Perder dente não é da idade! Pode ser o início de algo pior?
Com Dr. Eduardo Baruzzi Brandão, cirurgião-dentista, especialista em prótese dental e reabilitação oral · Instagram · Linktree

O cirurgião-dentista Dr. Eduardo Baruzzi Brandão fala da saúde bucal no envelhecimento: como a perda de dentes e a prótese mal adaptada afetam a alimentação e o convívio, a higiene da prótese e do idoso acamado e por que a dor na boca pode passar despercebida.
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Transcrição automática do áudio, com correções pontuais de nomes e termos. O travessão marca a troca de quem fala.
Envelhecer muda muito mais do que aparência. Muda a mastigação, muda a fala, autoestima e até a forma de se alimentar. Seja bem-vindo ao Viver Mais Cuidar melhor, o espaço onde o cuidado vai além da doença. Eu sou Andréia Teodoro e hoje vamos falar sobre um tema pouco discutido, mas extremamente importante. Saúde bucal no Hoje eu recebo o Dr. Eduardo Baruzzi Brandão. é cirurgião dentista há 25 anos, especialista em prótese dental e reabilitação oral, com atuação voltada à odontologia, estética e ao cuidado da saúde bucal no envelhecimento. Dedica-se à recuperação da função mastigatória, conforto, autoestima e qualidade de vida de seus pacientes, unindo experiência, técnica e atendimento humanizado. Seja bem-vindo, doutora. Obrigada.
— É um prazer tê-lo aqui comigo hoje.
— Prazer estar aqui também.
— Podemos começar?
— O que acontece com a saúde bucal ao longo do envelhecimento?
— Ah, com o passar dos anos, a gente, o corpo humano ele vai sofrendo alterações, né? Isso fisiologicamente, a saúde bucal, as estruturas bucais, elas tendem também a sofrer esse envelhecimento, seja o dente, estrutura óssea, gengiva, músculos, tá? Então tudo isso vai sofrendo, mas vai se adaptando, tá? O que acontece é que a gente vem de gerações longas com alterações de alimentação, tá? Que no passado viraram alimentações muito cariogênicas. Então as pessoas vieram tendo muito problema de cárie, perda dental, com o passar do tempo falta a estrutura que se tinha da odontologia antigamente. Então essas perdas [roncando] elas causam hoje ainda um transtorno, tá? que a gente precisa ter mecanismos de reabilitação para devolver função mastigatória, conforto muscular para esses pacientes.
— E existe tem exercícios também que que são indicados para pro músculo para dar mais fortalecimento,
— A própria mastigação, tá? a não ser quando a pessoa ela tenha algum problema que faça uma fisioterapia,
— Mas no contexto geral eu acho que não tem necessidade,
— Tá? Então a perda dentária antigamente era mais comum,
— Era mais comum,
— Hoje não é mais.
— Hoje ela diminuiu muito, tá? muito. Se a gente pegar a geração, as crianças de hoje, pensar no envelhecimento delas, quando elas tiverem 70, 80 anos, provavelmente vai ter muita, pouca falta de dente.
— Ah, tá. Aham.
— Como ainda é hoje, né? Então, hoje a gente ainda busca muito mecanismos para reabilitação com prótese e implantes.
— Uhum. Então o envelhecimento ele deixa a boca mais vulnerável.
— Deixa mais vulnerável, com certeza, porque muitas vezes isso é tratado como algo normal da idade.
— Sim, com o passar do tempo tem a alteração, né? Mas ah, não é o ideal. Se a gente pegar na no passado longe, a as estruturas tinham envelhecimento, mas se permanecia dente. E a gente começou a perder dente quando foi mudado a dieta depois da revolução industrial, né?
— Começou a ter uma dieta cariogênica com perdas precoces de dente, né?
— E o que são essas dietas cariogênicas?
— Ah, açúcar. É, é o açúcar,
— Não só açúcar, carboidratosizados, né? É.
— Ah, basicamente isso. Hoje a gente tem uma incidência de ácidos também, né, que também tá comprometendo bastante estrutura dental,
— Mas se a gente pegar do passado, são os
— O ácido na alimentação,
— Na alimentação
— Dos alimentos, quais alimentos? os alimentos, isotônicos, energéticos.
— Ah, hoje é comum, principalmente atletas, né, também
— Ah, que tem a questão dessa alimentação mais ácida, o próprio refluxo também,
— Transtornos de ansiedade
— Também são destruitivos, né?
— Transtorno da ansiedade. Mas o que que eu transtorno? Porque aumenta a ansiedade ou aumenta a ingesta alimentar?
— Aumenta aumenta a ansiedade, a pessoa dorme mal, né?
— Aumentar o
— Pode aumentar a questão de refluxo também, né?
— Sem falar na questão do bruxismo
— Também. Um desgaste dental.
— É. Ah, verdade. Aí tem que usar as
— Usar as placas protetoras.
— Uhum. Como a saúde bucal interfere na vida do idoso, da pessoa idosa? O ido, ele começa a ter menos destreza manual, né? Então ele começa a ter mais dificuldade para se higienizar, seja passar um fio dental ou uma escovação. Ah, então a gente precisa ter mecanismos para facilitar a vida deles. E muitos idosos ainda usam prótese, né, que essas próteses também ajudam a reter ah a alimentação que dificulta tudo essa higiene, né? [suspirando] Então eu vejo hoje, por exemplo, umas escovas elétricas e que eu acredito que sejam essenciais para os idosos, tá? Tem sistemas de irrigação também, de limpeza também muito facilitadores para eles,
— Né? Tudo porque eles vão perdendo a destreza manual, principalmente às vezes até cognitiva.
— Uhum. Nós temos paciente que nós utilizamos a escova elétrica e tem uma outra escova, eu eu não vou lembrar o nome agora, ela já vem com uma esponjinha também. Interdental.
— E é e aí
— Com irrigatório.
— É o são são os irrigadores orais, né? Você tem algumas marcas comerciais.
— Mas isso é de grande valia também, ajuda bastante para eles.
— Elas não são caras, elas não podem ser de uso contínuo. Você tem que trocar, tem que montar. No caso nosso da assistência domiciliar, nós precisamos montar um protocolo de troca dessa escova, que no hospital eles também usam essa escova e a troca é diária e elas são caras. É, car. E no domicílio nós montamos um protocolo diferenciado porque tem uma higienização correta e quem faz a escovação é o cuidador, é o profissional de enfermagem. Então nós conseguimos higienizar e manter o protocolo ativo e a gente estende um pouco mais a vida útil dessa dessa
— Sim. E tem a elétrica, aquela elétrica normal que você troca só os biquinhos
— Você troca só a ponteira, mas ela tem uma durabilidade maior. É, ela tem uma durabilidade. Mas o o os irrigadores talvez assim porque eles têm o o irrigador, ele tem uma pontinha que ele ele joga como se fosse uma vap. Isso.
— Esse talvez você não precise ficar substituindo, lógico, sempre o mesmo bico pro mesmo paciente, mas ele tem uma durabilidade boa do bico.
— Vem acoplado, não consigo tirar. Vou te mostrar,
— Eu vou te levar uma no no consultório para você tirar essa minha dúvida. Eu devia ter trazido uma aqui, mas tudo
— Pode ser, mas a gente vê depois [risadas] v isso.
— Pode impactar a alimentação, fala e O envelhecimento,
— Saúde, é a saúde bucal no
— Sim, com certeza.
— Com certeza.
— Porque diminui a alimentação, porque ele não tem a mastigação adequada.
— É. Ah, vamos lá. Assim, o qual que é a no que que eu enxergo no envelhecimento que eu acho que é importante? Não só no envelhecimento, mas pra vida toda nossa. O valor nutricional que a gente tem, tá? Porque a gente é tudo dependente de nutrição, tá? Nutrição.
— Então, o o idoso hoje, vamos falar do idoso de hoje. O idoso hoje ele tem ou ele normalmente não tem dente, aí ele usa uma prótese total que diminui a força mastigatória. Essa prótese total ela tem que tá bem adaptada, porque se ela tiver desadaptada cria dificuldade paraa mastigação, tá? Alguns idosos têm alguns dentes e falha de alguns dentes, não repuseram, tá? Então tudo isso que vai dificultando a vai diminuindo o fator nutricional. Então o idoso ele mastiga menos, ele começa a ter dificuldade de deglutição por conta da trituração que tá falha. Então o valor nutricional que ele começa a ter vai diminuindo, tá? Então a absorção nutriente deles é é menor.
— E aí ele também acaba se cansando da mastigação, começa a ficar chato para ele mastigar, não é mais prazeroso.
— A gente precisa ter prazer para comer,
— Né? Então para ele não é mais prazeroso, ele começa a ter dificuldade, ele começa
— A deixar
— A deixar de lado,
— Porque dá trabalho. Então assim, aí eu vou comer menos, aí eu vou
— Me alimentar do que que é fácil se
— Né? A a batatinha, essas coisas que não bolachinha que não tem o valor
— Bolaha. Uhum. Tá. Existe relação entre saúde bucal e isolamento social?
— Muito, muito.
— Por que você acha que isso acontece?
— O isolamento social. Por quê? A a pessoa quando ela se olha
— No espelho,
— Ela às vezes ela ela vê o sorriso dela, porque o sorriso é a primeira coisa que você vê nas pessoas quando você se conhece e quando você tá se olhando, quando ela começa a ver que aquilo não tá legal, o idoso normalmente já tem um círculo de amizades, né, de de pessoas já restritivo. Então, quando ele se olha, ele não tá faltando dente ou então não tá bonito, ele começa a ficar mais restrito, né? É,
— Ele começa a deixar de de ver as pessoas e e às vezes acaba até entrando num estágio de depressão. Uhum.
— Que não seja não seja uma depressão, mas ele acaba se retraindo. É. Então,
— Pensar na na dentição como um fator de sociabilidade é muito importante
— Uhum. Você disse das próteses dentárias. Sim. Como que é feita a higienização? Qual é a higienização adequada?
— As próteses removíveis,
— Elas, o ideal é a cada alimentação se retirar, higienização com uma escova dental mesmo, cerdas macias e detergente
— Tá? Esse é o ideal. sempre que se alimentar, tirar e e aí na boca você também passa a própria escova ou pode passar uma gaze no dedo e limpar, né? Às vezes até pro cuidador, alguém que tá ajudando também, isso facilita porque tem que limpar dentro,
— Pode ser com água normal também,
— Com água normal, água de torneira,
— Ah, quer dar um saborzinho? Põe uma pastinha de dente, pouca coisa,
— Tá? Ou e até um antisséptico bucal também pode, tá? E então a parte da boca higienizar também, não só a prótese, tá? E a prótese com detergente neutro lavou, escovou, passou na água, põe de volta.
— E não esquecer da língua, né?
— A língua também,
— Que é muito importante
— Também. A língua também
— Tem dificuldade da língua, né? Mas é importante a língua no começo ela sempre todo mundo vai ter um pouco de ânsia, mas vai se acostumando a limpar isso vai ficando melhor,
— Porque tem que limpar até o fundo,
— Até o é o terço médio
— Da língua pr
— Pra frente, pra ponta ponta. E aqueles limpadores, raspadores de língua
— Também é uma opção.
— Tá. Ah, eu acredito que a própria escova seja melhor, mas na dificuldade de passar a escova, por conta até da ânsia que às vezes causa, tentar passar um raspador, eu acho que é melhor do que nada.
— Uhum. Antigamente as próteses dentárias isso na época da minha avó tudo, eu via lá ela de molho na água normal. Isso ainda acontece,
— Tem que acontecer,
— Tem que acontecer.
— Ah, tá. [roncando] A prótese ela por que que fica no no copo? Por que que a gente põe para deixar de molho para ela se
— E que acontece durante a a o sono, quando a pessoa tá dormindo, a gente diminui o fluxo salivar,
— Da boca.
— Então imagine você com menos fluxo salivar e tá com a prótese ali tapando a sua seus tecidos. Isso pode causar uma às vezes até uma cândida, alguma coisa na boca.
— Então a gente recomenda tirar pra pessoa dormir para manter até uma hidratação dos tecidos.
— Entendi. Aí faz toda a higienização, higieniza a prótese,
— Ah, foi engraçado assim. Eu
— É eu eu lembro também tem essa imagem do do meu avô, né? Também tem tinha o copinho do lado.
— Eu olhava assim, eu falei: "Ah, tá, mas tudo bem". Então isso faz a escovação, lava a prótese, deixa de molho,
— Higienização bucal.
— Toma água, importantíssimo,
— Tá? Para hidratar bem
— Cama d aí no dia seguinte ele inicia o dia também fazendo a escovação da boca, não só pegando e colocando a prótese,
— É o é o ideal dá uma uma uma limpada.
— É o ideal.
— Tomar água. Uhum.
— Hidratar e prótese.
— Você já falou aqui, né? Dificuldade para mastigar pode levar a desnutrição. Prótese mal adaptada interfere na alimentação, que existe perda do prazer de comer. [roncando] Isso impacta diretamente a qualidade de vida,
— Né? Quais os principais problemas bucais do envelhecimento? Os problemas bucais. ah, de ordem dental, ah, cáries por dificuldade de higienização, né? Problemas periodontais, seja na na gengiva, nos tecidos de suporte. retração cervical exagerada, né? podendo causar até sensibilidades também
— Quando retração, quando a gengiva vai subindo, gengiva sobe,
— O dente fica maior causa aquela abfração no dente, aquele degrauzinho perto da gengiva, né? Isso pode causar também sensibilidade também, dificultando ainda pro pro idoso ou pra pessoa a própria higienização ou própria alimentação, às vezes até toma água também, porque dá sensibilidade à pessoa breca.
— Sim, sim. Tá. Mau hálito, boca seca e feridas. Precisam de atenção
— Mau hálito.
— Tem vários fatores, né?
— Sim. Fator social,
— Né? Mas o mau hálito é indicativo de presença de algum problema frente a algumas bactérias na boca.
— Tá? Então precisa ter uma uma prevenção, um olhar para isso, ver entender o que que tá causando mau hálito.
— Uhum. Aí era perguntou
— Boca seca.
— Boca seca, xerostomia, tá?
— Ah, medicações causam muita xerostomia, tá? Principalmente pro que usa prótese total ou prótese removível.
— Deixa a boca seca, facilita a proliferação de candidíase.
— Tá. Então,
— E candidíase fungo, né?
— Fungo. É. Ah, é importante. A gente tem no mercado, tem até saliva artificial.
— Isso, um sprayzinho.
— Tem um sprayzinho e tem gel também,
— Tá? O gel para quem usa dentadura, por exemplo, pode até colocar na dentadura.
— E colocar, tem o gel também.
— Ah, isso vai fluidificar os tecidos bucais também,
— Tá? E as feridas precisa estar atento para ver que ferida que é, podendo ser até o indício de de algum câncer bucal.
— Uhum. O câncer bucal, falando de câncer bucal, ele pode dar em toda a cavidade oral, em qualquer espaço da cavidade língua, setor do lábio, língua, o assoalho bucal, orofaringe.
— Uhum. Por isso a avaliação ao dentista quantas vezes ao ano?
— O ideal é duas vezes por ano.
— A cada se fazer a visita.
— Mes fazer a visita.
— Da minha que a minha tá em dia, né?
— Tá em dia. Você esteve presente.
— Então existe relação entre saúde bucal e infecções?
— Sim. A falta de saúde bucal
— Causa causam infecções.
— Isso acontece muito na prática. Se recebe muito paciente com infecções
— No perfil dos dos meus pacientes hoje não, mas a início de carreira que atendia um público as clínicas mais populares tinha muito, tá? Então assim, era frequente a gente encaminhar algum caso, algum paciente para fazer um procurar um colcologista para fazer algum trabalho. Nesse sentido era comum.
— É por isso a importância do podcast, doutor, de levar a informação para aquelas pessoas que não têm acesso ao seu consultório, a uma consulta, o quanto é importante e a e a rede pública te dá
— A esse acesso aos dentistas.
— Sim. nos postinhos tem
— Tem atendimento odontológico. A procura tem que existir e a cada se meses passar por uma avaliação.
— Sim. A a o que a gente fala, né? O o mais barato é a prevenção.
— Para tudo.
— Seja pra saúde bucal, a saúde do corpo como um todo, seja para quem tem um carro vai fazer a prevenção do carro, do que deixar quebrado, do que deixar estragar, do que chegar a doença
— E aí sai mais caro.
— Como a ah eu não tenho recurso para ir num num num particular, você tem o o posto que você pode ir lá, passar lá a cada seis meses para ir checando. Uhum. E os profissionais são
— São muito bons. São assim, a odontologia
— Ela é top dois no mundo,
— Tá? Eu acho que ela é top um. O
— Perde às vezes um pouco no recurso
— Estrutural, mas como profissionais o Brasil num lugar melhor no mundo não tem.
— Né? É ótima essa informação. E para que todos fiquem cientes e orientados para procurar ajuda, para procurar
— Vai no postinho mais próximo da sua casa e agende a sua consulta duas vezes ao ano. A primeira consulta e aí o dentista vai avaliar e ver a frequência. Vamos falar de pacientes com demências, pacientes acamados, que costumam ter mais dificuldade na higiene bucal. como a família ou os cuidadores podem ajudar nesse cuidado desse paciente acamado, nessa higiene bucal,
— Ah, fazendo a higiene
— Da forma que você já falou,
— Da forma que já foi passado no paciente, né? Ele, obviamente, ele não tem condição dele se higienizar. preciso ter um olhar mais atento nesse tipo de paciente e com mais constância. Uhum.
— Tá. Então assim, às vezes não é somente duas vezes por dia,
— Por ano.
— Não, no no dia a dia.
— Ah, no dia a dia.
— No dia a dia, tá? às vezes não é, a pessoa tem que estar com um olhar mais atento, às vezes três, quatro vezes por dia e ter um serviço que hoje a gente tem também a o próprio dentista que que vá até a pessoa, né,
— Fazer um home care.
— Pelo menos também. Eu acredito que esse e esse três vezes por ano seria melhor, porque ele tem como ele tem dificuldade,
— Ele não consegue. A pessoa que cuida também não consegue e higienizar exatamente como deveria. Então ele precisa ter um olhar profissional ali mais apurado. nós oferecemos esse serviço na empresa, nós temos dentista e eles vão na residência, fazem o atendimento, mas ainda é muito, ele é oferecido, mas nem todas as famílias aderem, porque não existem a, não existe a preocupação
— Com a saúde bucal,
— Pensando em que saúde bucal é onde tudo começa, que pode levar outras doenças,
— O quanto é importante. É aquela frase, né? A saúde começa pela boca, não é à toa e é totalmente tudo, tudo, tudo, tudo. Inúmeras doenças, né,
— Passam pela boca, começam pela boca com bactérias que estão presentes na boca.
— Exatamente. É, exatamente. doenças, cardíacas,
— Cardíacas, neurológicas.
— Neurológicas. Exatamente. É, eu vejo essa resistência, essa dificuldade da família em entender a necessidade do dentista mais de duas vezes ao ano para avaliar a a saúde bucal desse paciente acamado, que muitas vezes ele tá com dor e não se descobre de onde é a dor, não tem uma infecção e acaba tratando e e dando um analgésico.
— É, e passa. A gente acha que passa, Mas o idoso não tem febre, mas pela expressão facial, expressão de dor, a gente percebe que ele tá com dor e muitas vezes acaba sendo na boca. É o o problema assim, a o dente você até tira a dor momenta, mas você não tira o o problema sem um tratamento, sem um sem o a mão do profissional
— Atuando. Você pode até tá tomando o remédio, vai passar a dor ali, mas o problema vai persistir. Só que ele persiste às vezes silenciosamente,
— Vira uma infecção grande. Por quê? Porque ficou o problema ali quieto, ficou gerando, gerando, gerando, criou uma infecção e aí quando vem o problema é muito grande, né? É, é maior, é maior
— Por falta da prevenção.
— Exato. E com os pacientes que têm demência, que tem uma menor abertura
— Bucal, a higienização não é perfeita, porque não tem como fazer, não tem como você, ele não pode engolir porque ele tem dificuldade, né, de deglutição, então qualquer ele pode broncoaspirar. Então ele tem, às vezes tem muita saliva, tem que usar a medicação para diminuir a saliva. E
— Aí como ele não tem essa abertura, ele tem muita força.
— A gente não consegue abrir.
— Tendo muita força, às vezes ele morde a língua, ele machuca, ele morde o lábio, ele machuca, né? Então tem até o um profissional que ele faz a aplicação com a a prescrição médica do do botox até da toxina botulínica. para poder ir melhorando. Mas o que eu trago aqui é a importância da avaliação odontológica, mais vezes na residência, quando esse paciente não é possível ir até um
— Eu acho que é suma importância ter um número maior de de visitas profissionais. eu me preocupo muito com o os pacientes acamados, com dificuldade,
— Porque Andréia, ele às vezes assim, ele tem a dor, mas ele não consegue falar.
— Uhum. Não, não consegue.
— Ele às vezes até fala, mas ele não sabe da onde, né? Então, aí que que acontece com ele? Ele fica mais angustiado, se trava mais,
— Que a, né,
— A musculatura enrijece mais. Come menos porque tá com dor, fica rejeitando às vezes assim, ah, ele fica rejeitando alimento, alguma coisa, mas é por quê?
— Desnutre, mas é por quê? Porque ele tá com alguma dor na boca, tá? Alguma coisa tá impedindo ele de mastigar. por isso que eu trouxe esse episódio para mostrar a importância do tratamento odontológico no envelhecimento e do tratamento odontológico da visita do dentista na residência, quando esse paciente não pode ir, porque muitas vezes ele é esquecido, o profissional é esquecido e o paciente é esquecido. E é muito, muito importante. nós oferecemos estamos com bons resultados, mas ainda precisamos melhorar muito, conscientizar muito mais
— A família de que aquele paciente precisa. Cuidar da boca também é cuidar da saúde como o corpo inteiro, né?
— Cuidar da boca é cuidar como se tivesse cuidando do corpo inteiro.
— Até porque a boca ela não é separada do corpo, né?
— Não é não é não é, né? Quais cuidados básicos fazem a diferença no dia a dia? no dia a dia para o ido,
— Para o idoso, para os nossos idosos, os cuidados básicos é os mesmos cuidados básicos que a gente tem, não muda. eu falo o que eu falo paraos meus pacientes, né? Faça o faça o eu falo o que eu faço, né?
— Eu tenho uma rotina de acordo, escovo o dente, café. Escova o dente. Almoço, escova o dente. Janto, escova o dente. Aham. Tá. Sim. Ah,
— Então e essa rotina é o ideal. Ah, não
— Que que é o mínimo?
— Pelo menos duas vezes por dia,
— Tá. pós café da manhã e antes de dormir, pós jantar.
— É, eu não consigo ficar sem. Eu tenho na bolsa já. Então é porque quando você começa a fazer realmente você não consegue ficar sem
— Você se acostuma com aquilo e você sente o o prazer que é ter a boca limpa, né?
— E o ideal é isso, mas ah, não dá, não dá tempo, não tem alguém para ajudar, tal. Então você tem que ter pelo menos dois momentos do dia que você vai se com a sua boca,
— Tá? E o paciente acamado da mesma forma. da mesma forma,
— O máximo que você conseguir limpar, mas todas essas vezes ao dia.
— Todas essas vezes ao dia,
— Tá? Isso fica claro pros nossos
— É, a higiene ela tem que tá nesse nessa forma, tem que fazer parte, não pode ficar negligenciado, ah, depois eu faço, ah, depois eu faço, porque depois não vai fazer, vai,
— Tem que ser regra igual você toma banho, lava cabelo, faz tudo,
— Né? às vezes perde tempo para fazer algumas coisas e não pro principal.
— Principal. O paciente acamado, quando eu vou fazer essas higienizações durante o dia, eu também posso colocar a gazezinha e limpar com a gaze. Po, pode.
— Mesmo que ele tenha dente ainda.
— Po, a língua, a envolvendo,
— A bochecha, o assoalho.
— Uhum. Eu só tenho, acho que talvez eu tenha que ter cuidado com o creme dental
— Né? É, talvez só com água, só com água mesmo, tá? Porque a a gaze ela ela ela tem o poder sim de remover a as células mortas, né, que tão ali na presença na mucosa, dá dá uma dá uma limpada na língua também. Ela por ser áspera, ela raspa, né?
— Tá. Todos os o a maioria, não todos, mas a maioria dos tratamentos que se faz no consultório, eu consigo fazer na Hoje, hoje eu tenho profissionais que
— Que tem o consultório móvel, né,
— Móvel e consegue fazer, logicamente que exames aí raio X, essas coisas não, né?
— Até tem hoje em dia até tem o raio X móvel, né? móvel que faz, porque tudo isso facilita esse paciente acamado. Realmente começa a a saúde começa pela boca e você também as doenças também podem começar pela boca. Então isso é pouco compreendido e entendido pela família. É saúde e
— Saúde e doença. Você tanto e higieniza a boca e promove a saúde bucal, como você não higieniza e promove as doenças vinda dessa boca que não foi cuidada.
— Sim, sim. Exatamente. Falta essa essa
— Dessa dessa relação, né? Isso. Mas aí não é somente pro idoso, né? É
— É geral.
— É geral. É desde da da infância até o
— Uhum. tem essa essa falta de compreensão. É é muito normal. As pessoas ainda não t essa similaridade. Nós falamos que hoje a população já tá mais esclarecida, já tá tendo menos perdas dentárias. Você vê isso no seu
— Ah, esclarecimento, né? A a que as pessoas têm, a prevenção
— Uhum. que foi iniciada na nossa época de jovens, de crianças,
— Tipo três anos atrás,
— É super recente já. [risadas]
— A que foi o período que começou a prevenção mesmo, né, a década de 80, 90. Então, hoje isso a gente já tá colhendo frutos. E a que eu falo, né? A a geração do, por exemplo, da minha filha tem 10 anos, provavelmente vai chegar
— Intacto, se não sofrer um acidente, nada, intacto até o fim de vida.
— Hoje as as pessoas também se preocupam mais com a estética.
— Com a estética. É,
— Não deixam mais nada faltando. Ainda
— Ainda existe. Ainda existe.
— Mas você vê mais sorrisos bonitos. É o que o problema é às vezes tá bonito na frente, mas no fundo o que tá escondido tá negligenciado.
— É, pode ser.
— Tá, então tem tem que ter assim, não adianta tá é igual a a casa, né? Não adianta est a fachada da casa bonita e o
— Bagunçado lá dentro,
— O fundo tudo bagunçado, tem que est harmonioso, né? Porque o fundo ele é o pilar de sustentação. Uhum.
— Pra longevidade do que tem na frente.
— É, com certeza. Eu eu tive algumas pacientes e tenho também hoje que elas se preocupam muito com aparências as
— E é muito bonitinho o cuidado que tem com a saúde bucal.
— Acho, eu acho demais isso assim. É porque eu eu sou apaixonado por estética, né? É.
— Então eu vejo o perfil você ver, né? Hoje sem o perfil das minhas pacientes que fazem estética ou os pacientes, né, fazem estéticas, estão de 50 para mais em muitos de 60, 70. Uhum.
— Né? preocupado com isso, né? Porque é o o bem-estar, a a autoestima, né? Que a pessoa às vezes perde em algumas coisas, mas ela precisa se recuperar. E não tem, vocês não têm noção. Você tem porque você você [risadas] fez, mas as pessoas que ainda tão pensando se vale a pena, vocês não tm noção o que que é
— Ter um sorriso bonito, o quanto que você vai ganhar.
— É, é o meu sorriso é agradável.
— E a ideia, se não falar, porque é ele que [risadas] cuida.
— Se você pudesse deixar uma orientação importante hoje para as famílias, para os pacientes, para os profissionais da área da saúde, qual informação seria?
— Cuidado extremo com a saúde bucal.
— Tá? Cuide, olhe muito bem, tá?
— Procure um dentista para tá olhando, para tá avaliando. Não negligencie isso.
— Tá? porque é muito importante, tá?
— E não falamos só de estética, falamos da saúde bucal.
— É da saúde. A estética é uma
— A estética, exatamente,
— Uma consequência. Se você tiver, né, quiser mesmo
— Fazer e manter um sorriso mais bonito, mas se você estiver contente com o seu sorriso, tá tudo bem. E a saúde bucal é
— É, não, não existe estética sem saúde
— É, é, é.
— Agora existe estética com saúde bucal.
— É, é verdade,
— Tá? É, é isso.
— Muito obrigada pela sua participação. Foi importante. Que bom
— Que a partir de hoje as pessoas reflitam mais e enxerguem a necessidade de procurar o dentista, de procurar a avaliação odontológica, que seja no posto, que seja no particular, mas que vá, vá e cuide da saúde como inteiro e principalmente da saúde bucal, que no final é qualidade de vida
— Completamente. Obrigada.
— De nada.
— Cuidar da saúde bucal vai muito além do sorriso. [música] É cuidar da alimentação, da autoestima, da comunicação e da qualidade de vida. Se esse episódio fez sentido para você, compartilhe com alguém que precisa ouvir isso e acompanhe [música] o viver mais, cuidar melhor nas redes sociais. Até o próximo episódio.
Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação médica individualizada.
Precisa organizar o cuidado em casa?
A enfermagem da EPAD conversa com a família e monta o plano.