Envelhecer é natural. Adoecer não: o que fazer antes que seja tarde
Com Dr. Davi Wang, médico geriatra · CRM-SP 184159 · Instagram

O geriatra Dr. Davi Wang separa o que é esperado no envelhecimento do que é sinal de doença: esquecimento, tristeza e perda de autonomia não devem ser tratados como coisa da idade. A conversa aborda alimentação, exercício físico e sono, a preservação da funcionalidade e o papel da família.
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Transcrição automática do áudio, com correções pontuais de nomes e termos. O travessão marca a troca de quem fala.
O jeito que você vive hoje define como será o seu envelhecimento amanhã. Hoje, a maioria das pessoas não morre de velhice, morre de doenças crônicas que foram se construindo ao longo da vida e muitas delas poderiam ser prevenidas.
— E se adoecer não for consequência da idade, mas das escolhas que fazemos ao longo da vida? Envelhecer é inevitável. Adoecer muitas vezes é evitável. Hoje a conversa é sobre vida real, sobre rotina, decisões, hábitos e tudo aquilo que influencia a forma como cada pessoa envelhece e cuida da própria saúde. Porque entender é o primeiro passo para cuidar melhor.
— Olá, seja muito bem-vindo ao podcast Viver Mais, Cuidar Melhor. Este é espaço de conversa, reflexão e informação sobre envelhecimento, saúde, cuidado e qualidade de vida. Aqui acreditamos que envelhecer é um processo natural e que o cuidado, quando feito com conhecimento, planejamento e humanidade transforma histórias, famílias e trajetórias. Eu sou Andréia Teodoro.
— E eu sou Monique Antelmi. Somos enfermeiras e atuamos há mais de 25 anos no cuidado ao paciente, seja no hospital ou em casa, na gestão em saúde e na formação de profissionais. E hoje vamos conversar sobre um tema essencial para quem cuida, para quem é cuidado e para quem quer viver mais e melhor. Sejam muito bem-vindos ao Viver Mais, Cuidar Melhor. Hoje vamos falar sobre uma frase que provoca reflexão imediata. Envelhecer é natural, adoecer não precisa ser.
— Com o passar dos anos, muitas pessoas passam a acreditar que sentir dor, perder autonomia ou depender de cuidados é inevitável. Mas será que é mesmo?
— Vamos conversar sobre prevenção, cuidado ao longo da vida e o que realmente influencia a forma como envelhecemos. Para essa conversa, recebemos o médico Wang, graduado pela Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP, residência em clínica médica pela UNIFESP, Escola Paulista de Medicina, residência médica em geriatria pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a USP, especialista em Geriatria pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, pós-graduação em Nutrologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein, médico assistente nos hospitais Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio-Libanês e Associação Beneficente Síria do Hospital do Coração, o HCor. Dr. Davi, seja muito bem-vindo. É um prazer ter você aqui conosco. Confesso que eu acho que eu não vou entrevistá-lo e já vou aproveitar passar uma consulta, né? Porque com esse currículo é o meu
— Obrigada primeiro, Monique, Andréia, pel esse convite. Gostei demais desse tema, do nome do podcast que tô vai ser um prazer receber você lá no consultório.
— Ah, ah, no consultório. Tudo bem. Achei que eu ia, não ia perder a oportunidade, mas vou marcar minha consulta. [risadas] Doutor, envelhecer e adoecer são as mesmas coisas. Então, a gente tem que tomar muito cuidado, né? Eu sempre, quando me perguntam sobre esse tema, eu acho que a palavra que sempre vem a minha mente é uma oportunidade perdida. É muito complicado a gente ficar tomando como natural processos de adoecimento. A gente ouve muito no nosso meio, né? Fala assim: "Ah, ele tá passando por isso, mas tudo bem, né? Ele tá tão mais velho, é da idade", né? Hum.
— E a grande maioria dessas condições não são da idade. A gente vê que teria e mesmo que seja um processo que vem com envelhecimento, a gente perde a oportunidade de est fazendo o nosso paciente, o nosso familiar a tá vivendo
— Tá? Então a minha visão assim, a gente tem que tomar muito cuidado em dizer que adoecer faz parte.
— Nós aprendemos a tratar a doença como processo natural, né, do envelhecimento e não precisa ser. Olha o que eu coloco assim, existem processos que vão ser inerentes ao envelhecimento, mas não significa que a gente deve simplesmente aceitar esse processo sem a gente fazer tudo que for possível para melhorar a qualidade de vida dos nossos pacientes. O que eu não apoio é essa inércia da gente simplesmente ver o paciente decaindo a qualidade de vida dele e a gente aceitar isso como parte do envelhecimento. nossos pacientes com as tecnologias que estão vindo com o conhecimento que tá cada vez mais avançado, a gente tem como minimizar muita coisa e até reverter muita coisa, mas se a gente simplesmente aceitar isso como natural, a gente perde essa oportunidade de est ajudando alguém a viver melhor.
— E o que é esperado do corpo ao envelhecer? O que que é normal e o que não é?
— Ah, então vou falar das coisas mais comuns, tá certo? A gente tem no envelhecimento um processo, por exemplo, de perda muscular. Se a gente não fizer nada, um um indivíduo sem grandes doenças, ele vai perder 30% da massa de músculo dele dos 30 aos 70 anos. Mas entende, ele tem essa perda se a gente não fizer nada.
— Certo? Então, se a gente fizer exercício físico, se a gente tiver uma alimentação balanceada, a gente pode até em idades muito longas, ou seja, o paciente com muita idade, ele pode até perder músculo independente disso, mas a gente vai ter anos e anos sem ele perder essa massa muscular. a gente vai ter durante o envelhecimento um processo de aumento da pressão, uma resistência ao açúcar que pode predispor, por exemplo, a diabetes, mas a gente não pode simplesmente aceitar esse processo. A gente vai atuar o máximo que a gente puder para dar tempo e qualidade de vida dos pacientes. E nessa pergunta, acho o que eu mais me preocupo, na verdade são dois pontos que as pessoas acabam relativizando muito e colocando como natural. Eu acho que são uma das janelas mais perdidas.
A primeira questão, né, da nossa cognição, do nosso raciocínio, né, o idoso, o paciente começa a esquecer e e muita gente começa a falar, não, isso aqui é da idade, ele tá esquecendo isso. E assim, até nós, a gente é importante a gente falar que que pode ser normal do envelhecimento, da cognição. A gente pode perder três campos um pouco, né? a gente vai perder um pouco de memória episódica, a gente vai perder um pouco de função executiva e velocidade de processamento. Que que é memória episódica? A gente lembrar dos fatos, certo? Escovou o dente ontem, o que comeu ontem, foi ao médico. Isso a gente pode ficar um pouco mais esquecido, tá? A função executiva é aquela memória que a gente tem para fazer os trabalhos, né?
A gente qualquer fazer que demanda da gente ah ir no mercado fazer uma lista de compras, a gente usar o nosso computador, essa é a função executiva. E a outra é a velocidade de processamento, ou seja, a velocidade que a gente faz esse processo com raciocínio. Mas a gente sempre marca isso, por mais que esses campos podem estar afetados, não, se o paciente não tem nenhuma doença da cognição, paciente ele tem que est conseguindo fazer tudo que ele sempre fez a vida inteira. Não importa se ele tem 100 anos, 90 anos, mais de 100 anos. Não é natural a pessoa perder a habilidade, a gente achar que isso é
— Natural, como o processo de envelhecimento, ele pode ter mais dificuldade de fazer, ele pode demorar mais para fazer,
— Mas não é normal isso. Ele não faz
— Perde, né, Moni, que você tá falando a funcionalidade, ou seja, ele não perde aquela habilidade, ele só tem que se adaptar, ele tem mais dificuldade, mas
— Ser com mais lentidão, mas vai fazer, né? Só que eu também sempre digo também, por mais que esses três campos que eu falei, eles vêm com envelhecimento normal, assim, eu falo que as doenças da cognição são muito sorrateiras, até para nós médicos que lidamos com essa área, às vezes a gente precisa de mais de uma avaliação, fazer o exame físico dessa parte, são os testes, né, do raciocínio, mais de uma vez até entender se isso aqui é normal e não é. Eu acho que que mora a oportunidade. Se a gente tá com diante de um paciente, de um ou uma um familiar, né, alguém da casa de vocês que tá com isso, o ideal não é simplesmente a gente achar que isso aqui é do envelhecimento, é a gente ir atrás e realmente examinar para ver se faz parte de uma envelhecem normal ou se a gente tá perdendo a oportunidade de tratar alguém.
— O ideal é descartar que seja água algo
— Com certeza. E esses testes, eles são feitos nos consultórios mesmo?
— São feitos nos consultórios,
— Na própria consulta.
— Na própria consulta tem vários testes que são baseados de acordo com a escolaridade do paciente. A gente tem o que a gente tá esperando do paciente, certo? E muita gente repete mais de uma vez esse teste para entender. É uma coisa que flutuou, é uma coisa da cognição mesmo. Tem outros elementos do corpo, tanto físico quanto psicológico, que também influenciam nisso e precisam ser descartados, tá certo? Por exemplo, o paciente que tá depressivo, ele vai muito mal nos testes, não significa que ele tem uma demência e também é uma oportunidade de tratar ele. Mas se a gente simplesmente dizer que isso tudo é puramente do envelhecimento, a gente vai deixar um paciente, né, com uma queixa de raciocínio que talvez ele não precisaria ter.
— Medicação pode ser um fator,
— Com certeza, uma medicação que esteja inapropriada e às vezes nem inapropriada. Eu falo que o nosso corpo durante o envelhecimento vai mudar. às vezes uma medicação que era indicada muitos anos atrás, talvez para esse paciente agora isso não seja melhor, talvez isso esteja prejudicando isso E o outro que eu falei é a parte da do humor do paciente. Tem muita gente que coloca, por exemplo, o idoso começa a chorar, o paciente começa a chorar, ficar mais irritado, ficar mais ansioso e falar: "Ah, mas é normal isso aqui é porque ele está mais velho, está envelhecendo". E a gente diz assim: "O que a gente tem dessa parte de normal? As nossas características elas vão se exacerbar". Então, tem alguém que é um pouco mais impaciente, provavelmente ele vai ficar com envelhecimento um pouco mais impaciente.
Se ele é um paciente um pouco mais irritado, talvez ele de fato fique irritado. Mas a gente não pode dizer que um paciente que nunca teve uma tristeza começa a ficar triste e dizer que isso é normal.
— E esse é o bora outro perigo que a gente vem que a gente vê muita gente relativizando muito, né? Principalmente eu acho que a tristeza e ansiedade e frases como: "Olha, ele tá triste, às vezes ele chora porque perdeu alguém querido, né, há muitos anos atrás, mas é normal, né? Eles ficam tristes mesmo." Eu falo: "Olha, eu não consigo colocar isso como natural, como não era o natural dessa pessoa antes, né? E a defesa para depressão, para esses transtornos de humor, para ansiedade também, eles decaem muito, principalmente depois dos 60 anos. e às vezes tá perdendo a oportunidade de ajudar esse paciente, de ajudar esse membro da sua família a viver com mais qualidade. Se a gente simplesmente aceitar que isso é normal, a gente não vai tentar ajudá-lo.
— Muitas vezes a família também não percebe isso, né? Acaba deixando ele mais isolado, né? E não reconhece todo esse sofrimento ou toda essa depressão que seja ou essa tristeza. Então, ela vai esporadicamente numa visita e não percebe. Como a gente pode orientar essas famílias?
— Olha, é muito difícil que a gente tem que ver no dia a dia, mas o que eu coloco como recomendação, tá certo? Os transtornos de humor, principalmente nos pacientes com mais de 60 anos, eles são um pouco diferentes dos transtornos nos pacientes mais jovens. Nem sempre a gente vai ter aquela tristeza, aquele discurso triste, aquela choradeira, a clássico, o paciente não querer fazer nada. Às vezes é uma coisa muito mais
— É aquela pessoa que sempre gostou de interação, mas agora ele fica mais reclusa. Você pergunta se tá tudo bem, ele fala que tá tudo bem, mas ele não quer mais conversa como você, né? Ele começa só querer dormir ou começa a ter os dois. ele pode começar a querer dormir o tempo todo ou então ele tem insônia, ele ele começa a parar de comer, ele perde o apetite dele. Às vezes são coisas muito mais sutis. Eu falo assim, na dúvida, leva ele para para uma avaliação. O máximo que pode acontecer é a gente dizer que realmente está tudo bem.
— E doutor, qual é o o médico indicado pros pacientes que não têm acesso a um tratamento privado, né, em te buscar num consultório? O SUS, por exemplo, qual é o médico de primeira escolha que essa família vai passar? Esse paciente, essa pessoa idosa?
— Isso fica muito difícil, né? Porque aí ele vai ir pra atenção básica, ele vai pra unidade básica de saúde, que na grande sua imensa maioria vão ter clínicos gerais, tá?
— E atualmente acho que isso foi uma grande coisa que na minha formação eu percebi, né? até mesmo na residência de clínica médica, eu nunca tive treinamento em cognição até eu chegar, né, na geriatria.
— Apesar de ser uma queixa que tá cada vez mais comum, eu noto que ainda não estamos nos preparando, né? Eu noto que nosso sistema público de saúde não está se preparando para receber esse envelhecimento da população que tá acontecendo. Então fica muito complicado porque a grande maioria, não posso dizer na totalidade, mas a grande maioria da atenção básica não tá pronta para reconhecer isso. E às vezes demora muito, muito tempo, até anos, até esse paciente chegar num geriatra ou num neurologista que trata a cognição. Então, nesse momento, para quem não tem o acesso, é buscar a rede, a rede pública, né, o Sistema Único de Saúde e escutar o nosso podcast para pegar as melhores informações, os melhores conteúdos, né, que os bons profissionais estão aqui.
— E o que diferencia uma pessoa que envelhece ativa de uma pessoa que envelhece dependente? Olha, hoje eu acho que eu gosto muito de um de um de uma diferenciação, né? Hoje a gente fala que tem uma coisa chamado lifespan que é e e uma coisa chamada healthspan que são diferentes. Um é quanto tempo a gente viveu, que é o lifespan e o healthspan é quanto de fato esse paciente conseguiu estar ativo na sua vida, né? Então a gente diferencia, o que a gente busca nos pacientes agora é, por exemplo, healthspan, né? não necessariamente que o paciente viva tempos prolongados, mais doente e sofrendo, mas o quanto que a gente consegue fazer ele de fato aproveitar a vida. Para mim isso é muito mais importante do que se esse paciente chegar aos 100 ou mais de 100 anos,
— Desde que ele cheguei com qualidade, é o que me importa.
— Exato. Aham. A mentalidade interfere nesse envelhecimento?
— Para mim, a mentalidade interfere totalmente. A gente tem muitos e muitos estudos sobre isso, né? com aquelas que algumas coisas que não conseguimos explicar totalmente, né? por exemplo, que pessoas que são mais felizes vivem mais, pessoas que têm menos estresses vivem vivem mais, pessoas que têm mais espiritualidade, não importa que seja, eles vivem mais tempo. Eu acho que tudo isso tem a ver com a nossa mentalidade. E claro, né, eu sempre brinco que assim, o futuro vai pertencer para aqueles que se prepararem para ele. Então, a gente cada vez tem mais coisas para fazer para envelhecer bem, para aproveitar a vida por mais tempo. Porém, se você não for buscar isso numa idade mais jovem, você também não vai desfrutar dos benefícios de tudo isso que tá surgindo.
— Você tem que ir fazendo um banco, né?
— Um banco de dados ali, um banco de de valores, né? O que você vai vai fazer é o investimento, o que você vai fazer, vai se preparar para que no futuro essa conta não chegue tão pesada, né?
— E você acha que a sociedade tá preparada pro envelhecimento? Olha, eu vejo até um mais das gerações mais novas que eu acho que também contamina de uma forma positiva os as pacientes que estão chegando mais em uma idade perto da faixa idade geriátrica, né, de se cuidar, né? A geração Z, a gente vê que ela é uma geração mais preocupada com o bem-estar, com qualidade de vida. Eles têm uma um apego menor pelos vícios das gerações passadas, como álcool, bebida alcoólica. Eles se preocupam, por exemplo, mais com sono, não são tanto de sair dormir pouco, tá certo? E às vezes a gente vê isso traduzindo para gerações que estão envelhecendo. Agora também a gente tem um movimento de pessoas cada vez mais querendo buscar uma atitude preventiva para envelhecer bem, entendendo isso.
Mas a gente está muito, muito longe de dizer que isso é a maioria da população brasileira, muito
— E onde começa o envelhecimento saudável?
— Olha, eu acho que o envelhecimento saudável começa desde a sua infância.
— A gente já nasce envelhecendo, né?
— É, foi esse processo do dia que a gente nasceu, esse processo já começou. né? Então, a gente já a gente sempre vê, né, que como que fases mais jovens interferem nas sub fases subsequentes da vida do paciente. Como que o paciente se alimentou e se cuidou durante a infância, se reflete na idade adulta, como ele viveu a idade adulta, vai refletir em como é que ele envelheceu.
— Então, começa desde sempre.Um,
— Mas é sempre tempo de buscar o envelhecimento saudável?
— Com certeza. É sempre tempo. Como eu falei, cada vez as tecnologias estão mais novas, cada vez o nosso conhecimento do corpo humano está melhor. A gente entende cada vez mais. Tô falando nunca é tarde, né? Tarde é você esperar todas as consequências acontecerem com você e querer uma resposta milagrosa, que infelizmente isso a medicina ainda não chegou. Espera um dia que chegue também,
— Certo? Mas a gente tem visto que cada vez mais estratégias de prevenções que a gente faz resultam em qualidade de vida por mais tempo.
— É, as gerações passadas corriam atrás do prejuízo, né?
— Hoje a gente vê esse movimento mesmo das gerações mais novas já não querendo nem pagar para ver.
— Sim. Até interessante isso você falou, M, que a gente até tem um termo que a gente fala muito na geriatria sobre o silver age, a idade de prata, né? que é o isso a gente diz que esses pacientes que agora estão chegando na faixa etária dos 60 anos estão se tornando idosos paraa população brasileira. Eles são muito diferente dos idosos de 20, 30 anos atrás,
— Né? Com 20, 30 anos atrás, infelizmente, a gente tinha já com 60, 70 anos idosos com muita carga de doença,
— Com muita dificuldade de continuar aproveitando sua vida. Esses pacientes de agora, né, eles são diferentes, eles chegaram com muito mais qualidade de vida e eles vão querer muito mais da vida também. Eles vão querer se divertir, eles vão querer estética, eles vão querer performance, sabe? Eles vão querer muito mais. Eu acho que nós estamos como profissionais de saúde, a gente tem que estar pronto para para atender essa nova demanda deles.
— Sim, com certeza. Com certeza. Estudos mostram, doutor, que mais de 70% das doenças crônicas estão ligadas ao estilo de vida: alimentação, sedentarismo, estresse, sono. Ou seja, boa parte do adoecimento não é apenas genética, é comportamento, né? As pessoas adoecem por acaso ou o adoecimento é construtivo ao longo da vida? Acho que para Andréia, para exemplificar essa fala que você falou, que acho que a estatística bate com com os estudos que a gente vê, né? Eu pego o exemplo o
— A gente no passado, muitos a gente sempre achou que o câncer era muito genético, que a genética quis realmente determinava se a gente ia ter câncer ou não ter câncer.
— Os estudos mostram contar que 10 a 30% do câncer tem origem genética. 70 a 90% dos câncer foram os nossos hábitos de vida. foi tudo que a gente foi construindo ao longo da nossa vida que vai culminar nessa chance. Então a gente vê que a gente o o impacto das dos nossos hábitos tem um efeito até na grande maioria dos casos, não vou dizer em todos os casos, muito maior do que a gente herdou, com que a gente peso é maior que a gente escolhe escolhas, né?
— Com certeza.
— E quais hábitos mais aceleram o adoecimento? Alimentação, sono, atividade física. Ó, eu acho que você cobriu os três, os três que estão combinados. É, o sono é tá muito falado, né, hoje em dia.
— Acho que assim, não tem, acho que a grande maioria das doenças, o grande fator de risco é uma péssima alimentação e é que é complementado por um sedentarismo, a falta de exercício físico e o nosso estilo de vida hoje em dia, né, a grande parte das profissões extremamente sentados, mais parados que fica muito sedentário e é complementado com uma rotina caótica, estressada, com péssimo sono e péssimos hábitos de sono. telas, né? Vai dormir com com celular.
— Trânsito de São Paulo.
— Hoje mais. [risadas]
— E o corpo avisa antes de adoecer, a gente percebe alguns sinais?
— Ó, na grande maioria das vezes, sim. Tá. É, é muito raro a gente ter, por exemplo, um paciente que simplesmente, por exemplo, enfartou, que o corpo não deu nenhum sinal antes. Existem raros casos que o primeiro sintoma disso foi infarto, mas também normalmente esse é um paciente que também nunca procurou se cuidar. O corpo dá sinais antes, né? Eu falo é como se fosse um cal, ele não sega e quebra de uma vez,
— Né? Ele vai dando sinais que a coisa não tá indo bem, até que uma hora ele não consegue mais andar. o nosso corpo, eu não vejo como se fosse diferente.
— E por que as pessoas ignoram esses
— Na minha visão, tá? Assim, e eu acho que isso é uma coisa natural, mas que a gente tem que trabalhar um pouco, né? A gente não gosta de pensar nas coisas que fazem mal pra gente. O ser humano é assim, é a nossa natureza. Então, quando a gente vê alguma coisa que dá medo pra gente, né, a gente tenta ignorar, a gente tenta não ver, não, não tá acontecendo, não é como isso, acontece com o nosso vizinho, acontece com o nosso primo, a gente fala, mas comigo, comigo não vai acontecer isso,
— Né? Mas a estatística mostra o contrário. Acontecer com o seu primo, acontecer com o seu vizinho também pode acontecer com você.
— Sim, sim.
— Eu até sempre faço uma reflexão sobre isso. Eu acho muito curioso porque na nossa vida financeira, normalmente ninguém trata assim. A gente sempre se prepara para uma emergência. Uhum.
— Quando a gente vê um sinal, a gente já fica preocupado.
— Mas eu penso, o nosso corpo é muito mais importante que a nossa vida financeira, no sentido assim, se você tem um corpo, uma mente saudável,
— Vai trabalhar
— Isso. Não importa o dinheiro que você perdeu, você reconstrói isso.
— Se você perder o seu corpo e a sua mente
— Pra saúde, você não consegue, você fica dependente dos outros para cuidar de
— Recuperação é muito mais difícil e se recuperar, né? Se recuperar,
— Recuperar. Então eu vejo essa essa dualidade que eu acho acho um pouco curiosa, como as pessoas cuidam muito mais da parte financeira que do corpo. Na minha visão, o corpo que construir a parte financeira, então o corpo que é muito mais importante.
— Uhum. Tem também o caso de muito mais estética do que a parte clínica, né?
— Vamos só cuidar do do externo e a clínica você não percebe, não dá sinais. Dá sinais, mas você não se atenta a isso, né? Tem muito isso,
— Tem muito, mas eu eu hoje eu não vejo isso como um preconceito, porque eu também entendo nós, seres humanos, na minha visão, né, a gente é muito mais movido pelos nossos desejos
— Que pelos nossos medos. O que a gente faz no consultório hoje em dia é é os pacientes entenderem. Eu não me incomodo que, por exemplo, alguém me venha por uma queixa estética,
— Certo? Mas eu coloco para eles, para eles que eles entendem. Para você ter isso de forma sustentada e para você aproveitar esse processo, não tem como fazer isso sem ter saúde.
— Sim. Então, antes da gente pensar nisso, vamos deixar tudo da saúde acertado e depois a gente busca isso sem sacrificar a sua saúde, porque senão não vai ser sustentável e não vai fazer sentido. E até financeiramente esse investimento que você tá fazendo estético, você vai perder todo no momento de você perder a
— Sim, sim, com certeza.
— Nós falamos que nunca é tarde para mudar o nosso processo de envelhecimento. Diante disso, qual é o melhor caminho pra gente escolher? vou começar
— Uhum. Que que eu faço primeiro?
— Olha, eu acho que as coisas podem ser muito simples. A gente todo mundo, às vezes a gente fica esperando uma mudança gigantesca para começar a fazer as coisas, mas eu acho que felizmente ainda no Brasil a gente tem condição, né, de fazer muito pela nossa saúde, sem gastar muito. Por exemplo, ainda no Brasil, comparado com os outros países, você se alimentar de forma saudável ainda não é tão custoso como outros países envolvidos. a gente consegue vegetais, comidas, proteína, a gente tem em abundância aqui.
— E exercício físico, eu digo assim, você não precisa necessariamente se matricular uma academia, ter todos os aparelhos mais modernos. A gente pode simplesmente começar a fazer exercício em parque, você pode caminhar. A coisa é é sempre isso. E e em vez de você ficar esperando uma mudança gigantesca para começar, são pequenas mudanças no seu dia a dia. Sobre essas três pontos que a gente falou agora, ó. Vamos então começar a comer melhor. Vamos. Ó, não tenho, eu tô com uma situação financeira difícil, não vou conseguir fazer um esporte que eu vou ter que pagar por essa hora de esporte. Você pode caminhar, você pode começar fazer qualquer exercício físico é melhor do que nenhum exercício físico, né? E você começa a se organizar para dormir
— Uhum. Nada nada melhora se você não mudar, né? Mudar as estratégias. E se não tem o como ir na academia, vá fazer a caminhada. Não precisa comprar o tênis. Vai com o que você tem, mas comece, né? O primeiro passo é começar,
— Com certeza,
— Né? O o que costuma impedir essas
— Olha, eu acho que às vezes as pessoas, o que é mais difícil que a gente quer fazer tudo de uma vez e cada vez mais com a nossa sociedade que é muito rápida, as demandas são muito, a gente é muito imediatista, né? A gente quer os resultados na hora
— E até mais difícil acho que essa mudança dos hábitos, né? Porque eu digo que assim, é aquele perigo que a gente afastou, mas a gente não viu. É aquele, se você tiver hábitos muito saudáveis a sua vida inteira, né? Certo? Vai ser, por exemplo, aquele infarto que você evitou, mas você não viu o infarto de perto, então você talvez não dê tanto valor para isso, né? É, foi aquela aquele evento perigoso que você evitou, mas você não tem, não é tão palpável o quanto que você fez de bem para você mesmo. Isso acho que dificulta as pessoas, né, a realmente se engajarem nesse processo,
— Tá? Eu consigo reverter uma doença que tá para se instalar, mudando meu hábito de vida?
— Existe uma grande chance. Existe simb existe uma grande chance. A gente não pode dizer isso em todos os casos, mas a mudança do estilo de vida associada a cada vez, né, mais conhecimento da área de saúde. Existem sim muitos processos que a gente consegue reverter, né? E eu digo paciente, a gente só vai saber quando tentar, só vai saber como seu corpo responder
— Quando tentar. Mas mesmo que eu não consiga reverter, eu falo no mínimo vamos tentar fazer com que essa condição de saúde que já vai se instalar no seu
— Que não te cause consequências que vão impedir você de viver as coisas que você quer viver. Uhum.
— Acho que isso é o mais importante.
— Minimizar o impacto, né? Minimizar o
— Rotina vale mais que tratamento.
— Olha, eu acho que eles vêm juntos, mas eu eu sempre coloco isso para pros pacientes, né? É melhor você ter uma rotina saudável para você evitar de ter que fazer vários tratamentos. Na verdade, nem colocaria tanta forma, porque eu digo assim pros meus pacientes em muitas áreas, para muitas condições de saúde você vai ter que tratar. Tratar não quer dizer medicação, não quer dizer procedimento, estilo de vida que envolve hábitos. Isso é tratamento.
— E às vezes grande parte muito mais eficaz que muito medicamento, ou evita você precisar de muitos medicamentos e procedimentos. Então, para mim tudo isso é tratamento,
— Tá? E quais atitudes têm mais impacto?
— Olha, acho que foram essas três, né, Andréia, que a gente falou, alimentação
— Exercício físico
— E sono.
— São os acho que são os dos hábitos de vida. E claro, você evitar os vícios que a gente já sabe que causam muito problema saúde, como tabagismo, uso de bebida alcoólica, mas acho que se eu fosse eleger os três, né, que você deveria ativamente fazer, seriam esses: alimentação saudável, exercício físico regular, bom sono.
— Consulta médica quantas vezes ao ano?
— Eu eu digo, depende. Hoje em dia a gente não tem mais aquela coisa, você tem que vir do médico a cada se meses. Eu digo assim, você tem que ter um acompanhamento pra vida. O que eu defendo hoje, você tem que ter seu
— Que vai programar para você a sua saúde e vai dizer para você quando você tem que voltar. Tem gente que eu vou ver cada vez uma vez por ano, tem gente que eu vou ver mais de perto. Tem fases da vida do paciente que eu vou ter que ver ele mais de perto quando a gente tá colocando, por exemplo, uma estratégia em prática e depois ele não vai precisar ver o tempo todo. Eu digo, hoje em dia não tem como a gente fazer uma saúde ingestada. As pessoas são muito diferentes. O que elas querem é muito diferente e o que elas precisam é muito diferente. Eu preciso desenhar para cada um o que faz sentido.
— Até quando chegar no momento do ajuste certo, ela segue e vem só para fazer as consultas da forma que o senhor colocou
— Segue. Isso mesmo. A perda da de autonomia é hoje um dos maiores fatores de impacto na qualidade de vida ao envelhecer, mais até do que o próprio diagnóstico de doença. Muitas pessoas têm diagnósticos, mas continuam vivendo bem quando mantém funcionalidade e independência. O que mantém uma pessoa funcional ao longo do tempo? Eu acho que são são dois processos que são muito importantes. O primeiro, assim, a gente primeiro tem que a gente tem que controlar essa carga de doença, né? a gente não pode deixar uma condição de saúde ser tão grave, porque isso seifa toda essa funcionalidade, ou seja, a capacidade do paciente de operar sozinho sem uma depender de outras pessoas, tá? Outro fator que a gente vê muito, né, é a falta de musculatura.
Isso é uma coisa que limita muito o paciente, independente se ele tem ou não tem uma doença grave, né? Eu sempre falo pros meus pacientes, olha, a gente tem que cuidar dessa parte muscular, tá? Se num dia você tiver tanto pouco músculo, você não consegue nem se levantar sozinho, ir pro banheiro, aproveitar a vida vai ficar bem difícil,
— Ficar muito mais dependente, né? E aquele paciente que não gosta da musculação, porque a gente sabe que a musculação é o que vai melhorar o aumento dessa massa muscular, né, que vai aumentar. O que ele faz?
— Eu digo assim, o o exercício físico para os pacientes, eu sempre brinco que o melhor é fazer assim, ó, e se tem um que você não gosta, se é Não precisa eu falo assim, faça o que você mais gosta ou você menos odeia. Sim,
— Mas a gente tem que procurar essa parte lúdica também, Andréia, porque assim, uma coisa que o paciente não suporta ele ficar fazendo, é muito difícil ele ter
— E hoje em dia a gente tem tantas modalidades esportivas, né? Até prefiro, é melhor aquela caminhada de 2 km que a gente faz que aquela corrida de 10 que a gente não faz. Então, talvez ele não gosta de academia, mas será que ele não se adega um pilates a um treino funcional ou então não, ele acha muito monótono. Ó, pode não ser um um exercício típico de resistido que a gente faz, né? Uhum.
— Tipo de fortalecimento, mas ele gosta pelo menos de fazer um aeróbico, ele gosta pelo de fazer uma luta, alguma coisa dinâmica. Eu eu digo, antes da gente pensar no perfeito, a gente tem que convencer o paciente, né, a começar,
— Escolher alguma coisa, né?
— Mas se o senhor fosse indicar o melhor a musculação,
— Eu digo os dois, não tem como dizer. Hoje o que a gente acredita é isso, ó. o exercício aeróbico para viver mais, o exercício deção. Isso porque a grande mortalidade ainda não mudou, né? A grande mortalidade são condições cardiovasculares, derrames, infartos. Então assim, você tem que ter o aeróbico para viver mais, mais exercícios de fortalecimento muscular para viver melhor
— Melhor é o nome do nosso podcast.
— Isso tem tudo a ver. viver mais, cuidar melhor. Grava isso.
— Manter a autonomia é mais importante do que não ter uma doença crônica?
— Não, com certeza. Eu sempre falo pros pacientes, o grande objetivo aqui, né, a gente, eu falo assim, a gente reconhece as limitações da saúde, a gente não tira doença com a mão, não existe isso. Temos nossas limitações. O meu trabalho sempre com os pacientes, eu digo assim, eu eu estou aqui para ajudar você a viver mais tempo mais feliz e para tentar organizar sua saúde para que de que a saúde nunca seja a barreira que vai impedir de você fazer tudo aquilo que você quer fazer e viver tudo aquilo que você quer viver. Só que para isso a gente precisa ter uma uma organização, começar a estratégia cedo e ser consistente nessas
— E a família,
— Qual o papel da família nesse processo
— De manter autonomia, de apoio?
— Ó, a gente sempre pega os pacientes, a gente vê na prática, né, assim, o ambiente favorável paraa saúde faz isso florescer. o ambiente desfavorável é muito difícil você lutar contra um estímulo negativo. É que nem o paciente que quer comer bem, ele volta para casa, mas na casa só tem produto industrializado, só tem gordura industrializada, só tem carboidrato. vai ser muito difícil esse paciente comer bem, né? Quando todo o resto da família, a gente fala que assim, normalmente a gente tem que levar a mudança pra família toda
— Ou então colocar para ele, olha, esse esse ambiente vai te prejudicar muito. A gente vai às vezes ter que agir em ter sucesso com o paciente. E a família é crucial para isso.
— E tem uma boa aceitação da família.
— Olha, sempre esse processo de mudanças tem difíceis. Mas o que eu sempre noto às vezes quando o ambiente é muito ruim, eu falo pro paciente, sabe, no retorno, volta aqui com sua família,
— Traz ele para eu conversar
— Com eles. O acho que a pergunta que para mim, eu até recomendo que a gente se faça, porque é uma pergunta que eu faço no consultório paraos meus pacientes. Eu sempre pergunto para eles na primeira consulta, o que é o mais importante para você? O que você gostaria daqui a 30, 40, 50 anos, você gostaria de continuar né? depois de todo esse tempo. E quando eles me trazem isso, através disso que eu consigo convencer eles. Por exemplo, ah, eu quero estar brincando com meu neto com quando mesmo quando eu tiver 90 anos, 80 anos, você fala: "Ó, então para isso a gente vai ter que mudar algumas coisas, a gente vai ter que organizar algumas coisas". Eu entendo, tem que ter hábitos que não são saudáveis, que você gosta muito, mas talvez a gente tem que diminuir e equilibrar eles agora, fazer eles depois de você viver tudo isso, né?
— Uhum. Então, através do desejo deles, o que é importante pros pacientes, normalmente eu vejo o caminho para eles entenderem o que eles precisam fazer, que às vezes eles muitas vezes não têm essa visão, mas quando você coloca isso para eles do que eles querem chegar e do que eles estão fazendo agora, isso fica muito mais claro,
— Tá? O isolamento acelera esse declínio? Com certeza de todos os declinos. A gente sempre vê nos estudos, né, que os pacientes que tiveram um meio que os estimulavam de todas essas formas, de forma afetiva, de forma cognitiva, de hábitos mais saudáveis, esses pacientes eles vivem mais e melhor.
— Mais e melhor. Tô adorando esse podcast.
— Tudo bem. É o meu tema favorito. É isso que eu gosto de fazer na medicina. Pesquisas mostram que as pessoas com rede de apoio e vínculos familiares ativos vivem mais e melhor. O cuidado emocional e social também é fator da saúde. Qual é o papel real da família no envelhecimento? Esse o senhor acabou de falar, né, que é que é muito importante. Cuidar é proteger ou acompanhar? Olha, eu sou muito a favor, tá, da autonomia do paciente.
— Claro que a gente tem que tomar muito cuidado, porque em muitos processos de adoecimento, o paciente perde às vezes transitoriamente essa autonomia, tá? Mas eu acho que o envelhecimento junto com a família é todo mundo caminhar junto.
— Uhum. entender o que que é importante para esses membros dessa família, para fazer sentido que a gente vai propor para eles nessa caminhada de eles envelhecerem juntos, de mudarem juntos e de estarem lá um pro outro durante esse
— A super proteção também, né, é um risco.
— É um risco no sentido que a gente tem que tomar cuidado, porque muitas vezes a gente conhece muito bem o nosso familiar, mas às vezes ele não externou, expressou pra gente o que ele realmente espera do envelhecimento. E às vezes pode ser uma coisa até muito diferente do que a gente e do que um preconceito que a gente teve,
— Né? Ou seja, a gente colocou uma coisa que a gente assumiu sobre essa pessoa porque ela é muito próxima da gente e talvez não necessariamente seja exatamente o que essa pessoa tá
— Né? E e é muito importante, eu falo, né? Quando eu noto pelos hábitos de vida que cada membro da família tá tendo, tá muito desalinhado, eu acho muito interessante sem propor para is não é melhor a gente sentar todo mundo junto? Vamos alinhar pra gente entender a direção que todos nós queremos seguir.
— Isso acontece, doutor?
— Então o diálogo impacta diretamente nesse nesse processo. A gente precisa mostrar para eles, né? Porque muitas vezes cada um tá puxando a corda para um lado e aí não estão caminhando para lugar nenhum.
— Certo? E às vezes você como uma terceira pessoa, né, uma voz que não vai favorecer nenhum dos lados, coloca de forma mais objetiva e eles e finalmente eles percebem.
— Uhum. Então o cuidado ele começa antes da doença, né?
— Com certeza.
— Antes da doença.
— É. Se envelhecer é inevitável, adoecer não precisa ser. Então,
— Com certeza, a gente, como a gente falou desde o começo, existem condições de saúde que vão vir, não importa o que a gente faz, existem, mas a minha postura na saúde é nunca simplesmente aceitar isso. Eu sempre busco o máximo de qualidade de vida pro meu paciente por mais tempo. Independente se isso vai ser inevitável, eu vou fazer tudo o possível para que isso não seja. E mesmo que seja inevitável, a gente vai fazer o máximo para postergar esse processo, que meu paciente tenha o máximo de tempo para aproveitar tudo que ele quer.
— Claro. Claro.
— Qual a mensagem mais importante que você deixa pros nossos ouvintes diante do envelhecimento? Como Andréia disse anteriormente, a gente já nasce envelhecendo, né? É o que a gente falou, eu falo isso muito o futuro vai pertencer para aquelas pessoas que se prepararem para ele. A gente vai ter muita tecnologia, a gente vai ter muito conhecimento, cada vez mais. Então você tem a possibilidade de organizar a sua vida para você aproveitar tudo aquilo que você quer por muito mais tempo. Mas se você não se organizar, você pode queimar a largada,
— Você pode perder anos e anos de vida. E muitas vezes quando a gente tá, por exemplo, no vício ou num hábito não saudável, a gente não consegue enxergar o futuro, o futuro mesmo que a gente mesmo tá desejando. E às vezes, quando a gente coloca isso em perspectiva do, como a gente falou, onde eu quero realmente chegar, o que que é importante que para mim que eu esteja fazendo daqui a vários e vários anos, você reavalia as suas escolhas. E eu acho que é nesse processo que os profissionais de saúde cada vez t
— Claro. É, só para finalizar, me preocupa muito, né, tudo tá modernizando, melhorando tecnologia, internet e muitas pessoas buscando, né, fórmulas sagradas, milagrosas, né, isso também fica uma atenção especial nesses casos, né? Não procure essas fórmulas milagrosas que não existem, né? Olha o que eu digo assim, acho que na saúde como geral, a gente só pode usar recomendar aos pacientes aquelas os tratamentos, as estratégias, os procedimentos que a gente conhece os efeitos colaterais e conhece os benefícios. Tem muitas estratégias que vão ter sim efeitos colaterais graves, mas às vezes os benefícios vão ser muito maior. Mas o que a gente não pode fazer, o que acontece muito hoje em dia, né, é prescreverem tratamentos que não temos todos os dados sobre os efeitos colaterais. Isso não podemos fazer pro paciente, eticamente não é correto.
— Uhum. Sim. Então, busquem sempre um profissional especializado na área que cuida, sim, da saúde da pessoa idosa, né, que vai ter todo o acolhimento, toda a informação, todo o conhecimento para para apoiá-lo, né, tanto a pessoa idosa como a família. Muito obrigada, doutor. Agradecemos mais uma vez por ter aceitado o nosso convite. Esperamos em breve novos episódios.
— Foi um prazer te receber, doutor. Uma conversa muito rica. que agradeço. Fico muito honrado e feliz com esse convite da gente estar falando desse tema, que é o tema que eu mais adoro.
— Envelhecer é natural. O que não precisa ser é abrir mão da saúde e da qualidade de vida. O cuidado começa nas escolhas do dia a dia e sempre há tempo de ajustar o caminho. Nosso agradecimento especial ao Dr. Davi pela presença, pelas reflexões e por compartilhar conosco conhecimentos tão valiosos. Foi um prazer tê-lo neste episódio. Que este episódio seja um convite à consciência. O envelhecimento de amanhã está sendo construído hoje, porque viver mais é importante, [música] mas viver melhor é o que realmente faz sentido. Até o próximo episódio do Viver Mais, Cuidar Melhor.
Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação médica individualizada.
Alzheimer e demências
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A enfermagem da EPAD conversa com a família e monta o plano.