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Podcast Viver Mais, Cuidar Melhor · 9 jul 2026 · 50 min

Você já está de luto, mesmo ele ainda estando vivo?

Com Andressa Feigel, musicista, terapeuta transpessoal e doula do fim de vida · Instagram

Andréia Teodoro recebe Andressa Feigel, musicista, terapeuta transpessoal e doula do fim de vida, para falar do luto que começa antes da morte, do luto reprimido, da dificuldade de falar sobre o fim e de como a escuta e a presença acolhem quem parte e quem fica.

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Transcrição automática do áudio, com correções pontuais de nomes e termos. O travessão marca a troca de quem fala.

Existe um momento da vida em que as palavras já não resolvem e a presença passa a ser o seu maior cuidado. Seja bem-vindo ao viver mais, cuidar melhor. O espaço onde eu cuidado vai além da doença. Eu sou Andréia Teodoro e hoje vamos falar sobre um tema delicado, mas profundamente humano. O cuidado emocional, a presença e o acolhimento no fim da vida.

— E para essa conversa tão sensível, eu recebo hoje Andressa Feigel. é musicista, cantora, professora de canto, terapeuta transpessoal, e doula do fim de vida. Com formação em música e pós-graduação em psicologia transpessoal, encontrou no caminho, na escuta e na presença seu propósito de vida. Seja muito bem-vinda, Andressa. É um prazer tê-la aqui hoje conosco para falar de um tema tão delicado.

— Obada. É, então tabu,

— Um tabu, mas hoje nós vamos tirar todas as dúvidas e até as minhas dúvidas,

— Obrigada pelo convite, Andréia. Um prazer.

— Prazer é todo meu. Vamos lá. O que é uma doula da morte?

— Olha, o conceito em si vem do grego e significa cuidar e acolher,

— Tá? É, na verdade o resgate de um cuidado ancestral. Até anteontem a gente tinha a finitude da vida em casa.

— Né? Se adoecia, vivia esse fim de vida, esse processo ativo de morte mesmo na própria casa.

— É, os

— Próprios velórios eram feitos em casa com cuidados de familiares, pessoas da comunidade. Então, uma coisa muito natural. Uhum.

— Muito ancestral. E a doula traz esse resgate desse ancestral, apoiando a dignidade de ser até o fim, né, nessa travessia, seja ela qual for, né, o tamanho que tiver desse fim de vida.

— E apoiando o luto de quem está partindo, o luto de quem está ficando.

— E como surgiu esse caminho na sua vida? Olha, eu tinha 8 anos quando a minha avó, materna, que me criou junto com os meus pais e meu tio, faleceu. E foi muito marcante isso para mim, porque eu não fui levada no velório, no enterro, na despedida, sabe?

— Isso marcou minha vida muito Eu lembro até hoje da sensação física que eu tinha mesmo, sabe, de me sentir deixada para trás, traída mesmo, né? Quando eu descobri que ela tinha morrido, eu não tinha estado ali essa presença, sei lá o que eu imaginava, né? Com 8 anos. Sim.

— Mas foi muito marcante na minha vida. Dali eu cresci com essa premissa de a morte vai ser uma coisa natural na minha vida. Quando eu tiver filhos é esse legado que eu quero deixar, que eu quero passar. E curiosamente durante a vida, por conta da música, eu sou cantora, eu fui a vida inteira chamada para participar. cantar em velórios, em despedidas, em missas, mesmo não sendo exatamente, né, de religião católica, mas muito presente nesse momento com a música como forma de acolhimento, de presença, né? Então, foi uma coisa muito natural assim na minha vida. Até que na psicologia transpessoal, nesse curso, né, de em nível de pós-graduação, eu conheci esse conceito de parteiras da finitude, como tem as parteiras de nascimento, né?

— Sim. Sim.

— Esse conceito e esse até mesmo o cuidado com o corpo morto, né? A tanatopraxia que entra nesse cuidado, né, de fim de conheci no início da pós-graduação e culminou também com a morte do meu pai, né, que foi um momento muito marcante e a gente vai ressignificando o luto de muitas formas e talvez esse caminho tenha se constituído por aí também com esse ressignificar.

— E qual o papel da doula do fim da vida nesse processo de finitude? O que realmente de fato você faz? Essa é a nossa curiosidade.

— Sim, eu imagino

— Em que momento você entra para cuidar dessa família, não só dessa pessoa que está no fim da sua vida, mas acho que

— Também da família, né? Todo um contexto ali gerando naquele fim da vida.

— E o seu universo particular ali, né? Tudo que envolve esse ser.

— Uhum. vou contar um pouquinho então, né, de uma atuação que foi

— Assim mais completa que eu já fiz até hoje, né, por conta de de ser cantora e de ter eu tenho a premissa de que a música é transcendental, né? Além do som ter propriedade física mesmo de de conforto, né, relacionado mesmo a até transformações físicas. também creio nessa transformação mais transpessoal mesmo. E no final da pós-graduação, eu bolei um ritual, né, com mantras. Eu também sou cantora de banda de mantras, tal. Então isso faz muito sentido na minha vida. E apliquei numa pessoa que estava já com um câncer bem avançado, né? E foi muito legal porque ela de fato sentiu, né, as hipóteses que eu tinha lançado que era uma melhora nesse conceito de dor física, de dor total, né, que as dores físicas acabam

— Se transformando em dores de vários de várias profundidades diferentes, néum? E então eu comecei esse processo com ela. A gente fez duas intervenções musicais onde eu cantava para ela os mantras, né, com esse estado de presença, né, de de estar ali, sim, fisicamente, emanando mesmo essa coisa do som, mas sustentando mesmo essa Daí ela foi se encaminhando mesmo, né, para esse processo de fim de vida, já entrando em cuidados paliativos, ainda com o tratamento convencional e depois se viu que não era mais o caminho, ia ficar em cuidados paliativos até chegar no fim da vida.

— Fim da vida. Uhum. E você ficou com ela até o fim da vida.

— Eu fiz algumas intervenções com ela. Então foi mais ou menos em forma de vigília, né? Como de novo a gente fazia. né, ancestralmente, que é estar presente com o maior a maior presença possível mesmo, né? Então, eu fiquei três dias, três tardes todas com ela intercaladas. Na primeira ela já estava, ela tava ainda consciente, né? Então, cantei, fiquei, sustentei, perguntei o que deu, espintando os silêncios, as palavras. Intercalei um dia, no próximo ela já estava bastante inconsciente, né? Só com as medicações paraa dor. Então, esse desligar do corpo, da mente,

— Né, do próprio da parte espiritual se fazendo ali, né?

— O corpo vai se desligando.

— O corpo vai se desligando, né? e acompanhar esse processo na forma dela, apesar dela ter adoecido, foi um processo mais natural possível para aquele momento.

— Acho que o papel da doula é esse, trazer à tona que isso é uma beleza.

— É uma beleza como nascer. É tão sagrado quanto. Uhum.

— E sustentar esse campo de energia, né, que sim envolve dor. Uhum. envolve sofrimento e envolve o luto da própria pessoa ao saber que sim está morrendo,

— E da família, do entorno, né, das pessoas próximas. Então é todo esse muito compassivo e muito em forma de apoio mesmo, né? A família precisa desse acolhimento. Eu entendo e já passei por isso, que se tem uma pessoa que já está fazendo esse trabalho, que já criou um vínculo, acaba sendo até mais fácil nesse momento de passagem, nesse momento de dor, nesse momento de sofrimento, você entra bem antes, você entrar bem antes de todo esse processo de ativo de morte.

— Sim. é melhor, você consegue fazer uma diferença ou entrar somente no processo ativo de morte, você tem um outro, uma outra visão. O que é melhor, qual cenário se encaixa melhor para efetivamente você fazer o seu trabalho? esse conceito de fim de vida, eu gosto desse olhar ampliado dele. Então, vou trazer três momentos possíveis, né? Em geral, quando fala assim em fim de vida, a gente pensa naqueles últimos dias, né, naquelas últimas horas. E sim,

— O papel da doula pode estar aí, né, resolvendo coisas práticas que sejam possíveis, sustentando o que o que puder ser sustentado do que você conhece desse ser que tá partindo, familiares, cuidadores, toda a equipe, né, multidisciplinar envolvida. se é um caso hospitalar, por exemplo, toda essa equipe envolvida. E sim, esse conceito de fim de vida bem pertinho da morte é um campo de atuação da doula.

— Ampliando um pouco esse conceito de fim de vida, [roncando] vamos supor que uma pessoa foi diagnosticada com uma doença ameaçadora da vida. Sim,

— A gente não sabe do desfecho, mas uma doença ameaçadora coloca às vezes essa pessoa e essa família nessa condição de pensar mais nesse fim de vida ativo. O papel da doula nesse momento pode acontecer de uma forma um pouco mais ampliada, porque a gente não sabe quais os desfechos exatos, mas pensar junto com essa pessoa e com essa família, os desdobramentos possíveis disso, os caminhos, os possíveis estar junto, sustentando, escutando esse prognóstico e tirando um pouco do peso desse luto que é antecipatório, sim,

— Ser diagnosticado com uma doença qualquer que seja,

— Só passa a viver o luto.

— Já é uma travessia completamente diferente da prevista, né? Seja a doença que for, a condição hospitalar que for. Então, nesse lugar, a doula tem uma forma de de atuação um pouco mais ampla, né? E aí eu gosto de um outro conceito que é o fim de vida a partir daquela segunda metade. Uhum.

— Eu ano passado fiz 45 anos e eu fiz uma festa que eu chamei de festa da

— Porque se eu viver até os 90, eu tô na segunda metade da vida. Isso, na minha visão, muito amorosamente comigo mesma, é o início do fim da minha vida.

— Uhum. né? A gente tem um prognóstico de uma idade média do brasileiro que é até bem baixa, né, perto de outros países, de idade de morte que é por volta dos 77 anos de idade, não é?

— Se eu estou a 45, já

— Aumentou um pouquinho,

— Não. Em 1940 era 45 anos,

— Agora já tá 75. vai aumentar, porque a qualidade de vida tá aumentando,

— Tem a qualidade de vida, tem esse próprio prolongar da vida, né, que a gente também pode falar um pouquinho mais. E daí às vezes custe o que custar, né? E isso também é um ponto, né?

— Isso mesmo havendo sofrimento, mas que estique a vida.

— Exato, né?

— Então a doula também pode atuar nesse lugar muito antecipado a princípio, porque o dia mesmo a gente não sabe, né?

— Mas a princípio pensar no que pode ser pensado para essa segunda metade da vida, né? Para esse início de trajetória, de fim de vida. [roncando] Quanto menos urgente nos parecer o momento da morte, mais providências, mais compassividade, a gente consegue consigo mesmo, né? lidar com esse processo de finitude para quem tá indo e para quem tá ficando, sabe? Ampliar esse processo mesmo, esse olhar de que sim, a intervenção pode ser feita muito antes.

— Uhum. E por que é tão difícil falar sobre morte? Eu mesmo, eu sendo da área há muitos anos, há quase 30 anos, é muito difícil falar de morte, mesmo trazendo pessoas aqui, falando de cuidados paliativos, de diretivas de vontade, trazendo uma doula, né, do fim da vida. É difícil falar, é um tabu. Muitas pessoas acham, eu já não acredito que atrai, vai acontecer mais rápido.

— Por que ainda é tão difícil falar sobre morte? Olha, eu acho que a morte é vista como uma Isso é um ponto muito importante, vamos falar de hospitalização, você tem bastante essa experiência, né?

— A equipe em geral luta e é treinada para cuidar desta vida, desta Uhum. e em princípio salvar essa vida

— E o médico curar a doença.

— O médico curar a doença.

— A gente a pouquíssimo tempo tem a entrada dos cuidados paliativos que traz um pouco esse olhar de, opa, pera aí,

— Cuidar da pessoa e não da doença.

— E não da doença.

— E não só deste prolongar da vida custe o que custar.

— Uhum. Então eu acho que esse primeiro ponto é muito importante, a gente talvez ter essa amorosidade de olhar como um processo natural e não como uma derrota.

— Eu acho que inclusive esse é um ponto onde a doula tem um diferencial, né, em relação à própria equipe que é o lugar de não considerar a morte uma derrota.

— Alguém falhou.

— Uhum. o próprio corpo falhou. Uhum.

— Né? Uhum. é um pouco violento às vezes a gente até pensar nesse aspecto, né? Nosso corpo é muito sábio. Confiar nessa sabedoria ancestral, mais que milenar, a gente não estaria aqui enquanto ser humano, já teríamos sido extintos, né? Então essa amorosidade de olhar como um processo e não uma derrota, acho que isso é um ponto muito importante.

— É, mas a sociedade evita esse assunto.

— Evita esse assunto. E não sei se se isso muda, isso já vem de longos longos anos. É muito difícil falar de morte.

— Sim, porque a gente tem essa aspecto de perder alguém.

— Uhum. Uhum. Falar [roncando] de morte paraa sua família é difícil,

— Nós que somos profissionais da área da saúde entendemos, eu entendo que é o melhor caminho, né? Ter uma doula é o melhor caminho, o melhor dos mundos para quem tem essa possibilidade.

— Fazer uma diretivas de vontade é o melhor caminho. Ser cuidado por um paliativista é o melhor caminho.

— Né? Você minimiza sofrimentos, você é visto como uma pessoa e não como uma

— Eu entendo tudo isso. Agora, quando você traz isso pra sua família, dói, né? Porque você não quer perder. Sim.

— Não quer perder. Quer perder pai, você não quer perder irmão, você não quer perder filho, você não quer perder ninguém. Eu acho que falar de morte é trazer uma dor de perder alguém muito querido, que tratar com a morte dos nossos pacientes, lidar com a morte no conceito familiar, nós conseguimos, eu consigo lidar muito

— Tá? Eu tenho esses dois, eu consigo falar muito bem sobre morte, sobre cuidados paliativos, sobre diretivos de vontade e precisamos usar recentemente o meu meu ex-marido morreu por por um câncer, passou por cuidados paliativos, precisou, fez, né, as diretivas de vontade. Foi muito bom ter o papel,

— O que ele queria e o que ele não queria. Isso foi respeitado até o final, facilitou pra família. Vivemos o luto durante a doença.

— Não foi fácil, foi sofrido, foi doído para todo mundo e muito mais para ele que foi consciente até o último minuto de vida.

— Sim. Sim.

— Então é é difícil,

— É difícil falar. Então, a doula do fim de vida eu mesma não conhecia.

— Não conhecia. Que te encontrei recentemente e achei muito

— Importante trazer, porque muitas pessoas não conhecem e não sabe o que faz uma

— Do fim de vida. Existe a doula do

— Mas nunca passa pela cabeça. E eu achei muito importante trazer

— Porque eu tenho episódios de cuidados paliativos que vai ser colocado na segunda temporada, episódios das diretivas de vida, o quanto faz diferença você ter tudo descrito,

— E registrado.

— Falar sobre isso,

— Falar sobre e te trazer aqui completa, faz um trio, né? Agora eu tenho um trio de episódios falando sobre isso e da importância de cada um e o quanto faz

— O quanto fez diferença para mim na minha vida mesmo como pessoa, o quanto fez diferença como profissional e faz pros nossos pacientes.

— Então te trazer aqui esclarece muita

— Mais uma vez eu agradeço.

— Eu que agradeço. Uma honra. Olha, Andréia, sabe esse aspecto que você falou dos familiares? quando é uma coisa muito próxima, né, do quanto é doído. Meu pai faleceu em 2023, né, ele enfartou e e faleceu. Eu fui socorrer porque até então, né, a gente não tinha certeza, ele enfartou e daí eu fiz os primeiros os, né, socorros de massagem cardíaca ali, né, para para ele voltar. enquanto nos chegava o socorro, SAMU, né? Ele foi encaminhado para hospital ainda porque ainda era um tempo relativamente viável e houve todo o processo que geralmente se faz, né, de ressuscitação ali, nem sei se essa palavra certa, né? Reanimação. Reanimação. [risadas] É, também

— Reanimação. E ele morreu,

— Inesperadamente, né?

— Exato. Porque é um infarto, né? Ele não passou por uma doença, né? Então é, é aquela coisa que, opa, que será que aconteceu, né? Eu me lembro de eu ter parado, minha mãe pediu para eu levar o celular dele pro hospital e eu me lembro de ter parado na sala e tentando achar o celular. Daí eu me dei conta porque eu eu ajudei a carregar o corpo. Até então não sabia que era já o corpo morto, né? Mas ajudei a carregar a escada baixo e fiz todo esse processo, levei até a ambulância e tal. E daí eu parei no meio da sala assim, eu falei, eu acho que meu pai morreu. Parece que se um outro tempo espaço aconteceu. Liguei pro meu esposo que tava com as minhas filhas, tinha saído, minha mãe tinha me ligado, eu tinha ido para lá, falei: "Eu acho que o meu pai morreu.

Tô indo pro hospital agora, mas acho que meu pai E daí, Andréia? Eu passei muito bem por essa fase. Por quê? Porque eu tinha o entendimento, não é verdade? Eu como processo de vida vinha trazendo essa leveza, vinha trabalhando com isso na própria, né, no próprio curso de psicologia transpessoal, que considera a espiritualidade como parte integral do ser. [suspirando]

— Fala muito sobre mim, sobre isso, né? A gente trabalha muito esse lugar. Então, eu tinha um entendimento, não é verdade? Pois bem, passei o ano, um ano inteiro, renegando esse luto.

— Você entende? Essa leveza que eu tinha

— Foi prejudicial para mim. Na verdade, eu não vivi a tristeza

— Do luto.

— Do luto. A tristeza de sim ter sentido que eu perdi uma pessoa importante.

— É que você perdeu assim.

— Exato. Né?

— Perdeu de uma hora para outra. Exato. O que na verdade evita muitos sofrimentos de um processo de adoecimento.

— O antes ou é depois,

— Evita uma série de sofrimentos do que eu já vi acontecer e você muito mais nesse processo de adoecimento. Uhum.

— Né? Pesado às vezes do corpo, né?

— Sim. Sim.

— Então, foi muito importante eu ter passado por essa falsa leveza, sabe E depois de um processo mesmo dentro do do curso, uma prática respiratória, né, que a gente fez como exercício do curso de psicologia transpessoal, foi onde eu tive uma catarse e eu senti fisicamente aqui, ó, me invadi assim, ó, a tristeza,

— A tristeza do meu pai ter morrido,

— Né? Uhum.

— E eu descobri uma coisa que foi muito importante para mim e acho que isso me fez ter muita clareza de que é um chamado mesmo, sabe? Esse caminho

— É o seguinte,

— O entendimento que você tem, né, que eu tenho, outras pessoas têm, não invalida e nem a dor.

— Sim. Sim.

— Você vai sentir

— A dor, a tristeza. que é a gente sentir que tá perdendo sim alguém. E essas coisas podem acontecer ao mesmo tempo, não substituir uma pela outra.

— Eu substituí a leveza

— Por muito tempo. Tive um adoecimento do corpo durante um ano de várias maneiras. Tive um adoecimento emocional, né, psicológico durante esse ano, mas não, magina, porque eu tenho entendimento, eu tô ótima, né? E não, eu estava péssima, eu estava muito triste e não dei vazão para isso.

— Não tive, não tive. [risadas]

— Faria diferença.

— Eu acho que sim, né? Inclusive nesse aspecto, né? Porque a gente quer tanto levar esse essa leveza, esse não, porque daí tem a minha mãe, né, meu irmão, minhas filhas que perderam, né, o avô. Então você fica nesse lugar um pouco de cuidar do outro. Isso também é muito importante e não da gente.

— É, e não da gente,

— E precisa.

— E precisa.

— E se você tivesse uma doula da morte nesse momento, faria diferença.

— Eu acho que esse olhar de espelho mesmo,

— Porque você achou que daria conta.

— Exato. Tinha certeza que eu tava dando conta, sabe? Exatamente. Então, eu tava muito segura disso. Isso para mim é uma das coisas que pode também tentar ajudar nesse tabu,

— Sabe? Sim. É. Triste.

— É triste. A tristeza faz parte da morte como faz parte da vida.

— E ela não substitui as outras coisas que acontecem ao mesmo tempo. Pode ser sim mais leve. Pode sim se pensar numa forma melhor possível de morrer quando a gente tem um pouco desse controle, né? Um pouco de

— De tempo que seja, um pouco desse olhar de trazer à tona. Esse assunto por si só já pode ser de grande valia.

— Com certeza. Com certeza. Falar sobre a morte não faz a vida acabar antes,

— Eu acho, né?

— Mas a vida ser vivida com mais

— Exato. Acho que a palavra é consciência, né? Consciência de que a gente só não sabe quando, mas que todo ser vivo, não só o ser humano, todo ser vivo morre.

— Como todo ser vivo nasceu de alguma forma, né? Você trabalha a a doula da morte, trabalha em hospitais, trabalha [roncando] em contratação particular, a família pode te contratar, desde que conheça todo esse trabalho.

— Você é indicado por qual indicada por qual especialista? no geral, mais nesse lugar dos cuidados paliativos, né?

— Tá, você trabalha com a equipe de cuidados paliativos. Ah, bacana.

— Sim. A doula da morte não é regulamentada ainda no Brasil como uma profissão. Ela é uma ocupação, né? Como os cuidadores, por exemplo, né? Entra nesse mesmo lugar.

— Então ela não é exatamente uma profissional nesse sentido legislativo, né? Mas em grande maioria ela tá sempre em em ali nesse lugar. de clínicas, por exemplo, né, de idosos. Eu agora tô trabalhando, fazendo um trabalho numa casa de repouso. ILPI.

— Exato. Então, lá as pessoas estão em fim de vida, não exatamente no processo ativo de morte, mas nessa travessia final, né? Às vezes com um pouco de adoecimento, às vezes menos,

— Mas nessa travessia final. Então esse lugar da doula estar atenta a esse processo de finitude no que pode ser contribuição e apoio para essas pessoas, para essa própria casa, para esses familiares, né, nesse contexto e sim dentro de hospitais, né? E de fato o que realmente ainda eu tenho dúvida, você faz quando você entra num quarto de um paciente, sua primeira visita, você já entendeu todo o contexto daquela família, daquela doença, daquela vida. Você entrou no quatro, o que você faz? Olha, tem algumas formas de abordar, né? A primeira coisa que eu particularmente faço é dizer para aquela pessoa que eu sou um ser humano e que naquele momento eu estou com a minha mão estendida para ser um apoio de que tipo for, mas um apoio muito firme e para o que vai se seguir, né, naquele contexto de vida em geral.

As pessoas estão, por exemplo, no cuidados paliativos, estão mais cientes um pouco de que tá chegando esse processo de finitude. Então, às vezes, essa conversa já acontece um pouco nesse lugar, mas a primeira coisa é assim, ó. Eu estou aqui para te escutar, tá? O que é que você gostaria de dizer?

— Ah, tá. Você pode me contar um pouco de como você tá se sentindo nesse momento? Então espera um pouco.

— Às vezes ele não quer conversar.

— Às vezes não quer conversar.

— Acho que muitas vezes ele não quer

— Né? E qual é o papel então? é sustentar esse silêncio.

— Silêncio. O silêncio

— É sustentar e perceber que tem um processo difícil acontecendo, que envolve dor, medo, dúvida, né? É esse lugar de sustentação.

— Muitos falam os que estão conscientes e conseguem conversar com você que o maior que eles mais sentem é medo.

— Olha, muito sim. Em especial e medo de Tem muita gente que tem medo de dar trabalho. Não sei se você já passou, não

— Sim. Trabalho pra família.

— Prefere ir logo para não dar trabalho,

— Né? Ou então assim, ai, olha, eu não resolvi algumas pendências, então, como que isso vai se dar?

— E aí você se coloca à disposição para ajudar ela a resolver? Então é em partes emocionais no geral, né, nessa conversa e em parte prática mesmo, do que eu, do que eu posso ser apoio para ser resolvido na vida prática daquela pessoa, daquela família, né?

— Um familiar que não conversa mais, você pode tentar falar com esse familiar e

— E tudo isso, Andréia, vai partir de quem? De quem tá ali, né?

— Da vontade dele,

— Da vontade, do que for expresso, do que for. E é claro que conforme a gente vai criando esse vínculo muito compassivo, profundo e muito lentamente até para respeitar esse momento, você pode também ir investigando um pouco, né? Então, a partir dessa pergunta, como você tá se sentindo

— Uhum. Pode vir. Eu estou com medo. Eu estou tranquilo. Eu e aí a gente pode ir perguntando, né?

— Medo do quê? Será?

— Medo da morte.

— Porque a gente saber nomear as coisas pode ser tão libertador. Escutei. Não sei se tem algo. Não sei se eu vou encontrar alguma coisa, não sei se é lá ou aqui. Não sei se é ou se tem lá.

— Sim. ou se somente a vela apaga.

— E ao mesmo tempo eu escutei: "Eu já quero ir,

— Não aguento mais. Eu já quero ir." Mas você não acredita, quer ir para onde?

— Então é tudo são essas perguntas

— Que eu acabei fazendo nessa

— Nesses meus anos de trabalho.

— Sim. que eu acabei fazendo a

— Certamente eu não tenho dúvida de que a gente tem isso

— Muito ancestral, né? Tá aqui, tá carregado com a gente. Eu não tenho dúvida, né? De que especialmente com esse treinamento depois, né, que você tem dos cuidados paliativos, eu não tenho dúvida,

— Né, de que existe uma doula.

— É. E da mesma forma que você cuida deste paciente, você dá todo o apoio, mesmo que não tenha palavras, mas tem a presença, tem o silêncio sendo respeitado. E aí você pode ter a demanda da família, a família precisando dessa ajuda até para lidar com esse paciente, porque em alguns momentos, pela fragilidade do paciente, ou ele tá mais calado ou ele tá mais agressivo. Como lidar nesse momento?

— Sim, exatamente dessa mesma maneira, né?

— Tá? Um familiar se aproxima. E a mesma pergunta, né, partida de mim é: como eu posso te ajudar? como é que você tá?

— Como você tá nesse momento?

— Acontecendo tudo isso, né? às vezes processo de adoecimento. Então, e aí são 1000 coisas, porque o cuidador, né, seja profissional, seja familiar, tá super dolorido, tá super carregado, se sentindo muito cansado de várias formas,

— Com muitas dores físicas, né, Então, é esse lugar todo desse cuidado,

— Que ao mesmo tempo é

— Nesse lugar da compaixão que envolve a empatia de você saber que que existem muitas dores, mas também de que você talvez possa ser apoio prático mesmo para coisas que possam ser resolvidas naquele momento e que o familiar tá tão sobrecarregado, o cuidador tá tão sobrecarregado que não consegue nem perceber, por exemplo, as diretivas de vontade, né? Por exemplo,

— É possível que, por exemplo, se você escuta uma consulta, né, o médico vem, passa a visita e daí fala, às vezes as pessoas estão tão perdidas que não conseguem escutar o que foi dito, né? não consegue assimilar quais são as as as decisões que vão ser tomadas a partir daquele momento, ele tá vendo que tá perdendo.

— Exato, né? E de novo esse lugar, né? Da derrota, do perder, do acabar, né? E que é difícil.

— É, existe culpa em todo esse processo.

— Ah, certamente, né? A culpa é uma coisa que acompanha a gente ao longo da vida. Então, nesse momento também de finitude

— Tanto do paciente.

— Exato. Tanto, né, de quem tá partindo ali, quanto de quem tá ficando, né?

— E é muito delicado, né? E de novo é esse lugar da pergunta, né? Culpa pelo quê?

— Culpa por quê? nomear o que a gente sente, tentar buscar por trás, que a culpa não vai levar absolutamente nada. Ela só

— Ela não te deixa,

— Dificulta o processo.

— Exato. Ela não te deixa pensar no próximo passo, né? No próximo micropasso que que vai ser dado ali, né? Mediante as decisões que tm que ser tomadas. Então, aparece aparece. Por isso que é importante também ter o médico para tratar essa culpa também. Às vezes precisa paciente, o a familiar entra em sofrimento, precisa ser tratado, entrar com psicólogo e com a cológia.

— Exato. Isso é muito legal você trazer, porque exatamente isso. A doula não substitui nenhum profissional envolvido, né? Ela só é parte dessa rede,

— Ela é parte da equipe,

— Né? De é uma pessoa que não não médica, né? não é parte desse contexto da doença, mais social.

— Né? Então também às vezes é uma leveza um pouco naquele momento, especialmente em ambiente hospitalar, em que a pessoa tá ali como um paciente, E aí o lugar da doula é não é um paciente, é um ser que tá passando por processos difíceis, doloridos, de adoecimento, de finitude, mas um ser. E a o papel é zelar pela integridade desse ser até esse portal sagrado da morte,

— É. E como transformar despedida em presença? Ai, olha, acho que tem algumas maneiras, Mas é sempre pela escuta.

— Uhum. A escuta ativa,

— É, pode ser o caminho que vá se tomar, mas sempre para esse lugar de escuta.

— Uhum. Porque é isso, qual é o próximo momento possível, né, de ser vivido, de ser bem vivido. Então, essa despedida passa por esse lugar.

— Tirar um pouco dessa desse peso, dessa feiura, né, que sim, acontece. Mas o que que pode ser de mais

— Naquela morte, o mais bonito possível. naquele momento para quem tá partindo e para quem tá ficando.

— Então, por exemplo, você trouxe um pouquinho da nossa fala que é: "Puxa, eu tenho pendências com algumas pessoas, né? Sim. Tem coisas que eu gostaria de ter dito, tem coisas que que eu não que eu vou levar comigo, mas essa reflexão trazer leveza, pode trazer um momento bonito de despedida de si mesmo, né, dessa existência e em relação ao outro.

— Porque muitas vezes não é o que foi dito, mas sim o como essa pessoa foi

— Sim. foi respeitada mesmo dentro de um

— É isso aí, o respeito que é manter íntegra essa dignidade de ser, né? Isso, isso é fundamental e faz parte desse processo de despedida dessa vida, dessa

— Quanto foi importante.

— Exato, né? e também eu acho que é muito importante, falando em despedida, a gente também ritualizar isso tudo, né? A gente tá conversando aqui e a gente tá tomando

— Um drink.

— Um drink, certo?

— Sem álcool.

— Exato. [risadas] Isso é uma espécie de ritual. Essa conversa, né? Essa escuta tá acontecendo como uma espécie de um ritual entre dois seres humanos, né?

— Isso, estar presente nesse momento de finitude, de despedida, com maior clareza, né? Pode ser um ritual, tomar um golinho de água, se for possível, para quem tá naquele processo, aquele olhar, se for possível, de profundidade, que não precisa ter palavra,

— Né? que é presença, que é amorosidade, compassividade. Então,

— Até mesmo pensar no que é possível nesses rituais de despedidas, né, enfim, que são na nossa cultura, né, bastante comuns.

— E você segue até a parte final mesmo. Você fica no hospital, você faz toda toda a tratativa já da sua doulagem, mas o final do seu processo ele pode ser feito no sepultamento, vai até ele pode ir além, né?

— E depois também

— Tá para acompanhar a família.

— Exatamente. Porque para esse processo de luto, né? a doula também pode ser um apoio importante. Nesse caso que eu te contei, que foi o meu, né, caso que eu peguei assim desde o dessa, desse final mais ampliado de vida, eu não estava presente no momento da morte dela, né? Eu estive horas antes, então e os médicos naquele naquela manhã quando eu cheguei, a família chegou, né, falou: "Olha, pelos sinais vitais, a gente tá achando que tá bem próximo, deve est correndo agora as últimas horas de vida, Exato. Entrou nesse processo mesmo de morte. então assim, façam o que vocês, né, acharem que que tem que ser feito. Então, passei essa última tarde com ela e ela faleceu no decorrer dessa noite. Então, fisicamente eu não estava lá, né?

O que já tinha sido combinado, eu faria a parte musical do ritual

— De despedida,

— Né? Então, ela me pediu logo quando ela entrou em cuidados paliativos. Isso também é um assunto tão importante da gente trazer, né, Andréia?

— Cuidados paliativos.

— Cuidados paliativos antecipados,

— Não é verdade?

— Não só fim de vida.

— Exato. Mesmo lugar da doulagem, né? Que não precisa ser dos últimos momentos, desse lugar ampliado mesmo, né?

— É. Nós trouxemos, nós agora na segunda temporada tem um episódio de cuidados paliativos com uma médica super talentosa e que falou mesmo do dos cuidados paliativos, não só no fim de vida, mas o quanto é importante no fim de vida,

— E em que momento o paciente entra para cuidados paliativos e o quanto é importante pra qualidade de vida desse paciente. não significa que ele vai morrer em cuidados paliativos. Significa que ele tem uma doença, né, que não tem cura, mas que ele precisa continuar vivendo com essa doença e vivendo bem. Os cuidados paliativos faz isso, faz viver melhor.

— O tabu é isso. O tabu em relação à morte esses cuidados que podem ser feitos para

— De fato ter uma qualidade de vida entrando ou não em processo ativo de morte. Mas o tabu de falar sobre isso prejudica até esse cuidado antecipado,

— Né, do paliativo que pode que às vezes chega quando de fato há muito pouco a ser feito. Uhum.

— Né? Então o tabu da gente

— Ter feito mais.

— Né? Ele prejudica até até nisso, até nesses cuidados mesmo,

— Práticos, né?

— E o que conviver com a finitude te ensinou sobre a vida? Eu enxergo como parte do mesmo graveto.

— Sabe assim,

— O nascimento e a morte,

— A gente tem a ilusão de que a gente tem um tempo enorme, magnífico de vida, mas a gente não sabe.Um. É,

— Né? não sabe.

— E eu penso que a gente ter essa certeza de que a gente vai morrer elucida o que é sagrado para você, o que é importante para você vivenciar.

— O que é importante para você como ser? O que é importante para você deixar pro mundo, produzir pro mundo, sabe?

— Que é importante para você viver hoje, né? Hoje, né? Exato. Que que é sagrado para você na vida?

— Né? Quais são seus valores, princípios, o que você busca? O que você não quer, que você quer deixar para trás? O que em você já morreu e você não percebeu. Porque a gente negligencia os lutos simbólicos, mas eles acontecem nas nossas vidas o tempo todo,

— É. Então eu acho que isso

— Uma amizade que se quebra é um luto. Eu tenho, eu tive três gestações, duas nascidas, uma interrompida. Ser mãe é um processo completamente diferente do que eu vivi antes de de não ser mãe.

— Uhum. Aquela Andressa morreu sem filho, sem aquele tipo de vida de preocupações inerentes, de alegrias inerentes à dores e as delícias de ser mãe. É uma nova fase.

— Perdeu. É, você perdeu.

— Eu morri.

— Né? Então a gente não

— Tem que se ressignificar. Exato. Exato. Essas despedidas, se elas fossem um pouco mais

— Resgatadas na nossa vida, eu tenho a impressão de que a gente lidaria muito melhor com a morte, fora desse tabu.

— É o que realmente importa no final. o que é sagrado para você. E eu penso que muitos de nós busca viver uma coerência entre discurso e prática,

— Eu acho que isso pode ser sagrado para muitas pessoas. Para mim é, eu acho que isso importa, você viver sabendo o que é importante para você, o que é sagrado para você, o que é a vida para você,

— Porque talvez essa clareza da morte venha junto com esse viver bem. Exato.

— Acho que é um processo mais natural possível. Viver bem para morrer bem. Viver mais, cuidar melhor.

— Cuidar melhor. É isso. [risadas]

— Se você pudesse deixar uma mensagem hoje aqui para os nossos ouvintes, qual mensagem você deixaria?

— Eu sou musicista, né? É.

— Você quer deixar uma mensagem cantada? Eu quero. A música faz muito sentido na minha vida. e essa música em especial tem essa premissa de vida para mim, uma música do Milton Nascimento que diz: [trecho cantado] Que a gente tenha essa clareza de que a gente é luz.

— Na própria vida e na vida do outro. Que lindo [risadas]

— Bem emocionante. Andressa, foi um prazer.

— Ai, tudo bem aqui. Essa conversa foi

— Muito sensível, muito esclarecedora, muito rica. Eu acho que fica aqui a mensagem que devemos viver melhor e pensar que existe o fim. E como queremos esse fim? É isso,

— Conversar com quem queremos conversar, não deixar dúvidas, não deixar nenhum nada oculto. Tenha clareza em tudo que você faz, em tudo que você quer, que isso é a vida.

— É isso,

— Né? É

— Ser luz, como você falou,

— Ser luz, né, para si mesmo, sabe? Exato.

— Eu que agradeço. Foi um prazer.

— Talvez [música] o maior aprendizado da a finitude seja entender que a vida não se mede apenas em tempo, mas em presença. E talvez cuidar seja exatamente isso. Se esse episódio tocou você de alguma forma, compartilhe e acompanhe o Viver mais, Cuidar Melhor nas [música] redes sociais para mais conversas sobre cuidado, envelhecimento e qualidade de vida.

Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação médica individualizada.

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