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Podcast Viver Mais, Cuidar Melhor · 2 abr 2026 · 49 min

Nem todo esquecimento é sinal de Alzheimer — mas alguns são

Com Dra. Karol Thé, médica com formação em clínica médica, geriatria e gerontologia · CRM-SP 109161 · Instagram · Site · YouTube

A Dra. Karol Thé, com formação em clínica médica e geriatria, explica onde fica o limite entre o esquecimento esperado com a idade e o que merece investigação. A conversa trata dos sinais que a família deve observar, do sono, de remédios que interferem na memória e de como estimular o idoso sem sobrecarregá-lo.

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Transcrição automática do áudio, com correções pontuais de nomes e termos. O travessão marca a troca de quem fala.

Nem todo esquecimento é sinal de doença, mas saber diferenciar o que é normal do que precisa de atenção faz toda a diferença no cuidado com quem envelhece. Olá, seja muito bem-vindo ao podcast Viver Mais, Cuidar Melhor. Este é um espaço de conversa, reflexão e informação sobre envelhecimento, saúde, cuidado e qualidade de vida. Aqui acreditamos que envelhecer é um processo natural e que o cuidado, quando feito com conhecimento, planejamento e humanidade transforme histórias, famílias e trajetórias. Eu sou Andréia

— E eu sou Monique Antelmi. Somos enfermeiras e atuamos há mais de 25 anos no cuidado ao paciente, seja no hospital ou em casa, na gestão em saúde e na formação de profissionais. E hoje vamos conversar sobre um tema essencial para quem cuida, para quem é cuidado e para quem quer viver mais e melhor. Sejam muito bem-vindos a mais um episódio do Viver Mais, Cuidar Melhor. Hoje vamos falar sobre um tema que gera muitas dúvidas, inseguranças e preocupações nas famílias. A memória no Esquecer nomes, datas ou compromissos é algo comum com o passar dos anos. Mas como saber quando isso é esperado e quando precisa de atenção? Nosso objetivo hoje é justamente trazer clareza, orientação e tranquilidade, ajudando você a entender o que faz parte do envelhecer e o que merece investigação.

Para essa conversa tão importante, convidamos uma profissional que atua diretamente com envelhecimento e que vai nos ajudar a olhar para memória com mais clareza, orientação e tranquilidade, apoiando famílias e cuidadores a entenderem o que é esperado e o que merece atenção. Hoje recebemos a Dra. Karol Thé, médica especialista em saúde integral, com mais de 20 anos de experiência clínica, formação em clínica médica, geriatria e gerontologia e atuação que integra a medicina tradicional a abordagens funcionais e humanizadas. Sua prática é guiada pela escuta, pela ciência e por um olhar individualizado para a promoção da saúde, do equilíbrio e da longevidade com qualidade de vida. Dra. Karol, seja muito bem-vinda a esse espaço onde vamos falar sobre um tema muito importante. É um prazer ter aqui conosco.

— Oi, Andréia. Oi, Monique. É um grande prazer estar aqui com vocês hoje de falar, né, de um tema aí tão importante que é para nós mulheres mais na fase aí da perimenopausa, menopausa e paraas mulheres aí mais velhas também.

— É um prazer te receber, doutora. Vamos começar o nosso bate-papo falando já sobre o esquecimento no processo de envelhecimento. Onde tá o limite entre o que é normal e o que é

— Bom, o esquecimento ele tem o limite, sim, e o limite é aquilo que a gente considera que tem dúvida de que algo não vai muito bem, tá? Espera-se sim que com o envelhecimento a gente tenha uma redução no processamento de novas informações. Isso é natural, tá? Desde que esse esquecimento ele não tenha prejuízo na autonomia, na nossa autonomia, isso a gente vai e a gente espera que isso possa acontecer com o avançar da idade. Veja bem, esquecer onde a gente deixou uma chave, isso é, isso pode acontecer e é natural. Esquecer para que serve uma chave, isso é um sinal de alerta. Então, a gente precisa entender que hoje e especialmente na vida que hoje a gente leva, né, nas nas informações que a gente tá acessando, né, são informações múltiplas, complexas.

É muito comum a gente ter falhas na especialmente as mulheres que precisam fazer ter múltiplas tarefas. Então, quando a gente chega por volta aí dos 50, 55 anos, 60 anos, essas falhas na atenção elas se tornam mais comuns. [roncando] Isso tá relacionado a um processo do envelhecimento, mas é uma falha na memória saudável,

— Eu digo saudável porque é natural.

— Uhum. Só que quando ocorre, quando a partir do momento que existe um né, na realmente em atividades que antes você fazia, por exemplo, ã, pagar uma fazer atividades que você sempre fez e hoje você tem alguma, alguma dificuldade em executar essas atividades, isso merece uma atenção maior, uma investigação maior. Frequência do esquecimento é um fator de atenção.

— Sim, com certeza. E aí vem o papel da família, o papel das pessoas que convivem com aquela pessoa, que já tem a que já apresenta alguma falha, né, algum esquecimento, seja um esquecimento para coisas corriqueiras, seja um esquecimento mais complexo. Então, quanto mais a as pessoas que estão ali em volta a perceberem esses esquecimentos, também é um alerta de que algo não vai muito bem. E é mais comum as pessoas próximas é perceberem esse esquecimento ou a própria pessoa também identifica algumas situações? Sim, tanto a pessoa que, né, que está naquela, vivendo aquela situação e que ela vê, nossa, eu tô mais tô esquecendo um objeto que que eu deixei em algum lugar assim, ah, eu vou sair de carro, não sei onde onde eu guardei a chave.

Esqueceu compromissos corriqueiros. Então isso é algo tanto para pra própria pessoa, tá, que tá vivendo aquela situação quanto as pessoas próximas. o que eu acho interessante a gente falar é assim, eu falei, né, de processamento de novas informações, né, que isso vai ficando mais lento com o com o esquecimento considerado mais natural. Só que as informações antigas, se elas não, se elas deixam de ser acessadas com frequência, a gente também perde,

— Né? Essas a gente deixa de lembrar aquelas informações. Imagina você que tem um guarda-roupa cheio de roupa. Nós mulheres, né? A gente não compra muitas

— Quase nada.

— Quase nada. A gente sempre tá comprando

— Tá sempre sem roupa.

— E com o passar do tempo, às vezes, a gente vai deixando de lado aquelas roupas que a gente usa menos.

— E quando a gente tá um pouco acima do peso, o que que a normalmente a gente faz? A gente separa, especialmente quando a gente gosta de muito daquela roupa. Pera aí, deixa eu guardar essa roupa aqui no cantinho

— Porque uma hora, uma hora eu vou caber

— Uhum. [roncando]

— Então assim, imagina a nossa o nosso cérebro, né? nossas gavetas de memória com um armário. A gente vai colocando roupa nova na frente das roupas antigas

— Até o momento em que a gente vai esquecer daquelas roupas antigas porque a gente tá acessando

— E aí um belo dia dis: "Nossa, eu tenho aquela roupa, deixa eu procurar". E aí eu acho. Então assim, quanto mais a gente acessar aquelas roupas, né? E aí eu trago analogia. Quanto mais a gente acessar aquelas informações com mais frequência, menos eu vou esquecer, tá?

— E como acessar essas informações? Como paciente, né? Isso acho que vem muito à ajuda da família, né? Fazerlo lembrar de coisas do passado, trazer as histórias dos cuidadores, né, que estão com ele, fazer com que ele traga essas memórias, reforce. Seria isso mais ou menos?

— Seria isso, sim. Seria isso sim. Então assim, tem sempre tanto a pessoa, né, se a gente, se a gente tá falando de um, de um idoso robusto, né, de um idoso de 60, 65 anos, quanto mais eu acessar aquelas informações antigas, mais elas vão estar fáceis naquele meu naquele meu hall de gaveta, naquela naquele meu campo de visão ali. Imagina novamente, né, trazendo o guarda-roupa. Quanto mais eu olho aquele meu guarda-roupa com roupas muito novas, aquelas roupas mais antigas, aquelas que eu deixei, que eu guardei ali. Então, quanto mais eu acesso, mais fácil vai ser de lembrar.

— E algo que é importante, a gente tá sempre querendo aprender coisas

— Porque isso aumenta a nossa capacidade de memorização também. é o que a gente chama de neuroplasticidade. É a capacidade de ampliar nossas conexões cerebrais pra gente ganhar mais memória.

— É como se o nosso computador aqui, o nosso HD que tá cheio e vai ficando cheio quando como com o avançar da

— Então esse nosso computador, ele tem que estar sempre ali num processo de limpeza, de reorganização daquilo que é importante e daquilo que é menos

— Uhum. E quais [roncando] sinais de alteração da memória não devem ser normalizados pela família? É, ã, o que não deve ser normalizado pela família é exatamente as a a o comportamento daquele idoso que pode tá que pode ter sofrido com o tempo. Então, assim, alterações de comportamento. Então, se você tem um idoso dentro da sua casa, a família olhando aquele idoso, né, cuidando daquele idoso ou se essa família contrata um cuidador, então assim, alterações de comportamento são sinais de perda cognitiva, em especial memória. Não só memória, mas atenção, capacidade de julgamento, função executiva. Então assim, alteração de comportamento, seja se aquela pessoa que tá sendo ali cuidada, tem alterações como apatia, irritabilidade, ansiedade, então ali é um sinal de que algo precisa ser investigado. Ã, então as alterações de comportamento, ã, as funções executivas que aquela pessoa executava antes e sempre fez muito bem.

E eu digo aqui funções complexas, por exemplo, uma pessoa, uma mulher que sempre fez aquela receita, né, na cozinha, um arroz, um feijão, um prato mais elaborado e que de repente

— Se atrapalha ali na hora de fazer. Então isso é um problema,

— A questão é não cair naquela naquele hábito, né? Coisa da idade.

— Isso. Então isso é isso é algo muito importante, né? O quanto a gente traz esses estereótipos, né, de que é da idade é normal.

— Uhum. Hum.

— Não é normal, merece atenção. Eu tive, eu vivi uma situação interessante recente com a minha mãe no final do ano e minha mãe tem uma funcionalidade muito boa. Ela faz faz todas as atividades de casa sozinha, todas as funções administrativas da casa. E eu percebi agora nesse final de ano que minha mãe tava um pouco um mais E aconteceu duas situações que eu olhei para aquilo e disse: "Pera aí, eu tenho que olhar com mais atenção porque não me pareceu

— Um esquecimento normal, né?"

— E eu vou contar para vocês. A primeira é que eu tava me arrumando para ir pro consultório e ela tá veio me visitar, né? nesse nesse nesse nessa nas festas de final de ano. E assim ela abriu a porta para mim, em vez de lá me ajudar, né, tocar o o chamar o elevador, ela tocou na campainha do vizinho na frente da minha porta.

— Uhum. Aí eu olhei aquilo, mas assim, achei tão peculiar, tão diferente, mas eu fiquei atenta. E aí uma outra situação, ela saiu para pegar o metrô, ela estava junto com o meu pai e ela entrou no trem e meu pai ficou, ela esqueceu que estava

— Acompanhada. Eu disse: "Pera aí".

— Uhum. E aí assim eu, né, como filha e aí vem, né, os cuidadores, as famílias, as pessoas que estão ali com idoso, você tem que ficar atento, muito atento. Isso não é normal. E eu não poderia também achar bonitinho, nossa, que que que engraçado, ela pegou o metrô e o meu pai ficou. Não, isso não é engraçado, isso não é normal.

— Uhum. E aí é lógico, né, que aí pera aí, deixa, vamos investigar. Aí no final do ano, né, eu já vi uma uma psicóloga, fizemos testes neuropsicológicos e tava tudo bem,

— Mas até a gente realmente ter certeza de que está tudo bem, a gente tem que ir

— E muitas vezes as famílias acabam minimizando isso tudo por medo ou desconhecimento, né? Por isso que é importante a gente

— Medo de se deparar com algo que pode ser

— Identificado mais precocemente. O diagnóstico precoce ele é importante.

— O diagnóstico precoce ele ele dá qualidade de vida para aquele idoso. Ele previne inclusive, né? Já tem trabalhos que mostram que desde o momento que você dá um diagnóstico de uma síndrome demencial, de um déficit cognitivo leve, você consegue atrasar a instituição de um idoso com demência em 2 anos.

— Então você dá, gera qualidade de vida. É muito tempo,

— Não é? Tanto tempo que em do anos, imagina o que ele faz. Sim, ele vai no casamento do neto, ele forma um um uma outra neta, então assim,

— Continua com as suas atividades, né?

— Continua com as suas atividades. Então, quanto mais você faz um diagnóstico precoce, mais você melhora a qualidade de vida, mais você reduz o declínio cognitivo que ele vai ter ao longo do

— Eu costumo falar que o diagnóstico não é o fim, né, e sim o início, o início de um tratamento, o início de uma qualidade de vida.

— Voltando para o que a Dra. colocou [roncando] sobre identificar alterações da sua mãe. A senhora acha que foi mais fácil por ser médica, né? tem um olhar clínico ali de apesar de sua mãe não morar próximo, mas você conseguiu identificar e ser médica fez a diferença. E como os nossos ouvintes que estão agora nos ouvindo, que não estão nesse estágio, não são médicos, como identificar? Porque para eles eles vão normalizar, como a Monique disse, por medo ou por desconhecer, né? Ou por achar bonitinho, né? Qual é a mensagem que a doutora passaria aqui em relação a esse episódio que aconteceu?

— Andréia, sem dúvida, por ser médica, para mim foi mais fácil

— Ver aquilo e saber que eu teria que ir atrás, né? Mesmo eu sendo especialista, mas foi fácil, foi mais fácil para mim do que uma pessoa que não é da área da saúde.

— Mas independente disso, a gente não pode negligenciar pequenos sinais.

— Uhum. Então assim, o que que essa família ou um cuidador que que precisa realmente estar atento àquele aquele idoso, precisa levar pra família? Então assim, sempre se você tem dúvida, vai

— Peque pelo excesso. Pelo excesso. Não acho que é na nada. Então assim, se surgir uma dúvida, vai atrás. Isso é independente da formação da pessoa, da família, né, ou do cuidador que tá ali.

— Houve dúvida, agenda, consulta com com o geriatra ou com neurologista, enfim, vá atrás, porque assim, tempo é ouro, né, e tempo pra memória, né, pro cérebro também é ouro.

— E quem não tem acesso ao geriatra de imediato, ao neuro de imediato, no Sistema Único de Saúde, ele consegue, qual é o especialista que ele procura nesse momento? Em geral, no Sistema Único de Saúde, talvez ele não consiga o especialista num primeiro momentção,

— Mas ele vai conseguir o médico generalista, um clínico,

— Que vai fazer o encaminhamento,

— Que vai fazer o encaminhamento, né? Então acho que não pode negligenciar na na mínima dúvida que surgir, tem que ir atrás, tá? E a comunicação entre as pessoas da família, seja um cuidador um cuidador formal, seja alguém da família que tá junto daquele idoso, é isso, se comunicar. E o que eu acho muito importante é [suspirando] você compartilhar com outras pessoas da

— Hum. Então assim, eu, por exemplo, por mais de ser, por mais que sou médica, eu compartilhei essas situações com meus com os meus irmãos. dis:

— "Olha, eu identifiquei isso, isso e isso". E eu acho que a gente tem que pensar e fazer real ir atrás para ver se tá acontecendo alguma coisa ou se a gente ou mesmo se a gente tem que trabalhar de uma forma não farmacológica com outras atividades, outros aprendizados, né? para que aquilo não aconteça novamente. E aí é isso, a gente não pode, quem cuida, ele não pode se sentir sozinho.

— Seja dividir isso com outro membro da família, um irmão, o pai, enfim, seja até com o médico.

— Sim, se não tem com quem, né?

— Tem que dividir com alguém.

— As mudanças de humor também podem ser um sinal associado a essas alterações cognitivas? pode apat, irritabilidade, momentos, né, de agressividade súbitas. isso tudo pode ser sim um sinal de alerta em que alguma alteração cognitiva precisa, tá, precisa ser vista ali. Então, na dúvida, vá atrás. esquecer os compromissos n importantes que eles têm, lugares que iam, né, eventualmente ou rotineiramente acabam esquecendo. Isso é um fator importante também. muito.

— Eu conto aqui também uma história. Andando no bairro, eu encontrei uma senhora na calçada. Ela estava na frente da igreja, estava procurando a igreja e não encontrava e pedia para levá-la pra casa dela, mas não tinha o endereço. Nós rodamos o bairro inteiro em busca dessa residência. Chegamos, ela foi descrevendo mais ou menos e chegamos na portaria do prédio dela. E o porteiro me disse que todos os dias ela saía em busca dessa igreja. Ela parava na frente da igreja, mas não encontrava. Isso é muito preocupante,

— Com certeza. Então, essas alterações, né, de dificuldade espacial, né, de orientação espacial, isso é um sinal de alerta muito muito importante que tem que ser levado em consideração. alterações de humor, alterações de de essa desorientação no tempo espaço e também a dificuldade de executar funções complexas, atividades antes executadas que hoje não são mais executadas como

— Né? Então assim, quantas vezes eu já atendi pacientes em que a família dizia: "Nossa, mas o arroz dela não é mais aquele arroz que ela fazia antes. Parece que falta um tempero, às vezes esquece o sal, né? Um doce que esquece o açúcar, enfim". Então assim, a família tem que ficar muito atenta a esses sinais, tá?

— E nem sempre é a memória, né?

— E nem sempre a memória por si só. É, é isso, a questão da atenção que tá prejudicada, as alterações de humor,

— Pessoas, homens, né, mais velhos, que sempre lidaram muito facilmente com dinheiro, com contas, cálculos, esquecer que pagou uma conta ou fazer uma conta errada e e ter um problema no banco, isso tudo tem que ser tem que ser considerado. Então, todo prejuízo que altera a funcionalidade precisa ser investigado, tá? dor, ansiedade, depressão, qualidade do sono, uso excessivo de medicamento, pode interferir também na memória.

— Dúvida, sem dúvida. E aí a gente, só desses temas a gente poderia falar muitas coisas aqui, né, em relação à dor. Enfim, o idoso que tem dor, ele vai tá ele vai tá focado, né, com foco na atenção dele sobre a dor. E aí isso perde atenção com outras atividades, né? A questão do sono, né? Imagina, né? Durante o nosso sono profundo, a gente estimula um sistema de limpeza do nosso cérebro, né? E esse sistema foi identificado recentemente, se chama sistema linfático, em que durante o sono existe uma varredura de proteínas tóxicas que são limpas, né, que são levadas para fora do nosso sistema nervoso central. E entre essas substâncias, essas proteínas tóxicas que vão sendo varridas do sistema nervoso central, estão duas proteínas muito associadas ao Alzheimer, que é a proteína tau e a beta-amiloide.

Então, pessoas que não têm uma boa qualidade de sono vão ter prejuízo da memória, porque vão deixar de ter essa limpeza no cérebro durante o sono profundo.

— Hoje se fala muito, né, da qualidade do sono para tudo.

— Sim, sim. O sono hoje ele é restaurador de muitas funções do nosso corpo, biológicas, psíquicas, emocionais. Então, dormir bem faz parte de você ter uma qualidade de vida em qualquer idade. A gente tá falando aqui no idoso, mas em qualquer idade.

— Claro. E quantas horas, mais ou menos em média, é normal o idoso para dormir?

— Porque você sabe que ele tem pequenos sonos, pequenos cochilos durante o dia.

— Durante o dia.

— É também comum falar, né? Ai, eu tô ficando velha, tô acordando cedo, não tô conseguindo mais dormir.

— Mas tem aí esses pequenos cochilas, né? Mas o que que seria ideal para ele manter essa limpeza do sono? o idoso, né, a gente vai avançando a idade, a gente vai tendo um sono, né, um sono menos profundo, com despertares precoces ao longo da noite.

— Então, assim, a gente tem que estar muito atento para investigar até outras condições clínicas, como por exemplo, uma apneia do sono. Então, a gente precisa se atentar. O cochilo diurno é um sinal de que ele não dorme bem. Então há o prejuízo. Então assim, em média, e aí eu digo, né, tanto pro jovem quanto pros pros adultos, né, os adultos e idosos robustos, idosos frágeis, em média umas 7, 8 horas, é o é isso é o ideal, né, ideal. E a gente tem que ficar atento porque os transtornos de humor, né, a ansiedade, a depressão, isso também vai influenciar diretamente na memória da pessoa idosa, tá? Algo muito importante também é as alterações hormonais que que envolvem o processo do envelhecimento, né? A gente sabe o papel do estradiol como neuroprotetor, né?

A gente tem receptores de estradiol tanto numa região chamada hipocampo

— Que é a região responsável pela memória, quanto pela a gente tem receptores de estradiol também no córtex pré-frontal, que é uma região voltada às funções executivas. Então assim, a mulher na transição paraa menopausa, e aí eu digo, né, depois dos seus 45 anos, até mais ou menos 55 anos, quando vai vir mesmo a menopausa, é uma fase muito delicada em que essa essa oscilação do estradiol vai ter uma influência direta na perda da memória. Nem fala, ainda bem que eu não cheguei lá. E no homem, porque na mulher é o estradiol. E no homem

— Isso. E no homem a testosterona, ela vai ter uma função importante, porque a gente tem receptores de testosterona no cérebro, só que o homem ele não é como a mulher que tem essa oscilação brusca nessa fase da vida da perimenopausa.

— É gradativo.

— É gradativo. Então essa perda

— Até nisso, né?

— Até nisso.

— Oh meu Deus.

— Então assim, a redução da testosterona no homem, isso assim no homem saudável, né? Não tô falando do hipogonadismo

— Mas aí a gente tem essa perda mais gradativa, mais Então assim, não há uma o essas e

— Acaba sendo mais fisiológico,

— Acaba sendo isso mais suave essas perdas ao longo do tempo, né? E a gente sabe que quando a gente fala, né, da da das síndromes demenciais, é mais comum em mulher também. E aí vem o papel hormonal aí muito importante que a gente precisa identificar. e já fazer a reposição hormonal do estradiol naquelas mulheres que são elegíveis.

— Então, as mulheres que não podem fazer o a reposição pro estradiol, e como que fica a memória? Se ela não pode fazer a reposição? Existe outros métodos para que [roncando] isso se mantenha saudavelmente bem essa memória?

— Com certeza, Andréia. Então, a gente tem vários fatores modificáveis que reduzem o risco de uma demência, né, numa idade mais avançada, desde a prática regular de exercício físico,

— Qualidade do sono, que é algo que a gente falou aqui,

— Trabalhar com novos projetos,

— Né, aprender atividades novas, cuidar da saúde cardiovascular. E essa reposição é feita também por alimentos, quando não pode tomar em si o hormônio, né, de forma ou injetável, transdérmica. E tem várias formas, né? E a alimentação substituí? Não, não substituir nada. O papel da alimentação é importantíssimo pra gente ter sim uma preservação da memória,

— Porque a gente tem alimentos que vão ajudar a a compor, a sintetizar um neurotransmissor que se chama

— Que é o neurotransmissor, uma substância química do cérebro

— Que vai ser responsável pela memória. Então assim, alguns alimentos como ovos, peixes, carnes, vegetais escuros, que são fontes ricas de colina, imagina a colina ajuda na na em sintetizar a

— Sim. Então, alimentos ricos em colina vão ajudar a gente também ter uma boa memória. Além disso, né, suplementações dirigidas e algo que é importantíssimo e e a Monique falou, né, da questão dos medicamentos, tem medicamentos que t uma função para reduzir a função dessa substância química cerebral. E o quando a gente vê isso no nas pessoas idosas, né, usando medicamentos que vão atrapalhar a síntese de acetilcolina, desde os dos bloqueadores de bomba de próton, que são, por exemplo, omeprazol, pantoprazol, isso também tem uma função anticolinérgica, os medicamentos para reduzir colesterol, o Buscopan que é tão comum, né, que a escopolamina tem uma ação anticolinérgica e isso pessoas, né, que usam esse essa classe de medicamentos muitas vezes por uma cólica abdominal, uma dor. E aí isso pode afetar sim a produção dessas substâncias químicas que vão ajudar na memória.

Então assim, daí é importante, né, essa família, né, levar esse idoso para buscar a ajuda do médico, entender como é qual é o quais os medicamentos ali que são mais seguros e aqueles que precisam, né, ser reduzidos ao longo do tempo. E pro idoso também a gente não pode deixar de pensar, né, na deficiência de vitamina B12, tá? E a gente sabe que a deficiência de vitamina B12, ela ela a B12, ela é importantíssima pras conexões cerebrais, pra memória, pro foco, concentração. E o idoso também utiliza medicamentos muito comuns que diminui a absorção dessa vitamina B12, tá? Então, a gente também tem que ter muita atenção e o médico ele precisa observar. E quando eu tenho e eu eu tô diante, né, de uma investigação para uma síndrome demencial, para uma para uma queixa de esquecimento que que tá no limite ali entre o normal e o a dosagem de dessa vitamina, ela é fundamental pra gente descartar algo que é reversível.

— Sim, com certeza. que se é uma deficiência de vitamina B12, eu identifico isso e eu trato. Essa essa perda de memória, ela é reversível, ela é curada quando eu faço o tratamento dirigido paraa causa daquela perda de memória, tá? Alterações da tireoide também, né? o hipotiroidismo e o quanto é comum o hipotiroidismo subclínico no idoso, em que eu não tenho aquelas alterações laboratoriais típicas, mas se eu trato aquela aquela aquele subclínico, eu também melhoro a memória desse idoso.

— E o quanto a gente acaba percebendo como os idosos tomam medicamentos, né? a a automedicação ou os médicos segmentados, as especialidades, cada um cuida de uma parte, não é um médico generalista ou médico geriatra, isso tudo dificulta, né? Muito.

— Seria melhor um geriatra, então, para olhar como um todo esse paciente?

— Eu digo que o geriatra ele é um maestro de todas as outras especialidades, né? Aí quando a gente fala de saúde do idoso, em especial, o geriatra ele consegue ter essa visão 360 da saúde de uma forma integral. E o grande problema disso é que o uso de múltiplas farmácias, né, de múltiplos médicos e e os médicos que não se conversam, que não se comunicam, né, e aquele idoso que muitas vezes às vezes vai pro hospital por alguma condição aguda, às vezes uma queda, vai fazer uma cirurgia, volta para uma com uma prescrição que às vezes em casa tem uma outra polifarmácia e aquilo vai se acum

— Né? Então, ter esse olhar para uma farmácia, para uma polifarmácia racional, é fundamental pra gente preservar essa saúde, a saúde desse idoso a longo prazo. Quanto mais idoso, né, e aí a gente pensa, né, nos veryy older, que eles acima de 80 anos, 80,

— É, quanto mais, quanto maior a idade, mais o número de de de remédios e e comprimidos. Isso já tem trabalhos científicos, já mostram, né?

— Uhum. E a gente hoje a gente vai aí, a gente tá vendo uma leva de idosos, né, que são idosos mais saudáveis, muito idosos saudáveis, né, que às vezes não usam nenhum medicamento.

— A gente vê o quanto quanto maior o número de remédios, menos saúde esse esses idosos têm.

— É, e muitas vezes tratando o efeito colateral, toma uma medicação para tratar o efeito colateral da outra

— Não é? É.

— E aí isso vai se acumulando,

— Vai se acumulando. Então aquele efeito colateral que é que é um efeito colateral, um efeito adverso ao medicamento, é interpretado.

— Sim. Uhum. Como um sintoma,

— Como novo como nova condição, uma nova doença. E aí vem esse ciclo vicioso,

— Que a gente chama de cascata,

— Farmacoiatrogênica.

— Ah, tá.

— E iatrogenia é isso, né? É,

— A gente gerar, né, através de uma de uma de uma intervenção, a gente gerar mais mal do que um benefício para aquela

— E mudanças recentes de rotina, uma aposentadoria, por exemplo, perda emocional, um luto, isso tudo pode interferir nessas falhas de memória, nesse processo cognitivo? Tudo, Monique, tudo. Então assim, toda vez que exige que o que o cérebro daquele idoso exige um um ele se depara, né, subitamente como alguma alteração, seja emocional, seja uma perda de um de um trabalho, né, e faz com que ele tenha um prejuízo que aí a família tem que estar muito próxima, né, e para identificar e às vezes pera aí, vamos colocar alguma outra coisa, vamos aprender uma coisa nova, né, e aí a gente consegue ter uma intervenção preventiva.

— Quando quando é o momento certo de buscar essa ajuda para essa memória, essa ajuda médica? Já falamos aqui que é são nos primeiros sinais, né? Você

— Tiver uma dúvida, já

— Uhum. Você já vai. E quais são esses exames, os primeiros exames solicitados pelo médico? Seria o exame de sangue, exame de imagem, uma ressonância, uma

— Tá? então assim, exames de rastreio, né? exames iniciais, né? Sem dúvida. Um exame laboratorial que vai contar aí com com uma dosagem de glicemia. a gente sabe que existe, né, uma associação direta entre diabetes e perda cognitiva. essas essas vitaminas que eu falei, né, a vitamina vitamina B12, um ácido fólico, a gente precisa dosar ferro, porque às vezes, né, uma anemia por deficiência de ferro e também colabora para um prejuízo cognitivo, ã, dosagem de cálcio. Então, a gente precisa ter um panorama de exames laboratoriais simples que a gente já consegue aí nortear aí algo que pode ser da idade ou algo mais patológico. Algumas sorologias para doenças infecciosas também são usadas. O médico clínico que cuida da saúde do idoso ou um geriatra ou um neurologista que estão mais habituadas com essas queixas no dia a dia, a gente muitas vezes lança a mão de teste simples que a gente possa fazer mesmo no na hora da consulta ali, né?

Um deles é o Minimental, que a gente avalia algumas funções cognitivas, exames de imagem, como exames de imagem cerebral, seja uma ressonância nuclear magnética ou uma um exame de função metabólica do cérebro, isso aí em geral é pedido, né, num momento secundário ou mesmo pelo por um desses especialistas ou neurologista ou geriatra. a gente, eu sempre digo, né, que um bom clínico, ele sempre tem ou uma enfermeira, uma nutricionista ou uma psicóloga que trabalha junto, né, uma fisioterapeuta. E muitas [roncando] vezes diante de queixas cognitivas que você precisa ter um olhar, né, uma investigação mais dirigida, específica, a gente tem testes que avaliam todas essas funções cognitivas por uma psicóloga. Então, em geral, a gente encaminhar para alguém que vai complementar esse rastreio, essa investigação, é muito importante.

— Isso no SUS também se encontra, essa

— No SUS, sim, com certeza.

— Postinho ali próximo à residência. Tem os grupos também, né, que acabam fazendo grupos de equipe multidisciplinar.

— Isso. De estimulação cognitiva, poder, poder, é, cuidar do idoso.

— Sim. Às vezes não tem a psicóloga que vai fazer aqueles testes neuropsicológicos, mas tem uma T,

— Uma terapeuta ocupacional que vai conseguir dirigir e às vezes ajudar aquele idoso no dia a dia, na rotina, vai estabelecer uma agenda junto com ele, vai colocar tarefas para que ele consiga ir executar e estimular a memória. Então assim, acho que é importantíssimo, independente de se for no sistema público ou num sistema privado, o que é importante para aquela pessoa que cuida daquele idoso não se

— Né, realmente atrás.

— E essas escolas que chamam academia cerebral, funciona,

— Funciona, funciona. Eu já encaminhei vários pacientes para essas escolas. e assim é interessante porque acaba, eles acabam formando, né, um espaço lúdico, né, com mais tarefas e e o idoso ele se sente provocado, né,

— E a socialização também

— Se socializa. Então, assim, existe assim várias vertentes benéficas diante dessas Falando do teste no consultório, eu já presenciei, né, alguns pacientes nossos, durante uma consulta onde vai fazer o teste, né, onde tá o avião, onde tá o trenzinho, a árvore, esses testes. Quando tem um acompanhante ao lado familiar, o teste dá um resultado Quando eu tenho um cuidador, dá um resultado diferente. Seria ideal esse teste ser feito somente com o médico e o paciente? Não.

— Ou ele também vai ficar nervoso?

— Não necessariamente.

— Depende de cada caso é um caso, né?

— Exatamente. Não necessariamente. O que eu acho importante é que assim, diante de um idoso que você tá investigando uma um déficit cognitivo, a família ela tem que acolher. A família não pode, não pode confrontar. Uhum.

— Não, o ideal é não é o a gente sempre preservar o acolhimento e não um

— Porque muitas vezes aquela família tá ansiosa também e aí ela fica, mas você não lembra?

— Mas eu falei isso para você ontem. Vamos lá. Vamos, puxa pela memória. Então, existe assim uma pressão, existe uma o idoso, ele se sente pressionado, né? Ele se sente e e fica uma situação de tensão ali em que ele fica mais perdido porque ele não quer decepcionar

— Quem tá ali do teu lado, né? e realmente acaba havendo um prejuízo. Então a gente tem que ter muito cuidado. A família tem que tá muito com esse olhar de muito acolhimento diante daquela situação. E aí sempre olha, vamos ao médico, vamos fazer um checkup para melhorar sua saúde, vamos melhorar a memória. E o idoso ele sabe quando não tem alguma

— Alguma coisa que tá indo bem, né? Sim,

— Mas a forma de levar aquilo vai fazer toda a diferença assim naquele desfecho ou no na aceitação do tratamento. Porque as famílias precisam muito, né, desse acompanhamento psicológico também, porque é muito difícil. Todos os lados vai passar por uma dor, né? o paciente na dor dele, na posição como paciente e a família ali por tá vivenciando e não querer, né, que o pai ou a mãe esteja esquecendo. Então é muito difícil, por isso o apoio psicológico para ambos, né?

— E cuidar de quem cuida, né? Cuidar de quem cuida. Então,

— Porque quando a família ela é participativa e entende aquele processo, vai melhor, flui melhor.

— Mas às vezes esse trabalho precisa começar pela família para poder dar apoio para esse idoso.

— A gente vivencia os dois lados, o quanto é difícil. Nós, como profissionais da área da saúde, tem nossos pacientes na empresa para cuidar, às vezes a gente fica num ponto neutro, como agir. Não sou família, sou a cuidadora,

— Né? Não posso interferir, mas quero ajudar. O quanto é difícil, o quanto o profissional, psicólogo, médico, geriatra ou o médico especialista faz a diferença quando ele entende que é familiar, não é só o idoso. O que você trouxe é tão importante, Andréia, porque a nível de assistência domiciliar, e eu já fiquei anos trabalhando como médica em serviço de assistência domiciliar, a gente tem que olhar com muita com muito cuidado, né, com muito carinho pro cuidador e pra família.

— Porque às vezes a gente tá diante de um idoso que tá com déficit cognitivo, e aí eu já falo, né, o déficit cognitivo

— Uhum. com uma família, com membro da família que cuida e que às vezes esse idoso não teve uma um relacionamento saudável e e e gostoso de uma fase mais precoce da vida. Então, como é que esse essa esse esse membro da família vai cuidar de alguém que não existe um vínculo afetivo muito difícil,

— Firme, né, sólido ao longo do tempo. Então, assim, quem cuida tem que olhar pra família, para um cuidador, com o mesmo grau de atenção que é pro pro idoso direto.

— Uhum. E nós como neutros nessa situação, né, não olhar o passado não nos interessa. O que interessa é ele naquele momento, é a família naquele momento. O que pertence a ele de memória, de história, de vida passada. Se a gente se nós vamos interferir nesse cuidado. Então, ser o mais neutro possível. A história não me pertence, pertence a eles. O que pertence nesse momento é cuidar dessa família e desse paciente,

— Né? Esse acho que é o melhor ponto.

— E nesse processo, muitas famílias atribuindo rotina para esse idoso em excesso. Isso também é prejudicial?

— Com certeza.

— Atividades, vários terapeutas.

— Sim. E aí você acaba gerando, né, um gasto de energia para esse idoso, que ele poderia estar com foco em atividades que sejam prazerosas para ele. Imagina, né, a a nós queremos sempre fazer coisas que nos dão prazer, não é porque

— O idoso, a pessoa que ele não tem, né? E a gente vai empurrar atividades que

— Que ele nunca fez na vida, ele vai querer fazer na umidade mais avançada. Imagina o estresse disso. Às vezes você vai acelerar ainda mais o processo de perda cognitiva, de prejuízo na memória.

— Pode acelerar ainda.

— Pode acelerar sim. sempre colher a história dele, o que ele gostava de fazer e trazer isso pro presente, se era cozinhar, se era cantar, se era dançar, se era tocar e trazer, tentar trazer o mais próximo possível, né, para que ele vivencie isso novamente, que aí eu acho que vai fortalecendo, vai criando novas memórias, trazendo o que era antigo pro recente. Isso faz toda a diferença, né?

— Total. É, muitas vezes ele não tinha o hábito de fazer nada

— E de repente tem um monte de coisa que ele não gosta de fazer,

— E e às vezes ele ele se encontra numa situação que ele passou a gostar de fazer. Mas por isso que é importante a gente ter esse olhar e variar as atividades. Pera aí, vamos tentar encontrar algo que dê prazer a gente, né? a gente que, né, nessa fase da vida da mulher mais madura, a gente vai paraa acadêm, você nunca treinou na vida, né? O seu médico fala: "Não, você tem que tem que controlar o seu peso, vai pra academia". Mas você nunca quis fazer academia, isso não funciona. Então não funciona para quem é mais jovem, para pro idoso também não não vai

— Então é buscar isso. Vamos lá. O que que o que que trazia, né, algo prazeroso, né? Eu tenho uma paciente que ela veio para mim, né, jovem assim, tem um pouco mais de 50 anos e ela nunca entrou na academia jovem, somos nós aqui.

— E aí eu perguntando, mas o que que você gostava de fazer de exercício quando você era adolescente, né? Me conta. Aíá. Eu eu dançava balé. Disse: "Nossa, então busca uma escola de balé paraas mulheres para adultos". E hoje ela voltou a fazer balé.

— Uma outra gostava de jogar vôlei. Hoje ela joga vôlei. Uhum.

— Então assim, se pra gente é assim, por que vai ser diferente pro idoso?

— Com certeza. Eu vou começar a buscar alguma coisa agora para poder fazer para lá na os 80 a mais alguém falar: "Ela gostava de fazer isso. Vamos trazer aqui porque hoje eu não sei ainda o que eu gosto de fazer". Mas é isso, é porque nós da área da saúde a gente é muito a gente limita muito as nossas atividades em função do

— Mas a gente tem sempre e agora mais nunca, né, na fase da mulher mais madura, em que a gente sabe que vai ter essas oscilações hormonais, a gente tem que buscar.

— Né? E de uma forma terapêutica e preventiva também.

— Uhum. Uhum. Porque continuamos produtivas, né?

— Sim. E muito

— E muito, muito.

— Que mensagem você deixaria neste momento pras famílias que estão nos escutando neste momento sobre a memória dos seus idosos?

— Eu acho que talvez eu faça um compilado aqui do p um pouco de cada coisa que a gente falou, né? existe um limite entre o entre a perda de memória que é mais natural do envelhecimento e essa perda de memória, ela não pode vir com perda de autonomia, né? A ela é um grande marcador. Aí então se se existe um prejuízo funcional em relação à autonomia, precisa ser investigado. Na dúvida, vá atrás, né? Seja para um, mesmo que seja para um, para um médico generalista, para um clínico, mas precisa ir atrás. Não dá para considerar que qualquer perda de memória é bonitinho e é natural da idade, porque não é.

— Então, a gente tem que buscar. Estimulem os seus idosos a coisas prazerosas, a atividades prazerosas, que isso é benéfico, isso ajuda realmente a gente preservar esse essa essa essa vai preservar essa memória, né, mais a longo prazo.

— Dando aí qualidade de vida, tá? E eu acho que é isso. Agradeço muito aí.

— Excelente. Excelente.

— Nós que agradecemos a conversa, tanta clareza. tranquilidade para um tema que costuma gerar medo, né, em todo mundo.

— Não só para quem tem idoso em casa, mas para quem tá caminhando, né,

— Ninguém quer esquecer nada, né? A gente na fase que estamos, de repente numa conversa, a gente esquece, né?

— Tem uma névoa aí de repente e dá um

— Então fica a mensagem, né?

— Ou você tá no meio do caminho, o que que eu ia fazer? Exato. Ó,

— Observar, cuidar e buscar orientação é sempre um ato de amor, né? Acho que essa é a mensagem que a gente deixa hoje nesse momento tão rico, tão grandioso, com tantas informações, clareza pros nossos ouvintes, que acredito que se fez sentido vai compartilhar, vai buscar ajuda. É isso que a gente pede no dia de hoje. Obrigada, Dra. Karol. Obrigada a

— Fica a mensagem de que observar, cuidar e buscar orientação é sempre um ato de amor. Até o próximo episódio do Viver Mais Cuidar [música] Melhor.

Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação médica individualizada.

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