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Podcast Viver Mais, Cuidar Melhor · 4 jun 2026 · 45 min

Essa ferida que não fecha pode ser câncer de pele? O que quase ninguém desconfia

Com Dra. Iuna Consalter, médica dermatologista · CRM-SP 202681 · Site · Instagram · TikTok

A dermatologista Dra. Iuna Consalter explica a Andréia Teodoro por que o câncer de pele é tão comum no idoso e quais sinais merecem atenção, como a ferida que não cicatriza e a pinta que muda. Fala também do diagnóstico, da cirurgia e da prevenção com protetor solar.

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Transcrição automática do áudio, com correções pontuais de nomes e termos. O travessão marca a troca de quem fala.

O câncer de pele não começa no diagnóstico, começa quando o sinal é ignorado. Seja bem-vindo ao viver mais, cuidar melhor. Um espaço onde o cuidado vai além da doença. Eu sou Andréia Antes de falar da convidada que eu trouxe aqui, eu preciso falar do nome Iuna. Iuna é uma cidade no interior do Espírito Santo, uma cidade muito acolhedora, muito gostosa, pequena e eu tenho famílias lá e a minha família é de lá, onde eu trago muitas lembranças, muitas memórias e ter hoje aqui como convidada a Dra. Iuna Consalter, tá

— Tá certinho. Dra. Con Consalter, médica formada pela Universidade Estadual de Maringá, dermatologista pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, a USP, com especialização em cirurgia dermatológica, oncologia cutânea e cirurgia micrográfica de Mohs.

— Também pela USP. atua como assistente voluntária da residência de dermatologia do Hospital Sírio-Libanês e é membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. Seja muito

— Muito obrigada pelo convite, Andréia. É um prazer estar com você aqui hoje. Sempre ouvi falar muito bem da cidade, tem várias cachoeiras por perto.

— Ainda não tive oportunidade de conhecer, mas tô esperando seu convite agora para conhecer a cidade.

— Precisa conhecer. É muito gostoso lá. Um clima sensacional. Então vamos começar.

— Vamos lá.

— Falando do câncer de pele. Porque o câncer de pele é tão comum no idoso. Então Andréia, o câncer de pele ele é muito comum na população em geral, né? é o câncer mais comum, porque a pele é a nossa primeira barreira física contra o ambiente. Então, ele se torna mais prevalente no idoso porque a radiação vai causando danos sequenciais de mutação no DNA e se acumulando ao longo da vida. Além disso, o idoso, ele perde a capacidade de reparação do DNA dessas células doentes, então aumenta muito a prevalência na idade mais avançada,

— Tá? Isso está mais relacionado com o envelhecimento ou com acúmulo de exposição ao longo do tempo?

— Com os dois, mas principalmente pelo acúmulo de radiação ao longo do tempo.

— E antigamente a gente não tinha o hábito de usar protetor solar. O bonito, né, que as nossas mães, vós, cultuavam, era um corpo bronzeado, né? Isso era sinônimo de saúde. Então, a gente tá colhendo os frutos agora desse hábito que se tinha no passado. Então, eu acredito que agora com a maior divulgação, do câncer de pele, do uso do protetor solar, com o passar dos anos, essa incidência tende a cair,

— Tá? Então é acumulativo, eu tomo sol, a pessoa se expõe ao longo do tempo, principalmente na idade jovem, né? E isso se acumula, é acumulativo. Eu não vou me expor agora e ficar 10 anos sem me expor, eu ainda estou em risco de ter um câncer de pele, porque eu acumulei exposição.

— E aí, em relação ao câncer de pele, a gente tem três subtipos principais. o melanoma, que é o mais agressivo, aquele que a gente mais teme, e os dois carcinomas, que é o espinocelular, que é um subtipo intermediário de gravidade, e o basocelular, que é o menos agressivo, embora seja um câncer que precisa de um cuidado como um câncer, porém é o crescimento dele é mais lento que esses dois que eu citei anteriormente. E o melanoma ele tá relacionado muito com picos de insolação e queimação na infância e adolescência, não tanto com a exposição crônica,

— Já os carcinomas estão relacionados com esse dano cumulativo do de radiação,

— E na idade adulta, então o subtipo mais frequente são os carcinomas. Porém, o melanoma ele pode aparecer em qualquer fase da vida. Então, por isso que a prevenção e o rastreio ele acontece desde sempre.

— Uhum. E o melanoma e o câncer de pele, ele pode ser desenvolvido através de uma pinta?

— Excelente pergunta, Andréia. O melanoma ele pode, em 20% dos casos, ser proveniente de uma pinta que era benigna e se modificou. Mas 80% dos melanomas vem de uma pele que antes era saudável, que não tinha pinta nenhuma ali e surgiu do nada, vamos dizer assim,

— Tá? E essa pinta que pode virar o melanoma, ela é uma pinta que eu nasci com ela ou ela pode surgir normal, sem nenhuma característica maligna, sem nenhum diagnóstico, uma pinta normal, mas ao longo do tempo ela se desenvolve e se torna um câncer, seja melanoma ou não. quais são os sinais dessa pinta? Ela fica mais densa, mais dura, Com certeza. Então, ó, os principais sinais de alerta são uma pinta que você teve ela vida inteira, sempre foi clarinha e, por algum motivo está crescendo, uma pinta que começou a sangrar, uma pinta que começou a ficar com as bordas irregulares e uma pinta que não existia e apareceu.

— E esse fator é importante principalmente a partir dos 35 anos, porque não é para aparecer pinta nova a partir dessa idade. O que muita gente confunde é as queratoses seborreicas, que são aquelas manchinhas muito comum nos idosos causadas pela exposição solar também, com o melanoma, porque ambas são escuras e às vezes até nós dermatologistas ficamos com dúvida e precisamos biopsiar, porque a olho nu ela é muito parecida com a pinta maligna, né? Mas com dermatoscópio, em 90% dos casos, a gente consegue diferenciar a queratose seborreica, que é uma alteração benigna, do melanoma, que é um dos cânceres de pele mais agressivos que tem.

— Gente, hoje eu tô assim, ó, tô cheio de pinta, daqui a pouco você vai começar a me avaliar.

— Mas você já foi avaliada pela

— Já já. Minha dermatologista está aqui. A pele envelhecida reage de forma diferente a essas agressões? A pele envelhecida, ela perde a capacidade de regenerar o DNA tão bem que a pele mais jovem. Então, as alterações normais do metabolismo do envelhecimento, é, às vezes deixam a passar uma célula que tem alguma alteração e essa célula que passa a proliferar de uma maneira desordenada vira um câncer.

— Entendi. Entendi. Então, estamos falando de algo que começa muito antes de aparecer. Exato. As alterações iniciais são microscópicas, né? Por isso que a gente pede uma avaliação ao dermatologista para fazer o checkup completo da pele pelo menos uma vez ao ano, porque às vezes é o tempo dessa modificação ocorrer, da célula começar a se proliferar e se tornar visível olho nu, porque a chave do tratamento de sucesso é o diagnóstico precoce, né,

— Andréia? Até mesmo no melanoma, que é um câncer mais agressivo, se a gente diagnostica ele quando ele tá só na camada mais superficial da pele, a taxa de cura é altíssima.

— O problema é que você, o paciente vai já tá numa fase mais avançada, né?

— É. E a maioria das vezes, principalmente os carcinomas, eles são lesões que começam praticamente da cor da pele. O basocelular, por exemplo, parece muito uma espinha que tá ali prolongadamente na pele, sem cicatrizar,

— Porque é apenas uma bolinha com pequeno No dermatoscópio a gente consegue ver já alteração de vaso sanguíneo, de mas é a olho nu, o paciente geralmente não suspeita que tá com câncer de pele. Então por isso que a consulta com o dermatologista e esse rastreio é importante porque faz o diagnóstico numa fase muito precoce,

— Porque às vezes começa mesmo com uma bolinha, uma parece uma verruguinha ou uma ferida que não cicatriza. E qual o tempo de nascer uma ferida, começar a tratar o paciente ainda sem buscar o o médico que ele vai se dar conta, agora não tá legal, agora eu preciso procurar alguém. Existe um tempo mais ou menos que eles chegam no consultório, ela deveria ter vindo antes.

— Então isso é muito muito variável e varia tanto pelo subtipo do melanoma, do carcinoma, mas também varia pelo status do paciente. Então assim, um paciente que é imunossuprimido ou por alguma doença de base, como um outro câncer, ou por alguma medicação imunossupressora para tratar uma artrite, uma psoríase, faz com que o câncer cresce mais, cresça mais rápido. Estados de desnutrição também. E um fato muito curioso é que às vezes a partir de um trauma psicológico, como um óbito de um familiar querido, por exemplo, uma perda de emprego, o câncer, que era uma uma coisa que vinha crescendo muito lentamente, às vezes a gente já tava programando a cirurgia e tem esse gatilho e ele dobra de tamanho em pouco tempo. Então, por isso que o emocional a gente às vezes

— Deixa de lado, né? Mas é muito importante, não só na dermatologia, como para todas as doenças, né, Andréia? Eu acho que você vê muito isso também.

— Sim, sim, sim. E existe aquele sinal clássico que as pessoas ignoram,

— Principalmente é feridas que não cicatrizam e porque muita gente confunde com uma alergia ou coceira, então fica passando Nebacetin, fica passando pomada de corticoide e além de atrasar o diagnóstico, pode fazer uma cura

— E aí mascara na superfície parece que tá tudo resolvido, só que ele continua crescendo por dentro da pele.

— Uhum. E ele pode acometer, se ele continua crescendo por dentro da pele, ele vai pegar todos os tecidos, chegando a músculo, tendões osso.

— Isso pode acontecer sim, Andréia, mas o crescimento deles não é tão rápido. Então esse acometimento mais profundo geralmente acontece quando ele tem o diagnóstico de câncer de pele e é tratado inadequadamente, porque cada vez que você cauteriza um câncer de pele, que é uma coisa que não se deve fazer, ou trata com pomada um câncer de alto risco, ou opera deixando células cancerígenas, o câncer ele fica cada vez mais agressivo. Então cada vez que mexe com ele, ele aumenta a sua agressividade. E aí isso pode sim

— Tá? E dói no no início da da doença dói.

— Pode doer, mas é não é tão comum, tá? E a dor, principalmente no carcinoma espinocelular, ela é um sinal de alarme para comprometimento de invasão neural. Então é um sinal de alarme e isso já prediz que é um tumor de alto risco, de alta proliferação.

— Quais as três características dos tipos mais frequentes que você colocou aqui para nós? você colocou que tem o melanoma, o espinocelular e o

— Exato. O melanoma, na maioria dos casos é a pinta. Então é é é se parece com a pinta, né? Uma lesão pigmentada, que a gente vê como uma mancha mesmo. Existem os melanomas que não têm pigmento, né? E às vezes esse é são problema, porque o diagnóstico demora mais para ser feito. Então ele pode ser só uma bolinha sangrante, uma bolinha que não cicatriza, tá? Mas via de regra, melanoma são lesões que têm pigmento e são as lesões que surgem das pintas. Já o carcinoma espinocelular, ele inicia como uma casquinha, se assemelha muito como uma alergia, por exemplo. Então, no idoso que tem a pele muito ressecada, às vezes fica com uma manchinha vermelha descamando e acha que é normal, né? Mas isso já pode ser um carcinoma espinocelular superficial.

— E é e a lesão precursora do carcinoma espinocelular são as queratoses actínicas. Então, se você passa a mão no seu rosto e nota um monte de casquinha, como se fosse espinhos,

— Isso é a queratose actínica, que se não tratada pode virar um carcinoma

— Então, nessa fase a gente ainda pode cauterizar, usar pomada para tentar eliminar essas células pré-cancerígenas da queratose actínica e impedir que elas virem o carcinoma espinocelular. E por último, o mais frequente, que é o basocelular, né, ele aparece como uma bolinha brilhante, então uma espinha que não cicatriza, uma bolinha é como se fosse um cravo, é aqueles cravos brancos, né? Então

— Depois ela vai se tornar mais sangrante, uma ferida também, mas ela inicia como uma bolinha. Então a alteração inicial na pele é uma alteração leve no relevo,

— E esse é o mais difícil dos pacientes suspeitarem, né? É o que a gente é e é o mais frequente. Por outro lado,

— Mais frequente. E quais áreas do corpo eles mais aparecem?

— Os carcinomas, principalmente nas áreas que sofrem exposição solar, né? Rosto campeão e o nariz campeão disparado, porque ele fica projetado e sofre incidência solar em todas as horas do

— Mas também braços, colo, pode surgir em qualquer lugar, mas principalmente nas áreas mais fotoexpostas. Tá? O melanoma, uma vez eu escutei falar, o melanoma mais comum, eu não sei se esse é um dado real, em mulheres na parte das pernas. É isso mesmo?

— É, principalmente o subtipo extensivo

— Hum. Tá. Porque estão expostas, né? É,

— Áreas expostas também, mas são áreas que as pessoas também não se atentam que pode ter câncer de pele.

— Exato. E agora o lentigo maligno, melanoma ou lentigo maligno, né, que é a lesão quando tá mais superficial, aí já é mais comum no rosto também.

— Uhum. A dermatologia ela é bem No olhar você consegue, o dermatologista ele consegue identificar mais ou menos o caminho que aquilo, qual é a trajetória daquele paciente no consultório dele, o que ele vai ter ou que não vai ter, mas o de fato que vai dar o diagnóstico, tem algum outro exame que é pedido, o paciente vai numa consulta, através da consulta você identifica que tem algo ali que pode sim ser um câncer de pele e aí tem exames complement para que isso chegue até um diagnóstico de fato.

— Andréia, se com o auxílio do dermatoscópio e do exame físico, né, a gente ainda tiver dúvida, a gente deve biopsiar a lesão,

— Que a gente anestesia, tira um pedaço dessa pele ou a lesão completa e manda pra análise no microscópio. Então, depois do exame físico, esse é o principal exame complementar para diagnosticar um câncer de pele.

— Essa cirurgia, ela é feita no consultório ou tem que ser feita num hospital? num hospital,

— Isso vai depender. A maioria das cirurgias a gente consegue fazer sim em consultório, porém às vezes por conforto do paciente dá para fazer também em ambiente hospitalar, tá? Nem sempre é necessário.

— A o padrão ouro pro tratamento dos cânceres de pele do tipo carcinoma é a cirurgia micrográfica de Mohs. e para isso, como que essa cirurgia funciona? a gente tira aquilo que estamos vendo a olho nu, mapeando o que é cada coisa, né? Então, mapeando o lado direito, lado superior, inferior. E aí a gente faz o congelamento imediato da peça e a análise no microscópio em seguida. Enquanto isso, o paciente fica anestesiado aguardando.

— Ah, tá.

— Se tem algum resquício de tumor, a gente volta no paciente exatamente a na margem onde está comprometida. tira mais um pedaço e reanalisa.

— Para fazer a cirurgia de Mohs tem que ter uma máquina chamada criostato. Então, nos hospitais essa máquina tem. Em alguns consultórios dos dermatologistas, ela os dermatologistas que são especialistas na área podem investir nessa máquina também e fazer sim em

— Agora, quando é um paciente mais ansioso, que tem medo da da anestesia, são é perfeitamente fazer com anestesia local, tá, pessoal? Mas um paciente que vai ficar ansioso e quer não quer aguardar esse tempo, ele pode fazer com sedação, anestesia geral a depender do tempo também, tá? Então essa decisão de ser no consultório de hospital ou no hospital vai depender se a gente tem essa máquina chamada criostato, né, para fazer o preparo da peça, e fazer a análise e da melhor opção pro paciente, levando em consideração o conforto e como o paciente é e as suas comorbidades.

— Sim, porque se é um paciente, uma pessoa idosa, tem outros riscos também relacionados. Exato. E aí o que muita gente confunde é que é mais seguro para um idoso fazer com anestesia local no consultório do que submeter ele a uma sedação ou anestesia geral,

— Uma internação.

— Então assim, vai ser mais desconfortável talvez fazer com anestesia local pelo tempo que ele vai ter que esperar, etc. Vai, mas por outro lado vai ser muito mais seguro.

— Uhum. E quando vem esse diagnóstico já o laudo desse dessa biópsia, chega para você ou chega pro paciente? que ele te leva, como que é essa troca de de informação que você vai precisar falar para ele que é um câncer. lá no meu consultório, eu sistematizei para chegar sempre para mim, para eu dar a notícia e explicar e e falar da gravidade ou da urgência que a gente tem para tratar, porque se chega direto pro paciente, aí ele vai no Google e no Google vai ter muito mais catástrofes e informações que às vezes nem sempre

— Vai se adequar

— Para aquele paciente. Eu gosto quando o paciente vem orientado na consulta já sabendo alguma coisa da sua doença, etc. porque aí ele consegue entender melhor e fazer perguntas pertinentes no caso das dúvidas dele, né? Então eu não ligo que a pessoa vem pesquisada do Google entendendo. Eu acho até inclusive muito importante porque a conscientização dos pacientes evita que eles mesmos sejam enganados por profissionais de

— Claro, com certeza. E e quando você dá esse diagnóstico, na verdade, quando você prepara ele para uma cirurgia, você já tá com ele caminhando para esse diagnóstico ou não. Ele já tem uma certa clareza ali do que pode acontecer. Aí quando de fato você dá o diagnóstico para ele, 50% já tinha se resolvido. Agora é daqui pra frente. O diagnóstico ele não é o fim, ele é o começo de um

— Exato. É o começo do plano terapêutico, né? Eu na no momento da biópsia, quando a gente já tem que partir pra biópsia, eu já explico que existe a possibilidade e qual que vai ser o subtipo provável caso esse resultado seja de um câncer, né?

— Então o paciente ele já sabe mais ou menos o que esperar, porque eu explico ele no momento do procedimento, né? Explico para ele no momento do procedimento. mas a maioria das vezes acaba sendo um choque porque essa palavra câncer é muito pesada, né?

— É. E uma pessoa idosa é mais complicado.

— A palavra já é pesada para todo mundo quando recebe um diagnóstico desse

— E paraa família. E o idoso, quando ele recebe esse diagnóstico, é muito mais sofrido, doído, tratamento é mais

— Exato. psicologicamente às vezes a pessoa já está mais fragilizada, né? Às vezes já teve um outro caso de câncer em outras áreas agressivo na família, né? Então, a gente tem que tomar muito cuidado ao dar esse diagnóstico e expor a situação e a gravidade real, né? Porque olha, até uma amiga minha comentou comigo isso recentemente, ontem inclusive, Andréia, que [roncando] o paciente que ela operou, é uma amiga que também faz cirurgia micrográfica, tinha passado por um outro profissional previamente a ela. Era um carcinoma basocelular, né, que a chance de metástase é pequena, né, embora haja é uma chance pequena. E aí o profissional mostrou várias fotos de casos gravíssimos, casos metastáticos, casos de paciente assim que não trataram e foram pra UTI para assustar a pessoa e induzir ela a fazer uma cirurgia com ele rápido, de uma hora para outra, né, sem planejamento, tudo para tentar ganhar ali o paciente.

Só que graças ao Google é criminoso isso, pelo menos assim, mas existe. mas assim, graças ao Google, a informação, e isso é a importância do seu podcast também, de levar informação.

— Paraa pessoa ter a consciência que sim, ela vai precisar operar, ela vai precisar tratar cirurgicamente, porque todos os cânceres de pele no rosto, eles já são por si só, só pela localização classificados como alto risco, né? Então o tratamento é sempre cirúrgico, nunca é com pomada, com crioterapia, que é a a aquele o geladinho nitrogênio líquido, né, ou com outras cauterizações. O tratamento padrão ouro é sempre a cirurgia. Então é é bom a às vezes a gente vai tá conversando com uma paciente que tá longe, que nem vai, né, chegar até os nossos cuidados, mas vai lembrar disso quando,

— Infelizmente tiver um diagnóstico desse.

— É, com certeza. Esse é o intuito do podcast. levar informação de forma clara, precisa e confiante, com muita confiança, com muita certeza do que estamos falando. Por isso eu trago pessoas e profissionais tão qualificados, estão renomados. Ai, obrigada pelo elogio.

— É, é verdade, é verdade. quando você fala, você traz que a cirurgia é a primeira escolha de um diagnóstico de câncer e quando se usa a pomada,

— A gente pode usar a pomada para tratar as lesões pré-cancerígenas de queratose actínica, que é aquela lesão precursora do carcinoma espinocelular. Tá?

— Para sub pelo guideline americano, para subtipos de câncer de pele, baso ou espinocelular de baixo risco, pequena localização e áreas não críticas como tórax, perna, como tórax, por exemplo, pode ser tentada algumas pomadas. Porém, a gente só tem, primeiro que a gente só tem certeza do subtipo histológico quando nós fazemos a biópsia e a pomada só é permitida para uma lesão pequena. Então, por que não, sendo que a lesão já é pequena, em vez de fazer uma biópsia, já não retirar ela completamente, né? Então, eu particularmente uso e deixo reservado as pomadas para casos de pré-câncer de pele, pra gente tratar ali o campo cancerizado que está doente e evitar que aquelas células se transformem num câncer de pele. E um erro que eu vejo muito médicos cometerem e familiares é que nossa, mas minha mãe, ela tá com 95 anos, coitada, vou subeter ela uma cirurgia.

Porém, como que a gente garante que ela não vai viver mais 5 anos, mais 10 anos? Isso é super comum hoje em dia, né, com os cuidados,

— E os avanços de saúde, né? E aí essa, essa cirurgia, que era uma coisa simples e pequena no primeiro momento, 5 anos depois vai ser muito mais complexa, tanto pelo câncer que cresceu, né, tanto pela chance de metástase e às vezes ela não ia morrer disso e acaba falecendo disso e [roncando] também pelas condições de base do próprio paciente.

— Uhum. Então, não importa a idade, a não ser assim, seja um idoso muito disfuncional, né, acamado, que realmente os cuidados são muito proporcionais, né, e já é um paciente paliativo por outros na minha opinião, a gente sempre deve tratar, correto desde o começo e não deixar que isso vire um problema maior no futuro.

— É, porque o sofrimento vai ser maior lá na frente se você deixar isso evoluir.

— Exato. Assim, imagina a pessoa conviver com uma ferida que não cicatriza no rosto, que às vezes pode começar a soltar um odor desagradável, entendeu?

— Esteticamente, né? Fica feio, não fica legal. Ex.

— Eu tenho, né, uma paciente, ela foi diagnosticada recentemente com carcinoma basocelular, foi tratado com pomada, a quimioterapia tópica, né?

— É isso. O problema e aí

— Então os tumores de baixo risco, isso pode e pode realmente curar, mas às vezes ele fecha, tem a cura superficial, só que a pomada ela não consegue penetrar tão fundo na pele e pode sobrar células cancerígenas na profundidade e ele continuar crescendo e quando recidivar, recidivar uma lesão muito maior.

— Uhum. Sim.

— Então, nos casos mais graves que a gente, né, como é especialista em câncer de pele, acaba pegando e chegando nos nossos consultórios, são tumores que não foram adequados e adequadamente tratados desde o começo, né? No caso da sua paciente, eu lembro que você comentou comigo que realmente era um subtipo de baixo risco e era no abdômen, né? Então, foi certa, correta, foi certa a conduta no momento,

— Só que e ela também tinha algumas questões de coagulação, né, que não era elegível para

— Para operar. Então, foi a a conduta correta, porém sempre que der para fazer a cirurgia é melhor. E no rosto

— É todos os casos vão ser de de alto risco e sempre tem que operar.

— Chega a deformar alguma parte do rosto, tem que fazer enxerto, tirar de um lugar, colocar em outro,

— Com certeza. E como no rosto as estruturas são muito nobres, a gente às vezes não pode fechar primário porque vai puxar uma pálpebra, fechar uma narina, fechar deformar um lábio, né? Às vezes a gente precisa de enxerto, retalho para manter a funcionalidade, né? Porque a cirurgia primariamente ela pensa na cura oncológica, mas também a gente precisa manter a estética e a a funcionalidade mesmo, né, dos nossos

— Dos nossos órgãos do rosto.

— E para fazer esse enxerto, eu tiraria, para gente, se é um lado do nariz que [roncando] vai fazer a a biópsia e depois vai fazer essa cirurgia, tira do outro lado para manter a mesma cor de pele ou tira de outra região? Andréia, isso não tem receita de bolo. a gente pega a depender do tamanho da ferida, da onde tiver o mínimo dano estético possível, né? Então, a gente pode puxar um retalho do próprio nariz. se é um defeito mais profundo, a gente pode tirar a cartilagem da orelha, por exemplo, ou se for um defeito muito grande, que não dá para mobilizar a pele ao redor, pode usar um enxerto de áreas mais distantes e onde a pele não foi comprometida pelo sol. a nossa prioridade em escolher a maneira que vai reconstruir é a menor alteração cosmética possível, né?

Visto que o câncer nesse segundo momento, que é o da reconstrução, já tá curado.

— Sim. Sim. Com certeza. E o que os idosos mais costumam ignorar achando que é da

— Feridinha que não cicatriza, porque como eles têm a pele já muito seca, eles falam: "Ah, não, mas ela sempre aparece feridas em outros lugares, né? É muito comum eles terem hematomas no braço e falam: "Ah, não, isso aqui no rosto é igual o que eu tenho no braço já."

— E pintas que modificam também, né? Às vezes pode estar nas costas e a pessoa não vê, pode estar num lugar que a pessoa já não enxerga tão bem. Então esse é o principal ponto que é ignorado

— No diagnóstico.

— E pinta nas mãos. Eu sempre escutei falar que pintas nas mãos e nas na planta do pé não era legal ter. Não é muito bom. Isso é verdade ou é mito?

— É que o

— Começar a fazer assim, mito ou verdade, né? que tem tanta

— Existe esse medo da pinta nas palmas e plantas dos pés, porque existe um subtipo de melanoma que é o melanoma que acontece em palmas e plantas, né? E ele é muito agressivo. Inclusive foi o câncer que o Bob Marley faleceu.

— Ele tinha um melanoma acral nos pés.

— Nos pés. E essa pinta é a pessoa não nasce com ela. Ela vai se desenvolver ao longo da vida. E aí nasce uma pinta na

— Ela pode ser

— Na planta dos pés.

— Sim, ela pode ser uma pinta nova que nasce ou uma pinta antiga que modificou.

— Uhum. E essa cultura de deixar que ah, deixa para depois ainda é muito normal. É porque a pessoa sempre tem a questão da negação, né, que a pessoa sempre vai achar que não é nada por medo do diagnóstico e quanto mais o tempo passa, mais o tumor cresce, né, e mais dificulta o tratamento, as chances de cura. Então

— As pessoas ainda acabam negligenciando um pouco, mas por medo, né?

— É. E na pessoa idosa, chegando na fase idosa 60 mais, ainda dá tempo de

— A prevenção ela é importante sempre, mesmo que ela esteja 60, 70, 80, 90 anos, mas ela só vai proteger daqui pra frente, né? A radiação acumulada ao longo de toda a vida, ela não vai conseguir voltar no tempo, mas é sempre importante, a partir do momento que a pessoa se conscientizou, começar a prevenir. E essa prevenção é principalmente com protetor solar. Uma coisa que eu gosto de de sempre chamar atenção também é o uso de óculos de sol, porque tumores na borda palpebral a gente não consegue usar protetor.

— Então quando for de fato se expor ao sol é legal tá com óculos também. chapéu,

— Chapéu para proteger a orelha, que é uma área que a gente sempre esquece.

— Parte posterior do pescoço, principalmente nos homens que t essa parte descoberta, né?

— Isso. Isso. Não, esse esses acessórios são importantes. Então,

— Com certeza. Como

— E na praia, pessoal, quem não gosta de passar protetor no corpo, pode usar aquelas roupas de proteção UV também, né? Então, ah, não gosto de passar protetor no tronco por causa que tem pelo, etc. Aí a blus que já ajuda.

— Onde tem o chapéu, tem a caminha.

— Aham. E passa protetor na mão e nos

— Isso. Na mão e nos rostos. Fala um pouquinho o que que é o UVA e o UVB.

— O UVA e o UVB são as duas principais radiações que o Sol emite. Então a radiação UVA, ela está presente ao longo de todo o dia e ela é capaz de passar pelas nuvens. Então, por isso que a gente fala que é preciso usar protetor solar mesmo em dias nublados.

— Esse é o UVA.

— Esse é o UVA. Agora, UVB é a radiação que pela inclinação do Sol, ela é mais incidente na Terra das 10 às 3 da tarde. Então, por isso que é o Sol mais forte, porque tem a presença da radiação UVB

— Que aí são as duas juntas.

— Por isso que para evitar esse horário,

— Dizem os especialistas.

— Sim. principalmente em praia, acho que todo o tempo, né?

— Protetor solar faz diferença mesmo após anos de exposição,

— Vai começar, vai prevenir dali pra frente, né?

— Mas hoje em dia tem tantas opções de protetor solar, protetor com hidratante, protetor quantidade,

— Com cor,

— Com cor, sem cor, que não tem por a gente não colocar ele na nossa rotina.

— Uhum. E de quantas vezes se passa ao longo do dia? O ideal é, a gente vive muito em escritório, consultório, né, ambiente fechado,

— É passar pela manhã e, se possível, reaplicar mais ou menos na hora do almoço. Agora, quando for se expor de fato ao sol, entrar no mar, praticar esportes ao ar livre, aí reaplicar mais ou menos a cada uma hora ou a cada entrada na água ou a cada sudorese muito intensa, por exemplo, porque ele acaba saindo, né? Existem para quem pratica esportes, protetores específicos e mais resistentes.

— Fator de proteção desse protetor menos que 30 resolve. Então eu gosto de sugerir pelo menos 50 porque a gente sempre acaba tendo a tendência de passar menos do que o necessário. Então

— Porque é caro,

— Né? [risadas] Também para economizar e também não é muito barato, né? Mas para por por conta da cosmética, né? Então eu sempre gosto de mais alto que 30, assim, eu eu recomendo pelo menos 50. E se possível, quem tem histórico de câncer de pele aí deve investir num protetor 90, 99, que aí a proteção é é maior.

— É maior, porque tem hoje cosméticos, base, pó, que tem a proteção 10, 15. Mesmo assim eu tenho que passar o protetor solar antes e depois passar a

— Vou decepcionar nessa resposta, mas sim,

— Sim. Porém, eu gosto muito das maquiagens e do cosmético e dos cosméticos com protetor solar, por eles são adjuvante, não tem aquela pessoa que sempre passa menos do que o necessário de protetor solar, mas antes ela já passou um creme e daí depois vai passar uma base e com proteção também. E aí isso já vai som vai se somando e vai

— E não esquecer, né? Braços, mãos, tudo que for exposto.

— Eu já falei isso para você, Andréia, e vou reforçar aqui pr pra quem tá

— É deixar sempre um protetor no carro, porque a gente sempre esquece das mãos e sempre lava muito as mãos ao longo do

— Então, deixa um protetor sem cor no carro para entrou no carro

— Passa, tá? ou aquelas luvinhas de proteção também, que é eu particularmente acho mais desconfortável. É, e deixa sempre um protetor na bolsa para lembrar de

— Se eu deixar no carro, o carro quente, fica estacionado o dia inteiro, vai

— Eficácia dele.

— É, só vale essa dica do carro para quem estaciona sempre na garagem, [risadas] senão tira do carro e coloca na bolsa. Quando é o momento de procurar o especialista? Quando aquela família observa ou que ela ou aquela pessoa idosa acha que não tá legal aquela pele? Então, o rastreio do câncer de pele é o mais fácil que existe e o menos invasivo, né? Porque praticamente o exame físico e a lupa. Então, eu recomendo que todo mundo passe por um dermatologista uma vez ao ano por esse para esse chec.

— Mas eu sei que isso não é a realidade de todos, né? aí em lugares mais distantes, às vezes a gente não tem nenhum dermatologista na cidade. Então é ficar atento principalmente às lesões novas e à lesões que se modificam e assim lesão que tá sangrando, feridinha que não tá indo bem com a pomada.

— Que não deve usar.

— É. E pensando nessas pessoas que não têm esse acesso ao dermatologista, nos postos de saúde, quem ela procura? Quem é o médico de primeira escolha?

— O médico da família e comunidade, ele tem treinamento também para suspeitar da das lesões de pele e inclusive fazem também cirurgias em alguns casos, né, dependendo do profissional. Então, na ausência de um dermatologista deve procurar atendimento com certeza nos nos postos com os médicos de família. Ah, e aí seria também uma vez ao ano

— Mesmo para fazer a prevenção,

— Se possível,

— Com médico do programa da saúde da família ou com médico clínico geral no

— O ideal é com dermatologista, mais na ausência dermatologista com os clínicos e com os médicos da família.

— Sabemos que a rede pública não filtro solar.

— Uhum. para os pacientes. Infelizmente, alguns lugares até eles distribuem. Se hoje isso fosse um uma realidade, todos os postos, todas as unidades fornecessem o filtro solar, aumentaria muito mais a proteção e a prevenção do câncer de

— Com certeza. E para os pacientes que o custo é uma questão importante, eu recomendo que compre um protetor na farmácia corporal, porque o que vai mudar, por exemplo, um protetor corporal FPS 50, ele vai proteger 50, né? A Anvisa, ela regulamenta isso para aquilo que tá no no rótulo, né, realmente estar correto. O que vai mudar é que a cosmética de um protetor solar corporal vai ser um pouco mais densa do que um específico pro rosto, mas pode usar,

— Vai proteger,

— Vai proteger. Tem diferença daquele protetor que é mousse, que é spray, que é creme, que é loção.

— A diferença tá na cosmética, né? Só muita atenção pros protetores em spray, porque a gente tende a usar muito menos do que o necessário. E quando a gente

— Passa o spray, metade voa, né? Principalmente em ambiente fechado.

— É, aona,

— É, principalmente em ambiente aberto, perdão. Ter muita atenção com os protetores em spray.

— Então, o diagnóstico precoce, ele realmente muda o prognóstico.

— Com certeza,

— Andréia? Mas com certeza mesmo. Então assim, a chave do sucesso pro tratamento de câncer de pele é o diagnóstico

— E também tratar correto desde a primeira vez, né? Porque não sei se você lembra que eu disse que cada vez que a gente manipula o tumor e deixa resquíci de célula para trás, ele se torna mais

— Avança, ele avança, ele vai

— Vai aprofundando e crescendo. Depende, né? pode aprofundar, pode crescer para lateral e pode lançar metástases, principalmente para linfonodo.

— Eu posso falar então que câncer de pele tem cura?

— Tá. Quantos por cento assim dos casos

— Dos carcinomas? baso e espinocelular, quando tratado pela técnica de Mohs, a chance de cura é de

— Um tumor recidivado em torno de 90, 92, 94. né?

— Aí agora o melanoma é muito variável porque depende do subtipo e da agressividade dele, né?

— Mas principalmente quando ele tá nas fases da camada mais superficial da pele, né? O que a gente diz in situ, a taxa de cura é altíssima, tá?

— Próxima a 100%.

— E como a família pode apoiar neste momento esse paciente?

— O principal papel da família nesse momento é acalmar o paciente, né? entender realmente a gravidade do caso, a importância da cirurgia, a importância da prevenção,

— Apoiar principalmente a parte psicológica, né? Então, não se desesperar além da conta, porque isso atrapalha no tratamento do paciente que fica muito ansioso, muito nervoso, e mais chateado ainda do que já tá.

— Sim. Porque não é só um diagnóstico, é uma vivência. Exato.

— E é dali para frente o que vamos fazer

— Qual apoio ele tem que ter neste momento com um diagnóstico tão difícil?

— Mas sabendo que tem cura, eu acho que a mensagem fica melhor aqui quando a gente fala de um tema tão pesado que é o câncer.

— Né? Se uma pessoa pudesse mudar o hábito hoje, qual seria

— Usar protetor solar? Sei que é um clichê, né? Mas é a principal maneira de

— E depois dessa nossa conversa, qual o erro que não pode mais acontecer?

— Esquecer das orelhas,

— Esquecer dos óculos e, principalmente, deixei o mais importante pro final, não tratar com pomada, lesão que não

— Tá? Se você pudesse deixar um alerta direto para quem está nos ouvindo, qual que o câncer de pele ele tem cura, ele tem fácil diagnóstico, né? Então, vale muito a pena consultar com regularidade, com médico, se possível, com o médico dermatologista, porque esse diagnóstico precoce garante um sucesso absurdo no tratamento. E eu sei que é uma coisa de dermatologista, um clichê, e sei também que tem muita gente na internet que propaga que não se deve usar protetor solar, porém ele é a principal forma de prevenção do câncer de pele. Não acredito que tem que propaga, que não precisa. Aham. Falam que é assim, cometem o erro que o câncer de pele aumentou muito mais quando as pessoas começaram a usar protetor solar. Mas é uma inverdade.

A gente está fazendo mais diagnósticos

— Porque aumentou o número de dermatologistas, porque a gente tá colhendo os frutos lá de trás, que foi quando as pessoas se expunham muito ao sol, né?

— E as pessoas estão vivendo muito mais. Então é normal que quanto mais idosa a pessoa fica, maior a chance dela ter qualquer câncer por conta de desse erro de reparação do DNA, né? Então é lógico que agora câncer de pele é muito mais frequente no passado, porque a tipo etário, né, a a o perfil populacional

— Então fazem essa correlação do câncer de pele criminosamente com o protetor solar. Mas é só pessoal vocês observarem em vocês mesmos. Olha como o rosto e o colo de vocês, né, mais idosos, são, é infinitamente mais prejudicado que a barriga que nunca toma sol. Então é muito comum a gente tira a roupa do paciente para examinar, barriga e dorso lisinho, branquinho, lisinha,

— Pescoço, tronco, é face, é região da cabeça dos homens, né, que pega solto.

— Sim. um horror cheio de mancha, cheio de dano, cheio de lesões pré-cancerígenas, né? Então assim, tá aí a prova do que de que o sol faz mal, né?

— Faz mal, faz mal. Proteção é a melhor forma de se prevenir.

— Sim. Muito obrigada pela sua presença. Foi uma conversa maravilhosa. Aprendi muito. Acredito que os nossos ouvintes, quem nos acompanha vai ter um olhar diferente agora pra pele, vai começar a se olhar mais, vai olhar pro espelho, vai pedir para alguém olhar as costas. Isso é muito importante. Prevenção se começa no cuidado.

— Com certeza. Muito obrigada pelo convite, Andréia. E se a gente conseguir atingir uma pessoa que vai mudar os hábitos, né, ou uma pessoa que tá com esse sinal de alerta, já para mim é o suficiente. E peço também ajuda aos cabeleireiros, se notarem alguma lesão suspeita no couro cabeludo, mandar avisar pro paciente, encaminhar ele para um dermatologista, as manicures, as massagistas, que às vezes elas nos ajudam muito nesse diagnóstico precoce

— Com certeza. Muito obrigada. [música] Cuidar da pele também é cuidar da vida, porque viver mais só vale a pena quando se aprende a cuidar melhor. [música] Até o próximo episódio do Viver Mais Cuidar

Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação médica individualizada.

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