante. É depois de um dia exaustivo. Toma um banho sentado para você ver. Eu vou faço isso, eu falo isso para eles. Eu gosto não vou experimentar, viu? Porque eu nunca testei, mas vou experimentar. Mas o fato é que essas mudanças dentro do banheiro, elas são realmente essenciais. Então, principalmente à noite. O caminho tem que tá livre para ele não esbarrar, né? A tomada, o interruptor da tomada tem que est pertinho da da cama, porque como é que eles vão levantar às vezes meio tontos? Eu eu levanto tonta de madrugada e você? Eu não levanto de madrugada, eu dormi inteiro. Eu dormo a noite toda.
— Que coisa maravilhosa. Eu não, sempre vou ao banheiro de madrugada. Tenho esse problema. Eu deito e durmo.
— Ai, que maravilha.
— Eu ainda tenho esse sacrifício. Mas enfim, eu eu levanto meio tontinha, imagina um idoso. Então, tem um interruptor do lado da cama, né? esse trajeto todo até o banheiro iluminado, com sem tapetes, pelo amor de Deus, e espaçamento para ele caminhar de forma mais tranquila. Embora tem muitos que gostem de monte de móvel, porque vai segurando, né? E olha o risco, é risco.
— Mas se você tira o móvel, ele cai, porque ali ele já acostumou segurar.
— Ele já acostumou segurar. Então assim, você tem que pensar muito quando você vai indicar uma retirada de um móvel,
— As mudanças, as mudanças.
— É porque às vezes ela vai, ao invés de melhorar, piorar. Então é um sentido e dentro do banheiro olhar, ver se não tem se o piso tá molhado, né? Se tem barra para ele segurar, se tudo que tem ali tá adequado para um idoso, né? Vocês t que entender que precisa estar adequado para não corrermos riscos inadequados, né?
— Sim. Sim. Vamos falar, reforçar a Prevenção, exercício físico. Exercício físico não é a mesma coisa de uma atividade física. Exercício físico é aquele que você vai pra academia. Você concorda comigo? Eu tive uma aula, o professor falou isso.
— O exercício físico é aquele que você vai na academia, que você faz o seu exercício, sua atividade é o que você faz todo dia.
— Né? Eu subo uma escada, eu mexo numa horta. Isso é uma atividade física, mas o exercício é aquele que eu me dedico naquela uma hora para fazer o exercício.
— Esse é um ponto principal precisa ter.
— Com certeza. Quem vai indicar fisioterapeuta, educador físico, melhor exercício para aquele paciente.
— Sem dúvida.
— Caminhar é suficiente,
— É importante, mas não é assim o que eu posso dizer da caminhada, é um exercício
— Melhora, funcionando cardiovascular, melhora um monte de coisa, mas ele não fortalece o muscular, então vamos fortalecer. Então caminhada é
— Não é suficiente, mas é importante,
— Tá? um uma pessoa de 80, 87, 90 anos, que nunca praticou uma atividade física, um exercício físico, atividade física, sim, mas o exercício físico não.
— Se ela começar agora, ela é um um idoso funcional.
— Se ela começar agora, melhora?
— Nunca é tarde.
— Nunca é tarde. O corpo é plástico, né? A gente sempre tende a melhorar, desde que você faça alguma coisa. Fisiologicamente é verdade, gente. A gente depois dos 30 dá umas decidinhas assim boas, mas se você não treinar, se você treina, você sempre não, você já viu aqueles corredores de 80, 90 anos?
— Eu não corro como eles. Mas você corre
— Mais ou menos. Eu prefiro caminhada, mas eu faço os dois, tá?
— É porque sua caminhada não resolve. Ela acabou de falar.
— Só caminhada não resolve. Acabei de falar. Então faço sempre os dois. Eu faço corrida, caminhada, faço exercício físico todos os dias, porque eu sou uma fisioterapeuta, né, que preciso dar o exemplo. Exato.
— Eu treino todos os dias, leio todos os dias. Alimentação, que é uma coisa importante para vocês idosos, a gente podia até falar um pouquinho sobre isso depois tivermos tempo, porque a alimentação é essencial. Fato é que se nós treinarmos sempre é possível melhorar, né? É óbvio que cada idoso vai ter sua limitação, vai. Cada idoso vai ter suas dificuldades, vai. Mas assim, nunca é tarde para começar. Eu acho que nada na vida.
— Entendeu? Uma atividade nova, um hobby, eu estimulo muito. Ah, não, você tem que ver, tal, você tem que ir no cinema. Ah, não gosto de cinema não. Então, vai numa, né? Vamos, vamos ver arte. Adoro artes. Eu só adoro.
— Então, tem umas esculturas maravilhosas, tem uma exposição maravilhosa. Isso estimula muito o cérebro, né? Então, fazer uma coisa diferente daquilo que você está habituado, que são atividades, já é um estímulo,
— Mas precisa encaixar a atividade, exercício físico.
— Correto, Fran, me indique aqui pro indique pros nossos ouvintes três atitudes que uma família precisa começar a se organizar para prevenir essas quedas dos seus idosos. Primeira coisa é ficar atento às mudanças desde cedo, tá? Então não importa se você vai começar a identificar essas mudanças agora, mas começa a identificar essas mudanças porque isso vai te dar aporte para você resolvê-las, né? segundo, tornar o ambiente mais seguro. Isso é essencial. A gente conversou muito sobre isso aqui, a importância de tornar esse ambiente mais seguro, né? E o terceiro, se for possível, procurar um excelente fisioterapeuta, [risadas] [suspirando] que com certeza a gente vai te ajudar muito em todos os aspectos. E se você pudesse deixar uma única orientação para quem tem um pai, para quem tem uma mãe e quer ajudá-los nesse processo de organização, de minimizar riscos, qual seria?
— Olha, eu acho que o primórdio é estar sempre presente, né? E os momentos em que a gente tem família, às vezes são muito, né, bagunçados. Então, estar presente de verdade, identificar o que que o idoso precisa, não só como coisas físicas, mas também como coisas emocionais, né? Identificar isso vai ajudá-lo muito nesse processo, porque eu percebo que assim, durante esse período em que eu trabalho diretamente com idoso, eu adoro trabalhar com pessoas, mas que eu trabalho com idoso, eu sinto a necessidade de sempre falar com o familiar sobre essas questões, a amorosidade, o afeto, o carinho,
— Eles precisam muito
— Atenção, né? e a atenção. Então, se nós, né, conseguirmos juntar tudo isso já, eu acho que é 50% do tratamento. porque às vezes, a gente acha que eles são tão independentes, que eles fazem as coisas, que eles a gente acostuma, sabe, com certas coisas e às vezes deixa eles um pouquinho de lado. E aí, como é que você vai entender essas mudanças? Como é que você vai trabalhar junto com essas mudanças com ele? Porque a ele não tem o mesmo jeitinho de antes para você lidar, aprender a lidar com ele agora é muito importante, tá? Porque de o resto você intuitivamente vai resolvendo, mas amor, afeto e carinho é o que eles mais amor, afeto, carinho e a presença. Sem a presença, você não consegue observar essas nuances do que tá acontecendo nesse ambiente com essa pessoa, o quanto ela está precisando da ajuda dessa família e principalmente da ajuda de um
— Sem dúvida,
— Fran, a conversa foi muito rica, foi muito esclarecedora. Esperamos que muitos ouvintes consigam extrair aí o que de fato causa os riscos nessa casa, os riscos desta queda. [roncando] E se você em casa tem um idoso ou conhece algum idoso, alguma família que precisa dessa orientação, encaminhe, encaminhe esse vídeo para que mais pessoas possam ser atingidas, mais pessoas possam ter esse esclarecimento. Obrigada, Fran, pela sua presença. Foi um prazer tê-la aqui nessa conversa que espero mudar muitas famílias, muitas pessoas e muitos profissionais na visão que tem hoje.
— Que lindo, eu que agradeço. Foi um prazer estar aqui.
— Obrigada. Depois dessa conversa, fica uma mensagem importante. [música] Uma queda pode começar muito antes da pessoa chegar ao chão. Observar mudanças na força, no equilíbrio, na forma de caminhar e na independência [música] também é uma forma de prevenção. E prevenir não significa impedir uma pessoa de se movimentar, significa ajudá-la a continuar vivendo com segurança, confiança [música] e autonomia. E você que nos acompanhou, inscreva-se no canal, compartilhe esse episódio e siga o Viver Mais, Cuidar Melhor nas redes sociais, porque Viver mais é importante, [música] cuidar melhor é essencial. Até o próximo episódio do Viver Mais [música] Cuidar
Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação médica individualizada.
Quedas e fragilidade
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A enfermagem da EPAD conversa com a família e monta o plano.