Vocês estão cuidando certo da doença, mas esquecendo a pessoa
Com Mayra Tofanetto, gerontóloga · LinkedIn

A gerontóloga Mayra Tofanetto conversa com Andréia Teodoro sobre cuidar do idoso para além da doença e dos remédios: o olhar integral, a escuta, o risco de infantilizar, o luto em vida diante da demência e a decisão por uma instituição de longa permanência sem culpa.
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Quando falamos em cuidar de um idoso, quase sempre o olhar vai direto para a doença. Mas será que cuidar é só tratar o que está doente? Seja bem-vindo ao Viver Mais, Cuidar Melhor, um espaço dedicado a ampliar o olhar sobre o envelhecimento e o cuidado. Eu sou Andréia Teodoro e no episódio de hoje vamos falar sobre um cuidado que vai além da doença. Hoje eu recebo Mayra Cristiane Tofanetto, gerontóloga formada pela USP, com uma trajetória muito importante no cuidado ao envelhecimento. Ela é empreendedora da área, gestora de serviços, voltada à pessoa idosa e atualmente se especializa em neurociência da memória. Mayra, seja muito bem-vinda a esse espaço. É um prazer tê-la aqui conosco.
— O prazer é todo meu. Agradeço o convite de poder falar de um tema tão importante quanto esse, principalmente de poder trazer a a vivência como gerontóloga, olhando pro processo que vai além da
— Mayra, para começarmos, explica pra gente o que é a gerontologia.
— A gerontologia, na verdade, é a área que estuda o envelhecimento humano, né? Então, a gente trabalha justamente pensando nas especificidades, pensando nas questões que são biológicas, psicológicas, sociais. Então, a gente, olha o indivíduo como um todo, tá? Não somente no corte da doença, mas a gente olha o indivíduo como todo em todos os seus aspectos, porque a gerontologia entende que o indivíduo não é um ser somente clínico, mas um ser social. Então, qual é a diferença entre geriatria e gerontologia?
— A geriatria, ela é a área médica, tá?
— Só os médicos podem fazer,
— Só os médicos fazem a conduta diante de doenças, patologias e administração medicamentosa, né? A gerontologia não, qualquer profissional da área pode se especializar em gerontologia. Eu, por exemplo, veio da graduação em gerontologia. Isso quer dizer, antes de fazer qualquer outro curso, existem pessoas que fazem enfermagem, existem pessoas que fazem terapia ocupacional e depois se especializam em gerontologia. Eu não, eu fiz a gerontologia como graduação. Isso quer dizer que durante 4 anos da minha trajetória universitária tudo que focava a minha graduação era um idoso. Então, desde gestão de serviços, desde aspectos clínicos, desde cuidados fundamentais. então a gerontologia ela área que estuda envelhecimento, mas não focado na doença e nem também na administração de medicamentos, né? Não. o gerontólogo, profissional especialista em gerontologia, ele não faz prescrição, mas ele trabalha isso, ele trabalha mais focando na qualidade de vida, num envelhecimento digno de qualidade, pensar nos aspectos do curso de vida, né, de como é que a gente
— Então, onde entra o gerontólogo na vida da pessoa idosa?
— Na verdade, nós podemos atuar de diversas formas. Nós atuamos numa gestão macro, micro e meso. Então o gerontólogo, ele pode atuar desde a gestão de serviços, né, como instituições de longa permanência, centros dias para idosos, como ele pode fazer gestão de caso, né? Eles seriam os case managers, né? Então eles iriam até a casa dos idosos, fariam o levantamento das condições, não precisa necessariamente ter um processo de doença, mas a partir do momento em que a pessoa envelhece, ela pode procurar um gerontólogo [limpando a garganta] justamente para que ela faça uma prevenção das questões que podem acometê-lo, né? Então pensar na parte da memória, pensar na parte das funções executivas. Então o gerontólogo ele entra nessa gestão do caso, identificando todas as particularidades e e fazendo atuações, pensando na questão, por exemplo, da casa.
Então, hoje a gente tem casas que são um campo minado pro idoso, né? Exatamente. Então, a gente precisa adaptar. mas nós, o gerontólogo, ele tem essa visão mais sensível. Nós precisamos adaptar o ambiente, mas nós entendemos que aquele tapete ele tem uma história, ele carrega uma trajetória afetiva. Então, o que que nós podemos criar como estratégia para que a gente mantenha aquela história, mas para que a gente também tenha segurança, tá? Então, o gerontólogo, ele entra, e eu gosto de dizer muito isso, o gerontólogo entra com a parte técnica, mas ele entra também com a parte e emocional, com a história, com a afetividade, com tudo que aquela casa e que aquele idoso tem como trajetória.
— Então, ele vai traçar um plano, um plano de cuidados, dependendo da necessidade. Em que momento o gerontólogo entra na na vida dessa pessoa assim com mais ou menos que idade ou somente quando ele já vai ficando mais independente?
— É, na verdade, se a gente for focar, né, se a gente for pensar em em envelhecimento, o envelhecimento é o
— Então, nós estamos envelhecendo desde o momento em que nós somos gerados, né, que nascemos. Mas nós temos uma cultura de as pessoas elas apenas procuram tanto geriatra quanto o gerontólogo a partir do momento que elas envelhecem. Então as pessoas tendem a procurar realmente a partir dos 60 anos. Então, hoje é a é o corte que a gente tem as pessoas procurarem os profissionais a partir de 60 anos, a partir do momento em que eles têm uma preocupação com o seu processo de envelhecimento. Mas a gente entende que o processo de envelhecimento ele é a consequência é do que a gente viveu no nosso curso de vida.
— Então, o ideal seria que nós tivéssemos todos uns gerontólogos no nosso bolso paraa nossa trajetória no curso de vida. Mas não, as pessoas realmente acabam procurando gerontólogo somente quando envelhecem, né?
— E as pessoas procuram o gerontólogo, elas vão pro geriatra e o geriatra indica. Porque eu eu entendi e acredito que os nossos ouvintes também que o geriatra, que é o médico, ele vai cuidar da doença,
— Ele vai prescrever a medicação, ele vai dar todas as orientações focadas no tratamento daquela doença. O gerontólogo, ele vai cuidar do envelhecimento como um todo, das atividades dele que ele faz durante que ele fez durante a vida, do que ele pode fazer daqui paraa frente. Mas existe aquele idoso, aquela família que leva ele e marca consulta com você com o gerontólogo ou ele vai através do geriatra que indica?
— Na verdade, nós temos os dois cenários, tá? Existem famílias que já conhecem o profissional gerontólogo. A gerontologia como graduação, ela ainda é uma profissão muito nova.
— Eu sou da primeira turma de gerontologia, né?
— Ela existe aí desde quando?
— É, o curso iniciou a primeira turma em 2005, tá? foi um curso criado por uma enfermeira Yeda Duarte. ela trouxe a bagagem dela, ela é uma enfermeira de formação, então ela trouxe uma bagagem de um cuidado clínico, mas também de um cuidado social e psicológico. Então, ela criou esse curso e a primeira turma, que foi a minha, saiu em 2005. Então, ele ainda é um curso muito novo. Então, é muito difícil que as pessoas procurem o gerontólogo de cara. Isso, essa minha preocupação.
— Então, exato. Então, o os encaminhamentos são feitos muitas vezes por profissionais geriatras que t o conhecimento do profissional gerontólogo ou por diversos outros profissionais que também t o conhecimento, né? Uh,
— Então, a partir do momento que nós temos identificado um processo de doença, nós temos um diagnóstico, por exemplo, de uma demência, seja ela qual for, o geriatra ele faz o direcionamento para um psicólogo ou para um outro profissional identificado por esse por uma avaliação neuropsicológico neuropsicológica que ele precisa de uma atuação. Esse próprio profissional psicólogo, ele faz o direcionamento para um gerontólogo para fazer a condução de estímulos cognitivos, por exemplo. Então, hoje nós temos a maioria dos profissionais gerontólogos trabalhando com estimulação cognitiva, seja para um paciente independente, lúcido, sem nenhum diagnóstico, ou seja, para um paciente que já tem um diagnóstico de uma demência, tá? Essa estimulação ela é feita em parceria com o psicólogo ou ele tem a formação para isso? Ele pode fazer isso?
— Sim, nós temos a formação para isso. Invade na área do
— Não, não invade a área do do psicólogo, tá? E inclusive hoje quem tem feito basicamente esta parte de estimulação cognitiva é o gerontólogo. Eu tenho visto na minha atuação profissional que os gerontólogos estão atuando nesta parte. Eu faço, né, eu tenho é uma especialização em estimulação cognitiva para idosos e hoje eu atuo dentro da instituição de longa permanência com estimulação cognitiva para idosos que estão num estágio mais avançado de uma demência. Todas as clínicas hoje, as ILPIs, elas têm esse profissional gerontólogo ou são algumas?
— É, na verdade eu ter, né?
— É, seria uma necessidade que todas as instituições de longa permanência, não digo somente todas as instituições de longa permanência, mas que todos os serviços que hoje prestam atendimento pro idoso, para que eles tivessem um profissional gerontólogo. Por quê? Porque o gerontólogo ele tem uma visão ampla do processo de envelhecimento, ele tem uma visão ampla daquele da forma como aquele indivíduo envelhece. Então o interessante seria que todos os os serviços tivessem tenho por experiência e até conversei com colegas ontem, eu sou a única gerontóloga que é proprietária de uma ILPI, né, e que faz a gestão de uma ILPI. Hoje não é uma característica comum dentro dos serviços de que você tenha um gerontólogo que é proprietário e que é gestor dessa
— E e isso é muito importante porque você não foca somente no aspecto, olha, ele tá sendo institucionalizado porque ele tem um diagnóstico. Não. Nós temos que entender que aquele indivíduo está institucionalizado porque ele tem um diagnóstico, mas ele tem uma história de vida. E a gente precisa respeitar a a história de vida e o papel social que ele teve durante todo o curso de vida dele, porque a partir do momento que ele é institucionalizado, ele não pode ter invalidado a sua história.
— E eu acho que o gerontólogo tem essa visão de respeitar o indivíduo, mesmo que ele tenha algum diagnóstico dentro da instituição, seja ela de longa permanência ou seja ela qualquer outro
— Uhum. Então, entendemos que gerontologia não cuida da doença, ela cuida do
— Então hoje estamos aqui não é para falar de doença,
— Não é para falar de doença,
— Para falar sobre envelhecimento e o envelhecimento saudável.
— Exatamente. Exatamente.
— Quando você fala num olhar integral, o que exatamente tá incluído nesse olhar integral para que nós tenhamos um olhar integral ao idoso? Ótimo. Quando a gente fala de um olhar integral, a gente fala dos aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Hoje, cada área de competência enxerga somente o seu lado. Então, quando eu tenho uma consulta com o geriatra, ele vai pensar nos aspectos clínicos. Quando eu tenho uma consulta com o psicólogo, ele vai pensar nas questões no meu processo cognitivo. Só que a gente tem que entender que em algum profissional tem que olhar para além disso, tem que olhar paraas questões familiares, paraas questões sociais, pras questões financeiras. Então eu tenho que olhar onde esse indivíduo está inserido em relação ao tempo e ao espaço. Não adianta eu fazer indicação de uma medicação, não adianta eu fazer indicação de um serviço se eu não entendo como é que tá aquela estrutura familiar, como é que tá aquele
— Aquele indivíduo em relação a às condutas dele. Então, não adianta eu fazer eu olhar pro indivíduo somente ou pra doença ou pros seus aspectos cognitivos se eu não entender ele como um todo. Então, quando eu falo desse olhar integral, eu falo de olhar o indivíduo e não de forma fragmentada, mas olhar ele é ele inteiro, né? Entender que não tem aspectos únicos, mas que a gente tem outros aspectos que não só os clínicos e não só os cognitivos. E quais são os aspectos, os pontos mais negligenciados
— Hoje? Os pontos mais negligenciados são os familiares
— E os financeiros, né? Hoje a gente não tem políticas públicas tão eficazes pra gente lidar principalmente quando a gente tem algum diagnóstico, né? Então nós não temos uma política pública de cuidado integral. nós nós temos um plano sobre demências, mas a gente ainda tem muito a avançar, né? Então falta hoje políticas públicas que olhem pro envelhecimento como um todo, né? Que olhe, olha, a partir do momento que esse indivíduo tem um diagnóstico, o que nós podemos fazer com a família, o que nós podemos fazer com o indivíduo, né? De que forma a gente pode amparar essa família e amparar esse indivíduo. Então, a gente tende muito a caminhar no sentido de não pensar somente: "Olha, eu vou oferecer uma medicação de alto custo para Alzheimer, tá?
Mas eu tenho alguém que pode buscar essa medicação. Eu tenho alguém que tem condições de administrar essa medicação. existe, essa pessoa não precisa trabalhar. Então, quem vai olhar por esse idoso? Eu preciso de algum serviço que olhe por esse idoso enquanto esse familiar trabalha, porque ele não pode ficar mais sozinho. Eu tenho hoje uma política de cuidados que consegue dispor de uma pessoa que vá até a residência dessa família para que ela fique com esse 12 em alguns momentos, para que esse essa família possa de repente ter um momento de descanso, ter um momento de lazer, porque a gente entende que principalmente diante de um processo de doença existe uma sobrecarga muito grande, né? Mas quando a gente pensa em política, a gente pensa em em tentar prevenir para que a gente consiga ter um impacto menor sobre as famílias, né?
E com a população envelhecendo, você acha que existe uma luz aí no fim do túnel e que do túnel que haverá mais o empenho e o desenvolvimento do cuidado com essa pessoa idosa na rede pública? Sim, eu venho de um congresso agora onde isso vem sendo discutido de uma forma muito importante. Nós estamos discutindo os impactos da longevidade. Então, até que idade podemos chegar e até o e até onde até o que nós conseguimos fazer por essa população, né? Mas eu acho que hoje os nossos governantes conseguem enxergar que a nossa pirâmide já está invertida há muito tempo,
— Tá? em 2000 e nós falávamos que em 2050, né, nós falamos que em 2050 nós teremos o quinto país com o maior número de
— E essa realidade ela tá cada vez mais
— Quando eu estudei isso, quando eu escutava isso na faculdade lá em 2005, a gente falava: "Nossa, mas tá muito longe, né? Hoje não, hoje isso tá muito perto, né? E o que é que nós podemos fazer? O que é que nós devemos? Não podemos. O que é que nós devemos fazer para que as pessoas vivam cada vez mais, mas vivam cada vez melhor? E é isso que a gerontologia se propõe. Como é que a gente pode fazer com que essa pessoa envelheça de uma forma mesmo que ela tenha mesmo que ela tenha uma doença crônica, mas como é que ela pode viver melhor vivendo com essa patologia? O que [limpando a garganta] que a gente pode fazer como profissional para que essa pessoa tenha cada vez mais qualidade de vida?
E lembrando que qualidade de vida é um aspecto muito subjetivo, né? E o gerontólogo entende isso. Então, o que que a gente pode fazer como profissional para que essa pessoa tenha mais qualidade de vida? Então eu acho que esse olhar a gente consegue ter como profissional gerontólogo dentro dos serviços, dentro de espaços que proponham políticas públicas. Parece ser um pouco estrelismo da minha parte isso, mas eu acho que enquanto nós não tivermos profissionais gerontólogos pensando políticas públicas, nós não teremos uma sociedade preparada para lidar com o processo de envelhecimento. Parece ser um pouco de estrelismo, mas o gerontólogo, ele é um profissional muito necessário hoje dentro de um serviço privado, dentro de um serviço público. nesses centros de idosos que existem pela cidade e algumas cidades estão ganhando selos.
— Selos de melhor cuidado com o idoso.
— Nesses centros existem esse profissional? [roncando] Os que os que tem hoje?
— Isso assim, nós temos hoje alguns espaços que tem o profissional gerontólogo atuando como gestores dos serviços, tá? Temos sim. E nós percebemos que onde nós temos gerontólogos atuando como gestores do serviço, nós temos uma visão muito mais humana e uma visão muito mais ampla desse indivíduo, né? Então, nós temos uma interação maior com as famílias, nós temos uma preocupação maior, não só com o idoso dentro do serviço, mas todo o entorno dele, né? Aí a gente fala de rede de suporte social, né? Então assim, não é porque esse idoso vem pro meu serviço que a partir do momento que ele entra no meu serviço, eu só vou me preocupar com ele dentro do meu serviço. Não, eu tenho que entender a rede de suporte dele, como é que ele tá chegando ao meu serviço.
Ele tem condições. Quando ele tá chegando ao meu serviço,
— Ele já fez alguma refeição ou ele não fez uma refeição? Como é que tá como é que tá essa estrutura familiar, né? Então o gerontólogo, ele consegue ir além da barreira do serviço, né? a gente consegue consegue verificar muitas vezes se esse idoso tá sendo vítima de violência em casa, né? Então, a gente vai, esse, esse é o cuidado integral que eu digo, Andréia, é um cuidado que vai além do clínico, que vai além daquele serviço. É um cuidado que entende que aquele indivíduo ele tem família, ele tem uma renda. Muitas vezes a gente entende que aquele indivíduo que frequenta o serviço, ele é o único responsável pela renda daquela
— Entendeu? Então eu digo, como é que muitas vezes a gente vai indicar uma medicação que tem um custo muito elevado se a gente sabe que aquele benefício é o único que aquela família tem para colocar comida dentro de casa,
— Entendeu? Então isso é muito difícil e o gerontólogo ele consegue enxergar todas essas questões.
— Você me falando tudo isso, tem muita semelhança com o serviço social. É só que na minha cabeça, posso estar
— Mas tem muita semelhança com o serviço social que busca todos esses pilares para ver se ele se suporta.
— Só que o gerontólogo, ele busca tudo isso também, tenta colocar, né, tudo no seu devido lugar, na sua devida caixinha, mas é só sobre o envelhecimento, sobre a pessoa idosa.
— Isso na minha cabeça ficou claro dessa forma, não sei se é isso.
— Sim. com o conhecimento também da doença, né? Exato. Porque o gerontólogo, ele tem condições hoje
— De discutir no mesmo nível com o geriatra em relação à patologia, né?
— Então assim, o assistente social, ela não tem esse, ele não tem essa visão biológica,
— Que essa visão do corpo, como ele envelhece, quando ele envelhece. Então, esses aspectos clínicos, a gente tem a o conhecimento também, né?
— Para mim ficou claro assim, tem um pouquinho do serviço social, tem um pouquinho da do psicólogo, muito da
— Muito que a enfermeira faz também, circula por esses caminhos e, mas ele é único para cuidar do envelhecimento,
— Então ele é parte importante na equipe.
— Examente. Isso. Isso,
— Né? Cada um tem o seu papel, mas ele transita por todas as áreas. Ele dá esse apoio, essa visão integral, mais
— Isso. Isso. Hoje nós temos sucessos em serviços onde o gerontólogo é responsável pela equipe multidisciplinar, porque ele consegue reunir todas as informações
— E ele consegue fazer com que todos os profissionais se conversem, né? A gente sabe que cada um muitas vezes fica responsável pela sua caixinha. Sim, o gerontólogo ele consegue unir todas essas informações, colocar numa única caixa e dizer assim: "Este é o nosso indivíduo,
— O que nós podemos fazer por ele?"
— Então, esse é o trabalho do gerontólogo, né? Eu acho que quando a Yeda pensou na criação do curso, ela pensou realmente num profissional que fosse interdisciplinar, um profissional que pudesse olhar para todas as áreas e dizer: "Pira coisa que nós sabemos, esse indivíduo, ele é um indivíduo idoso. Daqui paraa frente, o que nós podemos fazer com ele?
— Ela foi visionária, ela foi muito visionária quando ela criou esse curso. É. E quando você traz para mim, para nós, que a partir dos 60 anos que já estamos na na casa, quem tem 60 anos já é considerada uma pessoa idosa, porém muito ativa.
— Muito produtiva. Essas pessoas de 60 anos sexagenários, eles procuram o gerontólogo porque eles estão ativos, eles estão bem, não sei muito a aceitação, como que é essa aceitação, se realmente eles procuram ou numa idade mais avançada, que é a família que leva. Essa também eu tenho dúvida.
— É, eu tenho uma colega que ela tem um um grupo chamado 50 mais. Isso é muito interessante, porque a gente tem a ideia de imaginar que as pessoas procuram os serviços ou os profissionais, seja ele de qualquer área de competência, somente após os 60 anos. E não, a gente consegue entender que hoje as pessoas elas estão se preocupando mais com o seu processo de envelhecimento, né? Então eu quero envelhecer melhor, eu quero envelhecer com mais qualidade de vida. Então, que caminho eu posso traçar para isso? Então, as pessoas sim, elas têm procurado serviços, elas têm procurado os profissionais muito antes dos 60 anos. Ela não é um corte, olha, daqui paraa frente é que eu vou me preocupar com isso.
— Você não precisa est mal para procurar,
— Exatamente. Eu tenho 40 anos e eu já passo com profissional geriatra. Então, o que é que eu posso fazer para quando eu chegar lá, para quando eu estiver na velhice, que é o a fase, então o que que eu vou fazer? O que que eu tenho? O que que eu já colhi de frutos pro meu envelhecimento? Então, nós temos hoje serviços que estão preocupados
— Com o processo. Então, a gente começa a pensar nos seus 40, nos seus 50 anos. E a gente tem feito trabalho, trabalhos muito legais em relação a isso, né? O congresso que eu estou, ele tá discutindo justamente a questão da menopausa, porque a gente começa a a se preocupar no momento em que a gente diz: "Opa, agora o meu ciclo encerrou.
— Não, mas o que é que eu posso fazer antes disso?"
— Seu ciclo reprodutivo, mas você ainda é
— Exatamente. Exatamente. Entendeu? então a gente começou a discutir, a gente tem discutido muito o que a gente pode fazer antes, né? E aí que eu acho que tá o pulo do gato com o gerontólogo, né? Porque nós não somente somos o profissional do do processo de envelhecimento. Nós não somos somente o profissional do envelhecimento, nós somos o profissional do processo, né? Então, pensar
— Em grupos hoje de apoio, aposentadoria, né? a partir do momento em que eu estou eu tô caminhando paraa minha aposentadoria, então quando eu tiver essa quebra, o que é que eu vou fazer? Porque hoje os homens se aposentam, as mulheres se aposentam e se vem totalmente desamparados,
— Perdidos, né? Então, por que não, profissionais como gerontólogo pensar em grupos que a gente possa olhar isso uns 2, tr anos antes e de que forma a gente pode se preparar paraa aposentadoria, né? Isso é uma coisa que se discute muito pouco. A gente hoje tá numa fase onde a gente pensa mais em quem é produtivo, mas a partir do momento em que essa pessoa deixar de ser produtiva, o que que ela pode fazer? A gente já tentou identificar o que que essa pessoa teve, o que que essa pessoa sempre gostou a vida toda durante a fase em que ela produziu ou sempre quis fazer e nunca fez, porque ela esteve muito empenhada em produzir, em gerar renda. Então você se vê depois da aposentadoria perdido, o que é que eu vou fazer?
Então é possível ressignificar a aposentadoria? Sim, é possível ressignificar todo esse processo, mas a gente precisa se preparar para ele. A gente precisa se preparar paraa aposentadoria, paraa menopausa. A gente precisa se preparar por todo esse processo. E quem é o profissional que vai me ajudar a a conduzir isso? é o gerontólogo, porque existe a tendência só de se cuidar do físico. Eu acho que cabe muito pro para quem tem 60 ainda é muito produtivo e não se preocupar com o envelhecimento, em procurar o gerontólogo, em só cuidar do físico.
— É, a gente tem essa ideia de sua mente se preocupar com a alimentação.
— Com a atividade física.
— Uhum. E e a gente não tá e a gente tem que entender que existem outras coisas também. é muito importante a gente pensar no social também, Andréia. como é que eu posso ter uma rede de suporte social se a vida inteira nunca construir vínculos? isso quer dizer que eu vou ser uma pessoa idosa sozinha? Não, isso quer dizer que a gente precisa criar uma rede para que a gente possa na no nosso envelhecimento ou no nosso processo, a gente tem com quem contar, né?
— Sim. a gente precisou fazer no meu envelhecimento? Eu não tenho família, como é que eu vou fazer no meu envelhecimento? Então, pensar somente na alimentação e pensar somente e na atividade física não me garante o envelhecimento bem-sucedido. Uhum.
— Ele me garante alguns passos pro envelhecimento bem-sucedido. Mas como é que estão os meus aspectos? Como é que eu me preparei para esse envelhecimento do ponto de vista financeiro? Como é que eu me preparei para esse envelhecimento do ponto de vista social? eu construí vínculos ao longo do meu curso de vida. Eu fui uma pessoa socialmente ativa, como é que estão os meus vínculos familiares? Então, somente pensar na alimentação e na atividade física não me garante um envelhecimento bem-sucedido. Eu tenho outras questões e e isso tem sido muito discutido hoje nos congressos, em programas, né, em intervenções que a gente chama de multimodais. Eu vou além do meu, eu vou além da da quantidade de proteína que eu tenho que consumir, eu vou além da quantidade de em quanto tempo eu tenho que que ser que estar numa academia, mas quanto tempo eu preciso estimular o meu cérebro, quanto tempo eu preciso estimular uma convivência, né?
Eu acho que hoje, penso eu como gerontóloga, que é muito difícil envelhecer sozinho. Envelhe, e eu não digo somente envelhecer sozinho sem um vínculo familiar, mas é muito difícil envelhecer hoje sem uma estrutura com que você consiga contar. Então eu acho que realmente é impossível pensar somente na alimentação e na atividade física.
— E quando esse idoso é cuidado somente pela doença, quais são as consequências disso? quando o olhar dele é voltado só paraa doença,
— A gente não vai entender. Se eu, por exemplo, eu, claro que eu sei que hoje muitos dos geriatras já tem uma avaliação muito ampla
— Sobre o envelhecimento. Muitos geriatras acabam se especializando em gerontologia, acabam procurando cursos de gerontologia para que ele tenha uma visão, né, mais ampla. mas o que acontece assim, se eu pensar somente num processo de doença, vamos pensar em outro profissional que não seja o geriatra, em outro médico. Ele faz uma prescrição, entrega pra família, ou ele faz uma prescrição, entrega para esse próprio idoso. É, ele tem condições de interpretar aquela prescrição, ele tem condições de ter acesso a essa medicação, ele tem condições de entender os efeitos colaterais disso. Então, se a gente pensar só no processo de doença, eu posso muitas vezes negligenciar esse cuidado. Posso entender que a partir do momento que esse idoso chegar em casa, ele sequer vai tomar medicação, porque ele não consegue ao menos entender em que horário ele tem que tomar medicação, né?
Nós, na época de faculdade nós tivemos um um nós fizemos estágio, né, num num serviço em que nós tínhamos alguns idosos que eram analfabetos. Então você pensa que a partir do momento em que você passa essa prescrição para esse idoso, se você se preocupar apenas com essa prescrição, alguém pode entregar essa medicação para ele na farmácia de alto custo, tá? Mas em momento que ele chegar em casa,
— Como ele vai tomar?
— Como é que ele vai tomar? Então, como estagiários em gerontologia naquela época, nós criamos algumas etiquetinhas em que nós colocávamos o vermelho pro almoço, o amarelo pro pra manhã e o azul pra noite. Eram aquelas bolinhas que a gente usa, né?
— E aí a gente colocava, colocava na
— E colocava isso numa folha também pro idoso, né? Então, depois que ele buscava o o medicamento, ele passava com os gerontólogos, com os estagiários, para que a gente pudesse entender quais as dificuldades que ele tinha, né? Não só ele, mas a família também, quais as dificuldades que eles tinham, né? esse idoso vai conseguir tomar medicação sozinho? Tem alguém que pode auxiliar ele a tomar essa medicação? Então, se a gente ficar somente focado no processo da doença e e da medicação, da farmacologia, como é que eu vou pensar nesse indivíduo quando ele chegar em casa? Tem alguém que pode dar essa medicação? Tem alguém que pode orientar esse idoso? Ele vai ter condições de tomar essa medicação ou ele vai estar sozinho o dia inteiro? Então ele vai precisar olhar para isso ou ele vai precisar ir para um serviço onde esse serviço seja responsável pela essa administração de medicação.
E se eu focar somente no processo de doença, eu vou esquecer que eu posso muitas vezes trabalhar com a estimulação. Não é porque eu tenho um diagnóstico, não é porque eu recebi um diagnóstico de Alzheimer, por exemplo, que eu não tenho mais nada, que é e é o fim do meu túnel. Não existe.
— Sentença, né? sentença de morte,
— Não é uma sentença de morte. Existem atuações, né? Existem estímulos que nós podemos fazer com qualquer nível, seja numa demência inicial, seja numa demência moderada, seja numa demência avançada, a gente consegue colher bons frutos ainda com os estímulos cognitivos. nós sabemos que existem fases dentro de uma doença, né? Existem fases, por exemplo, dentro da doença de Alzheimer. Então, nós temos um processo ainda e que nós precisamos atuar dentro desse processo. Então, entender como uma sentença de morte é terrível. A gente tem condições ainda de de estimular aquele indivíduo. Nossa, Mayra, mas ela já tá num estágio avançado da doença de Alzheimer, como é que eu posso fazer com ela? Gente, tem muito recurso ainda. Eu trabalho justamente hoje com uma população que foi para uma instituição de longa permanência.
Então, a gente entende, ah, eles vão ficar todos em frente a uma televisão assistindo noticiário e não fazendo nada. Isso é um estigma. Se você olhar hoje pro para um pro público de uma instituição de longa permanência, você vê trabalhos incríveis, estímulos incríveis, atividades incríveis e potências que essas pessoas ainda conseguem desenvolver. Eu me lembro que eu eu sou uma uma pessoa muito ousada, né? E eu gosto muito de proporcionar entretenimento pros meus idosos, né? E eu disse assim: "Por que não levarmos os nossos idosos ao musical, né? Existem hoje leis de incentivo que possibilitam que você possa dar uma contrapartida para idosos, né, para serviços com que atendem o idoso." Então, nós tivemos uma contrapartida para levar idosos pro musical, né? E nós levamos o idosos pro musical na época, eu me recordo que era o musical fantasma da Ópera, né?
E nós levamos idosos justamente de uma instituição de longa permanência para assistir o musical Fantasma da Ópera. E eu me lembro que quando nós estávamos saindo do teatro, eu fiquei um pouco mais atrás para acompanhar, né, para ficar de olho no amplo, né,
— Para ver se tava tudo bem localizado, para ninguém se perder, né, porque nós estávamos levando idosos com diagnóstico de Alzheimer, com diagnóstico de outros tipos de demência, né? Porque Alzheimer não é o único tipo de demência, nós temos outros tipos de demência. Então, nós tínhamos um perfil muito heterogêneo ali e eu fiquei um pouquinho mais para trás e eu me lembro de escutar uma mulher no auge dos seus 40 anos dizer: "Eu não sei porque trazem idosos para uns para uma apresentação como essa. Eles não têm mais o que aproveitar, principalmente porque é nessa fase que a gente começa a ficar caduco, né?" Hum. E eu olhei, eu na época não quis criar grandes conflitos, mas realmente a gente tem uma sociedade que ainda envelhece com o estigma de que
— O idoso não precisa ficar quietinho.
— O idoso tem que ficar quieto em casa
— Né? O idoso do sexo masculino, ele cuida, do das das atribuições de casa. a esposa cuida dos netos e que essa é a nossa sentença de vida quando a gente envelhece.
— E nós temos uma eu digo que a minha mãe ela vem de uma de uma época onde as mulheres estão ocupando, onde os homens estão ocupando outros lugares, né? Não é só mais ser avó, não é só mais ser o homem aposentado. Nós temos uma geração hoje que diz assim: "Não, pera um pouco. Eu tenho a minha atividade física. Eu tenho o meu grupo de amigas, eu tenho o meu grupo de viagem. Então eu tenho hoje uma população que ela não tá mais em casa, né? eu consigo achar todo mundo na minha casa, menos os meus pais. Os meus pais não são pais que hoje eles estão em casa, eles estão viajando, eles estão buscando novas formas de viver o próprio processo de envelhecimento, a própria velhice.
E isso tem sido cada vez mais uma realidade. Nós vamos hoje, nós vamos mais paraa frente lidar com novos velhos,
— Seremos nós.
— Seremos nós. E como é que nós iremos envelhecer? Exatamente.
— Será que nós iremos nós temos cada vez um número menores de filhos? como é que nós iremos pensar no nosso processo de envelhecimento, né? Como é que a gente precisa realmente discutir
— Como iremos envelhecer em 2030, em 2050, esses idosos de 2050, onde nós seremos o quinto país com o maior número de idosos, como é que irão envelhecer essas pessoas, né? Então a gente precisa, eu acho que eu gosto muito de uma frase do Renato Veras que diz que o Brasil é um país jovem de cabelos brancos
— E realmente nós somos um país jovem de cabelo branco
— E a gente precisa cada vez mais se preocupar com iremos envelhecer. E eu não tô falando da doença, eu tô falando do processo em si. Como é que a gente vai olhar para esse indivíduo, seja nos aspectos biológicos, psicológicos, sociais, financeiros, como serão distribuídos os recursos públicos para que a gente tenha políticas eficide com uma família que não tem muitas vezes condições de de cuidar desse idoso em casa, porque hoje nós temos iniciativas privadas que atendem a as famílias que têm recursos.
— Uhum. Mas e as famílias que não têm
— Onde elas buscam? Hoje eu tenho famílias que têm condições de pagar um cuidador para estar em casa, mas a partir do momento que eu não tenho condições de pagar um cuidador em casa, como é que eu vou poder lidar com isso? Então, a gente precisa ter a gente precisa entender quais são as políticas que a gente tem que desenhar para cuidar dessas famílias. Nós precisamos entender quais serão as famílias do futuro, como elas serão moldadas, né? Eu tenho duas filhas, então, como é que como é que será ah como é que elas serão recebidas pelo mercado de trabalho? Como eu serei cuidada como como idosa, né? Nós temos outras estruturas familiares hoje, né? Nós vemos a gente vem discutindo também isso no Congresso que eu estou tem sido uma pauta que vem sendo levantada, que é como é que nós iremos pensar no envelhecimento LGBTQA+.
Eles não têm descendentes. Então como é que a gente vai buscar o envelhecimento destas pessoas? Nós estamos falando de envelhecimento de transexuais, lésbicas, gays? Então, como é que essas pessoas também vão envelhecer, né? Então,
— E é uma preocupação porque hoje eles são
— Temos um número, né? Não são todos jovens, mas um número muito grande de
— Nesse perfil, né? Exatamente.
— E é uma preocupação que muitas pessoas não se preocupam. [roncando] Exato. Exato. Hoje nós temos políticas dentro da cidade de São Paulo que já enxergam o público LGBTQ+
— Como um ser que está envelhecendo, tá? Então nós temos uma
— Eternamente sou hoje que ampara estas pessoas que estão envelhecendo, né? Porque a gente esquece que hoje nós temos uma questão chamada ageísmo ou
— Uhum. nós temos uma sociedade que ainda negligencia o velho, que o velho é feio, o velho não é mais produtivo,
— Exatamente. A gente tem essa questão do etarismo, a gente tem essa questão do preconceito ainda muito forte e não
— Nas sutilezas você acaba soltando, você escuta as pessoas soltarem, né, o
— Exato. E e a gente pode pensar nisso. Nós não estamos falando só dos 60 mais, nós estamos falando dos 40 mais. Nós temos hoje um mercado de trabalho que já olha para as pessoas com 40, 50 mais de uma forma totalmente diferente. o jovem ele é ativo, o jovem ele produz mais. Então, o mercado olha de uma forma diferente para estas pessoas que têm uma idade mais avançada. E aí quando a gente pensa no público LGBTQ+, nós temos que pensar que essas pessoas estão envelhecendo, mas que elas também sofrem preconceito pela condição, pela orientação sexual delas. Então você pensa que essas pessoas são alvo de duplo preconceito porque elas são homossexuais e porque elas são velhas.
— Então nós temos duplo preconceito.
— Na minha, no meu trabalho de conclusão de curso na universidade, eu trabalhei isso, né? Quando eu fui para, quando eu me comecei a gostar dessa, eu gosto das várias velhices. O que me encanta sempre são as várias velhices, né? Então eu sempre gostei bastante dessa heterogeneidade dentro da velhice. E eu me interessei por esse duplo preconceito que existe, né? O fato de você envelhecer homossexual, né? Então, como é que isso pode ser visto? E eu me lembro que quando eu comecei a a me apaixonar pelo tema, uma das minhas curiosidades foi entender o que que tinha para esse público, né? E aí eu fui, né, na ocasião como estudo de como local de estudo até a Parada Gay. E [roncando] uma das coisas que mais me chamou atenção naquele momento, Andréia, foi que tinha um rapaz que segurava uma placa escrito: "Gays, idosos são muito mais gostosos".
Isso, aquilo me chamou muito atenção, porque era um grito daquela pessoa naquela multidão de eu estou envelhecendo, mas eu gostaria de ser visto ainda como alguém bonito, como uma pessoa bonita, como uma pessoa que ainda tem pode ser ouvida, pode ser não é porque eu tô envelhecendo, que eu me torno invisível. Então eu senti que aquela placa era um pedido de ajuda, olhem para mim, né? E aí eu falei, eu preciso chegar naquela pessoa. E eu cheguei. E o meu trabalho de conclusão de curso, né, ele é justamente uma história oral e com este rapaz, né, que segurava essa placa. Então eu trabalhei com eu trabalhei com uma lésbica e com um gay. Então, eu escutei a história de vida dessas pessoas, como foi envelhecer sendo homossexual.
— Né? E eu acho que e quando eu comecei a fazer esse trabalho, existia muito pouco de literatura, né? E hoje eu fico muito feliz de ver serviços, ver congressos discutindo isso, né? Porque a gente tem que entender
— Que todas as pessoas vão envelhecer.
— Seja o gay, seja o negro,
— Seja a lésbica. Então, a gente vai ter, o ser humano vai envelhecer e a gente precisa pensar na minoria também dentro do processo de envelhecimento. E, e é muito legal vendo e ver isso sendo discutido nos congressos de uma forma bem importante, sabe? de olhar pros profissionais e dizer: "Olha, eu sei que durante a a tua vida toda enfermeira ou psicóloga a tua a tua conduta era essa." Mas a partir do momento em que você lida com esse público, você tem que entender que ele é heterogêneo. Então os valores precisam ser deixados de lado para que a gente olhe pro indivíduo, né? Eu sei que eu tenho uma história de vida, eu sei que eu tenho um valor que me diz isso, mas a partir do momento em que eu recebo aquela pessoa no meu consultório, ele é alguém que precisa de visibilidade.
Eu acho que cabe a todos os profissionais, a gente sabe hoje que existe a pós-graduação em gerontologia, ela tem
— Mais de anos. Então, a gente sabe que para esses profissionais que vão se especializar em gerontologia, que eles precisam entender que o olhar, que que a nossa função como gerontólogo, sejam especialistas ou sejam estudiosos, vai em dar voz, em dar visibilidade para essas pessoas que envelhecem, porque,
— É muito bonito a gente falar sobre a velhice, ver, eu vejo um congresso tão cheio de profissionais voltados a ao cuidado no envelhecimento, mas o preconceito, né, o etarismo, ele ainda existe. E eu acho que isso é legal ver a mídia agora tomando proporções disso, né? Porque a gente vê que aquela gama de pessoas de atores, atrizes, eles estão envelhecendo. E aí é legal que a gente vê essas pessoas, ocupando o lugar de fala, balançando a bandeira pro seu próprio envelhecimento e não negando o seu envelhecimento, né? Isso, isso é muito legal, muito legal você ver artistas que ainda mantém os seus cabelos brancos, nada contra quem pinta, mas é legal. e eu ouvi uma frase há muito tempo atrás dizendo: "O meu cabelo branco é uma conquista.
Eu olho para cada cabelo branco e é a minha história de vida, né? Então, olhar para ele hoje me faz pensar na minha trajetória, né?" né? Então ela falou: "Seria, não seria ruim se eu pintasse de momento, de forma nenhuma, mas olhar para estes meus cabelos, meus cabelos brancos me faz entender a pessoa que eu sou hoje, né? O que eu construí ao longo do meu da minha trajetória, né?
— Sim. Isso vem muito de encontro ao envelhecimento saudável, onde as pessoas buscam essa energia, ser muito produtível, encararam o envelhecimento dessa forma mais tranquila, né? Se aceitando e aceitando o momento.
— Exato. Exato.
— Né? Porque quando você não se aceita ou não aceita o momento, aí é muito triste, é muito difícil perder a autonomia. ela impacta mais no corpo ou mais na mente?
— Perder a autonomia, ela impacta das duas formas, né? Por que que a gente quando a gente fala da autonomia? e eu gosto muito desse, eu eu gosto muito de trazer o conceito de autonomia e o conceito de independência, né? E o que que hoje é mais difícil? A gente não conseguir tomar decisões ou a gente não conseguir ir até os locais? E eu e hoje para mim o impacto é é dividido, porque eu digo que é muito ruim a gente não poder tomar a decisão para onde a gente quer ir, mas também é ruim ter como chegar. Uhum. Uhum.
— Então, a a autonomia e a independência, elas estão muito próximas hoje, né? é muito, é muito interessante quando a gente fala: "Olha, aquele indivíduo, ele tem uma fragilidade e ele não consegue, ele tem uma restrição de mobilidade, mas ele consegue tomar as suas decisões, tá? Ele consegue tomar as suas decisões, mas como ele vai chegar até lá?"
— Uhum. Então, a parte física hoje, a independência, ela impacta muito mais do que a autonomia, porque eu posso ter a capacidade de tomar decisões, mas como é que eu vou
— Vou chegar até aquela minha decisão, né? Isso a gente pensa muito hoje num
— Nós temos indivíduos, por exemplo, que perderam a capacidade de autonomia, de tomar a decisão, mas que ainda t as suas funções físicas.
— Uhum. preservadas, né? Então ele tá independente, mas ele não consegue mais a tomar as decisões. Então assim, como é que fica? É é é uma linha tênue, né? Porque você tem a parte física preservada, mas não mais a cognitiva, ou senão você tem a cognitiva preservada, mas não a física. Então existe um limite aí, né? um limite muito grande. Então acho que assim a a autonomia e a independência elas estão de mãos dadas hoje, né? Então fica muito difícil a gente achar que um impacta mais sobre o outro. Então hoje elas estão de mãos dadas, elas uma não sobrevive mais sem a outra.
— E você acha que o idoso ele é ouvido, ele é escutado pela família e pelos profissionais? Eu acho que hoje as famílias ainda ainda tendem tem uma tendência a não ouvir. E nós estamos falando de comunicação ativa, nós estamos falando de escuta ativa, né? Porque uma coisa eu
— Com a minha avó e ela me contar milhões de coisas se eu tô vidrada no meu celular. Então eu acho que nós precisamos praticar a escuta ativa. Então existe hoje uma dificuldade muito grande. Eu acho que o nosso mundo de hoje, que é um mundo mais tecnológico, ele ele fez com que as relações elas fossem se perdendo, tá? Então, eu vejo hoje, as famílias, mais, os, os idosos mais, abandonados no ponto de vista da do trocar, da, da troca, né? Então, eu vejo um idoso que muitas vezes está sentado na mesa do almoço e que não tem a sua palavra,
— Não tem a sua, não é ouvido, né? não tem as suas vontades respeitadas ou manifestadas, né? eu, a partir do momento que a gente envelhece, a gente a a família tem uma preocupação muito grande, né? E isso é plausível, as famílias se preocupam, né? E aí, a gente quer tomar algumas decisões sem pensar naquele indivíduo. Olha, papai envelheceu, então eu acho que já é momento da gente tirar a chave do carro, não deixar mais papai dirigir. Olha, papai tá tá envelhecendo, eu acho melhor papai não ir mais trabalhar porque ele tá ficando muito velho. Então, assim,
— [roncando] as famílias, os idosos não são ouvidos e as decisões são tomadas por eles. Então, a gente acaba, tomando as para aquelas pessoas que ainda têm autonomia. Então, o idoso, ele é muito pouco ouvido, ele ele ele está sendo melhor ouvido pelos profissionais, mas você ainda tem alguns profissionais que na correria dos atendimentos que acaba atropelando um pouco as coisas, né? Então assim, eu acho que a gente precisa dar muita voz, ó, a a ao idoso ainda, ó, seja o nosso paciente, seja o nosso familiar, o idoso precisa ser ouvido ainda, né?
— Ele é inserido, mas ele não é
— Exatamente. Exatamente.
— É, ele é bloqueado. Coloca numa mesa paraa reunião, mas ele não é
— Não é considerado, não é ouvido, não consegue mais tomar as suas decisões, tomam as decisões por ele. Isso frustra, isola. Exatamente.
— Tem outra outros problemas por trás de tudo isso. E onde a família mais erra?
— Eu acho que a família mais erra e não dar voz para esse idoso e entender o que realmente ele quer. Mayra, mas ele teve um diagnóstico, mas ele ainda continua tendo vontades.
— Onde eu quero ficar? Onde eu quero
— Não quero sentar no sofá, eu quero sentar naquela poltrona. Uhum.
— Eu não quero cobertor, eu não tô com
— Eu quero, eu quero comer isso, eu não quero comer aquilo, né? não precisa dar na minha boca. Deixe com que eu faça a sujeira, mas mantenha ainda a minha independência. Então assim, eu acho que a gente tende a tomar muitas decisões. Então a gente precisa
— Respeitar aquele indivíduo independente se ele tem um diagnóstico ou não, mas a gente precisa respeitar aquele indivíduo, a gente precisa ouvir aquele indivíduo, né?
— É nesse momento que entra o gerontólogo.
— É nesse momento que entra o gerontólogo.
— O gerontólogo, ele vai ser o centro ali de apoio pra família.
— Como conduzir tudo isso com a família, né? e apoiar esse idoso.
— Como conduzir isso com profissional de saúde também?
— Com profissional de saúde que tá inserido dentro da residência.
— Exatamente. Ou como conduzir isso para um profissional de saúde que tá inserido dentro do serviço, mas não sabe como conduzir, né? Esse esse idoso tá internado. como é que a gente pode fazer? como é que vai ser a alta hospitalar dele, né? Qual a estrutura que vai recebê-lo? Então, a gente precisa orientar estas pessoas, né? Então eu acho que assim, eu eu eu sempre forço, né? Eu sempre fui muito apaixonada pela pelo envelhecimento em si, pela velhice, né? Eu cheguei na gerontologia por um toque da minha mãe, né? Uma mãozinha da minha mãe, né? quando eu fui prestar gerontologia, eu olhei o manual da da do Fuvest, né? Que eu fiz USP, né? Olhei o Manuel da
— Minha ideia era prestar medicina porque eu queria fazer geriatria, né?
— Mas quando eu olhei o manual e eu olhei a gerontologia, né? Era o curso novo, né? Eu olhei aquilo, eu falei: "Olha que forma maravilhosa de enxergar o
— E eu fui para aquele curso, né? Fui para fui prestar aquele curso tendo a ideia de que eu seria muito feliz. E e eu só fui comprovando isso ao longo dos meus 4 anos dentro da gerontologia, né?
— E hoje eu me sinto muito feliz dentro do serviço que eu estou. eu me sinto muito feliz atuando da forma como eu atuo hoje. Eu hoje eu hoje eu trabalho com um idoso que já tem uma patologia diagnosticada, mas eu também trabalho com aquele idoso que tomou a decisão de morar numa ILPI porque ele quis. Então eu trabalho com os dois cenários hoje,
— Entendeu? Eu trabalho com aquele familiar que precisou institucionalizar porque ele não tem mais condições de gerir o cuidado daquele idoso sozinho. E aí, cabe muito ao gerontólogo também construir esse novo cenário, porque ainda é um cenário que a gente precisa quebrar e isso é papo para muitas outras
— Mayra, onde a família mais erra tentando acertar? A família erra quando ela não respeita a voz do idoso,
— Então, quando ela não escuta os seus desejos e as suas vontades.
— Eu quero sentar nessa poltrona e não naquela. Eu não quero assistir televisão. Eu não quero que eu não quero que cuidem destas minhas coisas. enquanto eu ainda tenho autonomia, eu gostaria de cuidar sozinho. Então, a família erra quando a família decide tomar as decisões pelo
— Nós estamos falando aí de, claro, pensando na questão ainda de um idoso que consegue tomar as suas decisões. A gente sabe, claro, que existem idosos que precisam do da do auxílio da família, mas a gente erra quando a gente não dá voz a este idoso, né? quando a gente não dá, quando a gente não entende realmente o o o que o que ele quer nos dizer, né? eu sei que existem idosos que precisam muitas vezes da atuação da família, precisam tomar algumas atitudes porque aquele idoso não consegue mais tomar decisões sobre a própria vida. Mas uma coisa é eu respeitar o que aquele idoso sempre quis ao longo da vida dele. Uma coisa é a partir do momento que ele envelheceu eu tomar as decisões por ele, né?
Ah, mas eu vou fazer dessa forma. Não, mas ele queria que fosse feito desta forma. Não, mas eu vou fazer desta porque é mais prático para mim. Então, eu acho que falta muito
— Assim ouvir aquele idoso, né? Falta muito olhar, um olhar mais sensível para aquele idoso, né? A a gente tem o hábito hoje de olhar somente pro que é necessário, mas não pro ele quer. Não tem que tá isso. As atividades o básico tá garantido, refeição, alimentação, banho, mas tem coisas que vão além disso, né? Então, falta ouvir o idoso.
— É, muitas vezes ele é inserido e não é
— E tem um outro lado também, a hiperproteção, proteger demais também é um problema com o idoso.
— Exatamente. Também é um problema. principalmente assim, a gente tem a tendência de achar que a partir do momento que envelhece, e aí a gente sabe que existe uma uma redução da acuidade visual, a gente sabe que existem algumas alterações que são próprias do processo de envelhecimento, né? E aí a família querer tomar as decisões sobre aquele idoso, olha, não vai mais sair com carro, olha, não vai mais trabalhar, olha, não vai mais e ir no médico sozinho, não vai mais fazer exame sozinho. Então assim, essa hiperproteção também ela pode acabar comprometendo a a autonomia daquele idoso, né? de de barrá-lo para fazer muitas coisas, né? Eu acho que existe uma segurança que precisa ser ser trazida, né? precisa ser entendida, mas eu acho também que existe um limite na forma como você conduz aquela situação, né?
Eu vou citar um exemplo hoje que é muito comum os idosos quererem continuar morando sozinhos, né? Mesmo depois do falecimento de um dos cônjuges, né? Mesmo que ele tem, porque aquele idoso ainda tem autonomia. Mas existe uma preocupação da família de como é que será esse idoso sozinho, o que que vai acontecer durante a noite. aquele idoso muitas vezes não quer presença de um cuidador, né, na casa durante a noite por conta da privacidade. Então, essas questões têm que ser respeitadas, tá? Mas o que que eu posso fazer para conseguir para que tenha segurança desse idoso dentro de casa? com
— Exatamente. Então, existe hoje dispositivos que você consegue utilizar para isso,
— Entendeu? Então, a gente não precisa tirar totalmente a autonomia e nem a a independência daquele idoso. Hoje existem dispositivos, existe tecnologia para que a gente possa continuar mantendo a independência e a autonomia dessas pessoas.
— Sim. Tem empresas que trabalham hoje com aplicativos de medicamento,
— Onde ele alerta pro idoso o horário que ele precisa tomar.
— Então, aplicativo que paga mensalmente muito pouco
— E você faz ali toda a prescrição dele e aciona um som, né? Tem um botão sonoro, o horário dele tomar, ele vai lá, toma e dá o cheque que ele tomou. E também tem pulseiras colares que você no momento que o idoso acha, lógico, se ele tiver consciência de tudo que tá acontecendo, mas se ele for um uma pessoa idosa totalmente consciente, lúcida, ele pode ter esses acessórios
— Ou esse aplicativo e ali a família fica um pouco mais segura. Até assim inserir um cuidador nessa residência. Sei que inserir cuidados domiciliares é uma questão difícil,
— Né? Os idosos muitas vezes não querem por privacidade, por medo. Existem vários relatos, vários depoimentos de idosos que foram, né, não tiveram um bom resultado com pessoas dentro de casa. nós trabalhamos com assistência domiciliar, então existe todo um requisito paraa contratação de profissionais para que seja inserido dentro de uma residência. É uma responsabilidade gigante você colocar pessoas para trabalhar dentro da casa do idoso, onde o idoso fica sozinho, né? Então, ter uma empresa que te traz essa segurança acaba sendo mais fácil do que essa família sair contratando por indicação, sem buscar muitas referências, muitas questões documentais. Então, você precisa estar muito seguro neste quesito de pessoas dentro da casa de seus pais, né? ter alguém por trás que você possa cobrar, né, dessa empresa quem são essas pessoas que estão sendo inseridas para cuidar do meu pai.
Hoje em dia, é tudo muito
— Com certeza. E com a população envelhecendo nos preocupa muito muita gente querendo cuidar. Cuidar de pessoas não é para todo mundo.
— Exatamente. Da mesma forma como o envelhecimento ele tem que ser visto com atenção por conta da sensibilidade, né, do nosso público envelhecido, a gente sabe também que por conta da alteração da pirâmide, né, da inversão da pirâmide, existe também uma parcela da população que vê no envelhecimento um
— Um negócio,
— Né? Então assim, isso por um lado é muito positivo, né? Isso por um lado é muito positivo, porque a gente tem hoje tecnologias que estão totalmente ao nosso favor, né? E assim como você citou, Andréia, do colar, do relógio, né? Então, tem relógios que têm sensor de impacto, então a família consegue ser acionada quando o idoso tem uma queda. Existe box de medicamentos para lembrar o idoso daquela medicação, né? né? Então isso é muito interessante. Então a te, o mercado tá melhorando muito, né, para essa questão, né? Mas a gente também sabe que só olhar pro envelhecimento, né? Só olhar para esse mercado sem entender que a gente tem um público frágil por trás, é muito importante, né? Porque ninguém vai trabalhar somente pros independentes.
Nós vamos trabalhar para aqueles idosos que estão acamados, idosos que que t dispositivos, idosos que têm ciras por pressão. Nós vamos trabalhar com um público mais vulnerável, mais fragilizado, né?
— E aí a gente tem que entender as pessoas que estão sendo formadas também, né? Porque hoje todo mundo quer trabalhar com idoso, porque o país está envelhecendo de uma forma muito rápida, né? Hoje todo mundo quer ser cuidador, hoje todo mundo quer ser acompanhante. Então, só que a gente precisa entender que é um trabalho muito sensível. Como você disse, colocar uma pessoa dentro da casa de um idoso
— É uma decisão e é é algo muito complexo, né? tanto pra gente colocar pessoas para trabalhar dentro de uma instituição quanto dentro de uma casa é muito complexo. A gente vê um número de pessoas muito grande se formando para ser cuidadores, né? Mas a gente vê que realmente hoje o foco das pessoas basicamente está. Isto é um negócio, eu nunca vou ficar desempregado porque tá cheio de idoso aí para eu
— Uhum. Mas em compensação a gente esquece que quem precisa ser cuidado tem uma história, tem um um diagnóstico, tem uma peculiaridade, tem uma Então, não dá pra gente fazer um curso de poucas horas ou fazer um curso online e achar que eu tô apto e capaz a a a tomar, a fazer este cuidado, né? É, nós temos muito cuidado, nós também formamos
— E não é fácil formar pessoas, não é fácil falar: "Olha, realmente não dá, tem que procurar outra área, porque é minha obrigação falar que não dá, que não se encaixa,
— Né? Se não se encaixa no meu perfil, no perfil da minha empresa, me preocupa soltar uma pessoa com o certificado para trabalhar em casas de idosos com a minha
— Uhum. Se eu sei que não ten perfil, então numa sala de aula, a gente consegue selecionar mais ou menos quem vai dar certo e quem não vai.
— Né? E e a profissão vai vai dizer isso
— Rapidamente, se é o perfil ou se não é. Então, não é só
— Eu amo idosos, eu amo pessoas, não é. Tenho muita técnica, tem muita coisa por trás, tem aptidão, tem dedicação, tem acolhimento, tem empatia. Se você não tem empatia, se você não se colocar no lugar daquela pessoa que você tá cuidando, você não é um bom cuidador.
— Exatamente. Eu eu eu digo que para trabalhar com qualquer coisa a gente precisa saber que nós estamos no lugar certo e na hora certa. Você precisa gostar daquilo que você tá fazendo.
— Mas eu acho que quando a gente trabalha com indivíduo idoso, nós precisamos ainda ser mais sensíveis, e mais dedicados. Eu não gosto de ouvir a frase que é muito comum entre profissionais da área dizer que quando que o idoso é como uma
— Ai não gosto que essa fras
— Que quando você envelhece você volta a ser criança.
— Eu não gosto de ouvir
— Não gosto de ouvir essa frase porque a gente tende a infantilizar o processo de envelhecimento, infantilizar aquele idoso. E isso chega a ser uma forma de violência.
— Porque a gente deixa aquela [roncando] a gente esquece da história de vida daquela pessoa, a gente esquece do que ela construiu, a gente esquece do seu papel social, a gente esquece de quem ela é, né? E simplesmente reduz ele a nada. Ah, mas o idoso parece uma criança? Não, o idoso não parece uma criança. Ele precisa de cuidados, ele precisa de atenção, ele precisa de atuação, mas não quer dizer que ele é uma criança. Ele é, nós estamos em dois lados totalmente distintos.
— Nós estamos ensinando
— Uma criança e nós estamos aprendendo com o idoso.
— Uhum. Então, compará-lo a uma criança de faz com que eu desrespeite totalmente a história de vida dessa pessoa.
— Né? e hoje quando a gente vai aos serviços, Andréia, é muito comum a gente olhar, "Eu vou te dar o seu remedinho" ou a pessoa chamar: "Oi, vovô. Oi, vovó". Então, eu entendo que muitas vezes as pessoas querem ser carinhosas, mas ser carinhosa infantilizando o processo de envelhecimento negligencia a trajetória dessa pessoa.
— Uhum. Não concordo 100%. Eu inicio a aula no primeiro dia de aula do curso, o que ele imagina da profissão, né? O que é ser um cuidador? E muitos me dizem essa frase: "É um, o idoso é igual uma criança. E aí que eu faço as abordagens?" Não é
— Começa por aí. Aí você vem ensinando e colocando ele numa posição para que ele enxergue se realmente é esse o caminho que ele quer seguir. Porque é gratificante você cuidar de um idoso. É prazeroso quando você gosta, mas não é fácil. Exatamente.
— Você tem que entender, você tem que entender esse envelhecimento, você tem que entender a doença e o cuidado que você vai prestar em cima desses dois pilares, senão você não consegue.
— Senão você não consegue. E um bom cuidador faz isso.
— Um bom cuidador faz isso. Quem realmente é apto para profissão faz isso. E você consegue identificar numa sala de aula. um bom cuidador cuida daquele idoso que corre uma maratona, mas também cuida daquele idoso que em algum momento está agressivo por conta de uma doença.
— Isso. E quando ele entende que é por conta da doença, ele cuida bem.
— Ele cuida bem. Aí é que eu falo, se colocar no lugar do idoso, daquela família que também tem as os conflitos familiares, porque a família também não está preparada para ver um pai, para ver uma mãe naquela situação também é difícil. Então você tem que se colocar no lugar dessa família. E você não é a
— Você não é a família, né? Você não viveu a história, né? você tá ali para ajudá-lo no melhor momento da vida dele, que é aquele momento que você tá ali,
— Né? Então isso precisa ficar muito bem claro para as pessoas que fazem o curso e que querem sim ter uma profissão que eu acho fantástica, maravilhosa. Quem entra para um curso de cuidador, eu fiz a faculdade, você fez a faculdade, mas quem quer iniciar que inicia no curso de cuidador para ver o que realmente, né, faz sentido continuar ou não, se realmente faz sentido continuar ou não estudando, se aprimorando, porque o cuidador ali é quem vai cuidar do envelhecimento junto com toda uma equipe
— É é eu gosto, é muito prazeroso para mim. São 30 anos trabalhando com pessoas, trabalhando com envelhecimento. quando eu falo, eu falo de alma.
— Entendeu? Eu falo do coração. O cuidar com amor, no meu ponto de vista, e para mim existe. Existe é o olhar o outro de uma forma diferente.
— É, eu gosto da frase do Leonardo Boff, que ele fala que cuidar é mais que um
— Que é uma atitude de responsabilidade, de envolvimento afetivo com o outro. você não praticar a empatia.
— É, exatamente. Empatia, eu acho que é uma palavra tão falada, mas tão pouco
— Exato. Exatamente. E por isso que eu digo que o envelhecimento é a velhice é uma fase muito sensível,
— A gente sabe que que o público vem envelhecendo, né? que [roncando] a população vem envelhecendo, mas a gente precisa entender que nós temos que formar hoje pessoas para trabalhar com os vários tipos de velhices que existem. Então, existe a velhice independente, existe o envelhecimento bem-sucedido, porque a gente tem a senescência e a gente tem a senilidade,
— Né? Então são os indivíduos que envelhecem muito bem,
— Mas são os indivíduos que envelhecem acometidos por uma doença. Então nós temos que ter profissionais preparados para isso, né? ou senão nós temos que ter profissionais que possam preparar os outros profissionais para isso. E eu vejo a gerontologia atuando nessa frente de preparar pessoas para lidar com o processo de envelhecimento e para lidar com a velhice.
— Uhum. Eu tenho pessoas, né, alunos que chegam e falam: "Eu quero trabalhar apenas com idoso É uma opção.
— Mas eu não enxergo. Eu, Andréia, eu não enxergo ele um bom cuidador.
— É uma limitação.
— É uma limitação, né? Eu não enxergo porque quando você começa a cuidar de um idoso, de uma pessoa idosa, que naquele momento ela está bem, ela está saudável, mas em algum momento dessa trajetória ela vai ser acometido por uma doença, você larga.
— Que você não gosta, você não quer, você não tem. Então assim, eu não sei. Esse é o meu olhar pro profissional. Acho o bom cuidador, ele cuida na senescência e ele cuida na senilidade
— Na senilidade. Eu eu concordo plenamente contigo. Eu acho que um bom profissional ele atende todas as especificidades. Ele não cuida somente daquele idoso lúcido, independente, aquele idoso que você tá andando com ele no shopping, só fazendo compras, né?
— Isso que é um acompanhamento hospital. que é um acompanhamento. Então assim, para esse idoso, eu acho que nós temos um número muito grande de pessoas que estão desempenhadas a fazer o papel de
— Exatamente. Agora, a partir do momento em que nós temos um diagnóstico, né, e aí nós vamos mais além, a partir do momento que nós temos uma demência instaurada, onde a gente sabe que que chega a ser muito doloroso pra família cuidar daquela pessoa, né? Porque muitas vezes você tá vivendo um luto em vida, né? O teu pai tá lá, mas ele não sabe mais quem é você.
— Então isso tem sido, isso é muito difícil paraa família, né? então eu eu acho que isso até importante e e para as pessoas que é que que nos ouvem, que nos assistem, é importante entender isso também, que a partir do momento em que você tem um processo de demência instaurado e que a pessoa precisa recorrer a um suporte, não julgue esta família, porque esta família muitas vezes não está sabendo como lidar com aquilo. É um luto em vida. Eu vejo o meu pai lá, mas o meu pai não me vê mais. Então, o quanto isso é doloroso para uma família, né? nossa, mas você colocou um cuidador, mas você levou para uma instituição de longa permanência, ninguém vive a dor do outro, né? Então, mas julga.
Isso acontece muito quando você designa um cuidador pros para pro seu ente escrito ou quando você toma a decisão de de de institucionalizá-lo. As famílias elas são muito julgadas hoje pela forma como elas conduzem, pelas formas como elas tomam as decisões quando elas não conseguem mais gerir aquele cuidado. E é importante que a gente não faça isso, porque a gente não sabe a história e a dor que dá por trás de todo aquele processo. Por isso que eu digo da questão de você entender um não só indivíduo, mas o todo, né? a forma como a família também está lidando. Nós não temos um manual pronto para dizer como é que a gente vai ter que lidar
— Com aquele idoso que tem um diagnóstico de demência, por exemplo. Eu acho que hoje é o que mais assusta, né? a gente percebe hoje que o grande medo das famílias é ter um idoso em casa que tem um diagnóstico de demência, né? Porque a gente sabe que a sobrecarga é muito grande, né? Então hoje é o grande medo das famílias, né?
— Principalmente na progressão dessa
— Onde a casa pode virar um quarto de um
— É aí. E muitas vezes eu começo o atendimento na residência, né? Nós colocamos equipe, nós temos toda a equipe de cuidadores, auxiliares, técnicos, enfim, equipe multiga o momento que a família não é assim, é muito além do que ela pode suportar quando entra uma cama hospitalar na casa. E aí é um momento que eu chego para essa família e alerto sobre uma instituição de longa permanência para não ter a culpa, porque naquele momento se faz necessário, né? Lógico, isso não vai ser imediato, é muito conversado, é muito bem pensado, estruturado para mas a partir do momento que ele é essa família também respira melhor.
— É, exatamente.
— Essa família também respira melhor quando tem essa transição com cuidado, com orientação e sem culpa. sem culpa.
— É onde você coloca profissionais para conduzirem o caso junto com você, que vem o enfermeiro, no caso, o gerontólogo, nesse momento, que é o momento pra família, o momento ideal de fazer essa transição com segurança, com tranquilidade e sem culpa. sem culpa, principalmente assim, sem culpa, não entender que é
— Uma, não entender que é um abandono,
— Mas sim de que é uma alternativa de cuidado. Isso eu sempre digo e pras familiares que me procuram, né, para para buscar instituições de longa permanência, né, porque quando assim como gerontóloga, eu sou procuradas muitas vezes por famílias que desejam entender o que que precisam fazer com aquele idoso agora, se o melhor é deixar em casa com o cuidador, se o melhor é levá-lo para uma instituição, se o melhor é propor um outro tipo de serviço, como por exemplo, centro dia, né?
— Então eu faço esse tipo de gestão de caso, né? E e é muito importante a gente ter um acompanhamento, um dimensionamento disso, porque a família por trás ela vai sofrendo conforme a o quadro vai evoluindo, né? Então é muito difícil isso, né? A culpa é muito muito persistente, mas eu acho que essa culpa também é pela forma como nós fomos criados, né? Eu vejo uma diferença muito grande entre o interior, né? Porque eu sou de Piracicaba e eu vejo uma diferença muito grande entre São Paulo, né? No interior eu vou cuidar até que eu esgote as minhas únicas forças. E muitas vezes aquele familiar ele tá muito mais doente do que o próprio idoso.
— Sim. Sim. Cuidar do cuidador é muito
— É muito importante. Então a o no interior é muito comum você abraçar esse idoso até o final. E a gente percebe que muitas vezes a gente precisa recuar.
— A gente precisa designar uma pessoa para poder fazer esses cuidados,
— Saber os nossos limites.
— Exato. Exato. Só que essa essa questão, essa culpa e essa questão que a gente
— Muito muito forte na gente, no interior que a gente carrega, né? É, vamos carregar eles até o até o final da vida, né? Então isso é muito muito difícil. questão de crença que se eu não fizer eu posso ser, né, punida de alguma forma ou pela família ou pela sociedade ou por, né, energias maiores dentro do que acredita. é a culpa,
— É a culpa que é difícil de de trabalhar
— Por isso que hoje eu acho que dentro da minha instituição, eu acho que você também dentro do teu serviço, eu não tenho só um cliente, eu tenho dois. Eu tenho a família
— E eu tenho o idoso.
— E muitas vezes eu tenho um papel maior de amparar aquela família, porque o idoso tá super bem assistido,
— Tá bem cuidado, mas a família ainda carrega aquele peso, né? Então eu eu abraço, né? Eu eu gosto de abraçar as minhas famílias, né? Eu eu digo, hoje nós temos uma instituição de longa permanência com número muito restrito de vagas, né? E nós temos um cuidado personalizado e individualizado, porque eu abraço aquela família, né? Eu eu eu entendo que naquele momento a dor é tão grande de você precisar tomar aquela decisão que que chega a ser chega a ser a culpa, chega a ser a dor, o quanto as pessoas vão imaginar, né, por eu tá fazendo isso, mas ao mesmo tempo eu não consigo, não aguento mais. Eu já recebi famílias que estavam num num quadro de burnout assim, absurdo, né? Negligenciando o próprio cuidado, né?
Pessoas que não tinham mais condições, que já tinham rompido os relacionamentos, né? casamentos que tinham acabado.
— Então eu acho que assim, a gente tem tem que parar nesse momento e pensar no quanto assim como profissionais a gente não tá abraçando só aquele idoso, a gente tá abraçando aquela família. Como cuidador você vai entender que por alguns momentos também você vai abraçar aquela família também, sabe? você vai chegar um dia para cuidar daquele idoso, ele tá lá no leito dormindo, mas o filho está extremamente angustiado e aquele momento teu papel é ouvir,
— Né? E como docente de curso de cuidadores, eu sempre disse,
— Às vezes o seu papel é só ouvir aquela família,
— Né? Porque você saiu dali, isso eu falo pras minhas cuidadoras, né? Você saiu daqui da instituição, a tua vida continua lá fora.
— Isso, eu falo isso, exatamente isso.
— Você saiu da residência, a tua vida continua lá fora, mas a daquela família que institucionalizou, a daquela família que está em casa com aquele
— Com aquele idoso, a dor continua ainda,
— Então isso é muito, né? Por isso que eu digo que para trabalhar com envelhecimento não basta somente se preocupar em ter a profissão do futuro,
— Não. Não, se você for focado nisso, você vai
— Ter insucesso no começo, sabe?
— Então eu acho que tem que ter um a gente nós temos que ter profissionais mais sensíveis, né? É, eu costumo falar também que teremos muitos profissionais, muitos, porque tem muita gente, muitos procurando e tá, tá tudo bem. Eu acho que tem que procurar, cada um tem que procurar o seu caminho. Mas os melhores serão escolhidos.
— Serão, serão escolhidos. Os melhores com certeza serão escolhidos. É,
— A gente sabe quando um cuidador vai longe. Eu tenho pessoas que entraram comigo como cuidadora, fizeram o curso de auxiliar de enfermagem de enferm de técnico e são enfermeiras hoje e trabalham comigo.
— Exato. Isso. E é muito importante a gente ver esse crescimento, né?
— Dentro das ILPIs também a gente vê isso muito forte, porque você tá cuidando de muitas pessoas ao mesmo tempo, né? Então a velhice ela é extremamente heterogênea, né? É aquela pessoa que corre maratona, mas é aquela pessoa que tá acamada, né?
— Então eu eu digo que é uma fase da vida onde a gente consegue perceber essa heterogeneidade, né? A gente tem um manualzinho de quando as crianças começam a crescer, né? eu tenho filhas com 2 anos, né? Então eu eu sempre quando eu encontro amigos, eles falam: "Ih, você tá no Terrible Too", né? Você tá naquele momento em que as crianças se comportam mais ou menos da mesma forma. E isso não acontece na
— Isso não acontece quando as pessoas se envelhecem, porque elas se envelhecem de formas muito diferentes. Eu vou envelhecer muito diferente da Andréia, né? Então, nós percebemos essa heterogeneidade, né? E e para essa heterogeneidade é que a gente vai ter que ter os profissionais, mas não para trabalhar ou com aquele que corre maratona ou com aquele que tá acamado, mas para trabalhar com esse indivíduo
— Uhum. Me diga qual o pequeno ajuste que vai fazer uma grande mudança na vida desse idoso? Um pequeno ajuste que faz uma grande mudança.
— Um pequeno ajuste que vai fazer uma grande mudança é a questão
— Da comunicação. Eu acho a comunicação, a escuta ativa, não a comunicação,
— A escuta ativa.
— E a empatia é você entender, é se colocar no lugar daquela pessoa, entender realmente o que ela precisa. Eu eu gosto muito de de da escuta ativa porque eu acho que sem ela não existe como a gente pensar em transformar aquela realidade, né? Então eu acho que a escuta ativa é um ajuste que já vai fazer uma diferença muito grande na vida das famílias. Então hoje você, família que tá ouvindo, né? Então tenta olhar pro teu idoso e falar: "O que que eu posso fazer? Como é que eu posso escutá-lo melhor? Será que mesmo ele sendo um idoso com diagnóstico, ele pode me trazer alguma coisa? Ou ele pode eu posso ensinar ainda alguma coisa, ele ainda pode me ensinar alguma coisa? Então eu acho que o e o próprio a própria escuta, ela faz com que você mude o posicionamento daquele doceço.
Onde ele tá na sua família agora, onde ele pode chegar. Uhum.
— Ele tem um diagnóstico, ele ficará
— Ali naquele quarto com a cuidadora.
— Né? Então, a escuta ela vai mudar o posicionamento que as famílias vão t em relação a esses idosos. Perfeito. Se você pudesse resumir tudo que conversamos aqui e me dizer em uma palavra só, como cuidar bem na velhice. Se eu pudesse resumir, eu diria que hoje para que a gente possa cuidar bem de alguém que está envelhecendo ou que envelheceu, a gente precisa de um profissional que consiga ter uma visão interdisciplinar, multiprofissional deste processo. Então, se você quiser envelhecer bem, tem um gerontólogo para chamar de seu,
— Para que ele possa dizer para você de que forma você pode envelhecer e a partir do momento em que nós tivermos algumas alterações dentro daquele processo, como é que a gente vai lidar com aquilo?
— Seria como se fosse um planejamento pro nosso envelhecimento, né? Então, gerontólogo para discutir com você, o que pode ser feito, se de repente eu tiver, eu for acometido por alguma doença que me deixa incapaz,
— Né? De que forma eu posso estruturar isso, né? Porque nós temos dentro da nossa graduação aspectos jurídicos também, né? Então, eu acho que hoje o gerontólogo ele consegue te dar subsídios para que você se prepare muito bem. para uma velhice que seja tranquila, não necessariamente bem-sucedida, mas que seja tranquila e que seja a melhor velhice que você possa ter, tá?
— Muito obrigada, Mayra, que agrade convite, o papo foi excelente o a nossa conversa muito enriquecedora. Aprendi muito.
— Que bom.
— Já quero marcar minha consulta. Estou à disposição.
— Acho que eu já tô precisando brincadeiras a passo, mas foi muito boa mesmo a conversa, que você possa vir mais vezes para falar desse tema que é tão importante.
— Com certeza. Com certeza. estarei aqui quantas e quantas vezes me chamar, porque se tem algo que me fascina, é a gerontologia, é o idoso, é o processo de envelhecimento. eu eu creio que as pessoas nascem para isso e eu acho que essa foi uma tarefa que foi dada a mim. É,
— Então falar sobre velhice, falar sobre envelhecimento me enche os olhos, porque realmente eu não fiz gerontologia porque era a profissão do futuro, eu fiz porque eu queria mudar a realidade das pessoas que estão envelhecendo. Então, qualquer convite que venha a existir para falar sobre envelhecimento, sobre velhice e sobre as formas que nós temos de mudar essas realidades, eu estou à disposição.
— Teremos mais algumas oportunidades.
— Você já está convidada. [música]
— Cuidar de quem envelhece nunca foi só sobre tratar doenças. é sobre enxergar além do diagnóstico, respeitar a história e preservar a dignidade, porque viver mais só vale a pena quando se aprende a cuidar melhor. Até o próximo episódio do Viver Mais Cuidar [música] Melhor.
Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação médica individualizada.
Alzheimer e demências
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Ver →Quando a família não dá conta
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A enfermagem da EPAD conversa com a família e monta o plano.