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Podcast Viver Mais, Cuidar Melhor · 23 abr 2026 · 61 min

Cada remédio a mais pode estar causando outro problema no idoso! Fique atento

Com Alisson Campos, farmacêutico · Instagram

Andréia Teodoro conversa com o farmacêutico Alisson Campos sobre por que tantos idosos usam vários remédios, o que é polifarmácia e como a automedicação cria uma cascata de efeitos colaterais. O episódio mostra como organizar os medicamentos em casa e por que o acompanhamento diário faz diferença.

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Transcrição automática do áudio, com correções pontuais de nomes e termos. O travessão marca a troca de quem fala.

Medicamento salva vidas, mas quando usado de forma errada também pode E a pessoa idosa é quem mais convive com essa realidade.

— Hoje vamos falar sobre o uso consciente, riscos invisíveis e o papel do acompanhamento no dia a dia.

— Porque cuidar da medicação é cuidar da

— Olá, seja muito bem-vindo ao podcast Viver Mais, Cuidar Melhor. Este é espaço de conversa, reflexão e informação sobre envelhecimento, saúde, cuidado e qualidade de vida. Aqui acreditamos que envelhecer é um processo natural e que cuidado quando feito com conhecimento, planejamento e humanidade transforma histórias, famílias e trajetórias. Eu sou Andréia Teodoro.

— E eu sou Monique Antelmi. Somos enfermeiras e atuamos há mais de 25 anos no cuidado ao paciente, seja no hospital ou em casa, na gestão em saúde e na formação de profissionais. E hoje vamos conversar sobre um tema essencial para quem cuida, para quem é cuidado e para quem quer viver mais e melhor. Para essa conversa, recebemos o farmacêutico Alisson. Alisson Campos, profissional com experiência em gestão farmacêutica, farmácia clínica e transição do cuidado, atuando na coordenação assistencial e no acompanhamento terapêutico para garantir segurança do paciente, uso racional de medicamentos e qualidade nos serviços de saúde. Seja muito bem-vindo, Alisson, aqui no nosso espaço. Prazer te receber, Alisson. Obrigado pelo convite. É um prazer táar aqui com vocês e para falar de um tema tão importante e relevante hoje em dia, né, que é o medicamento

— Dentro do contexto do paciente idoso.

— É a medicação segura, né? A pessoa idosa é o grupo que mais utiliza medicamentos no dia a dia. Muitas vezes usa vários remédios ao mesmo tempo, o que aumenta riscos, interações e efeitos colaterais. Por que a pessoa idosa tende a usar mais medicamentos, Alisson? não necessariamente uma pessoa idosa, ela tem que usar mais medicamentos. Isso não é uma coisa que não é uma regra, né? É,

— E assim, tudo depende de como que essa pessoa veio se cuidando do começo até o final do estágio dela. Então assim, vamos imaginar que hoje um idoso que pratica exercício, que tem uma alimentação adequada, que faz tem uma boa rotina de saúde, ele não necessariamente vai tomar med muitos medicamentos, né? Muitos desses medicamentos que essas pessoas idosam idosas tomam, elas vêm do quê? no medicamento que é para diminuir diminuir o colesterol, medicamentos que são para diminuir a pressão arterial e medicamentos também que são para controlar a glicemia que é o açúcar no sangue, né? Então isso são medicamentos usados por quê? Porque lá atrás provavelmente ela não teve ali um uma boa conduta nessa vida dela, né? E aí necessariamente se faz o uso dessas ferramentas que são os medicamentos para ter esse controle para ela ter uma qualidade de vida no seu estágio ali da daquele determinado tempo de tratamento,

— Ele traz uma doença crônica, né?

— É porque assim, a doença crônica nada mais é o quê? É uma situação que se instala na pessoa e ela muito dificilmente ela vai voltar.

— Né? Então assim, ela tem um diabetes. O idoso hoje é assim, né? Bom, eu tomo, eu como açúcar, eu como meu arroz, eu como meu feijãozinho, eu como minha batata. Ele não vai deixar de comer o que ele gosta, estando com 60, 70 anos, porque ele tem diabetes. Ele vai falar assim: "Não, doutor, pode prescrever aí um um

— Uma insulina,

— Uma insulina e ele vai continuar comendo aquilo que ele come, porque ele já tem 70 anos, gente. Ele não vai abrir mão.

— E pode Alisson

— De um prazer,

— Porque ele vai tomar Coca-Cola bolo e toma insulina. poder,

— Não poderia, mas assim, tem aquelas exceções, tem muitas famílias que elas fazem um bom acompanhamento em cima do idoso, né? Então, em cima do medicamento que ele toma, em cima da qualidade de vida que ele tem, se a gente for abrir exceções, que a maioria das pessoas abrem essas exceções, que seja para comer ali um pouquinho do da aquele pedacinho de bolo no aniversário do neto, é uma maldade a gente não poder, não é rotina. É, então assim, a exceção, se não virar regra, ela pode ser encaixada na rotina sem problema nenhum, mesmo você tomando insulina, mesmo você tomando seu medicamento para diabetes. Então isso não vai exterminar o tratamento e não vai fazer mal pro idoso. Até porque hoje em ILPIs a gente tem bastante idosos institucionalizados que abrem as portas para fazer comemoração do neto, comemoração da filha e aquele pedacinho de bolo tá lá no pratinho do idoso e ele vai comer, gente.

Pensou ele com aquela família imensa, só porque ele usa insulina, usa o medicamento, ele não vai poder participar daquilo. Então é maldade a gente fazer isso exção e não a regra,

— Com moderação.

— Com moderação. Agora tem uns que vão querem abrir sessão para cervejinha, aí a gente é um pouco mais crítico, aí não dá também para misturar, né?

— E em que momento o uso medicamentoso passa a exigir a mais atenção na pessoa idosa? a partir do momento que o medicamento ele começa a causar uma reação adversa, por exemplo, ou ele começa a ter efeitos colaterais. Então você tem um idoso que, vamos supor, ele fez um fez uma cirurgia de fratura de fêmur, por exemplo, ele vai tomar medicamentos que são para controle de dor e vai tomar por um tempo, uma semana, duas semanas. Quando esse idoso ele começa a ter uma constipação, que é uma um efeito colateral ao uso de medicamentos que são para controle de dor forte, aí a gente tem que ter um olhar mais atento a isso, porque aí não é só o medicamento fazendo efeito benes, os opioides,

— Os opioides, é porque o opioide é clássico ter uma constipação, né? Então não é só medicamento fazendo efeito benéfico. Ali ele já tá começando a mudar a rota dele. Então ele já tá interferindo num outro sistema fisiológico ali que é segurado,

— Pode também vir associado a outro

— E aí o que acontece? Muitas vezes o idoso quando ele tem algum efeito colateral que não é assim grave, ele vai aonde? Ele vai na farmácia e ele mesmo se automedica. Então ele vai fala assim: "Bom, eu não tô indo no banheiro, então agora eu vou comprar um laxante".

— Aí ele vai, ele mesmo levanta, vai caminhando, chega na farma, assim, meu filho, estou há cinco dias sem ir no banheiro. Você não tem um comprimidinho aí para me ajudar a ir no banheiro? Aí o farmacêutico muitas vezes ele não pergunta o contexto clínico daquela

— Daquela constipação e vai e dispensa o medicamento, que muitas vezes ele não exige retenção de receita, não precisa ter uma indicação médica, ele tá com venda livre ali no balcão da farmácia, né? ele vai introduz aquele medicamento. Só que aí, qual é o outro problema? Esse medicamento ele vai ter um outro efeito colateral e aí vira uma cascata de eventos até o, sei lá, o pior acontecer.

— Aí isso significa então que você toma um remédio para tratar certo problema.

— E dá um efeito colateral. Aí você toma um outro remédio para tratar o efeito efeito colateral do outro

— Do outro. E aí vira o

— Exatamente. E aí e quando você vai prestar atenção, esse idoso ele já tá polimedicado e às vezes nem por nem é por uma questão do de ir ao médico, de vários especialistas para escreverem um monte de coisa, é porque ele foi se automedicando. Ele foi se automedicando e virou polimedicando. E muitas vezes ele não vai abrir mão dessas coisas, ele vai querer continuar com esse tratamento de cinco, seis medicamentos,

— Se automedicando de efeitos colaterais,

— De efeitos colaterais. É. E quando a gente para,

— Não exatamente de uma causa específica. Principal, na verdade,

— Exatamente. E quando a gente parar para para fazer o acompanhamento farmacoterapêutico desse paciente, que é muitas vezes sentar com ele, como a gente tá aqui, entender, ó, seu João, o que que o senhor toma de medicamento? Ele vai mostrar uma receita, provavelmente, e metade dessa receita, metade desses medicamentos não vão estar na receita. É tudo por conta dele. Isso acontece muito, isso é muito

— Muita medicação.

— E eles lembram de cabeça cada medicamento que toma. é inacreditável. E querem esses se a gente fala, ó, você não pode tomar isso, você não pode alegria. É difícil essa mudança, né, essas alterações. E Alisson, existe diferença na forma como o organismo reage essas medicações ao longo do tempo, ao longo dos anos?

— Sim. o ao longo dos anos o organismo ele vai envelhecendo, né? E não é só a pele que envelhece, não é só o cabelo que fica branco e que cai, é todo o nosso sistema. Então assim, o fígado ele já deixa de fazer a função dele, o rim ele já deixa de filtrar da forma que deveria filtrar o sangue, o xixi. E a maioria dos medicamentos que acontece hoje, ou eles são metabolizados no fígado, o que que significa isso? Eles são transformados em outras coisas, ou para fazer um efeito do medicamento ou para ser eliminado. E aí tem outra parte que é onde o medicamento ele vai embora, que é pelo rim. Então, rim deixando de funcionar adequadamente e o fígado não fazendo o que ele tem que fazer, que que acontece?

Ou esse medicamento ele se acumula no organismo ou ele se naquilo que ele deveria se transformar, porque você tem um fígado que não tá bom, você tem um rim que já não tá funcionando adequadamente. Então assim, todo o seu sistema de transformar o medicamento e de eliminar, ele já não tá adequado. É aí que vem o acompanhamento médico com ajuste de dose, ajuste das tomadas, das posologias, elas serem mais espaçadas. E uma outra coisa muito importante, gente, o idoso por si só, quando ele vai chegando nessa próximo dessa idade, que que acontece? A gente, o idoso, ele começa a perder mais massa magra, ele começa a acumular mais gordura. Exatamente. Então, a gente vê o quanto que tem de idoso sarcopênico, né, com a massa magra bem reduzida e esse acúmulo de gordura.

— Sarcopenia seria, só para os nossos

— Sarcopenia seria a perda da massa magra. Isso vai perder músculo.

— Vai perder músculo. Geralmente é um um testezinho que a gente até mede a circunferência da batata da perna dele e a gente consegue diagnosticar,

— Tá? Se ele tá perdendo ou não,

— Se ele tá perdendo ou não. E aí o que que acontece com acúmulo de gordura? Tem muitos medicamentos que gostam de gordura que eles vão ficar armazenados lá, encostadinho ali, como é o caso do quê? Do Rivotril, que muitos idosos adoram para dormir e muitas famílias dão até pros idosos.

— Sim. Umas gotinhas, né? é umas duas, três gotinhas, ai não vai, não vai acontecer nada, ele vai dormir como um anjo. Só que o que que acontece? A gente tem o acúmulo de dose dentro dessa gordura. Então o medicamento ele fica lá e ele vai se somando dia após dia. Ele não vai sendo eliminado, ele vai ali, ó, ligado a gordura,

— Ele é acumulativo. E aí passar uma semana que acontece? O idoso ele está sonolento, ele tem risco de queda, ele não consegue se alimentar direito porque ele tá cheio de medicamento,

— Tá? Aham. Então é isso, é muito importante na hora que a gente for até administrar qualquer medicamento que a gente acha que é inofensivo pra gente que tá com 30, 35 anos, mas no idoso nada é inofensivo. A gente tem que ter muito esse critério, essa percepção.

— 30, 35 [risadas] anos, com certeza.

— Estima-se que a grande maioria dos idosos, das da pessoa idosa, usa de cinco ou mais medicamentos. É a

— Sim, cinco ou mais medicamentos. Hoje é classificado pela OMS, né, Organização Mundial da Saúde, como polifarmácia.

— E o que que é polifarmácia?

— Polifarmácia é quando o paciente ele usa mais de cinco medicamentos. Então quando ele tá

— Poli é grande, né?

— É, ele tá hipermedicado, ele tá com muitos medicamentos. Então ele tá com medicamento para para reduzir o colesterol, o medicamento para controlar o açúcar no sangue, o medicamento para controlar a pressão arterial. Aí ele descobriu um problema na tireoide e tal usando medicamento também

— E muitas vezes tá usando no horário errado, né? O medicamento da tireoide errado. É. E o que que acontece? Aí ele vai tomar quatro medicamentos. Olha aonde que a gente vai chegar. E aí ele fala assim: "Eu tô com um probleminha no estômago, eu quero tomar um omeprazol agora". Aí ele vai se automedicar com omeprazol de manhã ou próximo do medicamento para

— Isso. Eles tomam juntos.

— Eles tomam juntos. Nunca eles não não se toma junto, né?

— Mas eles tomames tomam juntos. nossa nossa orientação é nossa é uma necessidade da gente informar os nossos ouvintes sobre isso, entendeu? Porque eles misturam, então tem que ter muita atenção, né? O que toma primeiro, o que toma em jejum, toma depois de meia hora, de 40 minutos.

— Ex. O que que acontece? Foi até bom a gente falar disso, porque qual é o problema da gente ou tomar o medicamento de tomar o medicamento junto e tomar o medicamento separado? Geralmente o medicamento para tireoide ele tem que ser tomado no primeiro horário antes de comer qualquer coisa, né? Por quando ele vai ali junto com a comida, o medicamento ele precisa o quê? Ele está livre. Eu tô solto aqui no organismo, eu preciso fazer meu efeito terapêutico solto. Se tem um alimento, que ele fala: "Ah, eu vou ali, me grudo no alimento".

— Então ele não é absorvido, é,

— Não tem um efeito

— Desejado, terapêutico. Aí o que que acontece? Se a gente tem uma reposição hormonal por uma uma baixa de hormônio, esse idoso, ele a longo prazo ele vai ter os efeitos da doença dele, entende?

— E vai aumentando a dose cada vez mais vai aumentando a dose, às vezes sem necessidade, porque assim, ele tá tomando medicamento errado, tá tendo uma falha terapêutica, né, uma falha no tratamento dele, porque o medicamento não é absorvido e ele tá o quê? Tomando com comida. E ou ele tá tomando 10 minutos depois que que tá o medicamento, então 8 horas da manhã acordou, 8:15 ele já tá comendo e tem um tempo pro o organismo absorver, diluir 40 minutos,

— É geralmente é o que a gente leva em consideração. 40 minutos 40 minutinhos. Isso. E a lenda ou não é lenda tomar todos os medicamentos com leite para proteger o estômago.

— O estômago, porque a gente, eu escuto os idosos, né? As as pessoas que chegam até nós, elas têm, vou tomar com leitinho, proteger o meu estômago. É lenda.

— E tem uma teoria que é química que falam do porqu tomar com leite,

— Sendo que o vai proteger o estômago. O estômago a gente sabe que produz o ácido, né, para poder fazer toda a nossa digestão. Então o que que acontece na teoria? Isso é uma cultura, eu não sei se é só do Brasil ou se não é no resto do mundo. Bom, se eu tenho o estômago que tá produzindo ácido e o leite ele vai tirar o ácido do estômago, o que que eu vou fazer? Eu vou tomar junto com medicamento porque eu não vou sentir aquela aquele desconforto.

— E aí tem antibióticos, por incrível que parece que parece, que perdem o efeito quando administrados com leite, Então, azitromicina, por exemplo, ele perde o efeito se administr.

— Então, não é só interação medicamentosa, é interação com outros agentes, né?

— Com outros agentes. Então, assim, o medicamento, o veículo, o que que é o veículo? É aquilo que vai levar o medicamento pro seu estômago. Tem que ser com água, gente, não adianta. Às vezes até o suco por às vezes tem medicamentos que podem ser tomados com suco, mas na no geral a gente sempre indica tomar com água.

— O bom senso. Então,

— Exatamente, toma com água. E aí o idoso tem aquela questão também de não sentir sede, né? Não sei se vocês sabem, o idoso, ele começa a perder essa função de ter ali estou com sede e não se hidrata. Então se ele toma cinco medicamentos por dia, já vamos colocar 100 ml de água ali por dia para ele tomar também junto com esse medicamento, que ajuda também na questão da hidratação desse idoso. Uhum.

— Então a priori todo medicamento ele tem que ser tomado com água, salvo as exceções, onde tem que ter uma absorção específica, né? Então, quando o medicamento ele precisa estar no organismo em maior quantidade, a gente indica tomar com suco de laranja, por

— Mas é só as exceções e geralmente esse medicamento ele pode ser tomado ou tanto na janta ou tanto no almoço, tá?

— Mas se for de manhã no jejum, vamos com água, sem abrir precedentes aí para

— E quando a a polifarmácia se torna quando os eventos adversos acontecem por enfim, por cenários de interação medicamentosa. Então assim, estou começando a ter interação medicamentosa. O que que eu vou fazer? Quando a gente toma muito medicamento, qual o que que acontece? O medicamento ele pode interagir com outro e a interação ela acontece no momento que o medicamento ele vai inibir o efeito do outro ou potencializar.

— Uhum. Então, quando isso é detectado, aí a gente começa a ter um problema com polifarmácia. Tem idosos que ele tomam, que eles tomam até 10 medicamentos por dia e tá tudo bem. ele vai conseguir fazer as atividades dele diária, ele não vai ter constipação, ele não vai ter o pé inchado, ele vai seguir a vida dele. Agora, tem medicamentos e tem dos que aí já começam a ter problemas relacionados com a polifarmácia, porque tem interações medicamentosas dentro desse e aí já vira um risco, aí tem que ser uma coisa acompanhada e avaliada.

— Uhum. Aí nesse caso, o acompanhamento é médico, né?

— O acompanhamento é médico, porque assim, o que que acontece? A família, ela pode até entender que tá acontecendo alguma coisa. Vou pegar o exemplo de novo da do opioide. Se o idoso ele tá tomando opioide por quatro dias e começa a não ir no banheiro e ele tá dentro de contexto de polimedicação, já é alguma coisa para se acender um alerta. Uhum.

— Se eu, Muitas, muitos idosos eles têm o o fluxo intestinal ali, a hora de um reloginho funcionando

— Direitinho, ou que vai no banheiro uma vez por dia ou vai a cada 48 horas assim já não.

— Tem aqueles que já são ressecados, né?

— Tem aqueles que já são ressecados. Então assim, se ele tem um fluxo legal no intestino e ele começou a tomar remédio e isso daí desandou, isso já é um sinal de que alguma coisa tá errada. Uhum.

— Entendeu? Geralmente quando é prescrito os opioides, o médico prescreve quantos dias utilizar,

— Né? O que acontece é que ele compra uma caixinha com 30 comprimidos

— E toma a caixinha inteira.

— Ele toma a caixinha inteira e aí que que acontece? Tem uma um outro cenário que é um pouco pior. Quando ele toma esse medicamento, ele para de ter dor. E quando ele volta a ter dor forte, ele vai lembrar do quê? do remédio e tem lá validade. Exatamente. E será que esse medicamento ainda tá na validade? Eles não vão se atentar a isso, né? Será que esse medicamento eu posso tomar? Vou tomar em que horário? Vou tomar de manhã? Vou tomar à noite? Vou Então assim, quando você sai no médico, ele você tem uma prescrição para seguir, você tem ali o teu guia, né? Quando aquele guia deixa de ter validade, porque geralmente tem uma validade, eles começam a se automedicar com medicamentos que eles nem podem usar, que são até inapropriados, paridos

— Se tão num contexto de desacompanhamento, né?

— Mas aí acontece isso, eles começam a tomar por conta própria. Vou, eles vão sempre ter a lembrança do quê? Do que tratou meu problema,

— Porque hoje o idoso ele precisa tratar o problema dele e se ele é muito autônomo, ele mesmo vai atrás de farmácia, de farmacêutico, de tudo.

— É. E aí ele vai se automedicando, né, que é este que é o grande hoje o grande impacto que tem na saúde do idoso é

— Uhum. Ou por ele ou a própria família.

— Própria família que também falar assim: "Ai, mas meu pai tá lá, não pode sair, precisa, então eu vou lá e compro". É,

— E aí ele já tá num contexto de quatro medicamentos por dia.

— Vou ali dar um paracetamol, por exemplo. Então ele já toma medicamento para regular pressão, para tireoide, pr para diabetes. Vou comprar um paracetamol para ele. Qual que é hoje o problema do paracetamol se for tomado em doses

— Problema hepático.

— E aí esse idoso já não tá com a função hepática, funcionando do jeito que ele tinha quando eu tinha 20 anos. Sim.

— Aí tô dando um medicamento que vai agredir o fígado dele.

— Aí o que que a gente tem? Problemas como disfunção hepática, alteração de exames. Só que isso muitas vezes não é perceptível em poucos dias. Isso causa um impacto a longo prazo.

— Aí esse idoso é hospitalizado e a gente às vezes não sabe por ah é porque

— A gente não tem essa

— Ideia antiinflamatórios, né? tambémoso.

— Exatamente. E o anti-inflamatório ele tem um contexto pior ainda, porque se ele toma geralmente sem um acompanhamento e por longos períodos, que a gente tem

— Problema de função renal,

— Problema de função renal, problemas estomacais também, porque ele ele

— Um sistema que vai produzir o o ácido no estômago, ele pode até ocasionar úlceras estomacais.

— Uhum. Sim.

— E aí o idoso gera outro

— Gera um outro problema. E qual que é hoje também uma das maiores queixas do idoso? É problema no estômago, é dor e tudo é quasionado por quê? Por o uso inadequado de medicamentos sem

— E quais são os erros mais comuns no uso de medicamento?

— Armazenamento incorreto, com todo aquele processo de receita, o que que eu vou tomar, quando que eu vou tomar e como que eu vou tomar. Então hoje o que que a gente,

— Por quanto tempo eu vou tomar? Então hoje o que que eu percebo depois de ter trabalhado bastante tempo com idoso, o idoso ele é uma pessoa que ele tem que ser assistida, ele tá num processo ali de tratamento dele. Então assim, por mais que ele tenha uma receita com sete, oito medicamentos, como que a gente tá, a gente família, né, que eu falo, como que a gente família tá fazendo a gestão disso? Será que ele tá tomando tudo certinho no horário certo? Será que vai ter alguém para fazer esse acompanhamento? Porque o problema não é tomar o medicamento, é como que você vai tomar, nos horários que você vai tomar e por quanto tempo você vai tomar. Então essa desassistência no idoso muitas vezes vem ocasionando esse monte de erro de medicação.

— Nós nós temos uma preocupação muito grande com os nossos pacientes que nós temos na empresa, com as medicações. Quando inicia um paciente, a gente implanta o serviço, é uma polifarmácia, assim, são inúmeros medicamentos, inúmeras validades, muitos vencidos, misturados em caixas diferentes. Ou às vezes a família ou o próprio idoso ou o cuidador que não é da nossa empresa, já fraciona nas caixinhas. Eu trouxe até uma caixinha aqui, né, que são essas caixinhas aqui, ó, onde já deixa pra semana inteira as medicações separadinhas e fora da embalagem, né? Tem esse modelo, tem este modelo. Então isso preocupa demais. A pergunta que eu faço para você, Alisson,

— Antes de

— Nós já sabemos, mas o nosso ouvinte não sabe, entendeu? Eu eu sei já a sua resposta, mas ele quer saber. Pode, eu vou explicar o porquê. Vou explicar, mas antes de eu explicar, se hoje você tivesse um familiar idoso, como que você ia fazer a organização dos medicamentos dele aqui dentro?

— Ah, você tá fazendo uma pergunta para mim. Meu pai,

— Isso, por exemplo,

— Meu pai, eu enfermeira, vou ter que falar o correto.

— Não, se você fosse uma pessoa leiga.

— Ah, tá.

— É, vamos supor que Andréia fosse uma pessoa. É, Andréia fosse uma pessoa leiga. Meu pai tá tomando sete medicamentos. Saiu ag. Sai agora dar uma consulta com ele

— Que cheio de Tem que passar na farmácia, tem que organizar a prescrição dele

— E tenho que separar pra semana e preciso

— Precisa trabalhar.

— Vou comprar a caixinha.

— E aí você vai, ele toma cinco medicamentos por dia.

— Como você vai fazer? E deve, acho que

— Aí cabe uns cinco. Cabe, se eu tirar do blister, vai cair um, vai caber uns

— Cinco por dia. Eu vou colocar tudo aqui. Aí eu tiro do blisterzinho. Logo você compra caixinha semanal que já tem. Ou até aquela quinzenal.

— Tem assim também, né? Tem a mensal.

— Tem a mensal. Não tem a quinzenal, mas eu compraria duas. Já deixou tudo certinho. Deixa lá. Pai. E aqui você vai tomar na segunda de manhã, tarde e noite, terça amanhã, tarde e noite. Tá tudo separadinho, é só abrir aqui e

— E vamos pensar no pior cenário. Vamos pensar que você é aquela filha que pensou: "Nossa, eu vou agilizar minha meu lado, facilitar minha vida, eu vou facilitar do meu pai também. Eu vou deixar medicamentos fora do fora do blister por 30 dias."

— É, então é isso. Eu faria isso.

— E aí, nossa, eu não vou precisar me preocupar com os medicamentos que ele vai tomar por 30 dias. Eu vou deixar lá. Vou, vou só gastar o mês que vem. Vou só me preocupar com o o os medicamentos dele só o mês que vem. E aí que vem o grande impacto, aí que vem o grande problema, né? Quando a gente pega o medicamento e a gente começa a descaracterizar ele, é a mesma coisa que eu falo com a com RG. Gente, eu tenho uma foto no meu RG. Se eu pego esse RG e picoto ele, quem vai saber que sou eu?

— É a mesma coisa o medicamento. Se eu pego o medicamento,

— E tem uns cortadinhos ainda que eu vou ter que cortar, né? Pegar a faca assim.

— Tem. Exatamente. Que é ainda um outro cenário que a gente pode falar lá pra

— Tá bom?

— Quando eu pego o medicamento e eu começo a picotar ele, eu tô tirando toda a identidade do, eu tô pegando o RG ali e cortando. Eu tô tirando toda a identidade do medicamento. E quando eu tiro a identidade do medicamento, o que que eu faço? A primeira a primeira coisa que acontece, eu perco o lote dele.

— Então, o número de identificação RG dele já vai embora. Depois eu perco a validade do medicamento. Então assim, cortei o medicamento, já não sei mais qual que é o lote, já não sei mais qual que é a validade.

— Muitas vezes não sabe nem qual é o medicamento, porque tá tudo mistur cai no chão. Então

— Examente e aí ainda quando o laboratório é bonzinho, ele coloca um medicamento vermelhinho, um outro cor de rosa.

— Então mas aí eu vou na farmácia no próximo mês e compro de outro medicante, de outro laboratório. Muda cor. Aí você tem que fazer de um painelzinho para com as cores, ó. O vermelhinho é pro diabetes, o amarelinho é pra colesterol e assim vai. E o idoso ele não quer ficar olhando muito tabelinha de cor, né? Ele quer uma coisa que ele possa tomar dois, três ali e resolver o problema dele.

— E uma outra coisa, quando a gente aquela caixinha bonitinha que a gente vê, aquele invólucro, né? Aquela proteção de alumínio e plástico, não é?

— Isso que é o blisterzinho, né? Ela não é à toa. Aquilo ela serve para para quê? Para proteger o medicamento do quê? Do

— A estabilidade.

— Exatamente. Então, quando a gente tira aquele medicamento do blíster, que que a gente tá fazendo? A gente tá deixando ele exposto ao meio ambiente, uma temperatura, a oxigênio. E o ar é o que mais vai deixar o medicamento sem

— Então, quanto mais tempo o medicamento ele ficar em contato com oxigênio, com o nosso alho que a gente respira, o medicamento ali ele tá falando assim: "Meu Deus, tô doando tudo para você, ó. Tudo, tudo que eu minha função, você tá pegando, porque isso é é química, né, gente? O medicamento é feito com substância química. É mesma coisa deixar o álcool aberto, ele não vai evaporar. Com medicamento é a mesma coisa. Tudo que for de benéfico no medicamento vai evaporar e a gente não vê.

— Então ele vai deixar de ser um comprimido com uma função para tratar uma doença e vai deixar e vai ser só um comprimidinho ali com um monte de farinha prensada, sem função nenhuma. Aí pensa que eu fiz ali 30 dias de medicamento para ele, tirei tudo do blister no começo do mês, no último dia do mês, quem me disse que aquele medicamento vai fazer efeito?

— Então, a melhor organização é manter os medicamentos na sua embalagem original.

— Exatamente. Hoje, o que que é bacana a gente fazer? Primeiro ter uma organização com os medicamentos do seu pai, da sua mãe, do de quem for, né? manter na embalagem original, porque na embalagem original tem o quê? tem lote validade. Eu preciso me preocupar muito com a validade. Até quando eu posso usar aquele medicamento? Porque medicamento vencido não faz efeito. Medicamento fora do blister não vai fazer efeito. E se puder, a gente sabe que tem muitos lugares, papelaria na Kalunga, não sei se pode falar marca aqui, [risadas]

— Tem umas etiquetinhas branquinhas. Então o que que a gente sugere? Você colocar a posologia da receita em cima da caixa.

— Porque eu já tô pegando a caixa.

— E o que que é posologia? posologia, como toma o medicamento, que horário e qual que é a dose? Dose é o quê? É um comprimido, dois comprimidos, aí é de acordo, né?

— Almoço, jantar,

— Jantar e deixar essa informaçãozinha na caixa, não cobrindo nem o nome e nem a dosagem do medicamento, que é aquele número que vem do lado da do nome do medicamento. Então a organização, gente, é carro chefe para que? Muito, muito, muito. Ela que vai de tal tratamento. Uhum. Hum.

— Porque se você tomar errado vai atrapalhar, se não tomar vai atrapalhar. Se tomar mais vai atrapalhar também. Então pegou a receita, organiza. Então caixinha tal, tomar de manhã e tomar à noite, tomar só de manhã, tomar tarde e sempre identificado o horário, porque visualmente a gente bate o olho ali e já sabe, ó, esse medicamento é só pra noite, esse medicamento é só pro dia. a gente tem, onde eu trabalho, a gente tem um programa que chama alta orientada pelo farmacêutico, né? E pena que eu não trouxe nenhum modelo aqui para mostrar, mas ele é bem bacana. o que que a gente faz? Muitos pacientes que a gente dá alta são pacientes idosos e eles saem com mais de seis medicamentos, sete medicamentos. E o qual que é o nosso maior receio disso tudo?

Como que ele vai tomar esse medicamento estando em casa, sem toda essa equipe assistencial que ficou aqui com ele por 30, 90, 60 dias. o familiar, quando a gente faz essa orientação, o familiar ele tá sempre do lado. Só que assim, a gente sabe que por mais que você seja uma filha, por mais que você seja um filho, a tua vida ela tá acontecendo a a todo vapor,

— Né? É telefone tocando, é o neto que tá ali. Então, assim, não sei se o foco vai ser no tratamento do paciente. Então, a gente fez uma tabelinha que é um básico, é um arroz e feijão que funciona super bem, gente. A gente fez uma tabelinha bem grande, com números bem grandões. Em cima dessa tabelinha, que que a gente tem? A gente tem todas as figurinhas. Então, quando é jejum, a gente tem um prato cortado com uma uma faixa

— Quando é café da manhã, a gente tem uma xícarrinha de café e um pãozinho do lado. Quando é almoço, a gente tem um prato de salada com copinho de suco.

— Ao entardecer, a gente tem um solpondo.

— À noite, a gente tem uma luazinha

— E ao dormir, a gente tem uma cama. Então a gente coloca visualmente

— Muito porque assim, o idoso também é muito disso e até pra família, às vezes no

— O teu familiar é é tão idoso quanto o próprio idoso. Uhum.

— Ou também é jovem. Assim, até pros jovens isso facilita muito, porque a gente fez uma orientação dessa com um familiar nosso.

— Minha cunhada era super jovem, o irmão dela saiu de alta com quatro medicamentos para controle de problemas neurológicos. E quando eu mostrei para ela, eu falei assim: "Eu vou fazer para você". Ela falou assim: "Nossa, que maravilha, não vou me perder isso

— Ajuda muito.

— Porque que que eu tenho ali? O principal, eu tenho a informação de quanto que ele vai tomar, o horário que ele vai tomar e ali as figurinhas para eu poder saber se eu vou dar um comprimido, se eu vou dar dois

— Com essa orientação ele já sai sabendo que nenhum medicamento vai interagir com o outro. Exatamente. Você já fazem,

— Porque a gente ajusta até o horário. Muitas vezes o médico quando coloca, eu não sei se vocês percebem, mas muitas vezes nas prescrições médicas, nas receitas, eles não colocam horário. Eles só colocam o quê? Tomar de 12 em 12 horas. Tomar uma vez por dia. Mas uma vez por dia quando? Que horário? É às 7, é às 8? É às 9? Aí tá lá levotiroxina, tomar uma vez por dia. Tomar

— Meia hora depois. Mas depois de quanto tempo? Depois do quê? Então essa tabelinha com os horários, isso dá uma segurança pro paciente absurda, porque a gente coloca o horário que ele vai tomar, a gente coloca certinho a quantidade, o tempo também. Então, a função do farmacêutico e de uma pessoa que é especialista em medicamentos é essa, é garantir que o tratamento ele seja feito de uma forma segura. Sim.

— E a gente só consegue isso com

— Não tem outra outro método até hoje,

— Nós na empresa, nós também como enfermeiras, uma empresa de assistência domiciliar, nós também garantimos a segurança medicamentosa. Então, muitas vezes quando assumimos o paciente, realmente tá, a gente precisa organizar, né? A gente tá ali para isso. Muitas vezes conseguimos tirar de imediato as caixinhas, outras não, né? O nosso profissional, ele é treinado com a segurança da medicação segura, né? Aí a gente trabalha também com esse método que a gente

— A dose unitária.

— Você conhece a dose unitária?

— Já vi, já é uma box que a gente implanta na na casa do paciente depois que a prescrição já está definida, né? Porque tem todos os ajustes. Definiu a prescrição mensalmente vem, né? é certinha. Aí a gente encomenda a box dela dele e mensalmente chega na residência, na verdade na nossa empresa, chega na empresa, a gente confere e depois dispara pra casa do paciente. Então é um método muito seguro. Hoje tem vários fornecedores, né? Se encontra

— É como a gente faz nos hospitais,

— Recebe a dose da farmácia

— Pra equipe de enfermagem administrar

— E ele vem exatamente assim. separadinho com o nome do paciente, gente,

— Puxa vai puxando aqui, ó. Então, o dia, né, vai tomar

— Em jejum. Tem o comprimidinho aqui já separado do jejum, separado e protegido no blister, ele não é tirado, que aí vem de encontro o que você já falou. E aí tem meio-dia, vem a medicação do meio-dia e não se perde. Isso é mensal. Essa também é uma forma segura da gente medicar o paciente e não ter confusão nas doses, até porque a empresa de assistência domiciliar, os nossos pacientes, cada um tá na sua casa, né?

— Os nossos profissionais também estão todos descentralizados. Então, por mais que nós conseguimos supervisioná-los, mas é sempre à distância. Então, quem tá lá tem que ser treinado e a gente precisa garantir isso pra família que tá sendo segura. Hoje nós utilizamos a Remédio Web como parceiros lá na empresa, tá?

— E qual que é o objetivo da da Remédio Web para trazer uma receita médica dessa dessa forma? Que o paciente consiga tomar os medicamentos cortadinhos, bonitinhos?

— É a segurança

— E a organização.

— É a organização disso é fantástica, gente, porque assim, a organização ela gera segurança.

— Uhum. E você tomando seus medicamentos no horário adequado, como tem aqui até a receita transcrita na caixa, acha aqui o que ele toma e aqui a persçãozinha.

— Ninguém se perde no meio do caminho, ninguém se perde no tratamento, porque a caixa é um tamanho bacana. Uhum.

— Você pode deixar

— Qualquer cantinho você guarda, né?

— A gente só tem que também se atentar onde que eu vou guardar. Pode deixar debaixo de lugar quente,

— Dentro de carro, dentro de porta-luva,

— Exatamente. Então assim, se puder deixar dentro do quarto um lugar onde não bata sol, um lugar que é fresco, que arejado, até porque o medicamento também depende da dependendo da temperatura, ele vai perder a função dele de funcionar como uma ferramenta de tratamento.

— É. E essa solução é muito funcional pro paciente que usa realmente muitos

— Muito, porque

— Quem usa um, dois, compra caixinha que eles eles também fornecem, entregam e você deixa lá separadinho. Isso aqui para quem tem muitos medicamentos em vários horários ao longo do dia é perfeito. Aí é como se a gente tivesse trazendo uma farm, um serviço de farmácia hospitalar para dentro da casa do paciente

— Com a mesma segurança, porque o que a gente faz dentro de uma farmácia hospitalar é isso, que você a segurança quando tira da caixinha e põe no

— Nos organizadores, aqui tem lote, validade, tem tudo.

— Porque quando eu tiro do blister e e corto, do mesmo jeito que eu ia organizar aqui pro meu pai, eu ia achar que ele tá ali, arras, que eu tô arrasando no tratamento dele. Tô super

— Eu tô pegando medicamento, eu tô descaracterizando ele totalmente.

— E quem me falou que aquilo que ele vai tomar realmente é aquilo que eu cortei?

— Será que ele tá tomando dois do precisa ajudar ajustar a dose porque ele não tá tomando a dose correta, porque foi colocado, armazenado de forma incorreta.

— Falando nisso, tomando a dose dois na mesma dose, esqueci de tomar o remédio, posso tomar dois mais tarde? [risadas]

— Então, o medicamento ele tem um tempo de ação, né? Então, vamos supor que ah, acordei de manhã, não tomei meu medicamento para pressão, esqueci, mas não senti nada, não tô com dor de cabeça, fiz minhas atividades, lavei minha roupa, fiz minha comida. De noite, quando eu vou tomar o próximo, eu falei assim: "Nossa, não tomei o da manhã e vou tomar dois agora para, né, complementar, porque se eu esquecer da manhã vai faltar agora à noite. E aí eu tomo dois medicamentos para pressão. Que que vai acontecer? Eu vou pegar aquele medicamento de 100 mg, por exemplo, e eu vou dobrar. Minha pressão automaticamente, em vez de ficar estável, ela vai o quê? Cair um pouco. Aí que que vou acontecer? Nossa, mas que

— Nossa, eu vou deitar. Nossa, mas tava bem a manha toda e agora eu tô com essa sensação de que tá tudo girando, esse remédio não tá funcionando. Mas é porque eu dupliquei a dose. Então assim, quando a gente esquece de tomar a dose de medicamentos que usualmente são contínuos, a gente omitiu essa dose, deixa essa dose passar,

— Porque automaticamente eu já vou fazer a reposição dessa dose no final do dia.

— Medicamento ele funciona assim, ele deixa de funcionar, ele vai sendo eliminado e automaticamente você vai tomar outro. O que não pode acontecer é é esquecer de tomar dose diariamente. Aí já é um outro problema que tem que ser investigado também para ver se não é uma outra doença assimando.

— Mas assim, esqueceu de tomar dose uma vez a cada dois tr meses, não tem problema normal. Até a gente esquece, né, muitas vezes do antibiótico, tudo

— Então omite aquela dose e continua o tratamento normalmente. É igual quando você tá fazendo dieta, né? Você tá ali naquele treino, naquela alimentação saudável, ai comi um hambúrguer porque eu passei na frente do McDonald's. Ai, não aguentei. Não é porque você comeu um hambúrguer no meio da tarde, você vai quebrar não. Você continua a tua vida normal próxima dose, vida que segue.

— É exatamente esse quando a Monique colocou quando é de 12 em 12, perdeu uma dose e quando é uma vez por dia? E aí eu não tomei de manhã e vou lembrar lá no final do dia.

— Então quando é uma vez por dia, um cenário muda um pouco. Aí você tem um 24 horas pro medicamento fazer efeito. Provavelmente esse medicamento ele vai deixar de perder o efeito dele lá pro final da noite. Se esqueceu de tomar dose de uma vez por dia, você pode tomar dose com 5 horas de atraso, não tem problema nenhum. Até porque

— É você tá ali colocando mais medicamento. Então como que hoje funciona o medicamento? N assim, quando você toma, ele vai pra sua corrente sanguínea. Então tem uma taxinha ali que ele vai, ele tem que ter o mínimo dele para fazer efeito. Conforme o tempo vai passando, ele vai ali se encontrando no organismo, ele fez o efeito dele, ele agora ele fala assim: "Bom, agora eu vou sair, já não tenho mais o que fazer aqui, eu vou embora, eu vou embora". Então assim, quando muito desse medicamento vai embora, ele vai deixando de fazer efeito. Então você toma outra dose para repor aquilo que foi e que tá saindo. Se o medicamento é feito uma vez por dia, isso é obviamente que é estudado, né? Ele não vai ficar só por um dia no organismo, ele vai ficar por mais de um dia, mas a reposição da dose é pra gente ter aquela quantidade no organismo suficiente para continuar baixando a pressão, para deixar a pressão estável.

Uhum.

— Então você pode fazer, tomar uma dose esquecida quando a frequência é uma vez por dia, não tem problema. Pode tomar com duas, três horas de atraso, ó.

— Tá? Sabe o que eu observo também? a pessoa idosa começou a tomar um remédio para hipertensão e aí começou, estabilizou, ela verifica a pressão todos os dias. Tô tratado.

— Todos os dias já tem uma pessoa e aí ela se sente curada porque a pressão tá maravilhosa. Era super alta, tá maravilhosa. Ela para já. Tá bom, agora eu vou parar.

— Ex. E uma coisa legal que eu vou até puxar um gancho, como eu falei que o medicamento ele não dura só um dia no organismo, ele não dura só 12 horas, ele dura mais. Essa pessoa que falou que, nossa, minha pressão tá boa, tô tomando, tô me tratando, vou parar, ela começa a ter os sintomas iniciais ali de hipertensão de uma e uma doença não tratada depois de quanto tempo? Uns qu dias, mais ou menos. Vocês percebem que não é no mesmo momento que ela deixa de tomar, que ela vai sentir os sintomas. Ela demora um tempo, é aí que o medicamento já saiu todo do organismo, não tem mais nada.

— Então ela tá o quê?

— Ela volta ao zero de novo.

— Volta ao zero de novo.

— Uhum. E aí ela tem que voltar, é aí que tá da questão da organização, do acompanhamento, né?

— E o risco é maior

— Esse quadro hipertensivo parou abruptamente de tomar o remédio.

— É porque assim, o que que acontece? O organismo ele funciona com ele entende as coisas que estão acontecendo. Por exemplo, se você tá tomando seu medicamento e ele entende que tá ali vindo uma uma informaçãozinha onde eu tenho que baixar a pressão, eu vou baixar. Ele vai ficar com essa informação ali, teve que baixar a pressão porque tá entrando uma informação de fora. Quando você para com essa informação, o que que acontece? o organismo fala assim: "Bom, parou a informação, agora eu vou voltar ao que eu era antes." Eu pensou: "É, tá tudo

— Pode voltar pior,

— Pode voltar pior, pode voltar pior, porque você tem um desequilíbrio, né, em todo esse processo de tratamento.

— Então, sempre tem que ficar acompanhando." Gente, eu falo que assim, o paciente idoso, ele não pode ficar desassistido em nenhum momento. Não dá para você simplesmente, ai tá aqui seus remedinhos, daqui a 30 dias eu vou comprar e eu vejo se tá. Não, gente, tem que ser semanal, diário, se possível. A gente sabe que o idoso esquece, o idoso, ele é autônomo, ele mesmo se dá se dá alta e ele entra no tratamento.

— Então ele faz o que ele quer na sua vida, da da vida dele.

— Então tem que ter esse acompanhamento, porque você ficar nessas flutuações de ai tira medicamento, coloca medicamento, é muito ruim pra saúde dele, né?

— Sim. A minha avó fazia isso.

— A minha avó hipertensa, não controlada, por controlava, tava bem, ela parada,

— Dava remédio.

— Aí lá não vou tomar hoje. Tá ótimo, né? E verificava antes de tomar a medicação. Não precisa. Aí você vai explicando, vai explicando, ela infartou e morreu.

— É. Então

— Porque o organismo ele deixa de trabalhar num padrão, né? Ele pensou,

— Ele não entende o que tá acontecendo, né? Não. E toda hora ele tem que ficar ali regulando uma pressão que ela tá um dia baixa, um dia normal, um dia alta.

— É, é, nós falamos da automedicação. Algum, a gente sabe que isso difícil a gente acabar, né? Mas algum medicamento em hipótese alguma, devemos tomar sem

— Todos. [risadas] Todos os medicamentos sem orientação, eles não devem ser tomados, gente.

— E essa orientação, te cortei, desculpa. essa orientação médico ou eu posso ir lá na farmácia e pegar a orientação?

— Então, hoje a gente tem muitos medicamentos que são vendidos e sem prescrição médica, né, que são os famosos MIPs, que são medicamentos isentos de prescrição, mas eles não são isentos de reação adversa ou isentos de problemas se a gente inade adequadamente. É.

— E aí o que acontece? Tem um farmacêutico na drogaria que funciona 24 horas antes da Isso deveria acontecer, né? mais do que acontece. Antes de qualquer pessoa, até mesmo gente, ir comprar algum medicamento que eu julgo que é inofensivo, tem um profissional de saúde lá qualificado para poder passar essas informações e prestar um atendimento adequado para nos orientar de como tomar, se pode tomar, de quanto em quanto tempo tomar. Uhum. Então, viu que o medicamento tá ali disponível? Bom, eu vou pegar aqui essa Novalgina que não tem problema nenhum, tá aqui mesmo, R$ 2 na promoção. Em vez de no caixa direto, pergunta pro farmacêutico que tá lá no balcão. Muitas vezes ele tá lá só

— Tem o o de plantão, né? O plantão

— Tem o de plantão. É, a a drogaria ele não fica sem farmacêutico nunca.

— Pode, né? Mas eu ainda acho que eles são

— Muito subutilizados.

— Estão subutilizados ali. Muito, muito.

— Eles viram balconistas. Eles viram balconistas porque muitas vezes você não tem demanda de atendimento, você tem uma pressão da empresa que tá querendo que você venda, que tem que bater meta

— E eles acabam fazendo o quê? Eles deixam atendimento, a a o acompanhamento,

— Que realmente é o que eles tinham que tá fazendo por último. Então assim, viram vendedores mesmo, vendedores.

— É uma pena, né? É uma pena.

— E tanta gente precisa de orientação tanta gente, a gente vê aí pessoas se intoxicando e não é só idoso, não, eu falo de todas as idades porque estão tomando medicamentos inadequados,

— Vitaminas e suplementos também

— Precisamos ter cuidado.

— Fitoterápico também. Então assim, é todo, tá tudo no hall, né?

— Tudo que eu vou ingerir

— Tá tudo lá na plastilina disponível. E o pior que às vezes a a a drogaria ela faz promoção para te incentivar

— A comprar. Então aquele fitoterápico que a gente pensa aqui não vai fazer nada porque é só um chazinho, ele vai, vocês podem ter certeza que ele vai interagir com algum medicamento desses daqui que a gente tá tomando de uso contínuo.

— Até menos um chazinho, né?

— Até um chazinho. A gente sabe que tem hoje evidências que tem fitoterápicos que interagem com medicamentos químicos que foram fabricados e que você vai inibir ou potencializar o efeito deles.

— Uhum. E os tratamentos que seguem por muitos anos sem revisão. Paciente façou no médico, resolveu o problema da pressão, tá lá, tá ótimo, não tem sinal, não tem sintoma, não se, não sente nada,

— Mas ele continua,

— Ele continua porque ele, a vida dele tá maravilhosa, né? Nossa, tomei minha sinvastatina. Eu vou pegar o efeito da o exemplo da do colesterol, porque é o evento que a gente não consegue e visualizar. Quando você tá tomando muito tempo o medicamento para pressão alta, e ele não tá mais fazendo efeito, qual que é a primeira reação? Nossa, minha minha nuca tá doendo, minha pressão deve est alta, deixa eu medir. Ih, eu tô aqui com 16 por 10, vou ter que voltar no médico, né? E o colesterol que a gente não enxerga.

— A gente não sabe se a gente tá com ele alto ou que a gente tá com ele baixo. E qual que é o evento? E eu falo que é é o pior resultado quando a gente não trata o colesterol, é o infarto do miocárdio, porque você entope suas artérias, o sangue circula, ou você tem um AVC ou você tem um infarto. E aí que que acontece? por muito tempo, tomando a mesma medicação, a gente não sabe se o tratamento tá sendo adequado. O ideal é ir ao médico de seis em se meses, pelo menos se puder, e leva a receita dos medicamentos junto. Eu falo que médico ir ao médico não é só você passar em consulta, é você pegar toda a sua, se você puder, pega todos os seus remédios, leve pro médico, doutor, ó, eu tomo isso, isso, isso, porque ele também precisa saber o que que você tá fazendo antes de te prescrever, né?

Tem muita gente, muito idoso, que chega no médico e só fala: "Ó, eu só vim aqui para tratar isso". E o médico muitas vezes só vai prescrever o que é para tratar aquilo. É a queixa dele resolveu. Pode embora, tem lugares que estão trabalhando por é é tipo pastelaria, é aquele efeito de resolver o próximo, resolver o próximo. E a gente sabe que isso tem um impacto na saúde absurdo,

— E qual médico, qual especialidade ele procura no na saúde básica? O idoso.

— O idoso, qual é o o especialista que ele procura na unidade básica de saúde?

— Então, hoje se ele vai,

— Ele vai no geriatra ou não?

— É, então hoje na na Unidade Básica de Saúde, a porta de entrada é pelo é pelo clínico geral, né?

— É, vai no clínico,

— Ele vai no clínico geral. O clínico ele vai fazer aquela avaliação total do idoso e aí vai encaminhar ele para pro especialista. Exatamente. Dificilmente você consegue de primeira um encaixe com geriatra dentro do sistema de saúde, né? Geralmente você vai para um cárdio, você vai pro neuro ou você vai pro médico que vai tratar o diabetes. E qual que é o problema de você

— Fragmentado então o tratamento dele, né? E qual que é o problema de você vir para esse monte de especialidade e não falar que eu já passei no outro médico, ele prescreveu isso. A gente vai tendo aquele acúmulo de medicamentos, vai virar uma polifarmácia e você pode ter certeza, vai ter medicamentos duplicados que ele vai est tomando. Porque que que que acontece? Ele foi no cardiologista, o cardiologista passou três, ele foi no endócrino, que é o med o médico que vai tratar o diabetes deles, prescreveu dois. Se o cardiologista prescreveu o medicamento para tratar a diabetes e o endócrino também prescreveu, ele vai tá tomando a receita do medicamento do cardiologista e a receita do medicamento do endócrino

— E vai tá duplicando dose de medicamentos, talvez, que sejam para tratar a mesma coisas com nomes diferentes. Ele vai tá tomando

— Ao mesmo tempo.

— E que acontece? uma baixa na glicemia dele. Então ele vai ficar com a a glicemia lá embaixo, podendo ter desmaio, podendo até entrar em coma. Aí acontece o quê? Vamos levar pro hospital, pronto socorro e aí vai

— Enchendo os nossos postos, nossos prontos socorros, como que acontece hoje em dia, né, gente? É muito normal isso

— E o remédio genérico é é igual ao remédio de marca?

— Eu vou falar sendo sincero, é a mesma coisa. [risadas] Que acontece? medicamento genérico, ele tem uma lei, acho que de 1994, que ele tem por obrigação trazer o mesmo princípio ativo e os mesmos excipientes. Que que é excipiente? É tudo aquilo que eu vou colocar no medicamento para ele ter aquela forma redondinha. Então, se eu fosse só pegar o medicamento e deixasse ele com o princípio, com, por exemplo, com losartana, eu ia ter uma pequena quantidade de losartana. Mas o que que eu faço para ele ficar maior? Eu vou colocar, por exemplo, uma um talco, eu vou colocar uma uma outra substância que seja em pó para que eu cresça, que ele faça que eu faça com que ele fique maior e fácil um fermento, né?

— É um fermento e fácil de engolir.

— Então, tudo isso que o meu medicamento, por exemplo, você foi e criou um medicamento referência, isso 10 anos atrás. Aí você tem um documento que prova que aquele medicamento ele faz efeito, que ele funciona e eu vou vender esse medicamento a esse preço com esse nome. Passou 10 anos, aí cheguei eu quero fazer a mesma coisa que você. Só que eu preciso comprovar que o que eu faço é a mesma coisa que você faz, com a mesma segurança e com a mesma eficácia. É aí que eu posso ter o meu medicamento sem o teu nome, com uma faixinha lá amarela com G e falar assim: "Ó, eu tô fazendo o mesmo medicamento que ela fez, mas com as mesmas características. Ele vai funcionar igual, ele vai ter, ele vai ir pro organismo da mesma coisa, só que eu vou vender ele mais barato."

— Então o que que o pessoal hoje em dia eles eles associam de o baixo custo ter uma baixa qualidade? E não é isso. O baixo custo quer dizer o quê? que você não tem mais o direito de só você produzir aquele medicamento, eu também posso produzir. Só que como você já fez todos os toda a parte difícil, você fez.

— Eu agora vou chegar com a fácil, só produzir e vou abaixar um pouquinho o valor dele. Pouquinho.

— Muitas vezes é

— É muitas vezes é 10 vezes.

— É bem expressivo o valor. É.

— E aí a gente foi se lançar do genérico, um laboratório produzir o mesmo medicamento que você faz, só que você não, o laboratório que vai produzir o genérico, ele não precisa mais pesquisar, porque tudo da pesquisa o referência já fez, ele já gastou dinheiro com ele já gastou dinheiro com aquilo, ele já investiu em pesquisa. Porque hoje o que que a gente vê, a gente vê grandes e laboratórios lançando grandes medicamentos. Mounjaro é um exemplo clássico disso. Quanto que a Lilly não gastou em pesquisa para colocar aquela caneta no mercado?

— E qual que é o resultado disso? O pessoal tá emagrecendo a rodo,

— Né? Então tá dando resultado até porque teve um faturamento bilionário.

— E aí se passarem 5, 10 anos e eu quiser fazer um mesmo Mounjaro sem o nome dele, eu vou poder fazer, mas com custo lá embaixo. Só que aí já vai ter passado toda aquela festa.

— Mas isso já está acontecendo, né? já estão fracionando, né?

— É, mas o que eles estão fazendo hoje é pegar uma molécula produzida por exemplo, fora do Brasil e trazendo para cá e fazendo produções de larga escala, né? Então, eles estão pegando uma tirzepatida, por exemplo, trazendo o princípio ativo, levando para laboratórios de manipulação, farmácias de manipulação e produzindo de larga escala. É isso que tá acontecendo e que tão a Anvisa, ela tá em cima. Você não pode fazer uma produção em larga escala num lugar onde você não tem regulatório para isso, onde você não pode fazer, né? Então é isso que tá mexendo com todo mundo,

— Mas ainda tá sendo fabricado.

— Ah, sempre consegue, né? Ah, sempre consegue, sempre dá um jeito. [risadas]

— Medicamento é parte importante do cuidado, mas precisa de orientação, acompanhamento e revisão.

— Uso consciente é segurança e segurança é qualidade de vida, né? Que orientação você deixaria para quem usa medicamentos

— Tem a organização.

— A gente tá vendo aqui essa caixinha, isso é maravilhoso. É, é isso que a gente tem que ter em mente. É organização, é saber o que que eu vou tomar no horário que eu vou tomar. E se possível, eu sei que hoje não é a realidade de muitas famílias e muita gente no Brasil, mas se puder ficar acompanhando diariamente se o teu idoso, né, teu pai ou tua mãe, ele tá conseguindo fazer o tratamento adequadamente, porque em algum momento, se der algum evento, ai eu esqueci, eu não tomei, ai tá me dando uma dor de barriga e eu parei o tratamento, a gente não vai saber porque ele não vai falar, falar assim: "Filho, ó, aquele medicamento me deu uma desinteria e eu parei de tomar ele".

Ele vai seguir o tratamento sem aquele medicamento.

— Então o acompanhamento, se puder fazer semanalmente, diariamente, é muito importante. Então, tem que ter alguém para fazer a gestão desse idoso. Não é simplesmente só. Até a caixinha é muito funcional, só que ela e exige também acompanhamento, porque é o tratamento, né, gente? A organização ela tá ótima, só que tá fazendo de acordo como deveria fazer. Uhum.

— Nos nossos acompanhamentos a gente tem essa dificuldade. Às vezes a gente vai lá, tem medicamento faltando, tem medicamento sobrando, que que aconteceu? Não tomou, tomou a esqueceu de tomar. Isso é uma realidade até flora da das casas, né?

— A caixinha diminuiu muito esse problema.

— É, diminui porque você tem uma organização, né? Só que dentro dessa organização a gente precisa ter o acompanhamento. até em hospitais hoje a gente tem pacientes que recusam medicamento porque fal assim: "Eu não quero tomar suilaxante porque eu tô evacuando normal, tô indo no banheiro bem, não quero." Se eles fazem isso com medicamento que tá dentro de um ambiente controlado com assistência integral, imagina dentro de casa.

— Exatamente. É isso que a gente encontra, que nós encontramos nas residências. Ah, às vezes quando sobra a medicação é porque ele não quis tomar, eleou tomar. Exatamente. Mesmo tendo toda a coordenação, toda supervisão dentro do controle medicamentoso, né?

— Então, é isso que eu falo, gente, é o acompanhamento.

— Tem, é, é,

— É uma dupla, né? Organização com acompanhamento. Isso tem que se cruzar e alinhar e andar perfeito. Muito, muito,

— E esse acompanhamento, seja da família, seja dos cuidadores, seja de quem for, mas ele precisa acontecer. Ele precisa acontecer, ele precisa existir. Não adianta dar só uma lista e falar assim, ó, segue

— Se você não tá seguindo. A mesma coisa que nada, né? Então aí todo aquilo que a gente faz, aquilo que a gente planeja, essa coisa maravilhosa aqui, ela não não surte, não dá o resultado que deveria ter dado, né?

— Claro, claro. Ah, Alisson, hoje em dia a informação tá na palma da nossa mão, né?

— Muitas informações disseminadas, muitas vezes não a informação mais segura. Como que a gente lida com isso? Com o nosso público idoso,

— De novo, com orientação, né? Falando para eles, falando assim: "Pessoal, entrar no ChatGPT é muito simples e você perguntar alguma coisa para ele, ele vai te dar um contexto amplo de tudo que ele achar na internet. Ele não vai te dar alguma coisa direcionada e adequada para um tratamento sendo qualquer um, ainda mais quando se diz respeito ao medicamento." Então, sempre é importante procurar ou orientação médica ou orientação farmacêutica. Estou com algum problema que eu não estou me sentindo bem, a gente tem a primeira porta de entrada que eu sempre falo, é sempre uma drogaria. Então, ó, estou sentindo isso, isso, isso. O que que você me aconselha? Ou se, se tiver muito fácil, o farmacêutico, ele vai indicar um medicamento, ou se ele diagnosticar, interpretar que aquilo precisa do atendimento médico, ele vai falar assim, ó: "É necessário que você vá no médico para fazer esse acompanhamento lá".

Mas usar a internet como fonte para resolver problemas de saúde é um rio gravíssimo. E a gente só vai piorar isso quando a gente entende que, ó, o Google que vai resolver o problema. Aí o Google que te dá aquele monte de coisa, ó, você está com câncer, não sei a terminal

— E é uma coisa louca. É. E muitas pessoas elas estão recorrendo sua internet ao ChatGPT para resolver problemas de saúde com relação a medicamentos,

— Receitinhas milagrosas, né? muito. Então assim, foge disso, foge de receita milagrosa, foge daquela pessoa que tá lá no Instagram te passando que você tem que tomar A, B, C, foge de ai Google, estou sentindo dor de cabeça, o que que posso tomar? Porque medicamento é assim, ele serve para tratar, mas a gente não sabe como que ele vai funcionar na

— Então, evitem se automedicar. Eu acho que é a é a informação que que fica aqui pra gente, a orientação. Não se automediquem, não vão e tomem o medicamento porque a vizinha disse que funcionava, porque meu irmão também toma. ou porque eu achei uma receita lá perdida do ano retrasado

— E eu vou voltar porque resolveu. Vão no vão ao médico, vão a um

— Uma pessoa que saiba um uma drogaria, procurem um farmacêutico onde eles possam orientar vocês.

— E tem muito aquele farmacêutico amigo, né, que vende o remedinho sem que precisa de receita e vende sem rece.

— Ele não dá para ser chamado de amigo nessas condições, né? Não é amigo, né? Ele vai fazer o que ele tá querendo fazer para ter o dele ali. Mas quando é tudo é muita, quando tudo é muito fácil, a gente tem que desconfiar.

— Claro, com certeza.

— É isso que eu sempre falo. Quando você vai na drogaria e compra aquele antibiótico sem prescrição, sem receita médica, desconfia naquela drogaria, porque antibiótico ele não pode ser vendido sem receita médica. Quando você vai na drogaria e te vendem um tarja preta ali, um clonazepam, um Rivotril sem receita médica,

— Perigoso isso.

— Desconfia desse lugar, gente. Então, fujam de tudo que for fácil quando se diz respeito à saúde.

— Mas você acha que um medicamento desse pote seria vendido sem receita?

— Ah, sim,

— Sim. Preocupante.

— Muito. Eu já ouvi relatos assim, de você pensar: "Meu Deus do céu, como que uma pessoa consegue esse medicamento?" Pois é,

— Porque você vender é o final do do processo, né? É como que você consegue?

— É meio criminoso, né? Você vender um um medicamento sem prescrição, muito

— Sem prescrição médica e sendo controlado, né? Sendo um antibiótico, sendo um tarja preta.

— Se controlado é porque tem motivo.

— Exatamente. E nunca, nunca aceitem também medicamentos do colega, porque eu tomei. Toma também. Vai resolver. Nossa, gente, já vi as pessoas conversando que vou te dar sertralina. Eu tô ansiosa, vou te dar sertralina. Eu tomei, tem um monte de cartela ali porque eu eu não preciso mais tomar, mas eu peguei 50 no SUS, tomei só uma semana e resolveu.

— Não aceitem medicamento dos outros por uma indicação de que resolver o meu problema vai resolver o seu tamanho. Nunca dá certo. Você sempre vai ter um outro problema, mais um além daquele que você tava querendo tratar.

— Com certeza. Busque o profissional

— Especializado para isso, né?

— Esqueço a internet para ficar aí procurando o que que eu devo fazer se eu sentir alguma coisa. Perfeito, Alisson, foi um prazer tê-lo aqui conosco nesse momento de tanto conhecimento. Aprendemos bastante também.

— Conversa foi muito boa.

— Garanto que nossos ouvintes vão se atentar mais aí pelo controle das medicações, o uso correto no horário certo, na dose certa, no tempo certo e teremos mais conversas como essa ao longo das nossas temporadas. Eu que agradeço, gente. Eu convite, foi um prazer estar aqui, falar de de medicamento, falar de idoso,

— Que é um tema bastante importante, interessante e eu espero voltar, né, para poder contribuir mais para vocês e

— Pros pros nossos ouvintes aí.

— Já está convidado.

— Obrigado. Tá, gente, obrigada. O uso de medicamentos exige [música] atenção, responsabilidade e acompanhamento. Não é apenas tomar o remédio [música] certo, é entender por, como e até quando usar.

— Cuidar da medicação é [música] cuidar da autonomia, da segurança e da qualidade de vida. Porque viver mais é importante, mas viver melhor com segurança e consciência faz toda a diferença.

— Envelhecer [música] é natural, usar medicamentos com consciência é cuidado. Até a próxima temporada. [música] Viver mais, cuidar

Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação médica individualizada.

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