Escola de cuidadoresTrabalhe conoscoGuias para a famíliaNewsletter
Central (11) 5579-0469 · WhatsApp (11) 93323-0077 · segunda a sexta, 8h às 18h
Conversar sobre o cuidado
Início › Podcast › Meu pai está envelhecendo, mas o que mais dói é o que ninguém vê...
Podcast Viver Mais, Cuidar Melhor · 11 jun 2026 · 56 min

Meu pai está envelhecendo, mas o que mais dói é o que ninguém vê...

Com Solange Ferrari Cianfa, psicóloga clínica · CRP 06/89449 · Site · Instagram · YouTube · Facebook

A psicóloga Solange Ferrari Cianfa conversa com Andréia Teodoro sobre a saúde emocional da pessoa idosa: perdas, luto, aposentadoria, solidão e a resistência em procurar terapia. O episódio trata dos sinais que a família e o cuidador podem observar e de como abrir a conversa.

Nesta conversa
Ler a conversa completa

Transcrição automática do áudio, com correções pontuais de nomes e termos. O travessão marca a troca de quem fala.

Envelhecer é inevitável, mas como estamos vivendo esse processo Hoje vamos falar sobre aquilo que muitas vezes não aparece nos exames. O que sentimos, o que carregamos e o que silenciamos ao longo dos anos. Eu sou Andréia Teodoro e esse é o podcast Viver Mais, Cuidar Melhor, o espaço onde olhamos para o envelhecimento com mais consciência, mais cuidado e mais E para falar desse tema tão relevante, a saúde emocional na pessoa idosa, eu trouxe aqui hoje a Dra. Solange. Muito prazer, doutora.

— Prazer é todo meu.

— Psicóloga clínica com mais de 15 anos de experiência, com forte atuação no cuidado e na saúde emocional da pessoa idosa, além de atender crianças, adolescentes e adulto por meio de terapia cognitivo comportamental. possui sólida vivência em avaliação psicológica, desenvolvimento humano e recursos humanos, com foco em atendimento humanizado, autonomia e qualidade de vida. Doutora, é um prazer tê-la aqui conosco. Seja bem-vinda mais uma vez.

— Muito obrigada, Andréia. Um prazer estar com vocês e falar deste tema que é tão esquecido e tão importante, né? a qualidade de vida dos nossos idosos.

— E para falar sobre essa emoção, essa parte sentimental emocional do idoso, o que realmente significa isso? O que realmente estamos falando? Estamos falando da do envelhecimento, né, que para todos chegam, né, e como a gente lida, né, isso é uma jornada, né, uma trajetória de todos nós. Então, é a capacidade de lidar com essas mudanças que a gente sofre, né, tanto física, quanto social e tanto quanto familiar. Como lidar com isso?

— E existe diferença entre envelhecer fisicamente e envelhecer emocionalmente? Sim, com o tempo, tudo isso tem experiências, né, acumuladas desses nossos idosos. tanto faz quando ele está envelhecendo no início, né, paraa mulher tem uma diferença muito grande, né, que tem a questão hormonal, a menopausa, isso fica mais em evidência e a gente precisa lidar com isso. E tem muitos que vão já lidando quando se aposentam na menopausa, então eles conseguem lidar melhor com essas emoções. Então, existe uma diferença entre o envelhecimento do homem na parte emocional e o envelhecimento da mulher,

— Da mulher.

— E é bem notável isso. Um ou outro ou somente o especialista, no caso da senhora doutora consegue perceber ou as

— As pessoas, né? Tem sim, tem vários fatores aí que a gente consegue

— O envelhecimento naturalmente traz sofrimento emocional. ou isso depende de outros fatores.

— Olha, a gente pode falar em perdas, lutos e adaptações na idade do envelhecimento. O que acontece, né? Elas vão perdendo as suas autonomias, elas vão percebendo que cada vez mais elas ficam invisíveis, não ficam aparentes. Então, a gente fala que existe os lutos, né? Quando se fala em luto, as pessoas falam, pensam em pessoas para o envelhecimento e para o idoso. Não são só apenas as pessoas, mas sim a sua rotina, a sua adaptação, mesmo que é esperado porque sente dor, vai um ente querido faleceu, um amigo e ela fala assim: "Meu Deus, como vai ser isso?"

— E aí a gente tem a diferença de lutos. o luto que é saudável, que é aquilo que a gente espera, que é uma dor que ele sente, é uma questão mais de elaboração. Agora, o luto sendo sofrimento, ele já não pode ser. O normal é sentir a dor como qualquer pessoa, né, pelo situação, pelo sentimento que essa pessoa tem. Agora, quando vira sofrimento pro idoso, já é mais complicado, porque ele se vê que ele pode ser o próximo, né? E ao longo do tempo ele precisa elaborar,

— Tá? isso é o luto quando se perde um familiar, um amigo, uma pessoa muito, muito próxima, ele entra nesse luto.

— E quanto tempo é esperado um luto

— De um luto mais sofrido, onde ele precisa entrar com outros cuidados, com outras terapias e até mesmo com medicação? Existe um tempo para perceber isso? Olha, a gente tenta trabalhar com idoso ou com qualquer pessoa no máximo aí um luto de um ano, né? Depende do que você, qual a sua afinidade com essa pessoa, como você lida mesmo com a morte, né? Mas a de sofrimento, ela o idoso.

— Ele entra num isolamento, né, numa escuridão, ele começa a perder sentido da vida. E nem sempre é por um luto, né? Muitas vezes por uma aposentadoria. Sim. É uma pessoa de casa.

— Sim. a pessoa, né, que não se preparou para encarar uma aposentadoria, né, muito ativa o tempo todo, de repente chega aposentadoria, o que que eu vou fazer o meu dia todo? Então é uma importância que a família esteja numa escuta, num respeito com esse idoso para poder trazer uma qualidade de vida como ele era ativo. Ele não parou, ele só aposentou, mas ele tem uma longa vida pela frente.

— Ele ainda é capaz de aprender, desenvolver novas atividades, fazendo cursos diferentes, ativando essa mente, criando uma outra E aí isso diminui essa dor emocional, esse essa doença emocional.

— Uma questão até de depressão, né? Ela evita a depressão,

— Tá? Quais são os principais desafios emocionais que você observa hoje no

— Né? Porque eu acho que é uma diferença estar sozinho e sentir que está sozinho, né? A solidão ela é emocional,

— É a solitude seria

— Isso. Então a gente tem que ter que um cuidado maior, porque é um risco, né, nessa fase das pessoas se entregarem para essa solidão. E a gente pode estar se baseando muito mais nesse ouvir, porque ele se sente, né, vulnerável.

— Né? E ele também se sente muitas vezes atrapalhando a vida das outras,

— Pessoas que estão ativas da família. E uma solitude que é por opção.

— Você ser só são escolhas. Você escolhe ser sozinho, você entra numa solitude. Isso pode virar uma solidão, uma Ele em ter que entrar num tratamento antidepressivo com medicações. Faz sentido essa trajetória? Essa linha, né? Embora que assim, se a família, isso é um papel muito importante da família, né? Ter esse olhar, esse acolhimento para que a gente possa evitar chegar numa depressão. Uhum.

— Porque existe a tristeza. A tristeza a gente tem que ter, são emoções que a gente vive, mas a partir do momento que passou o período esperado de uma tristeza, a gente tem que procurar ajuda. Então o familiar tem que levar num psiquiatra para entrar com antidepressivo. E a terapia, tá?

— A terapia ela é primordial,

— Associada ao tratamento medicamentoso, se for recomendada.

— Sim. E aí, em quanto tempo ele começa a melhorar depois de uma terapia? Eu sei que isso é muito pessoal, vai de paciente para paciente. É do acesso que a gente tem ao paciente, o quanto ele explora esse sentimento. Sim. Quanto ele consegue falar sobre, né? Então, lá no consultório a gente tem diversas vivências, né? Pessoas que já me passaram testemunhos que eu ajudei na fala, na conduta, melhoraram em 6 meses, quer dizer que ele tá curado? Não. Se ele percebe que a terapia é um meio que ele tem de falar sobre seus sentimentos sem julgamento, sem que os filhos saiba da vida, porque às vezes a gente recua para falar pros filhos o problema que a gente tá

— Sim. E existe a resistência deles procurarem a terapia? Eu vi, eu vivencio isso com os nossos pacientes na empresa. eles se relacionam ainda, é muito,

— É um tabu,

— Um tabu. Exatamente. eu não estou precisando, eu não estou louco. Psiquiatra, então nem pensar, mas eles associam o psicólogo com o psiquiatra, né? Remédio, tarja preta, né? Isso. E dificulta muito mais

— A melhora, ele vai se isolando.

— E como que nós conseguimos levá-lo para essa terapia? Porque eu vejo que a família não consegue e nós como profissionais da área da saúde atuando na residência também às vezes não conseguimos. e tem alguma estratégia, alguma forma de falar com ele? Eu acho que também vire a chave que é difícil. Sim,

— É muito difícil, né? Por isso que a gente não pode desconsiderar a família, amigos, né? O social que ele tem. Então,

— Às vezes eu tenho paciente lá, fala assim: "Olha, minha filha, meus amigos, que eu jogava futebol, hoje eu não vou mais, tênis, eu não vou mais". E falaram: "Meu, por que que você não procura um profissional?"

— Porque a gente às vezes é amigo, dá conselho, não pode, né? Não funciona. Amigo até pode.

— Não é indicado, né?

— Não, amigos pode dar seus conselhos.

— Ah, sim. Mas fazer não, um bate-papo, né? Tá ali, ele tá desabafando, aí você chega: "Meu, você não precisa desabafar comigo, eu não vou ter como te ajudar porque eu sou seu amigo."

— Uhum. Sim. Então, não é sobre idade, é sobre perdas. Sim,

— Porque a doença que não vemos, que é a doença do sentimento,

— Ela é muito emocional que é silenciosa, ela não tem idade para

— Para começar, não,

— Não tem idade.

— Mas isso se acentua no envelhecimento?

— Olha, vai depender muito das experiências acumuladas desta pessoa que a gente tá falando, que às vezes é o

— Né? se ele passou muito sofrimento, se ele foi uma pessoa muito sedentária,

— Né? Então, até pré tem existe uma predisposição para ele ter esse quadro mais depressivo, tá? E como diferenciar o luto natural de algo que precisa de atenção psicológica? Esse nós já falamos. Como que você identifica? Vamos repetir, que eu acho isso muito importante.

— Como que você vai identificar [roncando]

— Mesmo que não chegou aquele um ano esperado da dor, do luto vivido, [roncando] como você vai identificar se ele tá piorando, mesmo estando nesse um ano que precisa entrar com um tratamento que não é só aquela dor, que existe algo que tá machucando ainda mais?

— Sim. são fatores importantes, né, da saúde do idoso. Quando ele fica ele começa a perder o sentido. Então, você conversa com ele qualquer pessoa, mais próximo às vezes é a família, às vezes tem uma cuidadora e ele não quer falar, ele já começa a sentir aquela escuridão, né? Eu preciso ir embora, não tem mais sentido a vida para mim. Aí sim é hora da gente ter este olhar diferenciado. Traz para um acolhimento e revive essa pessoa.

— Sim. Sim. E eles vão ao consultório ou é preciso ir à residência?

— Então, a gente faz esses dois trabalhos. Isso depende muito da capacitação que essa pessoa se encontra, né? muitas vão pro consultório. Eu tenho uma que ela tá comigo há 3 anos, uma fofa. Antes da pandemia, ela ia até o consultório. Depois da pandemia ela faz online. Então a filha, como ela não tem coisas da tecnologia, não entende, a filha faz a chamada

— E aí passa para ela, fica ali do lado, mas fica com os dois soninhos de ouvido na paciente. Então, teoricamente, essa filha não escuta nada,

— Mas escuta o que ela fala.

— Escuta o que ela fala

— E ela não se intimida por isso.

— Não se intimida, né? porque ela não quer parar. E ela teve um quadro de depressão né, de tá com a medicação. Mesmo no primeiro ano de tratamento, a medicação foi várias vezes trocada porque não tava funcionando e ela

— Fazendo ajustes,

— Né, fazendo os ajustes. Agora ela tá com a medicação, com dose adequada a ela com a medicação e hoje ela faz com prazer a terapia. Quantos anos ela tem?

— Olha, se todos pudessem ter esse acesso e ter essa consciência o quanto faz bem

— Cuidar da parte emocional.

— Não só no envelhecimento.

— Mas desde quando? Desde sempre.

— Interessante. Sim. E o interessante ainda, Andréia, é o sexo masculino. Lá no consultório, nós temos uma um resultado, um, né, um, como que eu posso dizer, um apanhado assim, né? Eu tenho a margem de padrão. Então, 88% da clínica dos pacientes são mulheres, porque os homens também não gostam de procurar ajuda.

— Uhum. Mas acho que isso tá aumentando,

— Tá aumentando, né? Mas o próprio idoso acha que isso é uma fraqueza.

— Sim, sim. Aí precisa ir na residência. E também tem os entraves. Ele também não

— Sim. Sim.

— E aí a família muitas vezes faz isso. Eles ligam, é nítido. Olha, eu me tô percebendo que meu pai, minha mãe está assim. eu tenho que falar para eles, principalmente parte financeira, eles pagam pra gente. A gente não pode falar pro paciente idoso que que é o valor X, porque ele acha que caro,

— É muito caro, né? É dispendioso para os filhos fazer esse tipo de

— De acolhimento, que para ele é importante, mas ele acha que isso pode trazer problemas. Então, já tive casos, a gente ia até a casa da pessoa, como não fosse uma terapeuta, uma pessoa profissional, mas que queria ouvi-la. E aí a gente começa muito devagarzinho falando qual é o meu papel lá.

— E tinha uma senhora que eu atendia domiciliar que ela não saía nem para a varanda de casa. E a gente vai fazendo como a gente trabalha. com a do nosso comportamento. Então, é um trabalho meio que de enfrentar.

— Por que não vou até a lavanderia? Por que que eu não ponho minha exposição?

— Eu tô, eu sou o que eu sou, eu envelheci, mas e minha alma, né? Não é só o físico, é sentir bem por dentro. Então, a gente faz esse trabalho de levar a pessoa para esse enfrentamento

— E essa reprogramação

— Que você me falou, seria uma e uma construção de um novo

— Nova Sim. um novo viver, um olhar

— Isso no na pessoa idosa é mais

— Porque é muito tempo para ela desconstruir. São muita muitas dores,

— Por isso que é muito diálogo com o profissional e acesso ele à família que apoia e muitos assim. Eu tinha um paciente que também perdeu a esposa uma vida, né, com a esposa, 40 e poucos anos. E ele perdeu o sentido, né? Ele queria que os filhos ficassem bem, mas para ele tava bom, que ele já tinha

— Quantos anos ele tinha?

— Ele tava com 72.

— Aí a gente vai dando dicas, né? Olha, você não pode ficar parado, você tá bem de saúde, você anda, você fala muito bem, você tem muitas coisas e preservadas que não pode desconsiderar.

— E nem sempre é sobre um novo relacionamento, é sobre estar bem, mesmo que não ter um novo relacionamento seja opção, mas você precisa estar bem.

— Sim. Sim. O importante, ele está no

— E se sentir acolhido, ouvido,

— É porque o isolamento, você não tem esse convívio social, você vai se anulando cada vez mais, não vai se cuidando, a autoestima fica prejudicada, a sua saúde, né? Não só

— A saúde psicológica, mas é o psico.

— Sim. Que trabalha. social, né?

— Sim. Que aí acaba indo para o físico. A pessoa não tem nada,

— Mas o emocional levanta essa possibilidade física.

— Uhum. Uhum. E muitas vezes o idoso ele tá cercado, essa pessoa idosa tá cercado de pessoas, sem falarmos do isolamento agora, mas muitas vezes ele está cercado de pessoas e mesmo assim se sente E como atuar nesse modelo? É com a família primeiro, continua sendo com ele? Não, a gente traz a família para conhecer o conteúdo desta pessoa, saber como foi a vida desta pessoa

— E aí fazer primeiramente é o resgate daquilo que ele gosta.

— Porque ele esquece das habilidades que ele tem ainda.

— E se ele esquecer, como fazer lembrar? Aí é o apoio da família.

— É o apoio da família.

— Uhum. E quais são? a gente traz fotos, a família traz um conteúdo do que ele já

— Né? A gente tem recursos na TCC para fazer esses recordações. Então, eu posso trazer fotos que façam bem para ele, para ele ressignificar. Sim, isso vai impactar positivamente a sua atuação, sim. o seu tratamento vai te direcionar

— E o que a família pode fazer que é

— Para que esse tratamento seja eficaz, que nós falamos o que ela faz, traz fotos, muita conversa, muito diálogo, traz as memórias do passado, mas o que ela pode fazer é que acaba impactando negativamente, porque muitas vezes as famílias fazem achando que estão acertando e não é uma receita de bolo, mas há um caminho. Sim. Acho que o que é

— Negativo é a negação da própria família

— Negação do sofrimento.

— É, né? E querer o mediatismo,

— Que ele melhore de um dia pro outro.

— Tá. E aí começa ter o empate com a família. Aí a família ele fala assim: "Ah, hoje eu não tô afim, então tudo bem". E aceitar, né? Muito o que ele Se a gente a gente muda os papéis, né, na idade que eles estão, a gente passa a ser o pai e a mãe e eles os filhos. Então não que eles não tenha as decisões, porque eu acho que isso também não é positivo. Eles precisam decidir certas coisas para eles se sentirem

— Tendo as responsabilidades aí.

— Sim. Mas tem momentos que não dá para eles escolherem.

— Não dá. Cada caso é um caso.

— É um caso.

— Então impacta negativamente se a família não for participativa, se a família não,

— A família própria não acreditar no tratamento, na melhora que pode ser a longo médio prazo.

— Sabe onde eu percebo isso? quando há um casal e um deles adoece, ou seja, por um problema de doença clínica ou psicológica, o parceiro não aceita. Por exemplo, eu vivo isso em alguns algumas residências. O o homem fica doente emocionalmente, fisicamente, clinicamente e a parceira esposa não aceita e trata ele como se ele pudesse fazer ainda as atividades que fazia Isso gera um conflito interno, brigas mesmo, discussões. Nós presenciamos isso

— Do não aceitar.

— Sim. que o meu parceiro está nesse estágio agora, sendo que há um mês, há dois meses atrás, há um ano, ele era ativo, ele saía para treinar. Sim. E a gente pode até falar no próprio Alzheimer, né, que a pessoa vai

— E é muito rápido muitas vezes, né? Tava bem, de repente rápido,

— Começa a avançar o Alzheimer e as pessoas não aceitam mesmo.

— Acho que é manha,

— Né? Então são aí é um tratamento mesmo do casal, da família, de quem tá ali dando todo o suporte dessa rede de apoio. Sim,

— Né? Mas é muito difícil. Eu vejo isso com muita frequência. Um lidar com o outro como se o outro ainda fosse uma pessoa normal e não [roncando] precisasse dos cuidados por questão de estar gastando muito também. Quem é muito médico é terapia, muito mais medicamentos e ele já não é mais o mesmo. Ou ela ou vice-versa.

— Sim. Quando isso acontece no caso da mulher e o homem ainda é ativo e a mulher tá mais dependente, eu tenho um caso, ele quer que ela e ela não tem condições de cozinhar, né? Quer que ela faça uma mesa do almoço, que monte uma mesa, ela não tem.

— E para ele é muito difícil a aceitação. Para ele é difícil, para ela muito mais por tentar fazer e não conseguir. E ter pessoas em casa fazendo o que era de

— E e uma coisa também, né? Eles são resilientes, né? Resistem a uma cuidadora na casa. né?

— Eu tinha casos assim, né, de não parar cuidadora na casa da desse paciente, porque assim, ela sabia da dificuldade apresentada, ela não conseguia fazer mais nada, mas assim, mexer na minha cozinha,

— Como assim? Essa pessoa não mal entrou na minha casa, vai mexendo nas panelas. Por quê? Porque precisa fazer o alimento para aquela pessoa.

— Sim. E falta aceitação da própria pessoa de ter uma ajuda. É,

— É de eu acredito que colocar pessoas dentro de uma residência para cuidar de idosos, você ali contratar uma empresa ou particular pro seu pai, pra sua mãe é muito difícil. Assim como ter que levar por uma instituição de longa permanência. É muito difícil pra família, principalmente pra família que é presente. Então, a partir do momento que você monta uma equipe, entra naquela, é uma

— É uma invasão,

— Imagina entrando na sua casa, né? Pessoas estranhas, cada dia uma pessoa, de dia, de noite, mudando toda a rotina. Tudo tem que ser com muita tranquilidade, com muita calma, com muita paciência. Sim,

— Porque eles estão num estágio que nós precisamos nos colocar no lugar deles e que é difícil,

— Nós vamos estar, né? É, é difícil, é muito difícil a aceitação. Então, esse é o meu trabalho diário na empresa com profissionais. montar uma equipe que seja no mesmo perfil daquele paciente, né, que, né, escolher muito assertivo nessa equipe para que o impacto seja menor possível mesmo. Não, não será, mas que seja menor. Sim,

— Né? que comecemos por poucas horas, por poucos dias, isso vai aumentando ao longo da necessidade. Mas nem sempre isso é possível. Muitas vezes precisamos entrar já com uma equipe 24 horas. Aí a aceitação é difícil.

— E ainda quando a gente tem conflito

— Que um filho aceita, outro não, um quer que leva para uma casa de de repouso, de apoio, porque não emocionalmente tem filhos que não suportam. É, tem, né? Porque às vezes você tem que falar firme. E, meu Deus, eu falando firme com meu pai.

— Brigando com meu pai e a minha mãe.

— Este é conflitante,

— Né? É, são histórias. Eu falo que vivemos histórias, histórias de vida. Dá para escrever um livro. Há duas semanas atrás eu faço vários trabalhos voluntários na paróquia onde eu frequento no meu bairro. E nós temos um trabalho de falar juventude acumulada.

— É um trabalho de um dia, né, no final de semana começam às 8 e vai até umas 5. E a gente tem as inscrições gratuitas para os idosos. E a gente faz palestra, a gente traz dança, a gente traz dinâmicas e você precisa de ver. Começo em

— Uhum. né? Tomam lá o seu cafezinho que a gente prepara tudo com muito carinho [suspirando] e eles não se falam, a não ser que vai o casal,

— Mas não tem interação. Depois do almoço eles já estão conversando, já estão outro astral, tão

— E retorna no dia seguinte,

— Não? E aí?

— É um dia só.

— É um dia só.

— Né? E aí no final a gente faz alguma dinâmica que é do abraço.

— E aí eles se revelam, né? Quanto foi importante para eles aquele dia que eles for a gente tava

— Exclusivamente para eles.

— Aí vem um rapaz que a gente tem o contato que ele é professor de dança, então ele já tem essa habilidade com os idosos. Teve uma senhora que ela deixou, tava tão emocionante, tava tão bom para ela, que ela deixou a bengalinha de lado e foi dançar. quanto estimula,

— Quanto é importante.

— Onde que que é feito esse trabalho?

— É na paróquia Nossa Senhora de Fátima, na Vila Leopoldina.

— Na Vila Leopoldina, né? E uma vez por

— A gente faz isso duas vezes por mês, às vezes, espaça um pouco mais, né? Então, a gente é um trabalho que a gente entrou agora, né? Às vezes a gente faz uma por ano, já teve pessoas que deu testemunho que já foi o 10o encontro que ela participa.

— E quantas pessoas

— Não tem limites, a gente não tem, mas o espaço comporta quantas pessoas?

— 50, 100 pessoas.

— Ah, e às vezes enche. Olha, interessante. Vamos deixar depois aqui o

— Deixo sim

— Para que os nossos ouvintes, se fizer sentido, procurar, não é? Isso é muito

— Sim. Saber que eu fico muito emocionada até saber que mais de 50 pessoas idosas se juntam para viver um dia diferente, um dia do abraço, um dia da dança, o quanto isso é prazeroso para eles e para quem faz, né? É, a gente fica muito feliz no final que eles falam assim: "Vocês foram maravilhosos". Muito obrigada por esse acolhimento, por essa dedicação de vocês? Querendo ou não, hoje os filhos estão produtivos por muito mais tempo, né? Envelhecemos, a nossa estimativa de vida aumentou muito,

— Muito, muito.

— E então,

— Com 60 anos lá atrás já era idoso.

— Não, em 1900, tem dados estatísticos. Em década de 40, a estimativa de vida era de 45 anos. 45 anos a pessoa morria, né? Hoje tá em torno de 76, 75.

— E aí a gente já vê, né, pr Sim, a gente vê até famosos, né, e pessoas que colocam ali no Instagram que estão fazendo 100 anos. Então, a gente tá vendo que mais pessoas estão chegando a 100 anos.

— Eu tenho uma paciente de 105 anos.

— Olha que belezinha.

— Lúcida. Lúcida, muito bem cuidada. E e vemos que a população vai envelhecer muito, né? daqui 20 anos teremos muito mais idosos e precisamos estar preparados porque hoje os filhos, voltando ao que eu queria falar anteriormente, os filhos estão trabalhando, né, há 40, 50, 60 anos numa vida, né, produtiva, mulheres trabalhando que não tem mais o tempo para ficar dentro de casa com a pessoa idosa. Por isso que elas se sentem mais tristes, mais isoladas, mais sozinhas. essas atividades na paróquia, num clube que sempre tem, são várias que que fazem hoje o quanto é importante esse abraço, essa movimentação, essa porque a família não é que ela não quer

— Dar aquele abraço, é que às vezes não tem tempo,

— A vida é muito corrida

— E tudo é para ontem. Sim,

— Eu sei que estamos fazendo errado. Eu falo isso de mim, meu pai vai escutar.

— É, a minha mãe gostou muito. Eu fiz questão desse ano ela vivenciar isso.

— Né? No começo ela queria ficar colada em mim. Eu falei: "Mãe, vai pro grupo, vai ter essa experiência."

— Uhum. Veja se faz sentido

— Isso, né?

— Aí quis voltar.

— Então agora ela fala assim: "Ai, se quando tiver outro pode me chamar".

— Uhum. Interessante como é importante a

— Sim, sim. Muito.

— É. E como o cuidador percebe esses sinais e de sofrimento emocional? O cuidador, uma pessoa externa que tá lá cuidando dele no dia a dia, como ele percebe? Porque ele já entra conhecendo uma pessoa idosa, mais triste, mais acanhada e para ele aquilo é normal. A família talvez perceba que não é. que é faz parte da idade.

— Ele sempre foi assim.

— E como esse cuidador pode perceber a partir do momento que ele iniciou nessa residência? Quais são os primeiros sinais? Mesmo que ele tá isolado, ele tá num cantinho, ele só fica no quarto? Muita insistência para tomar banho, para comer, para sair, para assistir uma TV.

— Esses são os principais, os sinais. E o mais importante que tem alterações constante de desânimo, perda de sono e apetite, tá? Desânimo, perda do sono e apetite.

— Perda do sono.

— O desânimo, tudo bem, ele tá ali aí ele ficou um pouquinho mais desanimado. A perda do sono, eles dormem menos porque eles fazem pequenos cochilos durante o dia. Aí, o que poderíamos eliminar desses seriam esses pequenos cochilos, que aí ele passa a não dormir de dia e acordar mais vezes à noite ou só dormir à noite? Qual é o sinal de alerta?

— Alerta é quando ele está mais tempo acordado noturno do que durante o dia. Por quê? Às vezes a gente tá na atividade e aí o isolamento, o desânimo, ele não quer, ele prefere tá dando esses cochilos, porque esses períodos

— Ninguém tá falando comigo, ninguém tá pedindo nada, nem olhando

— Nem olhando para mim, olhando, tá?

— E à noite, teoricamente

— Teria que dormir.

— Teria que dormir, porém ele fica um pouco mais ativo

— Porque não tem ninguém para fazer essas Ah, porque aí tá todo mundo dormindo.

— Tá todo mundo dormindo.

— Aí ele cai. Aí onde tem as quedas.

— Aí onde eles têm as quedas,

— Né? Onde tem as quedas, que é no período noturno. Teremos um episódio aqui sobre

— E tem um estudo sobre isso, que eles caem mais no período da noite na transição do quarto pro banheiro.

— Sim. E também do levando em consideração também, acho que a própria medicina vai explorar isso mais, que às vezes as quedas não são porque escorregou, porque teve uma labirintite, alguma coisa, às vezes é o fêmur que quebra e ele cai. Exatamente. Exatamente. Por conta de osteoporose, por conta de outras questões. Exatamente. Tem dados sobre

— Que nós vamos falar aqui. Oba. Muito

— Existe uma forma certa de conversar com esse idoso sobre esse sentimento, sobre essa dor, como que nós, leigos na psicologia, na terapia comportamental, como que nós podemos iniciar uma conversa com ele? Porque ele vai ser relutante ou ele vai ficar calado, um cuidador ou um familiar ou alguém que seja, não seja um profissional. Como que podemos abordar sobre esse essa dor, esse sentimento emocional?

— A gente sempre traz evidências para ele, né? Olha, tô percebendo que você tá mais triste depois disso e disso. Você não é assim. Eu tô à sua disposição. Hora que você quiser falar, eu estarei aqui na sua escuta.

— Esse é um chavão que eles querem ouvir, né? meu filho tá de olho em mim,

— E termina dando um abraço silencioso para ele sentir que realmente ele pode contar com essa pessoa,

— Tá? E o profissional?

— O profissional uma mesma coisa, né? A gente não pode invadir, até porque a gente não é detetive, não pode fazer

— É, eu sempre começo assim: você está livre para dizer o que você quiser.

— Uhum. Conte da sua história o que você acha que mais marcou a sua vida.

— Uhum. Você sabe que eu comprei outro dia no Instagram, [roncando] veio um uma propaganda de um joguinho Paraa memória para usado em idosos. Eu não sei se você já chegou a ver.

— Tem vários. É uma caixinha com vários cartõezinhos. E nesses cartõezinhos tem as perguntas. Me conta aí. Você vai você

— Sim. joga com ele. Você pede para que ele escolha uma carta. Quando ele escolhe a carta, é a pergunta que vai ser lançada. Me conte com que você trabalhava, com quantos anos você começou a estudar, é formada em quê? E aí vai resgatando essa

— Sim. A gente na TCC, inclusive, a gente tem o baralho do idoso.

— Né? Que é justamente as suas perguntas, né? Então tem perguntas da sua infância, como era os seus pais,

— Tá? com quantos anos ele casou.

— Uhum. E muitas vezes ele se emociona.

— Se emociona.

— É, nós, né, nos emocionamos quando falamos do passado,

— O que poderíamos ter feito de diferente, mas se tivéssemos feito de diferente, hoje a história também seria outra. E será que seria boa?

— Sim. É, tem alguns questionamentos, né? Mas aí eles se vão se abrindo com essas pequenas perguntas. A gente nunca vai direto ao problema, porque o problema muitas vezes

— O familiar já nos contatou e já nos falou como era.

— O que ele está vendo agora

— E ele talvez não aceite. Então não é o melhor caminho ir pela dor no momento,

— Mas resgatar algumas coisas pra gente chegar nele e saber qual é o fundamento dessa dor, desse isolamento, dessa depressão, da ansiedade.

— Uhum. E o que não devemos fazer de jeito nenhum? Abordar, falar, comentar sobre as emoções desse idoso. O que não podemos fazer?

— Olha, é um pouco difícil, né? Porque a gente é curioso, a gente quer a escuta muito respeito e aí a comunicação ela é precisa. Aí a gente volta lá atrás quando a gente era criança. Eu não sei, eu tenho três filhos e você não adianta você chegar do seu filho e falar assim: "Filho, como foi a escola?" Ele ó, fecha. Ele não quer falar.

— Olha só. Agora, se você traz paraa vivência dele o sua manhã, falar para ele: "Filho, nossa, hoje o dia da manhã foi complicado paraa mamãe tal, e o seu como foi?" Aí você instar, você não tá,

— Você faz uma pergunta,

— Você nem faz uma pergunta. Se você fizer a pergunta,

— Ele não vai responder.

— Não vai te responder. Ele vai falar igual eu.

— Você passa a bola para ele só.

— É. Aí você tem qual a resposta dos adolescentes, principalmente normal.

— Ah, nada de diferente.

— Nada de diferente. Agora, se você fala para ele escutar as suas questões ou sei lá, coisas boas, coisas ruins, enfim, ele se sente à vontade de encontrar para você como foi, porque você fala para ele: "E o seu?

— Teve alguma coisa legal?" Aí ele já tá sem a armadura. Você já quebrou a amarura dele.

— Uhum. E cuidado dessa pessoa idosa não é só cuidar da medicação, dar o banho, levar no médico, que é comprar que tem comprar. É acolher as emoções.

— Esse é o principal.

— Talvez o principal para dar continuidade às outras questões.

— É, até se escuta assim: "Hoje eu não estou bem".

— Lembrei da sua mãe. Sonhei com a sua E a depressão, entrando agora nessa depressão mais profunda, a depressão em uma pessoa idosa, ela é diferente em uma pessoa jovem?

— Eu acho que ela só é mais duradura. Eles sofrem mais.

— O idoso?

— O idoso sofre mais.

— Tá. E existe muito diagnóstico tardio nessa fase da vida, mesmo sendo

— Sim. Porque assim, as pessoas, infelizmente, são negligentes.

— Uhum. Elas olham o ido, como ah, isso é faz parte da idade.

— E a negação, né?

— É o fator importante que aí quando vai pesquisar, vai entender, talvez às vezes é tarde ou às vezes a gente tem um trabalho maior.

— Para resgatar.

— Sim. E mudanças de comportamento que parecem ser da idade, muitas vezes essa mudança teve como um sinal de alerta. É um grito, né? Sim. de socorro e as pessoas não percebem.

— Socorro. Uhum. A família não percebe muitas vezes

— Não. Não, porque ela fica negando que aquilo está acontecendo. Ao invés de olhar aquilo e falar: "Meu, vou correr.

— Vou pôr o meu pai numa atividade, vou Tem vários órgãos hoje, né, instituições gratuitas que o idoso pode passar o dia. Isso é muito legal. Uhum.

— O idoso passa o dia, faz várias atividades e depois volta para casa para

— E tem até uma perua, né? Peru escolar, um transporte que leva e depois devolve em casa. Isso

— Existe, eu li esses dias as os as cidades que estão ganhando o selo, né, de de melhor cidade no acompanhamento, no desenvolvimento dessa pessoa idosa. Então, esses centros de de idoso, São Paulo não ganhou, acho que não ganhou ainda, mas tem várias cidades que tem um um uma trajetória, um movimento para que esse selo para que ganhe esse selo.

— Cidade reconhecida com o selo da idade. Tem um, tem um nome, eu me esqueci agora, mas tem, eu li esses dias. Então, as cidades, né, o o país, os estados, os municípios, todos os lugares estão tentando melhorar para que essas pessoas idosas sejam bem atendidas tanto na parte biopsico e social. Então, é um movimento público que dá acesso a todas as pessoas. Isso é muito muito importante, muito legal. Eu acho interessante. E hoje as pessoas vão chegando nas suas idades, elas vão, elas também são diferentes.

— Uhum. Sim.

— Né? Eu me lembro e a minha sogra morou um tempo com a gente e ela tinha pavor de pegar no controle remoto.

— Eles não tinham a mesma habilidade. Hoje você vê os idosos na internet. Sim. Sim. Eles são capazes. Eles são capazes de aprender.

— Procurando amigos de anos. mesmo que as as netas, né, e netos são mais próximos, que eles ajudam. Isso, isso é legal.

— Ajudam. Uhum. e deixar os idosos a vivenciarem o momento dos jovens. Isso é importante. Isso é importante. Faz parte de um novo aprendizado,

— Porque antes era muito julgamento, eles se afastavam dos jovens, hoje não. E os jovens também estão se aproximando.

— Isso é importante. E o que ajuda o idoso a envelhecer emocionalmente bem? Que ele não entre em depressão, que ele não entre em sofrimento, em solidão, em solitude. Solitude se ele optar. É, isso é o acúmulo de experiências mesmo, não tem uma outra possibilidade, né? Nós todos estamos sujeitos a todas as

— Né? Mas tem uns que vão ter a predisposição da depressão, outros não vão nem passar. E aí também aquela pessoa que nunca foi sedentária,

— Atividade física é muito importante.

— Atividade física, ler um jornal, fazer palavras cruzadas,

— Jogar xadrez,

— Jogar xadrez,

— Dama, dominó,

— Tudo que você ativa.

— Eu já tô aprendendo xadrez.

— É muito difícil.

— Eu tô fazendo um banco. Ah, mas já tô

— Ah, que ótimo. Isso é bom. Já tô É possível desenvolver saúde emocional mesmo após uma vida difícil?

— Isso também depende muito do que a pessoa quer da vida.

— Que a gente pega pessoas que, infelizmente, a gente não avança muito,

— Precisa querer ficar bem,

— Precisa querer,

— Precisa isso, em tudo, né? Você precisa querer se curar,

— Precisa ter essa iniciativa. Primeiro tem que partir dela.

— Uhum. para que a gente possa avançar. E às vezes a gente trata como uma reabilitação, muitas vezes a gente traz um jogo de memória, mas não trabalha profundamente porque aquela pessoa

— Não quer,

— Não quer.

— E a gente não pode insistir.

— Uhum. Aí entra o psiquiatra,

— Entra psiquiatra. Uhum.

— E aí se a família quer seguir só com psiquiatra, né? Porque às vezes entra na sessão, sai da sessão do mesmo jeito.

— Qual o papel do propósito nessa fase da vida? Qual eles têm propósito, eles têm desejos, vontades? Eles planejam?

— Sim, sim. Muitos deles sim, né? Precisa, né? Eu acho que ter um objetivo é o que leva e movimenta esse ser,

— Né? Isso não sou idoso, mas a gente, né?

— Chega não ter fazer o que da vida, não tem muita coisa. E aí é onde a gente fala que é o protetor mais forte para os idosos quando eles pensam que eles ainda podem fazer alguma coisa.

— Humum. Sempre há tempo de aprender uma nova língua,

— Um instrumento musical, um jogo, viajar.

— Tem grupos de viagem.

— Sim. Sim. que é só para o melhor

— Melhor idade da melhor idade. Não falamos mais terceira idade,

— Não. Nem idosos eles não gostam. É melhor idos.

— Pessoa idosa.

— Tem da pessoa idosa,

— A melhor idade, o envelhecimento, porque desde como quando nascemos envelhecemos. Então o envelhecimento é para todo mundo. Sim. Existe alguns alertas daqui, opa, cheguei agora nessa idade, o que eu faço daqui paraa frente é ir planejando e se moldando naquele naquele modelo da sua

— Terapia para idosos, então ainda é um

— Mas é um papel essencial.

— Né? Por quê? Porque a gente vai fazer o quê para ele? Fortalecer as emoções, fortalecer as perdas, que a gente tem inúmeras perdas, como eu disse anteriormente, não só de pessoas, mas aos seus papéis como ser humano,

— Né? a gente vai se limitando. Antes eu era filho, eu era um estudante, depois eu virei um profissional, tem vários papéis e aí com a idade a gente vai perdendo.

— E o mais importante de tudo, além de de tudo que a gente já falou, ter uma

— O idoso não pode ficar sem rotina.

— Uhum. Isso é importante. Horário de levantar, das alimentações, das atividades físicas. Alguns são resistentes, alguns são resistentes. Sim, mas é importante na na jornada dele, na condição que ele se apresenta, você fazer uma rotina para ele naquilo que ele pode

— Fazer e dar o que mesmo, que eu acho que isso é importante para eles, né?

— Com certeza. Com certeza. Com certeza. Dra. Solange, falamos da terapia, da ir no profissional, profissional ir na residência, isso é custoso, tem um um valor que você dispende mensalmente. A senhora até falou que muitos acham caro. E quem [roncando] realmente não tem condições de ir a um profissional particular. Hoje, a rede pública, os postos de saúde, as UBSs, os centros de idosos, existe esse profissional que possa orientar, que possa iniciar um tratamento psicológico com terapias e eles encontram isso na no Sistema Único de Saúde?

— É, infelizmente é muito complicado, né?

— A gente tem poucos, né? Mas a gente tenta ajudar. tem centros também de psicólogos que fazem o trabalho todo com serviço social, que a gente não fala que é um desconto, não é? Nada de graça, porque as pessoas precisam valorizar. Então, existem instituições que fazem com serviço social e aí é um valor bem mais simbólico que a pessoa consegue

— Entendi. Gratuito não tem. Tem, deve ter um outro, né?

— Tem, tem, né? Tem um ou outro na UBS, né? Que a gente sabe que tem, mas é escasso, né? A gente precisava que o governo trabalhasse melhor, tivesse esse

— Já melhorou muito, né? a saúde,

— O envelhecimento, falando muito em existem vários profissionais preocupados estudando para isso. Aqui também estamos nesse propósito para levar a mensagem, para levar informação de uma forma clara, de uma forma consciente e verdadeira. existem vários locais que atendem pessoas idosas, mas como a doutora disse, não tem ainda um profissional dedicado a essa atenção psicológica para trabalhar a saúde com o país envelhecendo. A doutora acredita que isso possa melhorar? Ah, uma luz no fim do a gente acredita sempre, né, que pode tudo melhorar e nós estamos em total mudanças, né? E vai existir esses movimentos.

— Tem tem que,

— Né? O próprio, vamos dizer que iniciou aí a com a Prevent Senior, né? Fazendo propaganda, pelo amor de Deus, mas foi uma que olhou pros idosos.

— Bem antes de todo esse envelhecimento, já está mais acentuado.

— Muito, está mais acentuado. Foi muito até antes da pandemia. E hoje temos outras, né, redes que trabalham com a saúde da pessoa idosa, rede particular de um valor acessível, que os próprios convênios que elas conseguem,

— Né? O geriatra também ajuda muito, né?

— O geriatra, o gerontólogo,

— Tem toda uma equipe multi hoje, eu vejo esse movimento estudando para essas pessoas, né? entender melhor a gerontologia e a geriatria, que são se completam, mas são diferentes. Uma cuida da doença, a outra cuida do envelhecimento. Então, eu acho que as pessoas hoje, acho, não tenho certeza, as pessoas estão se preparando para um mundo melhor, para cuidar melhor de dessa pessoa idosa, até porque o país está envelhecendo. precisamos estar preparados para atender toda essa demanda

— Mais idosa. E o, a estimativa de vida aumentou. E como estamos envelhecendo?

— Doentes ou não? E se estamos envelhecendo doente? O porquê? É né? É fisicamente? Como tratar tudo é um uma luz que a gente pode ter no fim do túnel para cuidar de tanta gente que ainda vai envelhecer, porque daqui 20 anos somos nós.

— E eu quero que estejam, que tenham pessoas preparadas, qualificadas, que me deem atenção, por isso que estamos aqui, né? Que dê essa atenção tão minuciosa, tão carinhosa e tão acolhedora para essas pessoas idosas. Eu fico muito feliz porque eu adoro cada um deles. Cada um deles tem uma história,

— É, eu cuido de pessoas idosas já há muito tempo. São 30 anos de formada, 20 anos com pessoas idosas. Então eu vivo isso, eu vivo histórias, eu vivo a gerontologia, a geriatria. Para mim é um, é muito gostoso estar aqui falando

— E a gente aprende muito, né? É muito. São histórias, existem as dificuldades, existem as as diferenças e existe a parte boa. Existe o o a pessoa idosa está bem cuidada, está querendo se cuidar, deixar que cuidemos dela. para mim é muito gratificante. Hoje foi muito gostosa essa conversa. Agradeço demais a sua presença, doutora. que que possa vir mais vezes. E qual a mensagem que a senhora deixaria hoje para quem tá nos ouvindo, para quem cuida dos idosos,

— Para que tenhamos um olhar diferente e um olhar especial e carinhoso para essa pessoa idosa e na questão emocional, sentimental, mental. Vou dizer uma coisa Envelhecer não é perder o seu valor, é atravessar esta fase com saúde, com sabedoria, com respeito e as pessoas respeitarem esses

— É, eu costumo falar, muito obrigada. Eu costumo falar que envelhecer é natural.

— Todos nós vamos envelhecer.

— Sim. E ali temos a escolha de como a gente vai chegar nessa fase. E envelhecer sozinho é que é complicado,

— Né? Temos, mesmo que não tenha família, não tenha ninguém, mas tem os profissionais que podem ajudar. Então essa também é a minha mensagem. Muito Falamos muito sobre viver mais, mas hoje ficou claro que não basta viver mais, é preciso viver melhor [música] e emocionalmente também. Cuidar da mente é cuidar da vida. Saúde emocional não tem idade. Ela precisa de atenção, de cuidado e, principalmente, escuta. Que esse episódio sirva como um convite para você olhar com mais carinho [música] para quem está envelhecendo e também para quem você está se tornando. Dra. Solange, muito obrigada pela sua presença, pela sua sensibilidade e por trazer um tema tão necessário [música] e de forma tão humana. E se esse episódio fez sentido para você, compartilha com alguém que também precisa ouvir isso.

[música] Acreditamos que cuidar vai muito além do físico, é sobre presença, respeito [música] e conexão, porque viver mais só vale a pena quando se aprende a cuidar melhor. Até o próximo episódio do Viver [música] Mais Cuidar

Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação médica individualizada.

ConversarWhatsAppLigar