Câncer após os 60 anos: 7 sinais de alerta que você precisa conhecer
Com Dra. Simonne Carmona Quaglia, médica hematologista e oncologista · CRM-SP 71907 · Site · Instagram

Andréia Teodoro conversa com a hematologista e oncologista Dra. Simonne Carmona Quaglia sobre o câncer depois dos 60 anos: sinais que se confundem com o envelhecimento, tipos mais frequentes, como a idade entra na decisão de tratar e por que os cuidados paliativos podem começar junto com o tratamento.
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Transcrição automática do áudio, com correções pontuais de nomes e termos. O travessão marca a troca de quem fala.
Olá, seja muito bem-vindo a mais um episódio do Viver Mais, Cuidar Melhor, o espaço criado para transformar informação em Cuidado. Eu sou Andréia Teodoro, enfermeira e especialista em envelhecimento. E hoje vamos conversar sobre o assunto que ainda desperta muito medo quando chega a uma família, o câncer depois de 60 anos. E eu quero começar quebrando uma ideia que ainda é muito comum. Receber um diagnóstico de câncer aos 70, 80 ou até 90 anos não significa necessariamente que não exista tratamento. Quando falamos de uma pessoa idosa, olhar apenas para a idade que está na carteira de identidade pode não ser o suficiente. Precisamos considerar sua condição de saúde, sua funcionalidade, sua autonomia, outras doenças que ela possa ter e principalmente quem é aquela pessoa e o que ela deseja para a própria vida.
Mas surgem muitas dúvidas. Até que idade devemos continuar fazendo exames? Uma pessoa de 80 anos pode fazer O tratamento é mais agressivo no idoso? Quando eu entro os cuidados paliativos? E até onde a família deve participar dessas decisões? Para nos ajudar a responder a essas e outras questões, recebo hoje Dra. Simonne Carmona Quaglia, médica hematologista e oncologista, especialista em cuidados paliativos e psiquiatria do adulto. Oi, Andréia. Muito obrigada pela essa por essa oportunidade excelente de falar sobre tema tão relevante, principalmente nesse momento em que estamos vivendo agora, né, em que a maioria da população consegue, principalmente aqui, a nossa população melhorou muito e consegue chegar a uma idade avançada. A expectativa de vida melhorou e existe sim várias possibilidades de tratamento ao longo dessa jornada.
Dra. Simonne, é um prazer tê-la aqui hoje conosco. Podemos começar?
— Porque o câncer se torna mais frequente à medida que envelhecemos.
— Então assim, na verdade o que que acontece? Nós já trazemos alguns proto-oncogenes, né? E essa e esses proto-oncogenes ao longo do tempo, à medida que nós somos expostos a vários fatores ambientais, genéticos, eles podem sofrer alterações, a gente chama isso de mutações, e eles podem se transformar em oncogenes, ou seja, aquela possibilidade de realmente se transformar em célula cancerosa e aí originar o câncer. Além disso, ao longo da vida, passamos por uma fase de envelhecimento, digamos assim, celular, né?
— Então, os nossa, as nossas células de defesa, elas precisam de mais tempo para desenvolver às vezes alguns anticorpos específicos para nos proteger. A gente chama isso de senescência, né? Então é, esse processo todo pode ser, né, a causa desses pacientes mais idosos. Agora a gente tá conseguindo diagnosticar o câncer nessas pessoas.
— Então hoje se faz mais diagnóstico.
— Sim. Na verdade a gente tem uma ideia de que não os o número, né, de câncer, existe uma estimativa do INCA entre 2026 e 2028 em torno de 780.000. 1 novos casos de câncer, né? Então, a gente tá falando de todos os cânceres, tumores sólidos, tumores do sangue, né? E isso se dá também porque as pessoas estão ficando mais velhas, estão vivendo mais, porque de certa forma melhorou a qualidade de vida e melhoraram também os métodos diagnósticos. Hoje a gente tá mais atento àquilo que se passa conosco e à nossa volta. E quais são os cânceres mais comuns após os 60 anos? Então, no homem a gente pode destacar no sexo masculino, a gente pode destacar o câncer de próstata, né, os cânceres do trato gastrointestinal aí, né, falando especificamente do cólon reto, né, pulmão e cavidade oral, né, muitas, muitos desses ligados a hábitos de vida, tabagismo, alcoolismo e assim por diante.
As mulheres a gente tem uma prevalência maior do câncer de mama. A gente tá falando de tumores sólidos, né? E temos também a questão do câncer do trato gastrointestinal. Então, cólon também reto o colo de útero, né, pulmão e tireoide. Uhum.
— Então, esses são os mais frequentes. E a gente dentro dos tumores do sangue, a gente lembra que essa população da melhor idade, elas podem apresentar as neoplasias do sangue mais frequentes, como as leucemias, não leucemia aguda, mas as leucemias crônicas, os linfomas, linfoma não Hodgkin, por exemplo, e o mieloma múltiplo, que também é um câncer do sangue. Depois do linfoma, digamos assim, ele é o mais prevalente na nossa
— E o mieloma ele é mais comum em homens ou em mulheres ou tanto faz?
— Não tem assim discretamente, digamos, em homens e na população da raça negra,
— Digamos assim, tem uma maior
— Tá? Quais sinais e sintomas no idoso merece atenção e muitas vezes acabam sendo confundidos? com o envelhecimento.
— Então essa é uma ideia que até assim passou-se a achar que é muito comum o idoso ter dor, que é uma coisa normal ter dor, então dor óssea deve chamar atenção, né? E deve ser um motivo, apesar do desgaste das articulações, né, da osteoartrose. E nessa patologia que é benigna, o paciente ter dor, a dor precisa ser investigada e aí ter certeza que não é uma neoplasia, como por exemplo, o mieloma múltiplo. A perda de peso, uma perda de peso que não é intencional e que equivale a mais ou menos 5% do peso num período aí de 6 meses. Isso deve chamar a atenção e o o paciente, o familiar deve ficar atento e procurar o cuidado médico, né? uma queixa muito frequente que tá associada a várias neoplasias é a fadiga.
Então é aquele cansaço inexplicado, né, que muitas vezes o idoso, vem, ah, é normal, é da idade, só que não é, precisa ser investigado.
— Muitas vezes o paciente pode apresentar aparecimento de caroços, né, na na axila, no pescoço, na virilha e achar que aquilo é uma íngua. Não, todos nós temos linfonodos. Ao longo do trajeto vascular temos linfonodos e o normal é que eles não sejam como que eu posso dizer, palpáveis, né? Eles ficam lá escondidinhos. Então, se eles aumentam, precisamos investigar o porquê desse aumento. Outro sintoma que deve despertar atenção é a sudorese noturna, aquele paciente que do nada acorda molhado, suado frequentemente todas as noites. Isso também deve ser investigado. Então, fadiga, perda de peso,
— Dor óssea e linfonodos palpáveis.
— Isso. O febre mesmo. Uma outra coisa que é importante é aquele paciente idoso que vive tendo infecção de repetição,
— Né? Como a gente falou lá no início, né? os nossos anticorpos muitas vezes sofrem alterações no seu material genético e aí eles param de fabricar os anticorpos como deveriam. Isso principalmente em algumas doenças especificamente. E esses pacientes vão tendo infecções de repetição. Então há aquele paciente que vire todo mês a cada 15, 20 dias tá no pronto socorro, tá com pneumonia, precisa sim procurar o
— E sempre será pneumonia ou pode ser outra infecção?
— Pode ser outra infecção, mas chama mais atenção nessa população as infecções do trato respiratório, né? que existe o esquema de vacinação e etc, mas a despeito de tudo isso e com um bom cuidado, ele vive tendo infecção.
— Entendi. Dra. Simonne, leucemias, linfomas e mieloma múltiplo tem alguma particularidade quando eles surgem na pessoa idosa? assim, tem, na verdade, assim, tem uma evolução, né, diferente de outros tumores sólidos, né, e muito, como que eu posso dizer, muito diferente do que muitos pensam. essas doenças, para essas doenças, hoje houve um avanço muito grande nas terapias disponíveis e hoje a gente consegue resultados muito, muito animadores. Ou seja, quando a gente fala de câncer, né, a gente pensa, há uma doença incurável, mieloma múltiplo há 10 anos atrás era incurável aquele paciente com uma doença mais avançada e etc. Hoje a gente já fala de cura, né? Uma cura funcional para esses pacientes, porque um paciente que fica 10 anos sem sinal ou mais de progressão de doença ou recidiva, né?
Aí obedecendo alguns critérios, por que não falar de cura, né? Exatamente. Exatamente. Meu pai teve
— O mieloma múltiplo e fez o transplante de medula óssea, o transplante autólogo. E hoje ele tá super bem.
— Quanto tempo tem já?
— 7 anos. 7 anos. E se cuida, faz todo o e segue a vida.
— É isso aí. E isso é o que a gente precisa, não é porque é um paciente idoso que a gente vai abordar isso logo mais, que a gente não vá muitas vezes usar uma terapia um pouquinho mais, entre aspas, agressiva, mas esse agressivo é paraa doença com todos os cuidados específicos, no intuito de promover uma sobrevida livre de progressão com qualidade de vida para esse paciente.
— É o que ele tem hoje. que tem qualidade de vida, mantém o acompanhamento, né? Várias visitas ao médico, vários exames, tem todo esse desconforto de ir, de fazer exames, tudo, mas ele tem qualidade de vida. Então esse é o mais importante. E nós podemos falar que o que leucemia, linfoma e mieloma são câncer cânceres líquidos.
— É, então podemos na verdade, né? Porque assim, passou aqui na cabeça agora. Isso é não não não está errado, porque eles são primários da medula óssea e a medula óssea é a fábrica do sangue, não a medula espinhal e sim a medula óssea, aquela de onde vem todas as células do sangue, os glóbulos vermelhos, os glóbulos brancos, as plaquetas, né, e também as nossas células e defesa que estão dentro dos glóbulos brancos.
— E onde fica? explica pro pros nossos ouvintes, a medula.
— A medula se a gente fala assim numa linguagem popular é o tutano do osso. Então a gente tem medula nesse ossinho que fica protegendo o coração, que chama-se esterno, nos ossos do crânio, na bacia, né? Nos ossos da bacia e nos ossos longos, em maior quantidade ao nascimento e ao longo da vida. esse tecido que forma, que a gente chama esse tecido hematopoético, ele vai diminuindo em quantidade, mas vai se mantendo eficaz. Daí aquela questão também, né, de favorecer essa toda essa transformação, o aparecimento de algumas neoplasias na melhor idade.
— Isso. E quando se faz o a coleta pro material, para fazer análise e ter o diagnóstico, onde que é feito a coleta? Então, a coleta ela pode ser feita dependendo daquilo que é solicitado, que a gente chama mielograma, que é análise dessas células, né? E pode ter também a biópsia da medula óssea.
— Então, quando tem os dois e e dependendo da situação de cada paciente, ou a gente faz a coleta do mielograma no osso esterno, né? Quando é só o mielograma, o material é pouquinho que a gente vai retirar, a gente usa usualmente colhe do esterno por ser mais fácil, é menos doloroso. E quando a gente precisa de mais material, então imunofenotipagem, cariótipo e biópsia de medula, a gente costuma colher da bacia.
— E é na crista ilíaca posterior, quer dizer, aqui atrás, nesse ossinho da bacia, normalmente com uma anestesia local. É um exame que é suportável, né? Dói um pouquinho, mas é suportável. Senão todos esses exames seriam feitos em centro cirúrgico de ir hospital sobre anestesia ou sedação.
— E sobre rastreamento, quando falamos em prevenção, existe uma idade limite para exames de mamografia, colonoscopia, o
— Não, né? A princípio não. A gente precisa avaliar
— Paciente por paciente. Cada caso é um caso. E sempre digamos assim, obedecer, né, a vontade, entender qual é a vontade do paciente, quais são os valores dele, o que que ele quer para ele. Eu, por exemplo, já cuidei, tratei de uma paciente de 86 anos com câncer de pâncreas metastático ao diagnóstico, que precisava fazer um tratamento paliativo. Quando a gente fala de tratamento paliativo, é um tratamento de controle da doença para minimizar os efeitos da progressão, né, da própria atividade da doença. E ela quis se tratar, ela vinha no hospital ambulatório, fazia quimioterapia e ela é assim é uma pessoa, era uma pessoa tão otimista, né? e ela não sentiu absolutamente nada. Não precisei fazer ajuste de medicamento e ela ficou muito bem. Foi passar a réveillon na praia pelo tempo que foi possível,
— Né, que ela vivesse. Então viveu com qualidade de vida e ela queria tratar. Então assim, não tem um limite. Agora ao rastreio, eu acho que é importante também usar outro exemplo, né? É que no idoso muitas vezes o paciente tem anemia. A anemia é multifatorial no idoso, né? Pode ser uma anemia de doença crônica porque tem uma tireoide que não funciona. Enfim, então toda a anemia, por falta de ferro deve se investigar a causa. E não raro a gente ver aquele idoso que tem mudança do hábito intestinal, por exemplo, ai meu intestino é um reloginho. Do nada passa a ficar preso, fica dois, três dias sem evacuar. E isso se repete, ele às vezes não percebe sangramento, porque o sangramento é oculto, né? E aí o que acontece?
Vai no médico, aí toma ferro, ferro injetável, mas a anemia ferropriva ela não é causa, ela é efeito. Você tem falta de ferro porque você tem uma torneirinha aberta em algum lugar,
— Além do fato de muitas vezes você não ingerir alimentos ricos em ferro, não absorver, enfim, mas deve se rastrear, procurar se não tem nada sangrando, né? E eu tenho uma paciente de 92 anos que vinha tomando ferro na veia e a a eu já tratei da irmã dela e aí ela eu falei: "Não, gente, tem que investigar. Não pedi uma colonoscopia de início, pedi outros exames e veio uma alteração na compatível com espessamento de cólon. Conversamos com ela, com a família, muito ativa, cozinhar, cozinha. Resumo, ela fez a cirurgia e tá ótima, tá em casa, isso foi recente e tá em casa. Então assim, a idade não é um impeditivo só ela. A gente precisa saber é o que o
— Muito particular,
— É, e o que ele quer fazer a família muito presente, né? Então tudo isso deve ser levado em conta. Depois que o câncer ele é diagnosticado, o que os médicos precisam conhecer sobre aquele paciente antes de decidir o Então, a gente já falou um pouquinho, né, mas a gente além de tentar precisamos avaliar, né, nessa idade, a gente tem algumas escalas que aí a os nossos colegas geriatras dominam muito bem, né, mas e nós utilizamos na escolha dos nossos tratamentos e etc agressivo, um esquema menos agressivo, né? e propor para esse paciente. Então, além de conhecer melhor as comorbidades deles, as outras doenças que ele já traz consigo, paraa nossa surpresa, às vezes o paciente não tem tantas outras, muitas vezes não toma o
— E aí surge o câncer, né? Então a gente avalia essas outras comorbidades e aplica algumas escalas, né? escalas de fragilidade, onde a gente vai avaliar se ele é um idoso robusto, a gente chama um idoso fit, que ele suporta a terapia sem tantos digamos assim, sem tantas complicações ou efeitos adversos, né? ou se ele é um idoso vulnerável, quer dizer, ele tolera bem o tratamento, mas ele precisa de alguns cuidados ou se ele é frágil mesmo. E aí, nesse contexto a gente vai usar e propor algo que seja tanto da vontade dele como ideal pro controle daquela neoplasia.
— Dra. Simonne, vamos continuar. Costumamos ouvir que idade cronológica e idade biológica são coisas diferentes. O que isso significa na prática? Quando o médico avalia uma pessoa idosa com
— Então isso é um fato, né? Muitas vezes a gente tem um idoso, né, de 80 anos que corre maratona,
— Mais saudável que eu do ponto de vista Mas enfim, e um outro de 60, 75, que não pratica atividade física, que não tem digamos assim, algo, um propósito, algo que lhe dê prazer, algo pelo qual ele levante todo dia e queira, né, seguir ali a sua vida. Então, a idade não diz necessariamente aquilo que o paciente pode ou deve fazer, né? Então tem aquele paciente que é de 80, de 90 e que tem, né, esse essa ainda é fit, né, né, ou vulnerável, mas que quer e deseja se tratar e ficar melhor, enfim, ficar com a doença controlada, porque às vezes eles falam, eles perguntam, né, e aí eles falam: "Mas doutora, eu vou, eu vou curar, eu vou ficar sem a doença?" Não, a sua doença não é curável.
Por conta de vários critérios. Muitas vezes a doença já saiu daquele sítio e já foi para outro lugar, uma neoplasia de mama, muitas vezes já comprometeu o fígado, no pulmão, mas não significa que ele não tenha como controlar aquela doença. E esse controle vai trazer para ele, né, a uma qualidade de vida. E muitas vezes é isso que ele quer entender para poder fazer. Mas o que que o remédio vai me vai me dar? Eu vou vomitar, eu vou isso, eu vou aquilo? Não vai acontecer isso. E isso, nós vamos fazer todos os recursos, né? utilizar os recursos para que você não tenha todos esses efeitos que são relatados, né, na literatura e alguns pacientes. Mas uma coisa que é que a gente percebe na prática é que aquele paciente que tem uma saúde mental, que tem um otimismo, né?
Não é acreditar no impossível, não é um otimismo cego, né? Mas que ele entende e ele ajuda no processo, ele sempre vai melhor, sempre.
— E tem a questão da família, a ajuda da A rede de apoio é fundamental, né? Então, é muito importante que esse paciente quando venha à consulta, venha sempre acompanhado, né, por alguém de confiança, né, alguém que entenda o processo, que mesmo não estando no dia a dia com ele, mas que eles estejam atentos a todo o processo. E quando ele vier a consulta, tem dúvida, anota, né, para você perguntar, a melhor pessoa para esclarecer, o paciente é o médico. A gente sabe que tem a inteligência artificial com todos os recursos, mas muitas vezes você vai entra lá no chat e vê coisas que não são assim, né? E não é daquele jeito, não é daquela forma. Exatamente por isso, porque cada um é cada um.
E às vezes só você olhar aquilo já te deixa triste, deprimido e muitas vezes não querendo fazer algo porque você teve esse essa esse conhecimento de forma inadequada. Então, o melhor profissional para esclarecer a dúvida é o médico, é o especialista que vai te tratar.
— Você sabe, Dra. Simonne, por isso que eu trago pessoas aqui no podcast e profissionais renomados, qualificados para que essa informação que você tá passando aqui, que é de muita importância, é muito valiosa, atinja muito mais pessoas para que saiba que esse é um canal sério, né, respeitado e com profissionais que vão falar a Parabéns, parabéns, né, por esse
— Porque eu acho que o o maior bem que a gente tem é a gente tá esclarecido,
— Né? A gente ter conhecimento sobre o que tá acontecendo com a gente, né?
— E a internet tá é muito fácil, você digita, vem todas as informações, mas nem sempre aquilo que você tá vendo cabe a você.
— Cabe a você. Então, busque o para quem não tem acesso à rede privada, os nossos ouvintes que não têm esse acesso que é mais difícil, quem eles procuram como primeira escolha na rede
— Então, se você me permite, eu acho muito importante que esses pacientes que não têm acesso à rede privada, que eles sejam ah, como que eu posso dizer, fiscais deles mesmos, né? eles precisam estar olhando para eles. E existe um médico dentro do SUS que é o médico de família e comunidade, que ele tá sempre naquela unidade básica de saúde mais próxima da onde você mora, de onde é o seu domicílio. Então você deve sim fazer os seus exames, né, com frequência, né, e procurar esse médico, viu que tem um caroço, né, viu que as fezes estão diferentes, vá lá, converse com ele que ele vai saber o que fazer e se for o caso, já vai encaminhar pro especialista, seja um hematologista. Na na no SUS, os pacientes só chegam no oncologista com diagnóstico anátomo patológico, ou seja, já com a biópsia realizada.
Tudo é feito antes. Assim,
— Isso. Então é essa rede de saúde, mas tudo começa com o médico de família e comunidade. É ele que dispara, no caso, por exemplo, do câncer de mama, o mastologista que vai pedir a a punção ou a biópsia ou a mamotomia, né? no caso do câncer de próstata urologista, mas ele não chega direto no urologista, ele vai no médico clínico, que é o médico de família e comunidade, e esse sim vai pedir os exames iniciais para que ele possa encaminhar pro especialista. E antes mesmo dos sintomas chegarem, de todos esses sintomas que já falamos, a prevenção é muito importante,
— É fundamental, porque tudo que a gente diagnostica no início tem um prognóstico
— Muitas vezes só uma uma cirurgia, né? uma cirurgia, por exemplo, no câncer de mama, que vai uma fazer uma cirurgia conservadora, não vai precisar tirar a mama, tirar linfonodo de axila, mas tudo isso vai depender do quê? Se a doença for diagnosticada num estágio precoce. Por isso que é importante a gente se olhar, perceber o nosso corpo, né? O que tá acontecendo com a gente no dia a dia,
— Né? Existe muito o medo, o medo de ter alguma coisa e aí se priva de fazer os exames preventivos, de procurar ajuda, de procurar o médico, médico da família ou médico num postinho, o que seja, por medo de ter um diagnóstico, mesmo ele percebendo que tem que algo não tá normal ali no corpo dele, mas ele não vá, não vai em busca, então precisa
— Isso. E e você tocou num ponto muito importante, assim, não precisa ter medo, né? Então, assim, isso que a gente tá falando hoje, se a gente diagnosticar um câncer num estágio precoce, você pode ficar curado dele, pode fazer uma cirurgia e nunca mais ter nada, né? Um câncer de intestino, por exemplo, num estágio inicial, às vezes só a cirurgia vai resolver, você não vai precisar fazer mais nada. Então não tenha medo, vá buscar, porque muitas vezes o medo encorre, né, num diagnóstico tardio e aí na necessidade de outros tratamentos para manter a doença controlada.
— Existe o tabu do exame da colonoscopia.
— Isso precisa ser quebrado porque eu não sei, é a partir dos 45 anos que começa a fazer os exames preventivos. Isso
— Cada caso é um caso para ver a frequência de repetir os exames. Isso
— Principalmente, eu observo, principalmente com com os homens, o tabu é muito grande para fazer a colonoscopia, mas aí depois começam os sintomas, começam os sinais e quando se vai fazer o exame ou uma endoscopia,
— Uma endoscopia, porque é feito o exame casado, endoscopia e colonoscopia
— Não faz quando vê o câncer já já tá muito maior do que se tivesse visto numa endoscopia aos 40, 5 ou 50 anos.
— Sim, com certeza. Isso é muito importante, que se alerte a população sobre isso, porque a prevenção é tudo e em todos os aspectos, né? Essa essa questão é muito importante,
— Muito importante e e que fique sabendo. O exame de colonoscopia não é todo esse
— Você nem sente nada,
— Nem sente, você o ruim só é um pouquinho preparo que é um incômodo. Eu também nem acho tão ruim assim,
— Mas você faz o o exame acaba rapidamente e tá tudo exato. Para o idoso, esse exame, o término do preparo ou muitas vezes o próprio preparo é feito em ambiente hospitalar por um critério de cuidado, né, para minimizar os riscos que esse paciente pode ter de levantar um pouco tontura, cair. Então esse término do preparo é feito em ambiente
— Até uma desidratação,
— Porque ele acaba eliminando muitos líquidos e aí faz no hospital para ter mais segurança em todos os quesitos.
— Você já me falou, já falou aqui para nós sobre as as escalas de avaliação para ver se o idoso é mais robusto, é mais frágil. quanto aos aspectos como funcionalidade, cognição, nutrição e outras doenças, medicamentos e rede de apoio também entra nessa avaliação.
— Sim, sempre, né? Então assim, muitas vezes assim, o tratamento do câncer ele é multiprofissional, então a gente envolve sempre um nutricionista, um fisioterapeuta, muitas vezes terapia ocupacional, então depende do paciente, mas essa questão, né, do olhar multiprofissional é fundamental. Isso sempre tendo em mente aquelas outras comorbidades que ele tem, né? E a polifarmácia, né? Alguns pacientes idosos tomam poucos medicamentos, às vezes nenhum. Ah, você tem, não, não tenho hipertensão, não tenho diabetes, tudo bem, né? Mas a maioria já vem com vários medicamentos, né? Então, precisamos sim olhar para essa questão desses medicamentos no sentido de evitar ou minimizar interação medicamentosa, que é a ação de um mais ação de outro, possa ter um efeito grave quando esse paciente precisa fazer o tratamento quimioterápico, né, né?
A gente não só o tratamento quimioterápico, mas é o quimioterápico que impacta nessa questão das outras medicações. Porque se a gente for falar quais os tratamentos que a gente tem pro câncer, né? Então, dependendo do câncer, a gente pode ter tratamentos que são desde neoadjuvantes, quando a gente faz uma quimioterapia para diminuir o tamanho do tumor e tornar esse tumor completamente ressecável e minimizar a questão de mutilação do paciente. e tem a terapia adjuvante, que é aquela que a gente faz, é, depois que o paciente faz a cirurgia, e o tratamento paliativo, né, que é aquele no contexto em que o paciente já tem metástases e que a doença não é curável, mas pode ser controlável. E aí a gente tem a quimioterapia, tem a radioterapia e tem hoje as imunoterapias, né, os anticorpos monoclonais, porque o tratamento evoluiu muito nesses últimos anos e hoje a gente pode usar medicamentos orais ou uma combinação de drogas que permitam com que esse paciente tenha uma melhor resposta ao tratamento.
E nesse contexto a gente precisa saber muito bem que outros remédios ele usa para evitar sim que ele tenha efeitos adversos mais graves, né? Eu tive um paciente que fez a terapia o tumor reduziu bastante, foi para uma cirurgia, aí depois fez a quimioterapia adjuvante, então neoadjuvante, cirurgia e adjuvante
— E depois entrou em cuidados paliativos. Então essa sequência melhora muito como esse paciente vai sobreviver depois, mantendo ele em qualidade de vida. Então, foi feito todos esses passos e, infelizmente, o paciente não aceitou muito bem o tratamento e interrompeu, mas eu pude acompanhar essa sequência do do tratamento. É bem
— E muitas vezes assim, é o que você falou agora também é muito importante o paciente aderir ao tratamento, né? Porque assim, e confiar no tratamento, confiar na equipe que está tratando dele, no médico que tá tratando dele, porque assim, é a vida dele que tá ali, né? Então assim, né, primeiro eu sou uma pessoa religiosa, enfim, então primeiro Deus, né, mas depois a gente se disponibiliza, né, para cuidar desse paciente e fazer o melhor que for possível para ele, mas é preciso que ele queira também se tratar. E isso tem muito aí do aspecto da saúde mental dele, né? Ele precisa estar bem consigo, né? ele precisa ter mecanismos de enfrentamento dessa doença adequados e aí entra a rede de apoio a família, né? E essa confiança, essa relação de confiança que nasce entre o paciente e a equipe que vai tratar dele.
É, receber um diagnóstico de câncer é algo que não dá para explicar o o sofrimento desse paciente ao receber e ao manter esse essa cabeça boa durante todo o tratamento. Sozinho ele não consegue,
— Ele precisa de da relação médico paciente muito próxima. Ele precisa confiar e acreditar que o que tá fazendo para ele é o que deva ser feito, não ficar mudando de de médico,
— Né? Porque não confia, porque ele quer escutar, quer que o médico fale aquilo que ele quer escutar
— E nem sempre vai ser agradável,
— Não? E nem sempre essa resposta ele vai ter, né? Vai dizer: "Olha, você não precisa fazer nada.
— Se você não fizer nada". Então não, né? É, sabemos da importância da relação médico paciente, do apoio da família e da adesão com essa equipe principalmente em primeiro lugar vem o médico que que determina todas as outras frentes da fisio, da fono, se houver, da psicóloga, que é muito importante nesse tratamento. Os cuidados paliativos envolvem toda essa equipe? envolvem também. Na verdade, quando a gente fala em cuidado paliativo, existe até uma certa, né, como que eu fal, um preconceito, né, a pessoa fala em cuidado paliativo, pensa, nossa, vou
— Não, não é isso, né? Na verdade, o cuidado paliativo, ele envolve aqueles aqueles pacientes que são portadores de de neoplasias ou doenças que não são curáveis. Por exemplo, mieloma teoricamente é uma doença até muito pouco tempo, onde a gente não conseguia falar de cura, mas são pacientes que têm uma sobrevida longa, né? Então essa questão do cuidado paliativo entra nesses casos. Para quê? Para promover junto com todo esse arenal arsenal um melhor controle dos efeitos adversos da quimioterapia. Então, um controle da dor adequado, um controle da náusea, do vômito, né, e o que for necessário, né, e por conta de que essa situação pode ameaçar a vida em algum momento, né? Então ele é inserido nessa modalidade de tratamento e não significa o fim, né?
Então é preciso desmistificar essa
— Sim, porque às vezes entra, eu eu tenho isso lá na lá na empresa, quando um paciente entra em cuidados paliativos, mas não é terminalidade, não é fim de vida. Às vezes o próprio profissional não tá preparado o profissional para receber a notícia que ele entrou em cuidados paliativos. Aí você tem que abordar, treinar, conscientizar a equipe de que não é a terminalidade, mas sim para melhorar a qualidade de vida dele. E nem sempre por um câncer, é uma doença, né, neurodegenerativa, são outras doenças que não tem cura.
— E aí ele entra para ter essa melhor qualidade de vida com os cuidados
— Não quer dizer que ele vá morrer neste caso, né?
— Sim. Sim.
— Então, na prática, Dra. Simonne, uma pessoa idosa de 80, 90 anos pode ter condições de receber um tratamento que, olhando apenas pela idade talvez parecesse agressivo demais. Sim, como a gente já falou, né, a terapia deve ser individualizada, considerando todos esses fatores, né, a vontade dele, né, a questão da avaliar a fragilidade dele, o que ele consegue, né, o que ele é capaz de suportar ao longo deste tratamento ou dessa jornada de tratamento e aí definir se um plano terapêutico para ele, né?
— Sim, sim. E falando dos tratamentos agora, quais efeitos colaterais do tratamento merece uma atenção especial no paciente do? Assim, na verdade, dependendo do tratamento, né, a gente tem efeitos colaterais específicos daquele tratamento. Por exemplo, a quimioterapia, muitas drogas às vezes podem causar não só efeitos de náuseas, vômitos, queda de cabelo, né, que a alopecia, enfim. Então, todos esses sintomas eles são eles hoje nós dispomos de recursos, né, através de medicamentos para minimizar esses efeitos adversos. Ou seja, o paciente tem o mínimo possível dentro do contexto. Lá atrás não era assim. Lá atrás realmente eram muito intensos, mas agora não. Então a gente tem como minimizar através de medicamentos e medidas de dieta e etc. Esses efeitos adversos, né? Por exemplo, a radioterapia, muitas vezes, dependendo da área irradiada e do equipamento utilizado para irradiar, os efeitos do trato gastrointestinal podem ser mais ou menos evidentes, né, o sistema nervoso central.
Então, tudo vai depender do contexto que tá sendo utilizado, né? por exemplo, vou vou irradiar o cérebro, dependendo da área, do tamanho da lesão, eu posso ter efeitos específicos e aí a gente já tem como prever quais serão. Avisar o paciente, olha, você pode ter isso, não se assuste, você já está tomando a medicação que vai minimizar esse esse efeito. Então, hoje em dia, tudo isso é, digamos assim, contornável na maioria das vezes. E aí é que tá, o paciente teve algum sinal, né? Ele precisa comunicar a equipe, né? Essa comunicação ela deve ser muito eficiente para não deixar, então, ele, se ele tem uma náusea, um vômito persistente, mesmo com as medidas que já foram tomadas, ele precisa ter uma retaguarda, avisar o médico para que se tomem medidas para minimizar qualquer consequência dessa
— Não é? é obrigado a ficar sentindo mal,
— Porque isso é um efeito da quimioterapia. Ele é obrigado a falar pro médico para que o médico tenha um melhor tratamento naquele momento,
— Consiga, né, fazer o manejo adequado para melhorar para ele. Então isso é
— Totalmente possível e é o que a gente faz no dia a dia.
— Explica um pouquinho pros nossos ouvintes o que que é quimioterapia, a diferença da quimioterapia e da Então, a quimioterapia, na quimioterapia a gente vai utilizar drogas, né? E hoje a gente tem drogas que são orais, quimioterápicos que você toma comprimido e que tem alguns efeitos semelhantes à quimioterapia que você usa endovenosa, né? Então, essas medicações elas vão ser utilizadas dependendo do grupo de drogas que a gente vai utilizar para combater determinados tipos de câncer. A radioterapia el a gente já utiliza um acelerador linear, né? E aí vai depender de qual equipamento tem no serviço, né? Onde a gente vai digamos assim fazer um preparo, né? da área que vai ser irradiada. Então, é a próstata, a gente vai irradiar a próstata. Então, faz-se um preparo e quem faz isso é o radioterapeuta,
— Então, é um médico especialista em radioterapia que está sempre de comum acordo, né? Trabalha com o oncologista, né? E ele vai conduzir esse tratamento radioterápico. É ele que vai determinar de acordo com o tipo de tumor e todos os detalhes da doença, o que quantas sessões de radioterapia serão realizadas. Normalmente, né, em linhas gerais, a radioterapia é um procedimento rápido. Então, o paciente faz uma proteção das áreas onde não serão irradiadas, né, e aí ele vai, entra no equipamento, fica lá alguns minutos, sai e vai embora para casa.
— É que nem um equipamento de tomografia, mais ou menos isso. Só para ter uma ideia, né? E aí, mas são algumas sessões, mas quem determina essas sessões é o nosso colega
— Uhum. E durante o tratamento, qual é a importância da alimentação, da hidratação, da atividade física e, principalmente da preservação da massa
— Então, fundamental, né? Hoje a gente tem alguns trabalhos aí que mostram que a atividade física corresponde a 40% do tratamento, ou seja, é muita coisa. Então, mesmo aquele paciente idoso, né, vulnerável, né, de acordo com o nosso critério, né, ou aquele idoso fit que faz a sua caminhada, né, seus 15, 20 minutinhos, que se mantém ativo na sua atividade física regular, ele tem uma evolução muito melhor do que aquele idoso que não pratica nenhum tipo de atividade física, né? Então, a atividade física, a nutricionista que está inserida na equipe multiprofissional, sempre faz uma avaliação nutricional do paciente. Aí inserindo algumas orientações específicas, como por exemplo, durante o tratamento quimioterápico, a gente pede que se evite ingerir verduras e folhas cruas, por exemplo, né? Tudo deve ser muito bem com soluções específicas, muito bem lavado para poder ser ingerido, né?
E todas essas orientações são fundamentais. Muitas vezes suplementos são feitos para esses pacientes, suplementos de proteína para que eles não percam justamente a massa muscular,
— E que eles se mantenham rígidos durante o tratamento. Então é fundamental, né? e entra nisso também a saúde mental. Então é todo um contexto, né? E hoje às vezes a gente percebe que o paciente idoso ele tem muitos médicos que ele vai, né? Tem o cárdio, o nefro,
— Tem o endócrino, tem o clínico, né? E muitas vezes os médicos, por uma série de razões, não conversam entre si. Então, é muito importante que quando ele venha pro oncologista, que que se tenha esse olhar e que o oncologista também forneça através de um relatório ou uma conversa, se estiverem tratando no mesmo centro, por exemplo, para que ele se beneficie, né? Então, todos devem saber que ele tá tratando, que ele tá usando isso, isso e aquilo, né? até para que se houver necessidade de algum ajuste de medicamento, que ele possa ser feito para não ter aquele risco de interação medicamentosa grave, né?
— É, porque com certeza se ele tem o cárdio, nefro, vários especialistas cuidando dele, ele tem uma polifarmácia,
— Isso, vai ter em algum momento a interação com a quimioterapia. Isso. Por isso a gente nesses casos a gente sempre conversa, seja por relatório, seja trocando mesmo uma conversa com o colega especialista para que quem se beneficie disso seja o trat, né?
— É sempre bom ter um médico que seja,
— Né, o coordenador de toda essa equipe.
— É mais ou menos, né?
— É, senão o paciente não consegue coordenar e a família também não.
— Não é, fica difícil, né? difícil. Ainda existe a ideia de que cuidados paliativos só entram quando não há mais possibilidade de tratamento, como nós já falamos agora a pouco. Afinal, quando eles deveriam começar a fazer parte de uma pessoa com câncer? Então, no contexto do tratamento paliativo, né, que a gente utiliza para aquele paciente que tem uma doença metastática, ou seja, o câncer já se espalhou além do local de origem para outros lugares, a gente diz que ele que essa é uma doença que não é curável, mas ela é controlável com tratamento paliativo, né? ela pode ser controlável com o tratamento paliativo. E aí, nesse contexto, desde o momento que a gente faz esse diagnóstico, já devem ser inseridos os cuidados paliativos. Então, a gente não deve entrar com cuidado paliativo lá na frente, quando esse paciente já progrediu, já tá com uma doença extremamente avançada, que muitas vezes não tem mais controle com o tratamento específico da doença que vai entrar com cuidado paliativo.
Não, como a gente sabe que é uma doença incurável e que promove muitas vezes risco a esse paciente quando da progressão, a gente deve inserir desde o início, né, que é que são justamente esses outros cuidados de controle de dor, né, fisioterapia, muitas vezes o nutricionista vai est presente, então de forma né, dentro da equipe multiprofissional deve ter o paliativista que vai conduzir, né, esses esse paciente ao longo, né, do tempo de vida que ele
— A jornada do paciente,
— A jornada do paciente. Então, é possível tratar o câncer e receber os cuidados paliativos no mesmo momento.
— Sim. Isso. Aliás, é o que deve ser feito, né? Porque muitas vezes a pessoa pensa: "Ah, cuidado paliativo, tô morrendo". Sim.
— Não, não é, não é isso, né? Essa é uma ideia errada, né? e que é justamente o inverso, é para poder permitir que o paciente tenha uma melhor qualidade de vida, inclusive quando a doença progride e que a gente não dispõe mais de recurso de tratamento específico para controle dela, mas existe sim uma forma de minimizar as complicações dessa progressão de doença. E só quem viveu, teve a experiência de ter cuidado, um os profissionais de cuidados paliativos, é que vai saber a diferença, porque é um cuidado tão humano
— Que deveria ser sempre em tudo. É tão humano, é tão necessário. Eu passei recentemente por isso e e eu pude ver assim na na prática sendo do outro lado o quanto é importante a equipe de cuidados paliativos nesse momento, onde desde quando um paciente recebe o diagnóstico
— De câncer durante o tratamento inteiro. É fundamental fundamental. Então, cuidados paliativos não significam desistir. Esse é um dos maiores equívocos quando falamos de câncer, quando chega o momento de decidir sobre um tratamento, então você tá lá com a família e com o paciente, como deve ser construída essa decisão entre médico, paciente e família? É assim, na são feitos todos os exames, normalmente são um paciente recebeu lá o diagnóstico, seja através do mastologista, seja através do enfim. e ele vem ou do clínico geral que atendeu um paciente com uma alteração no hemograma e que suspeitou de uma leucemia linfoide crônica, né, e que ele chega pro oncologista ou pro né, a gente normalmente a gente faz um estadiamento clínico, né, faz todos os exames para saber até onde aquela doença está comprometendo o organismo daquele paciente.
Isso se aplica aos tumores sólidos, né? Aos tumores do sangue a gente aplica principalmente pros linfomas, né? Linfomas de Hodgkin, linfoma não Hodgkin, mas aqueles outros cânceres líquidos, né? Como mieloma, como a leucemia linfoide crônica, né? Síndromes mieloproliferativas, a gente não usa muito esse termo, né? Estadiamento clínico, né? pro mieloma a gente acaba usando porque tem outros scores aí, etc. Mas quando ele chega nesse momento de decisão, de tratamento, aí sim a gente já avaliou todas aquelas condições de fragilidade, a questão das outras comorbidades, a questão da polifarmácia e a gente vai estabelecer um plano terapêutico, né, que vai desde do esquema que a gente vai usar para controle no cenário curativo, a quimioterapia adjuvante, ela é finita. Então, eu vou fazer seis ciclos, eu vou fazer ah, enfim, 12 ciclos e vai parar o tratamento.
Depois a gente vai fazer o seguimento desse paciente. Então, é nesse momento que a gente faz essa explicação de como vai ser o esquema, quais são os potenciais efeitos adversos que ele vai esperar. Então, a gente, eu, costumo falar dos efeitos adversos da medicação, se vai ter náusea, se não vai ter, o quanto vai ter, o que pode fazer o cabelo, né? Então tudo isso nesse momento, nessa consulta a gente passa pro paciente. Algumas informações específicas da droga, o farmacêutico vai também e faz essa conversa com o paciente, o que é muito importante, que ele orienta inclusive sobre essa interação medicamentosa, né? Então, é nesse momento que a gente estabelece o plano terapêutico e também a forma que ele, de quanto em quanto tempo ele vai vir em consulta, de quanto em quanto tempo ele vai realizar exames antes da quimioterapia, depois da quimioterapia, quando ele vai fazer exames para avaliar a resposta ao tratamento.
Então tudo isso é conversado com o paciente nesse momento e normalmente é aí que a gente encaminha para alguns membros ou pede avaliação da equipe multiprofissional. Então você vai passar com a nutricionista, que ela vai dar de dieta, né, em todos os detalhes. Vai passar com o fisio, se for o caso, né, vai passar com psicólogo, todos são orientados, mas cabe a gente, né, ah, digamos assim, enfatizar a necessidade da atividade física. Então isso é fundamental, inclusive é na saúde óssea, né? A musculação não precisa carregar peso, mas é fazer a musculação, né, para se manter saudável e com menos efeitos adversos ao longo do tratamento.
— É, é impressionante. Todos os convidados que vêm aqui, todos falam do exercício físico. É impressionante o quanto isso afeta positivamente a nossa saúde, a nossa qualidade de vida, nossa estimativa de vida, tudo, né,
— Afeta tudo.
— E no neste momento onde você já fez essa abordagem, já definiu o tratamento, existem famílias que pedem para que a senhora não fale pro paciente?
— Sim. Então, na verdade, quando isso acontece, isso acontece antes. Mas eu acho também que assim, é muito individual ao longo desses individual do profissional, agora eu tô falando, né? Eu eu sempre procuro falar com o paciente, sempre falo para ele a
— Então, se a família me diz: "Não, doutora, mas ela não sabe que tem câncer". Eu falei, eu falo, então assim, ó, então eu prefiro que você procure outro profissional, porque se é uma é uma paciente idosa, é uma paciente robusta, é uma paciente que tem uma saúde mental adequada, como é que ela ela pode estar no momento de negação da doença? E vai ser muito importante que eu saiba falar para ela com as palavras certas, né, e que ela entenda e me ajude a tratar dela. Então, eu acho que eu sempre converso com a família, né, sobre isso e na maioria das vezes eles têm esse entendimento e aceitam essa abordagem, mas isso é meu, porque assim, eu não é porque eu penso o que eu faria, né?
Eu posso confiar numa pessoa que vai me dar um remédio, que pode me causar algumas reações indesejáveis e que diz para mim que eu não tenho câncer. Se eu sei que eu tenho câncer, então eu não faço para ele o que eu não gostaria que fosse feito para mim.
— Então é óbvio que na medida do entendimento dele, eu vou dizer o que ele tem com as palavras certas, né? sem enganar, mas buscando nele uma compreensão para que ele possa sim ser um aliado nesse tratamento, né? Porque às vezes ele vem aí o câncer, a quimio, ai não sei o quê. E quando a gente conversa adequadamente, essa visão muda na maioria das vezes. Então, por isso que eu acho que vale sempre a pena, né, ser transparente, né, da maneira adequada e trazer o paciente pro seu lado, né, e ele entender que o tratamento é um aliado dele para que ele se liberte daquela doença ou que mantenha ela ali
— Controlada, né, o máximo de tempo possível para que ele des realize os desejos de vida que ele tem, né?
— Sim. E quando a família deseja um tipo de tratamento e o paciente não ou vice-versa também existem, né, essas
— É, na verdade, às vezes a família chega dizendo: "Ai, eu não quero que faça nada". Então, a gente sempre pergunta se é um paciente lúcido capaz de decidir sobre ele. Então, a gente sempre fala: "Vamos, será que é isso que ele quer, né? Você já perguntou para ele, né?" Então, muitas vezes, e aí diante disso, há assim na minha prática sempre uma É, graças a Deus nunca tive assim uma grande. E se ambos optam por não, eu cabe a mim dizer quais são as dessa atitude, né? Mas eu vou estar com
— Né? até quando for preciso,
— Porque não fazer nada também é ruim, porque o o avanço da da doença, ele também vai ter sofrimento com avanço da
— Por exemplo, vamos colocar assim, né, um câncer de intestino já grande, né, ali que muitas vezes teria um tipo de controle, né, enfim, com tratamento. O paciente ele não vai morrer em 30 dias. E o fato de não resolver aquilo como essa minha paciente de 92,
— A doença era enorme.
— Ela já estava sem evacuar, por exemplo, há mais há 10 dias, ficando 10 dias sem ir no banheiro, com dores, não conseguia mais ir cuidar das flores dela, cozinhava, tava ficando mais acamada. E ela ela não queria isso. Mas se disser eu precisasse, se ela dissesse: "Não, não quero fazer nada". Eu precisava preparar ela pros pro poderia acontecer e a família também,
— Né? E e tá tudo bem também. Se não quiser fazer nada, não tem problema. Às vezes não fazer nada, dependendo do momento em que se encontra também é a melhor opção. Então, depende muito, né? Cada caso é um caso.
— É. não fazer nada, mas tendo um controle dessa dor, um controle desses sintomas, porque a doença continua evoluindo. Se você não controla porque ele vai ter
— Vai evoluir, vai ter a dor óssea, né?
— Então você precisa ir controlando, não faz nada no na questão do tratamento em si, quimioterapia, radioterapia.
— Sim. Mas tem outros, né, outros tratamentos, né, não específicos, né, não quimio, não rádio, enfim, não imuno, que podem ser feitos para melhorar a qualidade de vida. que não dá para só cruzar os braços e esperar, porque o sofrimento é maior.
— É, eu acho que o maior assim, eu acho que o nosso comprometimento é sempre, se a gente não pode curar, né, que a gente alivie sempre, né, e que a gente dê o melhor controle possível, que esteja ao nosso alcance para aquele paciente, né? Então eu acho que é fundamental,
— É se a escolha for não fazer nada, mas que ele escolha ter uma qualidade de vida dentro do que ele escolheu, sem dor, sem náuseas, sem esses efeitos. Menos sofrimento sempre.
— É, com certeza. Agora eu quero terminar com algumas frases simples. Você só vai me responder se é mito, verdade ou depende. Top. Perder peso durante o câncer é esperado e não há muito o que fazer.
— É mito.
— Por quê?
— Porque existe sempre o suporte nutricional e todas aquelas medidas que vão ser feitas para melhorar os sintomas ou minimizar os sintomas ao longo do tratamento.
— Quem já teve um câncer tem mais chances de desenvolver outro?
— Por quê? Porque o próprio, a própria quimioterapia, radioterapia são fatores predisponentes pro câncer.
— Então aí ao longo de 10, 15 anos, você pode ter um segundo tumor primário relacionado ao primeiro tratamento que foi realizado. Por isso a importância de sempre fazer o acompanhamento,
— Tá? Se o câncer não tem possibilidade de cura, não existe mais tratamento?
— É mito.
— Existe sim e existe o cuidado paliativo, como a gente enfatizou muito a importância desse cuidado, desse tratamento, na jornada do paciente, com a doença não curável. Perfeito, Dra. Simonne, para encerrarmos, eu gostaria que a senhora deixasse uma mensagem para quem está nos escutando, nos assistindo. O a mensagem que você deixaria hoje pra pessoa que está assistindo esse episódio, que está escutando, como ela pode se prevenir e como ela pode cuidar de um idoso que está em tratamento?
— A mensagem é: "Não se assuste, né? tem sempre o que fazer, né? Confie na equipe que está ali tratando. Ah, isso é muito importante porque, como a gente falou aqui ao longo, é dessa conversa deliciosa, onde a oportunidade de trazer isso é muito importante. Então, não se assuste, tem sempre o que fazer. existe sempre um tratamento disponível, com intencionalidades diferentes, seja essa intencionalidade de cura, de controle, de alívio. E o mais importante é que você viva bem, né, o tempo de vida que tiver, né? E em termos de rede de apoio, é muito importante que a família o amigo que esteja próximo. Isso ajuda muito nesse momento, que é um momento de transição, é um momento de novas descobertas, né? Mas você também pode descobrir que é capaz de vencer, que é capaz de passar por isso de uma forma melhor ou não tão ruim, né?
Como muitas vezes parece. E acho que tem que ficar para essa família que cuida, os amigos e para todos aqueles que tiverem a oportunidade de ouvir, prevenção, não esqueçam de procurar o médico, né? não só quando sentirem alguma coisa, mas façam os seus exames preventivo, busquem o seu médico, seja o médico de família no SUS, seja o seu clínico geral, seu geriatra, apareceu alguma alteração no sangue, procure o hematologista, né? E com certeza tudo aquilo que a gente diagnostica num estágio inicial, de forma precoce, tem muito mais chance de ser curável. Fica aí essa orientação.
— Muito obrigada. Foi uma conversa muito rica, proveitosa. Espero que os nossos ouvintes, quem está nos escutando, leve essa mensagem para quem de fato esteja precisando escutá-lo. E eu te convido para voltar quantas vezes você quiser. Foi um prazer. Você sabe que você mora no meu coração.
— Muito obrigada, Andréia. E mais uma vez, parabéns, porque eu acho que a gente pode e deve contribuir com informação, informação de verdade para essas pessoas que muitas vezes só precisam ouvir algo que toque profundamente e que estimulem elas a fazer a coisa certa. Muito obrigada pela oportunidade mais uma vez.
— Agradeço também. Se há uma mensagem que fica da nossa conversa de hoje é esta: a idade sozinha não define o tratamento. Quando falamos de câncer no envelhecimento, precisamos olhar para a pessoa como um todo, sua funcionalidade, autonomia, seus desejos e sua qualidade de vida. E para você que nos acompanhou até aqui, inscreva-se no canal Viver Mais, Cuidar Melhor e ative o sininho para não perder os próximos episódios. E compartilhe essa conversa com quem precisa dessa informação. Informação também é uma forma de cuidar. Eu sou Andréia Teodoro e este é o viver mais, cuidar melhor. Viver mais é importante, cuidar melhor é essencial.
Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação médica individualizada.
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