Sinais de depressão e ansiedade em idosos - Você precisa prestar atenção nisso!
Com Dr. Igor Vilela Brum, médico neurologista · CRM 201714 · Perfil na clínica (CNNA)

O neurologista Dr. Igor Vilela Brum explica como a ansiedade e a depressão aparecem no idoso, muitas vezes como desinteresse, irritação, dores ou queixas de memória, e por que esses sinais não são coisa da idade. A conversa trata da solidão, do papel da família e do cuidador e de quando procurar ajuda.
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Transcrição automática do áudio, com correções pontuais de nomes e termos. O travessão marca a troca de quem fala.
Muitos idosos não dizem que estão tristes, eles dizem que estão cansados, sem vontade, sem ânimo, que preferem ficar sozinhos. E muitas famílias acham que isso é normal da idade, mas nem toda tristeza é envelhecer, às vezes é sofrimento e silêncio.
— E quando a gente ignora isso, a solidão vira doença, a ansiedade vira rotina e a depressão passa despercebida. Este é o espaço de conversa, reflexão e informação sobre envelhecimento, saúde, cuidado e qualidade de vida. Aqui acreditamos que envelhecer é um processo natural e que o cuidado, quando feito com conhecimento, planejamento e humanidade transformas histórias, famílias e trajetórias. Eu sou Andréia
— E eu sou a Monique Antelmi. Somos enfermeiras e atuamos há mais de 25 anos no cuidado ao paciente, seja no hospital ou em casa, na gestão em saúde e na formação de profissionais. E hoje vamos conversar sobre um tema essencial para quem cuida, para quem é cuidado e para quem quer viver mais e melhor. Para essa conversa, convidamos um profissional que vai nos ajudar a ampliar esse olhar e aprofundar esse tema. Estamos aqui com o Dr. Igor Brum, médico neurologista pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, HCFMUSP, especialista em doenças de Parkinson e outros distúrbios do movimento pelo HC USP, coordenador do ambulatório de cognição e demência do IAMSPE. Seja bem-vindo, doutor.
— Oi, Andréia. Prazer te receber, doutor.
— Oi, Monique, muito obrigado pelo convite. fico extremamente feliz de, né, falar um pouco sobre esse tema que é muito relevante, que é a saúde mental do idoso. Espero que nesses minutos próximos a gente consiga contribuir, né, com o ouvinte, seja um familiar, um cuidador ou o indivíduo idoso, né, que esteja aí conectado escutando o nosso Muito bom, doutor. Então, me diz uma coisa, doutor. Existe a ideia de que envelhecer é naturalmente ficar triste, ficar isolado? Isso é verdade?
— Olha, é uma concepção comum, mas equivocada. Eu diria que a mesma coisa acontece em relação ao esquecimento. As pessoas também atribuem o esquecimento como algo natural do envelhecimento. Isso não é verdade. A gente sabe que o envelhecimento é um processo difícil. A gente não pode negar que é desafiador, né? é uma fase da vida que muitas vezes o paciente vai estar diante de perdas, sejam desde perdas materiais, então a questão da aposentadoria, por exemplo, a perda de vínculos, a gente sabe que a viuvez é uma realidade para muitos idosos, e a perda das capacidades físicas, né, muitas vezes da independência, da funcionalidade. Mas ainda assim, diante de todas essas a velhice não precisa ser um momento da vida marcado por tristeza, por esquecimento. Então, estas questões que muitas vezes são normalizadas, elas não fazem parte do envelhecimento.
Então, elas, né, requerem uma avaliação, precisam de ajuda. E por isso que esses momentos de conversa são importantes também pra gente conscientizar as pessoas sobre isso, porque essas concepções acabam muitas vezes fazendo com que o paciente demore para procurar ajuda. então é importante a gente conversar mais sobre esse tema.
— E quais sinais, doutor, não devem ser normalizados? Olha, se a gente for falar tecnicamente, né, a gente usar, por exemplo, o DSM-5, que é o principal manual para diagnóstico de doenças psiquiátricas, ele diz que não é normal se sentir triste a maior parte dos do dia a maioria dos dias.
— Só que antes de chegar nesse ponto, existem vários outros sinais de alarme que podem acontecer. Então, além da tristeza persistente, que é algo que realmente vai chamar atenção, alguns pacientes, principalmente os idosos, eles podem manifestar outras queixas. Então, por exemplo, uma perda de interesse em atividades, né, que antes eram importantes para ele. além disso, uma apatia mais significativa, ou seja, às vezes o paciente não vai referir à tristeza, mas é um desinteresse pelas coisas ao redor, para ele tanto faz o que tá acontecendo, se alguém chama ele para um evento ou não, se vai receber uma visita ou não. e além disso, sintomas físicos também devem chamar atenção. se além, né, do sentimento de tristeza, da apatia, o paciente começa a ter alterações de sono, tanto né, uma hipersonia, que a gente fala, né, uma sonolência excessiva, quanto insônia,
— Alterações de apetite, a gente também tem que, né, ter uma tensão como um sinal de alarme, de um sofrimento, pode ser uma redução de apetite, um aumento de apetite. É, e as queixas de esquecimento, as queixas que a gente chama de cognitivas, isso também é um sinal de alarme de que algo pode estar acontecendo e a gente não deve naturalizar isso.
— Uhum. Então tudo que sai da normalidade, né, desde que ele não perceba, algum familiar deva perceber, né, o que é normal para ele, pro paciente, às vezes tá sendo normal para ele, mas o familiar tem que perceber que isso não é normal e que algo está mudando ali e que pode ser o momento de procurar uma ajuda.
— É, exatamente. A gente tem até um um termo técnico para isso, que é a anosognosia, que é quando o paciente anosognosia, anosognosia,
— A anosognosia significa que o paciente ele não percebe as dificuldades ou os déficits ou a própria doença.
— Por isso que o apoio familiar
— Vai ser importante, né, para reconhecer aquela mudança de padrão.
— Então, ah, o meu pai não era assim, tem alguma coisa errada. Ele sempre foi uma pessoa que gostava, né, de de encontrar a família, de estar próximos dos netos e agora ele não tem tido mais essa vontade, tá ficando mais isolado. E pode acontecer que pro paciente ele até acha que está tudo bem, né? Mas a família então tem que ser uma parceira na identificação dessas mudanças de padrão.
— Uhum. E quando esse paciente mora
— Isso é uma dificuldade, né? hoje a gente tem famílias cada vez menores e famílias cada vez mais fragmentadas.
— Então para esses pacientes que moram sozinho, né, bem mais difícil que eles procurem ajuda, porque muitas vezes eles não vão perceber esse essas alterações, né?
— E às vezes, mesmo quando percebem, eles não sabem o que fazer, né? Quem que eu vou procurar, com quem que eu vou falar.
— Então são casos que necessitam mais atenção, né? Então, a gente precisa ter uma rede de apoio que ajude aquele idoso, os amigos, os familiares. Às vezes é muito comum no início do ano, é uma maior procura, né, no de atendimentos por queixa de memória, porque às vezes aquele idoso que mora sozinho, aí vai reunir no final do ano e a família percebe, olha, tem alguma coisa diferente acontecendo.
— Mas se a família ficou um ano sem visitá-la, ele vai esquecer, né? Exatamente. E assim, às vezes até esse familiar que mora longe, ele consegue perceber até às vezes mais do que quem tá no dia a dia, porque quem tá no dia a dia, às vezes vai relevando, né, as alterações. E aí aquela coisa assim, a pessoa não vê há um ano e ela fala: "Pera, meu pai na último, último Natal não era assim". Não que isso esse seja o ideal, né? Que a gente não quer que a pessoa veja o familiar uma vez por ano, mas às vezes isso acontece, né? É, às vezes a gente até brinca assim que é a síndrome do filho do exterior,
— Que é aquele filho que mora fora e aí ele, né, chega ali para ver o o pai, enfim, aí fala: "Olha, tem alguma coisa errada acontecendo, né?"
— Então, esses cenários do idoso que mora sozinho aí são mais desafiadores ainda. É, é,
— É, a gente costuma falar muito de filho, mas independente, né, é de quem estar está cuidando, né? Seja um cuidador, seja uma pessoa que seja responsável por esse idoso, esteja de perto, que essa pessoa identifique essas alterações, né?
— Sim. Exatamente.
— A ansiedade no envelhecimento, como que ela costuma aparecer? É, é como o jovem, né? A gente que porque o a a ansiedade a gente pensa na projeção do futuro, né? O ido, muitas vezes ele nem planeja mais o futuro. Como que a gente identifica esse esse quadro ansioso? É, os sintomas de transtorno mental de uma maneira geral, né, a ansiedade, a depressão, podem se manifestar de maneira distinta no idoso. Então, por exemplo, se a gente pensa nos quadros depressivos, nem sempre o idoso vai ter aquela queixa de tristeza, melancolia, choro fácil. Às vezes isso vai manifestar por um desinteresse nas atividades ou por um maior isolamento. Alguns idosos têm maior irritabilidade, então às vezes tem conflitos em casa. E, né, dentro desses sintomas, assim como dos sintomas ansiosos, a gente tem também uma maior prevalência dos sintomas físicos.
Então, é comum que o idoso manifeste algum transtorno mental na forma de queixas de dor. Então, muitas vezes dores difusas, em que a, né, a avaliação clínica não evidencia exatamente uma causa, ou então uma queixa de tontura, queixas em geral vagas, mas que trazem transtorno para aquele indivíduo e que podem, né, ser uma manifestação de um sofrimento psíquico que não está sendo bem elaborado, né? E além disso, a questão do esquecimento, mais uma vez eu reforço porque muitas vezes os sintomas ansiosos e depressivos se manifestam com queixa de memória. Eu digo para vocês que a maioria dos idosos que eu atendo com queixa de esquecimentos, na verdade eles têm outros transtornos de saúde mental, como a ansiedade e a depressão, e não uma doença neurodegenerativa, como a doença de Alzheimer, por exemplo.
— Uhum. Quando fala em ansiedade, o é o medo, né?
— É ansiedade,
— É o medo da morte, é o medo,
— É ansiedade, né? Pode ter diferentes apresentações, né? no indivíduo idoso, como a gente, né, comentou no início, o processo de envelhecer tá relacionado com muitas perdas,
— Inclusive com a perda de si próprio,
— Que é a, né, no fim a a grande perda,
— Exatamente, que pode ser,
— Né, o medo da demência, por exemplo, né, que você pede, né, aquele medo de não se reconhecer, não reconhecer mais as pessoas próximas e o próprio e a própria morte, que é, né, seria aquele a perda final, a perda de si. Então, lidar com isso é muito difícil. A gente conversa pouco, né, sobre a finitude.
— Então, quando esse momento chega, às vezes as pessoas não, né, pararam para refletir, será que, né, é o meu fim, o que que vai acontecer. Às vezes as pessoas não têm medo da morte, né, mas tem medo de sofrer. Como que vai ser o processo da morte? Eu percebo isso com idosos próximos, né, familiares, quando os amigos começam a partir.
— Fica naquela
— Ansiedade. É, será que eu sou o próximo?
— Será que minha hora tá chegando?
— Às vezes eles comentam, né, eu tô indo mais em velórios do que aniversários.
— E aí é um momento que a gente passa a pensar na própria finitude. Isso com certeza é algo muito ansiogênico, né? gera uma preocupação excessiva, uma dificuldade de relaxamento. Às vezes a gente tem o que a gente chama de ruminação de pensamentos. Então aquele pensamento intrusivo num momento ali que o paciente, por exemplo, vai dormir ali, fica pensando, reverberando, né, aqueles medos, tem a sensação de que algo ruim vai acontecer, então tá sempre ali vigilante. então no idoso isso ganha uma proporção maior, né? Então essas situações elas vão acontecer. A gente vai precisar saber lidar com isso, lidar com essa ansiedade, com esses medos. E na sua experiência, na sua vivência de consultório, as famílias demoram para perceber esses sinais, esses sintomas? Ah, as famílias vão ao consultório com esse paciente ou ele vai com algum cuidador?
Foram duas perguntas ao mesmo tempo, né? As famílias demoram para levá-lo para perceber esses sinais, esses sintomas e levá-lo ao médico buscar ajuda.
— Chega num estágio mais avançado.
— A gente tem os dois cenários, mas é muito comum atraso na percepção
— Da de das queixas, né?
— Uhum. Eu vejo isso muito para questões de memória em que a família vai relevando. Ah, isso é do envelhecimento, é normal, é da idade. E aí quando você atende o paciente, você percebe ali claramente que existe, né, existem dificuldades. Às vezes, quando a gente vai fazer alguns testes cognitivos. Então, por exemplo, é o teste que a gente faz muito no consultório, que é o teste do desenho do relógio. A gente pede pro paciente fazer um relógio, marcar ali os números e colocar uma hora. Quando a gente faz aquilo próximo do familiar, às vezes o familiar leva um choque que ele fala assim: "Como assim meu pai não consegue desenhar um
— Então, às vezes é o momento que a que, né, que cai a ficha
— E então esse atraso para procurar atendimento é muito comum. mas também tem outro cenário, aquelas famílias que ficam hipervigilantes, muito preocupadas, existe, né, no idoso uma chance maior, por exemplo, da hipocondria, né, que é a ansiedade, do
— Então, às vezes, esquecimentos corriqueiros ali tornam uma grande proporção. Isso também acontece. Mas o mais comum, a meu ver, assim, na minha experiência, é o atraso pro diagnóstico.
— Esse atraso tem impacto no tratamento, no prognóstico? é que tem impacto tanto, né, na na qualidade de vida do indivíduo e no tratamento. A gente sabe que, né, fazer um diagnóstico mais precoce, instituir, né, as medicações, o tratamento não medicamentoso, eles vão fazer com que aquele indivíduo tem autonomia por mais tempo, vão melhorar a qualidade de vida.
— Então isso realmente vai ter impacto, sim. Então, quais são os impactos da solidão na saúde mental e física desse
— Certo? a gente, né, comentou que as famílias estão menores, né, tão fragmentadas, então a solidão ela é comum no idoso, né, considerando também a perda, né, de amigos, de pessoas próximas. Alguns estudos mostram que até um quarto dos idosos se sentem sozinhos, né? E aí também é importante a gente diferenciar, né, o que que é solidão de estar sozinho.
— Isso sim.
— É, estar sozinho é uma questão objetiva, né? Ou seja, é aquilo que a gente falou o paciente mora sozinho, ele tá sozinho. Agora, a solidão é o componente subjetivo disso. Às vezes, a pessoa ela está, né, em volta ali de pessoas, de familiares, mas se sente sozinha, se sente isolada. existe, por exemplo, né, uma dificuldade muito grande de conectar com as gerações. Então, às vezes aquele idoso, ele não consegue, né, numa reunião de família ter voz, participar, os assuntos são diferentes. Essas diferenças de geração, ainda mais hoje em dia, né, com a tecnologia avançando tão rápido, leva, né, a a um gap ali, um abismo mesmo de de interação. Então, a gente tem que achar esses pontos comuns. voltando assim para essa questão, né, de solidão, estar sozinho, dá até para fazer uma analogia assim com com a cidade, né?
A gente vê São Paulo, a cidade mais populosa do país. E quantas pessoas não se sentem solitárias, né? Enquanto que às vezes aquele idoso que mora no interior, numa cidade menor, tem uma rede de apoio, tem amigos, e se sente, né, com vínculos afetivos muito melhores do que quem mora aqui em São Paulo, num apartamento que não sabe o nome do vizinho, né, mesmo morando ali há 20, 30 anos. Sim, exatamente. Senhor, acha que a pandemia intensificou isso?
— Sim, né?
— A gente viu, né, pós pandemia
— Uhum. um aumento na procura por atendimento, tá? A gente sabe que a solidão ela é um fator de risco tanto para transtornos de saúde mental como a depressão e ansiedade, mas também para doenças neurodegenerativas. Quando a gente fala de medidas de proteção paraa demência, um dos pilares é o convívio social, é a interação com outras pessoas. Então, quando aqueles idosos ficaram 2 anos, 3 anos isolados, muitas vezes houve uma manifestação mais precoce de um quadro degenerativo, às vezes de uma doença de Alzheimer que talvez não fosse se manifestar, que se manifestou mais precocemente. Exato. Por conta desse isolamento. não que, né, o isolamento por si só vá causar um quadro de Alzheimer, mas ele pode fazer com que essa manifestação se dê de maneira mais precoce, além, né, dos transtornos de humor e de ansiedade que aumentaram muito, inclusive na população idosa durante a pandemia.
— Sim. Sim. Então, o convívio social ele é um tratamento, mesmo nesse contexto, considerando que, ah, eu estou no meio de um monte de gente, mas me sinto
— Sim. o fortalecimento dos vínculos tem um papel terapêutico, tanto né, na depressão quanto na demência. Então, é muito importante a gente construir esses vínculos. E não é pensar nisso quando a gente envelhece, é a gente começar a ter essa cultura do envelhecimento, que tipo de vínculos eu tô criando, né? como que eu tô tratando as, né, os meus amigos, os meus familiares. Na meia idade existe uma fase em que as pessoas às vezes começam a romper vínculos, briga com o irmão, briga com os amigos, não procura mais ninguém e vai se isolando.
— E aí chega na velhice,
— A pessoa se sente sozinha, solitária,
— Ninguém, né?
— Então a gente tem que tentar retomar os vínculos, né? Hum.
— Resolver questões do passado que às vezes estão mal resolvidas, procurar aquela pessoa que a gente gosta, mas que teve ali um conflito, isso vai ter um efeito antidepressivo, né? Não é um remédio, mas vai ter um efeito ali para proteger dos transtornos de saúde
— É esse isso que o senhor traz é muito importante, né? Porque eu acho que desde a pandemia teve sim, né? o isolamento do idoso e da família, cada um no seu lado. Muitos retomaram a esse convívio, muitos acostumaram, né? Você vê aí o home office, né? Muitos acostumaram e ficou tudo muito normalizado. Isso se intensifica mais nos dias de hoje. E é muito comum você levar esse termo ser sozinho e não projetar o seu futuro,
— Né? Como você quer ser. E para muita gente agora tá normal, tá bom, tá
— Os jovens estão preferindo o isolamento.
— É, é uma realidade, né?
— E e o impacto disso no envelhecimento.
— É uma coisa que a gente não pensa quando a gente é jovem.
— É, é.
— Só que a gente tem que pensar nisso, porque os valores eles vão mudar, né? Quando a gente envelhece, a gente vai refletir sobre aquilo que a gente fez, o que a gente construiu. Aí, será que aquele trabalho realmente o que que aquilo me trouxe, né? Enquanto que eu foquei totalmente minha vida no trabalho, deixei as relações pessoais de
— Isso valeu a pena, né? A ter comprado o carro do ano. Era isso que que eu que eu vou levar paraa minha pra minha velhice. É esse o valor que que eu quero trazer.
— E existe uma questão também dos vínculos serem frágeis demais, né? A gente vive uma sociedade muito do consumo, então tudo é descartável e as relações pessoais às vezes são encaradas dessa forma. Hum.
— Pessoas não têm persistência, né? Então, ah, eu discuti com alguém também, não quero mais falar com essa pessoa. não, né? Vamos cada um ficar no seu
— Família é assim, né?
— Exatamente. As pessoas,
— A gente tem essa, né, mania ali de do bem e do mal. Então, aquela pessoa é ruim, não quero mais conviver. Mas as pessoas são cheias de nuances. então a gente tem que, né, parar para pensar e falar, olha, exato, é difícil, é, eu vou ter que talvez, né, vamos dizer assim, dar o braço a torcer, mas vale a pena a gente tentar recuperar aquela amizade, aquele familiar, aquele convívio, né,
— Mesmo com a dinâmica tão agitada do dia a dia, né, que levamos. Exatamente.
— A gente demora às vezes, meu pai vai escutar esse vídeo, vai escutar esse áudio e vai falar: "Você é essa?"
— Você tem tanta dinâmica do do dia a dia, são tantas tarefas, são tantas obrigações que às vezes você para para pensar, você tá um mês sem ver seu pai.
— E exato. E às vezes a gente vai rever isso quando tem um processo de
— Exato. Aí você fala: "Por que eu não fiz isso antes?"
— Exatamente, né? É o que a gente tá falando, é a cultura do envelhecimento. A gente tem que, né, começar a pensar sobre isso, porque é o destino de de todos nós, né? A gente vai chegar lá,
— Né? Então, a gente tem que tem que ser algo construído de forma ativa, né? Não é esperar que que as coisas vão
— Vão simplesmente acontecer,
— Né? Mas terça-feira estarei com meu pai. É, vai ser caso ajustado. E qual é o papel da família na saúde mental do idoso? Olha, a família vai ter um papel crucial, na maioria das vezes pro bem,
— Mas às vezes a família pode ser também uma fonte de sofrimento para aquele
— Na maioria das vezes, a família é um suporte, é uma fonte ali de vínculos a gente tem, né, muito a ligação do idoso no papel do avô, né? então a família vai ser importante justamente para proteger, né, o efeito ali que a gente tá falando, antidepressivo, contra a solidão, contra o desamparo, a tristeza e pra, né, pra própria identificação de alterações ali, né, de coisas que estão fugindo um pouco do habitual. Uhum.
— Então, a família vai ajudar a detectar isso. por outro lado, a gente tem famílias também que são muito famílias em que existe uma questão financeira importante. Às vezes o idoso é responsável por centralizar as finanças e aquilo gira, gera uma fonte de estress muito grande pro idoso. Existem famílias que são super protetoras, que acabam, né, privando o paciente da sua autonomia, o paciente, eu digo, mas o idoso, né, de uma maneira geral, o que pode ser prejudicial. Então, a família é central, tanto pro bem, mas a gente tem que estar atento, né, para
— Avaliar se esses vínculos estão sendo saudáveis, né, pro indivíduo.
— Sim, com certeza. E pensando no nosso dia a dia, né, nos nossos alinhamentos de cuidado, muitas vezes em pacientes em comum, e o papel do cuidador, porque nem sempre é um cuidador familiar.
— E é um cuidador que não é da família. Como que ele, qual é o papel dele para ele não invadir o contexto familiar, né, que é importante, mas que ele apoie principalmente o idoso, que é quem
— Uhum. é o o cuidador, ele vai ter um papel, né, muito importante ali, em lidar no dia a dia com o idoso. Às vezes até ele passa mais tempo, na maioria das vezes, né, do que o próprio familiar. Então, para identificar, né, alterações clínicas sutis. Então, olha, ele tá mais irritado, eu tô percebendo que a alimentação não tá a mesma ou algumas alterações urinárias. isso tudo o cuidador vai tá ali do lado para perceber e para relatar aquilo paraa família. muitas vezes o cuidador vai ter um vínculo muito forte com o idoso, né? Até um vínculo de amizade
— Que é difícil às vezes separar, né, a questão profissional do dos outros
— E o cuidador tem que ter um jogo de cintura, né, porque ele tem que, né, cuidar ali da pessoa idosa, mas ele tem que cuidar da família também. É, sim. Então o cuidado ele ele é muito
— Ele acaba entrando no contexto.
— É isso quando assim não existem diferentes opiniões na própria família, o que é muito comum.
— Então às vezes um filho tem uma opinião, aí o outro irmão não concorda. às vezes acontece, por exemplo, alguns casos que o cuidador nota, por exemplo, alterações de comportamento, né? Então, olha, o paciente tá muito agitado, tá difícil de lidar no dia a dia e a família nos poucos momentos às vezes que passa com aquele idoso, não percebe essas alterações. Aí gera um conflito, né? Falar o cuidador tá exagerando, não é bem assim. Então é é uma situação bastante delicada. Por isso que os cuidadores têm que ser muito bem treinados, né? Tanto para lidar com o idoso quanto com a família também. Exatamente. Então, saúde mental é um cuidado compartilhado, né? Família, cuidador e médico, né?
— Sim. Toda a rede, né? O paciente,
— O médico, a família, o apoio, né? A as
— Tudo isso tem que, né? O cuidador tem que encontrar o o equilíbrio, né? ponto de equilíbrio.
— E quando procurar um especialista deixa de ser opção e passa a ser a necessidade desse dessa família e desse idoso, né? É assim, de uma maneira resumida, acho que sempre que houver um sofrimento, isso é um sinal de que precisa, né, aquele aquele aquele idoso precisa de ajuda. E sempre que houver uma mudança em relação ao habitual, ao funcionamento, a funcionalidade, então o idoso ele deixou de fazer coisas que ele conseguia, ele perdeu os interesses, aquilo que era importante para ele não tem mais valor. É, aqueles esquecimentos estão afetando o dia a dia. Então não é, né, uma coisa pontual assim, ah, esqueci onde deixei a minha chave. Não, às vezes esqueceu que recebeu uma visita ou se está se tornando muito repetitivo. Isso é um sinal precoce que a gente observa, né, algumas demências.
Então, o paciente esquece que falou uma coisa e conta aquela história várias vezes. são todos sinais de alarmes. E lembrando também da questão física, né? Alteração de sono, alteração de apetite, sensação de cansaço, fadiga, tá na hora de procurar um especialista, né? E aí a área da saúde mental do idoso,
— Ela tem alguns profissionais que que cuidam disso, né? Então, o geriatra, o neurologista, o psiquiatra. existe uma grande intersecção dessas áreas, né, com algumas particularidades, mas são os profissionais que, em geral vão ser responsáveis ali pelo atendimento dessas
— Então, tem o geriatra, o psiquiatra e o neurologista. Quando essa família precisa iniciar, né, a primeira consulta, quem de fato ela procura
— É difícil falar procurar, é, tem que procurar alguém, mas um pouquinho enfesado, né? É, é, é assim, só pra gente direcionar, né? Esse, esse ouvinte, quem tá nos escutando agora, identificou algum desses fatores, alguns desses sinais, desses riscos? procurar uma unidade básica de saúde, ela vai num especialista, ela vai num generalista, no clínico geral, só pra gente direcionar aqueles que não tm todo entendimento. Ah, eu vou no neuro, eu vou no psiquiátrico, porque o psiquiatra faz isso, isso, isso, identifiquei, mas tem aquelas pessoas que não conseguem identificar, né? Esse público que precisa da da rede pública, quem ela para onde ele corre? de um de um de uma maneira geral, assim, no mundo ideal, o médico generalista, o médico da família deveria ser o primeiro a ser procurado.
— Então aquele médico que já acompanha, que conhece o paciente, que conhece a família, porque ele vai poder identificar quais são os pontos ali de maior fragilidade, quais são os sintomas que predominam e a partir daí, caso seja necessário, encaminhar para um especialista, tá? A gente sabe que na prática nem sempre é isso que acontece, né? Principalmente no setor privado de planos de saúde. o às vezes o próprio paciente escolhe, né? Ah, então agora eu vou no neuro, eu vou no no
— Mas já vai com diagnóstico, né? Porque hoje, né? até uma uma pergunta, né, sobre as as mídias sociais, né, que foi até um uma conversa que que nós tivemos com o senhor que foi sugerido até falar sobre essa questões, né, sobre essa questão se o senhor quer falar agora, se deixa mais pro final, já que a gente abordou as as mídias sociais, as redes, o que isso impacta,
— Tão tão presentes que a gente até já trouxe de uma vez esse assunto porque é muito relevante, né?
— Mas só para concluir então essa questão do especialista,
— Aham. então nesse cenário ideal é o é o generalista, é o médico da família que vai poder encaminhar, né, se for necessário, pro especialista mais
— Mas tirando, né, esses casos, a gente, em geral qualquer um dessas dessas três especialidades pode ser
— Vai tá dando esse suporte inicial, né? Existem algumas diferenças, né? Assim, o o geriatra em geral, ele vai ter aquela visão mais global, então ele vai controlar também as questões clínicas que a gente fala, né? A pressão alta, diabetes, alteração da tireoide.
— O psiquiatra ele muitas vezes vai ser útil naqueles casos mais refratários ou, né, naquelas depressões mais complicadas, não é? é uma depressão unipolar que a gente chama que é mais comum, é uma depressão bipolar ou uma depressão que a gente fala que é psicótica com alucinação
— Ou com ideação suicida, que é um um risco idoso, né? a gente sabe que às vezes a gente não aborda, né, esse assunto, mas o idoso com depressão tem o risco de suicídio, inclusive
— É o autoextermínio.
— Exato. Ele é mais efetivo, o idoso, ele consegue, né, tem tem êxito no suicídio com mais frequência do que o jovem. É mesmo, os índices são maiores.
— Sim, tanto por conta de de técnicas mais letais que são utilizadas e pelo próprio organismo mais fragilizado. Um jovem tomar 20 comprimidos de remédio, ele recupera bem, né? O idoso tem toda uma alteração de metabolismo
— Que faz com que o quadro possa ser mais grave, né? Então, nesses casos, então, de uma depressão, uma ideação suicida, o psiquiatra costuma ser o especialista que que vai manejar. E o neurologista, ele vai ser muito importante para identificar o que tá por trás daquele quadro depressivo ou de ansiedade. A gente sabe que os transtornos de humor de início tardio, ou seja, aquele paciente que não tem história de depressão, nunca teve quadro de ansiedade e manifesta isso depois dos 60, 65 anos, existe um risco maior disso ser uma manifestação de uma outra doença. Então, por exemplo, pacientes com doença de Alzheimer, eles podem ter como manifestação que a gente chama de prodrômica, ou seja, que antecedem, né, o quadro clínico do Alzheimer, um quadro de humor depressivo.
— Então, nesse diagnóstico diferencial das síndromes demenciais, entender se essa depressão ela é primária ou ela é secundária outra doença. Aí o neurologista vai ter um papel central e muitos casos vai ser feito de uma maneira compartilhada. Então, né, o geriatra junto com neurologista, com psiquiatra, eles vão ali trabalhando em conjunto pro para pro benefício ali daquele paciente e muitas vezes para fazer o diagnóstico, o exame clínico, né, primeiramente, e exames de imagem, exames laboratoriais, isso também é importante para você chegar a um diagnóstico.
— Exatamente. o diagnóstico.
— Falando agora assim especificamente, né, dos das demências da doença de Alzheimer, ele é clínico, principalmente clínico, né, com base na história e no seu exame cognitivo. O que que é o exame cognitivo? A gente vai realizar testes para avaliar os diferentes domínios
— Esse teste no consultório,
— Teste no consultório,
— Por, né, o paciente muitas vezes traz sempre a queixa de esquecimentos.
— Uhum. Essa cognição, ela vai muito além da memória, ela envolve a linguagem, envolve o que a gente chama de funções executivas, que é o raciocínio mais complexo, envolve atenção. Então, tudo chega como esquecimento. Aí o neurologista, ele vai conseguir distinguir através desses testes se é uma dificuldade de memória propriamente dito ou é uma outra dificuldade, né? às vezes é uma dificuldade de foco, de manter a atenção. e a partir daí da suspeita clínica, a gente pode lançar mão de exames, né, para ajudarem tanto a excluir algumas doenças quanto a confirmar, né, os diagnósticos.
— Muitos demoram até a ir atrás de uma ajuda por medo do tratamento. Ah, eu vou tomar remédio, vou ficar dependente de medicação. Como que é isso, esse manejo? É, a medicalização no idoso é muito complexa, né? A gente tem os dois extremos, a gente tem o excesso de medicamentos, então ele idoso com uma polifarmácia, né? Toma vários remédios, às vezes toma um remédio para tratar o efeito colateral do outro
— Problema. E a gente tem o outro lado que é aquele paciente que se recusa a tratar, que não quer tomar medicação, que ele acha que o remédio, principalmente quando a gente fala de psicofármacos, né, os antidepressivos, os an os ansiolíticos, eles vão me mudar, eu não vou ser o mesmo, vou ficar
— Então a gente tem que tentar esclarecer isso. A gente vai usar o medicamento para melhorar a qualidade de vida daquele indivíduo na medida em que aquele medicamento ele é necessário, né? né? Geralmente a gente vai usar a menor dose pelo menor tempo possível. É assim que a gente faz. mas aquele medicamento não vai alterar a personalidade da pessoa, não vai é feito, né, de uma maneira com profissional que sábio, né, tem experiência nisso. Então, às vezes a o paciente fala: "Nossa, eu tô me sentindo outra pessoa". Mas às vezes é porque passou tanto tempo, né, numa situação de sofrimento psíquico que quando, né, ele tá bem, Exato. Ele volta pro normal. acostumou que ele não a a não normalidade, né?
— Já normalizou.
— É o não normal, né?
— Então aquela pessoa é muito ranzida, impaciente. Às vezes aquilo é uma uma
— É de uma doença mesmo, né? Que precisa ser tratada. a gente tem o que a gente chama de distimia, que é como se fosse um quadro crônico de depressão, que a pessoa fica impaciente, irritada, a pessoa entre aspas meio rabugenta, às vezes passa anos sem nenhum ter sem ter um diagnóstico. Quando a gente começa a tratar, a pessoa volta a ser o que ela era, né?
— Mas até
— E aí que ela vê o então aí que ela acha que ela tá mudando a personalidade, né? Mas ela tá voltando até que ela a doença, aquilo aquele agravo que ela tava sofrendo.
— Mas é muito comum mesmo. A gente também escuta na com os nossos pacientes ou com alguém que conversa: "Ah, eu não quero tomar medicamento, não quero ir no médico porque eu não vou ser mais eu."
— Não serei mais eu. Então assim, é isso. E uso essa frase mesmo. é bom trazer esse tema aqui para desmistificar isso mesmo, né? falar que às vezes o seu normal não é o normal. O que você acha que é o que tá alterado e a medicação vai te trazer de volta.
— Exatamente. A gente habitua, né, com uma situação ruim que não precisa ser assim,
— Uhum. Uhum. Uhum.
— E e no idoso, né, o o tratamento medicamentoso, ele é sempre feito de forma gradual, lenta. A gente vai titulando as Exato. Sempre atenta aos efeitos colaterais.
— Aham. Então, a gente tem que desmistificar um pouco
— Isso. Isso mesmo. Tem algumas perguntas, doutor, que chegaram pra gente. Nós falamos do que seria abordado aqui. Eu queria ler algumas, talvez já falamos no decorrer da conversa, mas aí a gente repete de forma diferente.
— Meu pai ainda anda mais quieto. Isso é da idade,
— Então. não é para para ser da idade, né? Então, se isolar, evitar contato com outras pessoas, isso não é esperado. A gente tem que ver o que pode estar por trás disso, né? Algum tipo de sofrimento, alguma doença. Então é importante procurar ajuda, sim.
— Principalmente você não nunca foi uma pessoa mais reservada, né? Porque às vezes é uma pessoa mais reservada.
— É isso. É que a gente fala da mudança do padrão, né? Não era assim. E sempre pensando assim: "Ah, é uma questão pontual ou é algo que tá se, né, se tornando persistente? a gente comentou, a velhice, ela é um processo desafiador. Então, o paciente, ele vai ter momentos de tristeza, de raiva, mas isso não pode definir aquela pessoa, né? Isso não pode ser algo constante, não pode estar trazendo um sofrimento continuado, né? E uma mudança ali do do dia a dia da
— Tá? O silêncio nem sempre é a tranquilidade, né? Exatamente.
— E a depressão no idoso, ela é diferente?
— Ela é diferente, né? o idoso a tem diferenças tanto em termos da apresentação clínica quanto do tratamento. então o idoso a gente vai ter muito mais sintomas físicos, sensação de fadiga, de cansaço, né? Que a genteixa deento. Dores difusas. Às vezes
— Esses pacientes pejorativamente são chamados de poliqueixosos, né? é,
— Vai a procura o atendimento várias vezes, vai diferentes profissionais com muitas queixas e isso pode ser, né, a manifestação de de um sofrimento. então tem essas diferenças na apresentação. Nem sempre vai ser aquele paciente com choro imotivado, né, com tristeza. Esse paciente fala: "Não, eu não tô deprimido". Mas ele tem todas as outras características da depressão, né? E a questão cognitiva, né, que é muito frequente nessa população, o esquecimento, o a depressão se manifestar como um queixo de esquecimento, né?
— É, eu acho que a palavra depressão ela gera toda essa negação, né? Eu não quero, eu não sou deprimida, eu não estou deprimida
— Pela própria palavra, né? Pela sociedade julgar, né?
— Apesar de já ter mudado, né? Mas ainda existe isso, principalmente com os idosos, né? Exato. A gente hoje fala muito mais abertamente,
— Né, nisso, mas paraa geração de idosos, isso é algo muitas vezes recente ainda, né, com muitos tabus.
— Saúde mental ainda é vista, né, com com certo preconceito aí.
— É, e falar que vai levá-lo no
— É, tem todo um estigma, né?
— Tem todo um estigma. você precisa ter todo uma preparação, uma narrativa diferente para poder convencer e levá-lo. A gente tem essa dificuldade com os nossos pacientes que a gente é muito perceptível que ele precisa, né?
— É por isso que muitos desses casos eles acabam vindo pro neurologista,
— Isso aí vai indo por outros caminhos, né? Mas uma hora ele vai cair ali, né? Se precisar de fato, né? De tratamento. Mas a palavra psiquiatra e depressão assusta. Exatamente.
— Assusta, né? A ansiedade ela pode surgir mesmo sem
— Sim. E ela pode ser algo persistente, né? Que já vinha já, né? Desde da idade adulta, às vezes até da adolescência, pode ser algo que a gente fala recorrente. Então, teve, né, momentos de ansiedade, momentos em que isso remitiu e pode ser algo de novo que a gente fala, né? Surge a partir dos 65 anos, a partir dos 60 anos. E lembrando que nesses casos e a gente sempre tem que ter um maior cuidado para ver se isso não é uma manifestação às vezes de, né, de um outro quadro, de uma outra
— Uhum. Existe aquela frase, né, depressão eu vivo o passado, ansiedade eu vivo
— O futuro, ó, né? Eu hoje eu não tô vivendo porque ou eu tô deprimido ou eu tô ansioso. É, é de fato. É isso.
— É, é uma maneira é mais simplificada de resumir é isso. Às vezes a gente fala é o excesso de passado e a depressão. Então aquele paciente que fica preso, né, aqueles pensamentos que reverberam, não supera os conflitos. Exatamente. Então alguém que fez mal pra pessoa, né, e há 20 anos, aquilo ainda é motivo de
— Aquilo que a gente falou de dicotomizar, né? é o bem e o mal. Então, os outros são ruins, eu sou bem, mas é muito mais complexo que isso, né? E ansiedade é aquela preocupação excessiva com o futuro, né? Eu penso no amanhã, o que que pode acontecer? Eu não tô vivendo um momento presente.
— E o presente em excesso, a gente fala que é o estress, né? muita coisa acontecendo com em excesso não, nem excesso de passado,
— Nem de futuro, nem de presente. O
— O passado ele tem que ser
— Uma fonte pra gente de histórias, de orgulho, de conquistas, realizações. Exato. Mas também de frustrações, mas de aprendizado, né, para
— É a gente é resultado, né, daquilo que a gente vive ou mas a gente não é restrito ou limitado ou vítima necessariamente do nosso passado. construindo a nossa história. Inclusive o idoso, ele, né, pode reconstruir a sua história, ele pode descobrir coisas novas, novos interesses, se dedicar a outras coisas, às vezes até, né, profissional, muitas vezes a pessoa ela escolhe uma profissão porque era o que dava para fazer na hora, não era às vezes o sonho daquela pessoa.
— Uhum. Chegou um momento, às vezes, né, o idoso fala assim: "Olha, eu sempre quis, né, fazer culinário, eu sempre quis me dedicar a artes, a literatura, a pintura e às vezes é um momento, uma oportunidade, né, de fazer isso."
— A arte ela tem esse papel, né? E por isso que as pessoas elas têm que tentar desenvolver esses interesses, descobrir do que que elas gostam.
— Muitas vezes eu sempre, né, habitualmente pergunto paraos meus pacientes, o que que você gosta de fazer? E aí às vezes eu percebo que o idoso para, pensa,
— Nem sabe, né,
— Nem sabe falar, né, por não desenvolveu, né, outros interesses muitas vezes não é porque não quis, existe também uma questão socioeconômica, né, mas é porque não
— Então a gente tem que
— Tentando trabalhar isso, né? E aí eu falo da arte, mas não necessariamente a arte, o esporte, a culinária,
— Exatamente. Então, assim, desenvolver habilidades, interesses, isso é muito
— E como estimular esse idoso sem forçar, porque muitas vezes eles são mais resistentes, né? Não, não quero, vamos jogar um baralho, enfim, o cuidador lá. Muitas vezes a gente orienta, né, os cuidadores a estimular. E como que a gente faz isso? sem forçar, sem que se seja algo pesado.
— É difícil, viu? É um desafio, principalmente quando a gente tá falando de de pacientes com doença de Alzheimer ou com outros tipos de demência. A gente sabe, por exemplo, que é muito importante o treino cognitivo, né? Então, exercícios para trabalhar memória, habilidade de cálculos, atenção, isso tudo vai criando uma reserva cognitiva que não necessariamente vai impedir que a pessoa tenha demência, mas vai fazer com que esse processo se dê de maneira mais lenta ou que a pessoa consiga se virar melhor, porque ela tem estratégias compensatórias. Então, meus pacientes, eu sempre recomendo, eu indico materiais, né? Vamos tentar fazer, separar ali 30 minutos por dia, para fazer, né, uma atividade. E eu vejo às vezes que o paciente é resistente mesmo, né? É, o que que a gente faz?
É primeiro é sempre evitar confronto, né?
— Então, a gente oferece uma vez, o paciente não quer naquele momento, tudo bem, a gente vai fazer outra coisa. Então, né, que que você sugere, o que que a gente pode fazer num segundo momento, às vezes num terceiro momento, a gente vai oferecer aquilo novamente. É importante também que a gente mantenha o senso de autonomia do idoso, né? Não é, ah, é no horário que eu que eu quero, vamos agora fazer isso. Às vezes, né, fala que horário que você quer fazer? Que horas que a gente vai fazer isso? Que atividade física que você quer fazer? Atividade física também tem um efeito neuroprotetor importante e a gente recomenda pros indivíduos idosos. Agora, tem idosos que nunca praticou atividade física.
— Aí a gente tem que ir experimentando, né? O que que você gosta? Ah, academia. O idoso nunca foi na academia, não suporta o ambiente, é embarulhento, é muito jovem. Então, vamos achar o que que aquele idoso gosta. Será que é de dança, né?
— Ficar o que ele fazia no passado e tentar aplicar agora.
— Isso também é uma estratégia, né? O que que ele gostava de fazer quando era
— Vamos adaptar isso, vamos tentar descobrir outras coisas, mas isso tem que ser ali no dia a dia,
— Conhecendo aquela pessoa, não tem uma fórmula, né, que se aplica para todos os idosos. A partir de agora, idoso vai fazer isso.
— Por isso que é importante ter alguém próximo, né, desse processo.
— Exatamente. Aí o cuidador, ele vai conhecer bem aquele idoso, né? Ele vai saber a que música que o idoso gosta. Então, às vezes não quer fazer atividade física, mas vamos pôr a música que ele escutava quando era jovem e agora vai
— Entendeu? mas tem que ser bem individualizado, né, o tratamento e e essa questão da das atividades, né? a gente, né, chegou a comentar um pouquinho da das mídias, né, das redes
— Isso, o quanto isso ajuda e o quanto isso atrapalha.
— Então, é uma realidade, né? Tem uns estudos que mostram assim que há 10 anos mais ou menos 1/3 dos idosos usavam internet. 2015, os estudos mais recentes, 2025 mostraram que esse número aumentou para 80% dos idosos. Então a gente tá com uma geração de idosos muito conectada e a tendência até que isso aumente cada vez mais.
— Que bom, né? É.
— E é isso. A tecnologia em si
— Não é ruim, né?
— Ela é neutra. Ela pode ser ruim em alguns cenários ou pode ser boa. O quanto que ela vai ser ruim? Por exemplo, aquele idoso que faz um uso que a gente fala muito passivo da das mídias, né? Então ele passa o dia vendo notícias alarmantes, fake news, sujeita a golpes
— Ou ele deixa de fazer outras coisas para ficar ali no celular, né? Então, ah, eu não vou passear com o cachorro porque eu tô no celular. Eu não quero sair para jantar porque eu tô no celular. Eu não vou fazer o meu treino cognitivo, caça palavras, não vou fazer um exercício ali de pintura porque eu tô no celular. Isso aí vai ser negativo. Mas a gente pode usar, né, a tecnologia a nosso favor também. Então, o idoso pode fazer uma videoconferência com um familiar, ele pode usar aquilo para assistir uma aula, para aprender algo novo,
— Para ver um filme que ele gostava, né, uma música. Então, nesse sentido, as redes, né, as mídias, né, ter grupos ali de interesse comum, né, então, ah, ele gosta do Fluminense, sei lá, então, conversar com outras pessoas sobre
— Então,
— Depende muito da forma como é feito esse uso, né? E o que eu percebo é isso, que às vezes a família quer privar o idoso, né? Fala, não vai ficar no celular. Aí perguntando, mas que alternativas que você tá dando, né, para aquele idoso? Então ele não vai ficar no celular, mas ele vai fazer o quê? Vai ficar sentado olhando, né, para nada. Então isso é um é um desafio,
— Né, pros idosos, para essa geração de idosos, porque às vezes os filhos trabalham, aí o idoso fica sozinho,
— Né? Então, por isso que a gente tem que reforçar os os vínculos institucionais, né, o apoio da comunidade. eu tenho alguns pacientes meus que eles são frequentadores acidos do Sesc. Então, todas as atividades do Sesc eles vão, vão no teatro.
— Esses grupos são super importantes, né?
— Estão é fundamentais, sabe? para manter aquele indivíduo cognitivamente
— As igrejas, né? Tem vários.
— Sim. Né? O o os os pacientes, né? que tem o o a questão da fé como algo importante. É, isso é um fator de proteção também, né?
— Se sentir importante naquela comunidade, naquele espaço, isso é, isso é bem é fundamental, né? Sabe que eu vejo também algo que eu vivenciei faz pouco tempo com uma paciente que buscava tratamentos, né, na internet pro problema dela e ela queria fazer os tratamentos mencionados na internet e eram perigosos. Então isso também é um alerta aqui, né, isso para todo mundo, não só para os idosos, né? Tratamento que é para prevenir lesões de pele e para usar vinagre, entendeu? Não. Então é uma coisa assim muito complicada também que precisa de uma orientação e de alguém ao lado ali para falar não pode, não é verdade, mas a internet tá
— Que eu posso fazer e que a mancha sai, entendeu? E aí como, né, lidar com essa situação, porque nós vivemos isso com uma paciente, foi difícil de fazer ela acreditar que a internet não só verdade também. Tem muitas coisas que nos prejudicam, né? É, é isso é desafiador, né? Porque
— Às vez essa a geração de idosos, ela não nasceu na na era da internet,
— Então muitas vezes saber o que é real, o que não é, mas hoje, né, com a inteligência artificial a gente vê um vídeo e não sabe se é verdade, não é na minha casa. Então isso é um problema muito sério, né?
— É, é, é sério, é grave, né? para eles que ficam sozinhos em casa e caem golpes, né? Então
— É, e é difícil, né, você supervisionar isso e mas a gente vai ter que adaptar porque é a realidade,
— É a realidade aí cada vez mais vai aumentar, né? Inteligência artificial evoluindo cada dia mais, né? A gente tem que acompanhar.
— E como falar sobre saúde mental sem é aquilo que a gente já falou, só que agora uma pergunta reformulada para você nos responder.
— Bom, é delicado, né? Sempre uma coisa que eu acho até importante, né, antes disso, é a gente verificar a questão da autonomia do paciente. Que que eu percebo? Muitas famílias às vezes querem proteger aquele paciente, né? Então, não querem que seja dado um diagnóstico, seja de uma depressão, seja, né, de um doença de Alzheimer. Eles falaram: "Eu não quero que o meu familiar saiba de jeito nenhum".
— Então, assim, eu costumo nas minhas consultas dar um questionário pro familiar e uma das perguntas se a gente tiver um diagnóstico de uma demência, de uma doença de Alzheimer, você gostaria que fosse dito pro seu familiar? E aí, sempre que a resposta é não, a gente tem que entender o porquê disso, né? E além disso, a gente tem que saber, eu geralmente converso, né, com os familiares e se e a gente já parou para pensar se aquele paciente, né, se o indivíduo ele quer saber ou não, porque isso é o mais importante. Mais importante do que a família querer ou não, claro que a gente vai levar isso em consideração, é o que que o paciente quer, né? Então,
— Muitas vezes o paciente quer
— E a família não.
— E a família não,
— E aí vai prevalecer a opinião do paciente, tá? a gente vai conversar com a família que vai sair falando, existe levar isso para paciente, mas a autonomia do paciente ela é muito
— Aconteceu recente, né? a família assinalou que não queria que falasse
— E aí, né, justamente por esse medo, né? Às vezes quando você tem um diagnóstico com eles, você pensava: "Ah, vai piorar,
— Ele não vai conseguir lidar, vai ficar mais deprimido, não vai sair dessa."
— E aí a gente, aí eu pergunto, né? Fala, a senhora, se a gente tiver um diagnóstico, infelizmente, né, não é o que a gente gostaria, por exemplo, uma doença de Alzheimer, a senhora gostaria de saber? E a paciente falou: "Olha, eu gostaria, para mim seria muito ruim que as pessoas da minha família soubessem que eu tenho uma doença e eu não é
— Vou ficar triste, vou, porque isso é natural, mas eu sou uma pessoa forte, eu vou conseguir lidar com isso e vou viver a vida da melhor forma possível". E a famíliar ficou surpresa com esse nível de reflexão que a paciente teve,
— De clareza, né? Eu acho que deu até um pouco de tranquilidade para essa família. Exatamente. Então, quando que e aí isso entra na questão, né, da pergunta, quando que a gente vai falar sobre um transtorno mental. Então, como fazer isso? Primeira coisa, é escutando o paciente, né? O paciente ele quer
— Então a gente, né, tem que trazer isso e a gente vai trazer às vezes mu as informações de uma maneira objetiva. A gente não vai esconder nenhuma informação, mas muitas vezes de uma maneira gradual pra pessoa assimilar, né? Então, a gente tem que abordar
— Uma aderência ao tratamento.
— Isso, isso é muito importante, né? Saber o diagnóstico,
— É, é importante pro paciente se engajar, né? Então, olha, realmente a senhora, né, os exames, a minha avaliação mostram que tem uma doença de Alzheimer, mas não é uma sentença. Então, o que que a gente vai fazer a partir daqui, né?
— Qualidade de vida, né?
— Exato. Né? Mas além do medicamento, né? Então, a paciente vai se engajar muito mais, né? Então a super proteção pode piorar todo esse quadro, né?
— Muito. E eu digo assim, não só no paciente com alguma patologia relacionada, né, à saúde mental, mas o próprio idoso saudável,
— As pessoas têm uma tendência de infantilizar o idoso.
— Ah, é verdade.
— Então, muitas vezes as pessoas mudam até o tom de voz para falar com o idoso,
— Que nem quando vai falar com filho ou com um cachorrinho, com filho,
— De uma forma até, né, um desrespeito com o idoso, pessoal. tem toda uma trajetória que chegou até lá. Aí você vai tratar como se fosse um incapaz, né, uma criança. Às vezes o idoso fala: "Olha, minha filha me trata igual ela trata, né, o meu neto
— E isso gera muita, né, frustração pro
— Tem gente que às vezes vai falar com o idoso e levanta, grita como se aquele idoso, né, tivesse um um déficito, assume que o idoso não escuta bem.
— Então a gente tem que ter cuidado com essa super proteção, né? O ido não é uma criança. O idoso tem a sua história, a sua trajetória, tem a sua individualidade. e aí quando a gente sai do idoso saudável pro idoso com algum transtorno mental, aí é pior
— Para algumas famílias, quando você dá um diagnóstico de uma doença de alz,
— Não deixa fazer mais nada.
— Pronto, vai privar o idoso de tudo. O idoso, né, não pode mais tomar nenhuma decisão, não pode sair mais sozinho, acabou. E aí isso acaba piorando muito mais, porque quanto mais você vai tirando a autonomia daquele indivíduo, isso vai acelerar o processo, né, de de dependências em relação aos terceiros, além de ser uma fonte muito comum de conflito familiar.
— E a gente tem que lembrar que as demências elas têm estágios, né? Então tem formas leves que às vezes o paciente vai permanecer num estágio leve por vários anos. Esse paciente, ele tem a sua autonomia, ele pode tomar decisões. então a super proteção é um problema, porque pra família às vezes é mais cômodo no sentido de, ah, eu não deixo meu pai sair, não deixo minha mãe sair, então eu sei que eles estão seguros em casa. Mas como é que o idoso tá se sentindo em relação a isso? Não
— Exato. Então assim, a gente tem que achar um balanço entre autonomia e segurança. A gente não quer expor aquele indivíduo a situações de risco, mas a gente não quer privá-lo de coisas que ele pode é capaz de fazer.
— Uhum. Lógico, sempre minimizando riscos, né? Tudo isso, mas é muito importante preservar a autonomia.
— E remédio sempre vai ser necessário.
— Olha, não, né? O tratamento dos transtornos de saúde mental, eles são muito amplos, né? Os medicamentos vão ser importantes naqueles casos mais graves. mas existem outras medidas, a psicoterapia, né, que a gente fala muito que também tem todo um tabu, né, alguns pacientes você falar importante um acompanhamento psicológico, eles, né, recusam, né? às vezes aquele paciente que ficou ali uma, duas horas contando sobre as suas vivências no consultório, que você vê que ele precisa, né, trabalhar aquilo, precisa elaborar aquilo com profissional, mas ele recusa falar que é o psicólogo e é tão bom, né,
— Não, todo mundo deveria fazer, né, mas a gente tem muita dificuldade com o idoso em aderir a esse tratamento com a a psicoterapia todo mundo precisar precisa fazer terapia, porque hoje existe até uma certa banalização Tem pessoas que elas têm outras estratégias de enfrentamento das dificuldades que não necessariamente é
— Mas para Exato. Outras questões são terapêuticas. Então, às vezes a pessoa não vai num terapeuta, mas ela fica ali duas horas numa atividade de jardinagem, ela envia o estress, ela reflete sobre as questões,
— Aí entra o parassimpático, né?
— Exatamente. Pessoa relaxa.
— Mindfulness que a gente fala muito hoje, né? na questão da meditação, do focar no presente, são técnicas não medicamentosas que têm seu papel e são baseadas em evidência científica de que podem ajudar. E a própria questão que a gente já comentou, mas reforçando dos vínculos, né? Então, às vezes a pessoa não precisa de um remédio, ela precisa de resolver aquelas questões do passado, né? E às vezes assim, ah, tem uma pessoa, uma, né, um irmão que era brigado, às vezes o irmão já até faleceu, então a pessoa não tá mais viva, mas a relação tá. Então, às vezes a pessoa tem que trabalhar aquilo, né, encontrar uma forma de lidar e de seguir a vida, resolver aquelas questões, né, que estão puxando ela, né, pro pro passado, pro sentimento mais de tristeza, da melancolia.
E aqui pensando que nós estamos caminhando pro envelhecimento, né? Se Deus quiser.
— É possível envelhecer bem emocionalmente alguma estratégia, alguma dica?
— Olha, é possível, né? A envelhecer não é fácil, tem seus desafios, tem as suas
— Mas envelhecer bem não é envelhecer sem dificuldades, mas é sabendo como enfrentá-los, né? tendo artifícios para lidar com isso, para lidar com isso e manter, né, uma sensação de propósito na vida, uma sensação de dever cumprido, uma vontade de continuar, né, conquistando coisas, aprendendo, criando experiências. então assim, eu acho que a dica principal é a gente começar, né, a pensar sobre o envelhecimento o mais cedo possível, né, fortalecendo os seus vínculos, as suas amizades, desenvolvendo interesses. envelhecer é difícil, mas ao mesmo tempo é um privilégio, né? As pessoas envelheceram porque elas enfetaram os desafios, elas aprenderam com os erros
— E elas continuam escrevendo a sua vida. sua história. Então, a gente pode e deve envelhecer bem.
— Se o senhor pudesse deixar uma mensagem paraas famílias que percebem mudanças emocionais em seus idosos, qual mensagem
— Olha, eu acho que o o principal é que buscar ajuda não é um sinal de fraqueza, não é uma falha pessoal, né? Muitas vezes a gente tem que entender os sintomas de saúde mental como um sintoma clínico. Então é como se fosse uma febre, a gente não vai ignorar esse sintoma, a gente vai procurar ajuda. Se não for ajuda de um profissional naquele primeiro momento, dê um pequeno passo, né? Converse sobre isso com alguém de confiança. busque falar sobre aquilo, né, com alguém que você tenha mais proximidade do que que tá te incomodando. Viver em tristeza, em sofrimento, não precisa ser a norma, né? A gente pode viver bem, a gente, né, tem que querer buscar isso, né? Então, acho que a mensagem principal é essa.
Não vamos, né, normalizar, achar que tá tudo bem, né, viver de forma infeliz. A gente vai ter tristeza, a gente vai ter frustrações na vida, a gente vai ter perdas, mas isso não vai definir quem a gente é, não vai definir o nosso dia a dia.
— Acho que esse é o principal.
— E a gente precisa continuar, né, independente, independente do que a gente perdeu, né, a vida segue e a gente precisa estar saudável. Exato. A gente, né, tem que ter essa resiliência, né, a gente seguir a despeito das adversidades que vão surgir para todo mundo. Sim, para umas pessoas mais, outras,
— Outras menos. Mas a gente tem que saber lidar com isso. Às vezes a gente não consegue mudar os fatos, mas a gente muda como a gente responde a eles, como a gente se sente em relação a eles.
— É, se eu não, eu tenho que mudar, dependendo do que eu vivi, eu mudo dependendo da forma que eu quero viver lá no no presente, né? no futuro. O que eu vivo hoje é o que eu vou viver lá no
— Eu preciso entender que com as perdas,
— É com as perdas, isso eu aprendi e eu levo daqui pra frente como melhoria, como aprendizado.
— Claro. Assim, é muito mais fácil a gente falar sobre isso do que internalizar esse conceito, né? É. É. É difícil porque quando a gente sofre,
— Né? E o que que a gente faz com isso? A gente às vezes fala: "Olha, eu não queria tá sentindo, eu sei que eu não deveria estar me sentindo assim, né? Mas internalizar essa mudança é um trabalho
— Do ponto de vista psíquico, né? Exige,
— Vamos dizer assim,
— Que a gente trabalhar a nossa musculatura cerebral, vamos falar assim, né? Exige esforço, né? de forma passiva. A gente tem que tá atuando e tentando, né, melhorar e e aprender a lidar com essas frustraçõ gerar algo positivo daquilo, né? tem uma frase aí que diz: "Eu nada perco, eu só aprendo".
— Uhum. Acho que essa é essa é uma boa frase é.
— E é isso. Agora, até pensando assim numa outra frase que eu acho que tem muita relação com o que a gente falou, que é assim, né? que que aquilo que não vem na forma de palavras se manifesta em sintomas no corpo, né? O Jung fala isso, né? Que é um psiquiatra famoso, que é aquele sofrimento que a gente não elabora, muitas vezes vai se manifestar em sintomas físicos, né? Então, por isso que é tão importante a gente trabalhar essas questões de saúde mental, né?
— É, por isso que o corpo fala.
— Acho que é isso, é um bom resumo.
— O corpo fala, né?
— E se ele fala, é porque a mente tá dizendo também, né? tem uma uma frase que é: "A mente fala pro corpo e o corpo fala paraa mente".
— Isso é tudo interligado, né?
— Às vezes tenta fragmentar as coisas, às vezes a gente como indivídua, uma coisa afeta muito a outra.
— É, exatamente. Se o corpo sente, a mente
— Não é?
— Muito obrigada, doutor, pela sua agradecemos o conteúdo, todo, toda a nossa conversa. foi muito impactante,
— Muito muito impactante,
— Reflexiva e acho que fica pra gente envelhecer da melhor forma possível.
— Hoje, para quem tá passando também por esse problema e não sabe por onde seguir, né? que possamos ter deixado aí uma mensagem para que ele procure ajuda, para que ele converse mais, para que busque um apoio, seja na família, seja um amigo, seja o cuidador, para que consiga seguir o restante que lhe sobra com qualidade de vida, né?
— Se ele se sente sozinho, ele não precisa passar pelo processo sozinho, né?
— Exatamente. E acho que eu quero agradecer, né, a oportunidade então de falar abertamente sobre esses temas, né? E acho que a pessoa que escutou até aqui já fez um passo na mudança, né? Já a gente vê que
— Espero que isso impacte positivamente em em quem tá ouvindo ou quem conhece alguém que tá passando por uma situação
— Que possa direcioná-lo, né?
— Viver bem, viver com qualidade, viver feliz dentro das suas possibilidades.
— Obrigado, gente. Obrigada.
— Obada. E você que ficou até aqui nessa conversa incrível e super rica e que é de São Paulo, a EPAD existe justamente para isso, oferecer cuidado profissional, humano e responsável para idosos, respeitando cada história, cada família e cada necessidade.
— E se você sente que precisa de apoio, que não precisa passar por isso sozinho, a gente está aqui para te ajudar com ajuda profissional e qualificada. Mas se você ou a sua família não está preparados para receber um cuidador em casa e quer profissionalizar esse cuidado, a EPAD também tem o curso de cuidador presencial em São Paulo, pertinho do metrô Paraíso.
— Fale conosco nos contatos que estão aparecendo aqui na tela ou na descrição desse episódio e saiba mais. Muito obrigada por ficar conosco até agora e se esse conteúdo fez sentido para você, se inscreve no canal, segue a EPAD nas redes sociais e compartilha com alguém que também esteja vivendo isso. Nos vemos no próximo episódio.
Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação médica individualizada.
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